Casamento de Julho
24 Brigas
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO
CAPÍTULO XXIII — BRIGAS
O carro seguia pelas ruas intimidadoras da região de Isle of Lost e o silêncio pesado entre Damon e eu não me ajudava em nada a manter a calma. Meu namorado se mantinha com a expressão distante, provavelmente ainda absorvendo as informações sobre a mãe. Observo-o pelo canto do olho, preocupada com sua reação.
Mas antes que eu reunisse toda a minha coragem para tocar no delicado assunto, Damon estaciona o carro em frente a uma casa de luxo que não combinava em nada no meio de toda a pobreza que cercava a região. Homens de aparência suspeita surge, completamente armados e prontos para atirar no primeiro que ousasse desobedecer a suas recomendações.
— Fique aqui. Eu já volto. – Pede Damon, tirando o cinto de segurança.
— O quê? Não mesmo. Eu vou com você. – Afirmo, decidida.
— Elena... – Damon suspira, cansado. – Esse lugar é perigoso. Você não imagina as barbaridades que ocorrem nessa casa. Por isso, é melhor você ficar por aqui.
— Se é tão perigoso assim, então eu realmente não posso permitir que você entre nesse lugar sozinho. Eu vou com você e não se fala mais sobre isso. – Retruco e Damon bufa, inconformado.
— Por que você é tão teimosa? – Resmunga, respirando fundo para manter a calma. — Por favor, fique aqui. Eu prometo que não demoro.
Em resposta, retiro meu cinto de segurança e desço do carro, ignorando os chamados repreendedores e alarmados de Damon. Aproximo-me com cautela da entrada da protegida casa. Os dois homens que vigiavam a luxuosa casa me encaram de maneira ameaçadora e aponta suas armas em minha direção. Paro de andar no mesmo instante e Damon se loca em minha frente, exibindo sua postura intimidadora.
— Quem são vocês? – Pergunta um dos homens, encarando-nos com atenção.
— Vão embora. – Grita o outro, alterado.
— Volta para o carro, sua maluca. – Sussurra Damon, irritado.
— Eu não vou voltar. – Insisto, cruzando os braços. Isso parece deixar Damon ainda mais indignado.
— Que droga, Elena! Será que dá para fazer o que eu estou pedindo? Eu não vou colocar sua vida em risco dessa forma. – Damon me encara com os olhos brilhando em súplica. – Por favor, volta para o carro.
— Eu não vou voltar. – Repito e o outro parece se segurar para não gritar de raiva, enquanto eu me mantenho séria e determinada.
— Se vocês não se identificarem ou se não forem embora agora mesmo, nós teremos o prazer de transformá-los em queijo suíço, enchendo-os de buracos de bala. Vocês que decidem. – Ironiza o segundo guarda, aproximando-se enquanto destrava a arma. – E então?
Ao ver que eu não mudaria de ideia, Damon geme incomodado e suspira, enquanto usava seu corpo como uma espécie de armadura para me cobrir e impedir que os seguranças de aparência perigosa me encarassem ou ao tentassem me machucar. Ele então suspira e ajeita a postura, parecendo ainda mais intimidante.
— Nós viemos falar com o palhaço do Kai. – Responde Damon, aproximando-se, sem se deixar intimidar pela forma ameaçadora como éramos encarados.
— Afastem-se e se identifiquem! – Exige o primeiro guarda que me abordou, parecendo um pouco mais disposto a nos ouvir.
— Identificação... – Damon ri com escárnio e avança de maneira ainda mais intensa. Os dois homens se encolhem um pouco, mas permanecem de pé e tentam corresponder aos olhos gélidos do rapaz que se aproximava. – Você já ouviu falar sobre o Diablo Mortal?
— Diablo... Moral? – Repete o guarda, parecendo temer falar o nome em voz alta e acabar atraindo uma maldição. Damon solta a minha mão, mas me lança um olhar que dizia “não saia de perto de mim”. – Isso... como podemos ter certeza de que está dizendo a verdade?
Com movimentos ágeis demais para que os guardas tivessem qualquer chance de revidar, Damon puxa o homem pelo cano da grandiosa arma que ele segurava e o joga para cima do segundo segurança, desarmando-o também. Em poucos segundos, Damon possuía as duas armas em mãos e as apontavam para as cabeças dos guardas.
— Eu acho melhor vocês ficarem quietinhos aqui se derem pelo menos um pouco de valor a vida de vocês. Eu vou entrar para conversar com Kai e eu acho melhor vocês não interferirem ou eu posso ser muito... muito... – Damon se abaixa e empurra as armas contra a cabeça dos homens, dando um sorriso assustador. – Muito cruel. Vocês entenderam?
Não há respostas. Talvez eles estivessem acostumados com a crueldade de pessoas como Damon ou simplesmente foram criados para proteger seu líder. Damon dá uma risada irritada e atira duas vezes, quase acertando os rostos dos homens, que se encolhem.
— Vocês entenderam, rapazes? – Questiona Damon, encarando-os com seriedade.
— Sim. – Respondem uníssonos, desviando o olhar para não ver os olhos assustadores de Damon. Eles tremiam diante da fama o Diablo Mortal e da forma como a voz de Damon conseguia ser incrivelmente intimidante.
— Ótimo. – Sussurra Damon, fazendo sinal para que eu o seguisse.
Entramos na casa e Damon me entrega uma das armas, encarando-me com seriedade. Temendo que os homens voltassem e tentassem nos atacar, recarrego a arma e me mantenho atenta para qualquer movimento suspeito. Assim como fazíamos nos acampamentos de tio Clint, andamos com cautela pela casa, nos comunicando apenas por gestos e olhares.
Alguns homens de Kai não demoram a aparecer, mas eles são nocauteado por Damon em questão de segundos. Depois de muito procurar e de nos livrar dos capangas dele que se aproximavam, nós finalmente encontramos a sala onde o responsável pelo Octógono estava.
Damon derruba a porta com um forte chute, assustando todos que estavam na sala. Em questão de segundos, nós nos tornamos alvos de inúmeras armas apontadas para nós. Kai, que estava sentado em sua mesa de maneira, arregala os olhos e prende a respiração.
— O que vocês estão fazendo aqui? – Questiona Kai, engolindo em seco.
— Sabe, Kai, eu não gosto que as pessoas interfiram na minha vida. E menos ainda, que revirem o meu passado. – Damon se aproxima de Kai sem se importar que cada vez mais ele ficava perto do seguranças e suas armas. – Mas você fez isso e eu não estou nada feliz. E você sabe como eu fico um pouco fora do controle quando não estou feliz.
— Damon! – Sussurro, temendo que ele acabasse sendo vítima de um ataque violento daqueles oito homens na sala que seguravam armas de pesados calibres e que fariam um estrago e tanto na cabeça de um ser humano.
— Damon, eu... eu... eu posso explicar. – Kai parece ficar preocupado com o as ações de meu namorado.
— Você tem um minuto para explicar o que você está planejando ou eu vou acabar com esses seus seguranças e colocar sua cabeça no óleo quente até você morrer. – Damon ameaça Kai, mas os homens parecem se divertir. – Acharam engraçado?
— Você acha mesmo que tem alguma chance contra nós? Somos oito contra um. – Aponta um dos seguranças de Kai e dessa vez é Damon quem ri, olhando Kai, enquanto aponta para o homem.
— Está vendo isso, Kai? Ele acha que eu não dou conta de oitos homens. – Comenta Damon, parecendo se divertir com o pensamento.
— Fiquem calados. – Resmunga Kai com seriedade. Ele parece ficar ainda mais tenso, mas logo abre um sorriso culpado, encarando Damon em desespero. – Não dê ouvidos a eles. Ainda estão em treinamento.
— É claro. – Ironiza Damon, dando de ombros. – Mas agora vamos ao que importa. Por que você entrou em contato com Lilly e como a convenceu a voltar para Hawkins?
— Eu não...
— Não me testa, Kai! Você sabe do que eu sou capaz. – Damon interrompe Kai, dando um soco na mesa do homem, que se encolhe assustado. – Eu quero respostas! E eu acho bom você me dizer exatamente o que eu quero da próxima vez que abrir a boca.
— No próximo mês, teremos um novo torneio de lutas clandestinas em Londres. O prêmio é alto. Muito alto. O bastante para me tornar um dos homens mais ricos do mundo. E eu quero que você participe. – Responde Kai, surpreendendo-me. – Imaginei que seria muito mais fácil de convencer a ir para Londres se sua mãe o convencesse. E bom, com a ajuda de seu irmão mais novo, eu descobri histórias interessantes sobre Lillian Graham. Então, tudo o que precisei fazer foi dizer que uma dessas histórias acabariam na boca na mídia se ela não viesse para Hawkins, assumir o papel dela como mãe. Até mesmo mandei algumas informações sobre a sua vida para convencê-la e ela prontamente concordou.
— Você... a chantageou? – Questiona Damon, um pouco abalado com a informação.
— Está com raiva? Acumule mais desse sentimento e vença todas próximas lutas. Isso vai provar para os organizadores do evento que você tem capacidade para competir com os outros monstros dessa competição. Então, prepare-se e dê o seu melhor. Em um mês, você se tornará uma lenda das lutas clandestinas em Londres e no mundo. Além de...
— Eu não vou mais lutar. – Declara Damon, fazendo Kai o encarar sem reação. – Eu estou definitivamente fora desse mundo.
— O quê? Não! Não! Você não pode simplesmente desistir de lutar assim. E como eu terei lucro e...
— Eu não me importo, Kai. Eu não vou mais lutar e não vou para Londres. – Damon então se vira para mim e sorri com doçura. – Eu tenho muitos motivos para ficar aqui. Eu não quero mais fazer as pessoas que eu amo chorarem ou se arriscarem por mim.
— Se você sair, a sua namoradinha irá sofrer as consequências de seus atos. E eu não sei se você vai gostar muito do que eu farei com ela. – Ameaça Kai, encarando-me de maneira perigosa.
Não me deixo intimidar e me aproximo de Damon. O sentimento de orgulho e alegria por saber que ele estava decidido a parar de lutar foi o bastante para me dar uma coragem que eu nem mesmo sabia que existia dentro de mim e coloco a minha arma contra a testa dele. No mesmo instante, eu me torno o alvo dos oito seguranças, mas eu nem mesmo me importava com isso.
— Eu quero ver você tentar, Kai Parker. Eu posso ter cara de sonsa, mas eu posso ser tão ou até mais perigosa que Damon se eu tiver as motivações certas. – Respondo, encarando-o com tanta fúria e com a voz tão cortante, que ele se encolhe, intimidado.
— Eu te disse antes, Kai. Eu não sou mais o mesmo otário de anos atrás. Encoste no fio de cabelo de uma das pessoas que eu amo e eu juro que vou te caçar até o inferno se for preciso para acabar com você. Eu vou destruir a sua vida completamente e te humilhar tanto que você nunca mais será capaz de olhar a sua própria imagem em seu espelho. Então, pense bem no que você vai fazer. – Fala Damon e logo em seguida, ele começa a lutar com os seguranças de Kai, que mais uma vez, são facilmente nocauteados, enquanto permaneço com a arma em sua cabeça. Kai se empalece e arregala os olhos, assustados. – E como pode ver, eu estou ainda mais mortífero. Então pense bem no que você vai fazer e nas ameaças que está fazendo a minha namorada. Estamos entendidos?
— Sim... – Sussurra Kai, amedrontado.
— Que bom. Agora, eu preciso ir. Eu tenho o dia para aproveitar a minha namorada. – Responde Damon, sorrindo de forma ladina para mim.
[...]
Dois dias se passaram desde que Damon havia colocado um ponto final em seu vínculo com o Octógono. Desde então, nós passamos a agir como um verdadeiro casal. Sem mais mentiras ou teatros para que todos acreditassem que nos odiávamos ainda. Sem sorrisos discretos ou olhares maliciosos, quando ninguém estava nos encarando.
E eu não poderia estar mais feliz com essa mudança em nosso relacionamento. Agora, eu não precisava mais ter que ficar me controlando o tempo todo para não expulsar as oferecidas que faltavam pular em cima de meu homem para que as pessoas não desconfiassem de nós. E isso era algo que eu havia desejado a muito tempo.
Ainda assim, eu não conseguia evitar me sentir insegura com a possibilidade de voltarmos a ser incomodados por Kai. Eu continuava com aquele pressentimento de que ele não desistiria tão fácil assim de ter Damon em suas lutas clandestinas, ainda mais quando ele é a sua garantia de dinheiro fácil.
Por isso, mesmo aproveitando a liberdade que havíamos conseguindo para agirmos como um casal, tinha momentos em que eu não conseguia evitar a desconfiança e acabava procurando por possíveis capangas de Kai que pudessem estar de olho em nós à distância, exatamente como eu fazia nesse momento.
— O que acha, Elena? – A voz de Damon me traz de volta a realidade e eu o encaro, confusa. – Você ouviu o que eu disse?
— Desculpa. – Lamento, sorrindo sem graça.
Nós estávamos na degustação do buffet que contrataríamos para cuidar da alimentação no dia do casamento de nossos pais. A responsável pela empresa sorri e parece esperar uma resposta de minha parte. Damon suspira e me encara preocupado.
— Está tudo bem? – Questiona o rapaz, analisando-me com intensidade.
— Sim. Eu apenas me distrai. Não se preocupe. – Afirmo, sorrindo na tentativa de convencê-lo. Ele ainda não parece acreditar em minhas palavras, mas nada diz. – Sinto muito. Mas o que vocês estavam me perguntando mesmo?
— Depois da apresentação, eu estava explicando para o sr. Salvatore a minha sugestão para o cardápio do casamento. Como coquetel teríamos os canapés de carpaccio e kani com kiwi, salmão com pão preto e torradas e patê de fois com geleia de framboesa. Na entrada, sopa de tomate com ervas finas, salada verde com queijos variados em cubos e torradinhas ao molho de azeite e nozes. Os pratos principais seriam filé mignon com shimeji sauté, purê de batatas e alho ao molho oriental de shoyo, salmão marinado em ervas, com arroz e sauté de zuchini coradas ao molho de alcaparras, espaguete de espinafre e de tomate, servido ao molho de tomates com tomilho e lascas de parmesão e a torta de açafrão. Como sobremesa, nós teríamos mousse de cappuccino ao molho de chocolate amargo, bem-casados e doces caramelizados. Além disso, será servido o bolo recheado com creme de abacaxi que vocês encomendaram para ser cortado pelos noivos. – Explica April, sorrindo de maneira polida.
— Parece muito bom para mim. – Respondo com sinceridade. Encaro Damon, esperando um aval dele. – O que acha? Eu gostei bastante desse cardápio e acho que minha mãe vai adorar as opções.
— Eu também gostei. Por mim, podemos fechar esse cardápio. – Afirma Damon, dando de ombros.
— Então com isso, nós terminamos de definir o cardápio do casamento. – Responde a jovem gerente da loja de cabelos loiros, ajeitando o óculos em seu rosto. Ela então volta a prestar atenção na tela de seu computador. – Eu vou imprimir os contratos agora e assim, finalizamos aqui por hoje.
— Tudo bem. – Concordo, sorrindo agradecida.
Assim que todas burocracias foram acertadas e os contratos assinados, Damon e eu fomos liberados. Suspiro aliviada, espreguiçando-me quando deixamos a loja. Damon também esboçava uma expressão cansada. Por mais divertido e saboroso que fosse a degustação do buffet, nós tínhamos acordado cedo para conversar com os responsáveis pela decoração da chácara onde será o casamento e não paramos até agora.
— Já está na hora do almoço. Você quer almoçar ou prefere ir para casa e comemos mais tarde? – Questiona Damon, encarando o próprio celular, enquanto saíamos da loja. – Eu particularmente não estou com fome depois de ter experimentado tanta coisa gostosa.
— Eu também estou satisfeita. Vamos para casa dormir e lanchamos alguma coisa quando acordarmos. – Respondo, abraçando o braço de Damon, que encosta a cabeça na minha e deixa um beijo em minha testa.
— É um ótimo plano. Eu estava...
Damon para de andar de repente e se interrompe. Estranho seu comportamento e a forma como seu corpo se tornou tenso. Acompanho o olhar de Damon e encontro Stefan acompanhado por seus colegas da equipe de basquete da faculdade. Aperto o braço de Damon, preocupada com a possibilidade de ele tomar uma atitude precipitada e acabar se envolvendo em grandes problemas.
Desde que descobriu da proposta de parceria feita pelo irmão mais novo, Damon não tinha visto Stefan. No entanto, eu sabia que era apenas uma questão de tempo até que eles acabassem se esbarrando e resultando em insultos intensos e trocas de socos, como sempre ocorre quando os dois resolvem brigar.
— Vamos embora. – Sugiro, puxando o braço de Damon para ter sua atenção, mas seus olhos continuam fixos em Stefan, que felizmente ainda não havia notado nossa presença, enquanto conversava euforicamente com os colegas de time. – Damon!
— Tudo bem. – Resmunga, suspirando.
Continuamos nosso caminho contrário ao local onde estavam Stefan e seus amigos. Mas como era de se esperar de minha sorte, nós não conseguimos voltar para casa e dormir a tarde inteira, como era o esperado. Antes que déssemos o segundo passo, as risadas altas e maldosas dos amigos de Stefan se tornam mais próximas.
— Vejam só. Damon Salvatore e Elena Gilbert andando de braços dados como um lindo casal de namorados. Quem diria que eu viveria tempo suficiente para ver isso acontecer. – A voz carregada de malicia e deboche de Stefan faz com que Damon parasse de andar se virasse para encarar o irmão com uma expressão dura. Aperto o braço de Damon mais uma vez e me coloco na frente dele. – O que foi? Não está feliz em me ver.
— Ignora, Damon. Não vale a pena. – Afirmo, tentando atrair ao máximo a atenção de meu namorado, mas eu sabia que a raiva que Damon sentia de Stefan naquele momento falava muito mais alto do que qualquer comentário racional de minha parte.
— Uau. Elena, você é rápida mesmo. Alguns dias atrás você estava toda derretida por mim e agora se tornou mais uma que se entregou a lábia de Damon? – Provoca Stefan com um sorriso irônico, fazendo os amigos dele rirem. No mesmo instante, preciso usar todo o peso do meu corpo para segurar Damon, que ameaçava ir para cima de Stefan.
— Lava a boca para falar da Elena, babaca! – Exige Damon, começando a perder a pouca paciência que tinha. Ele se debate e eu sabia que ele só não tinha socado o rosto de Stefan, porque não queria me machucar. Sua reação faz com que os rapazes do time de Stefan se afastassem, amedrontados. Stefan também parece um pouco receoso, mas ele permanece de frente para o irmão mais velho, encarando-o com o queixo erguido.
— O que foi? Você não sabia? Você é só o brinquedinho que ela está usando para me esquecer. Elena sempre foi apaixonada por mim e sempre será, porque você sabe a verdade, Damon. Ninguém nunca vai te amar. Nem mesmo sua mãe foi capaz disso, como pode achar que com Elena será diferente? – Questiona Stefan, cruzando os braços de maneira prepotente.
— Uou! Isso deve ter doído nele. — Comenta um dos amigos de Stefan, divertindo-se com as provocações do capitão do time. Os outros riem, concordando, e isso faz com que Stefan estufe o peito, orgulhoso.
— Cala a boca, Stefan. Você não sabe de nada! – Respondo, furiosa. Encaro Damon, que parecia abalado com as palavras de Stefan.
— O quê? Você ficou ofendido? – Ironiza Stefan, animado com os incentivos que recebia dos amigos. – Achei que já soubesse a verdade, afinal, foi preciso que sua mãe fosse chantageada para que ela voltasse para ficar com você e....
E então tudo aconteceu muito mais rápido que meus olhos puderam acompanhar. Em um momento, Stefan ria e fazia piadas da dor de Damon, e no outro, ele foi atingindo por um violento soco no rosto, caindo atordoado no chão. Damon nem mesmo espera que Stefan se recuperasse para continuar a golpear o rosto do mais novo, completamente tomado pela fúria. Eu tento afastá-lo, antes que uma tragédia acontecesse, mas era tarde demais para conseguir controlá-lo. E tudo o que consigo fazer é gritar por ajuda, vendo-o descontar toda a sua ira em Stefan.
As pessoas aparecem, mas ninguém é capaz de tirar Damon de cima de Stefan. A situação se tornou tão violenta e fora de controle, que Damon só parou de bater em seu irmão mais novo, quando a polícia apareceu e com a ajuda de três homens, conseguiu separá-los, enquanto Stefan permaneceu inconsciente no chão e noto que todos os seus amigos haviam fugido.
Suspiro, vendo um policial solicitar uma ambulância para levar Stefan ao hospital, enquanto Damon foi algemado e levado para a viatura. Tento interferir, mas eles nem mesmo escutam o que eu tinha a dizer. Infelizmente, dessa vez, Damon havia ido longe demais e teríamos mais um problema para enfrentar.
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