Casamento Arranjado?

16 Capitulo 14 - Reencontros - Parte 1


Notas iniciais
YOO Minna!! Desculpem pela demora, o motivo é o mesmo de todas as outras notas iniciais. MAS, como entrei de férias planejo postar mais. Resolvi cortar o capítulo em dois pra não ficar muito cansativo pois ele ficou muito grande, e nem todos aqui estão acostumados a enormes capitulos. Recebi leitores novos (e estou muito feliz!) e agradeço por terem comentado! Boa leitura!

Casamento Arranjado? — Capítulo 14 — Reencontros — Parte 1

– Miku, eu já disse: Eu não senti nada com o beijo, que coisa! – Bufou Luka.

– Sei, até parece... Você sempre foi a mais aberta entre nós, e disse que foi só um beijo?! Sem detalhes mais específicos, sem contagens de segundos? Nada?! – Eu perguntei.

– E você disse que era BV... – Argumentou Rin, tomando seu suco de laranja.

– Eu... Disse? – Luka perguntou desconfiada.

– Sim. – Eu e Rin falamos juntas, um pouco alto demais.

– Amigas pra quê né? – Rin ergueu o copo como se fosse brindar, e depois deu um grande gole no suco.

Sério, acho que ela tem problemas com laranjas. Sempre que ela bebe muito ela começa dizer coisas estranhas. O problema é que ela AMA laranjas mais que tudo, e tudo o que tem laranjas no meio...

Essa frase ficou meio estranha...

– Luka, nós sabemos que você é, quer dizer, era... Aquela sigla que você não gosta. O Gakupo te beijou, e eu sei que você sentiu alguma coisa, seja negativa ou positiva. – Falei.

– É, você se faz de durona pra proteger o seu coração, mas na verdade é a mais sentimental entre nós. – Disse Rin — Os livros que você lê devem ter alguma influencia nisso que você sente, sei lá. E só a Miku é que aainda é BV.

Na verdade, não sou não.

Quieta, elas não precisam saber. Não agora.

– Nada há ver, digo isso pra vocês duas. Eu não me lembro de ter dito que era aquela sigla. Eu digo que eu não senti nada e pronto. E os livros de romance são bons. E Miku, o que te faz pensar que eu posso ter sentido alguma coisa com o Gakupo?

– O que aconteceu entre vocês na festa da Meiko. – Cruzei as mãos e as coloquei sob a mesa. Minhas apostas sempre tem um motivo, e não é a adrenalina e a emoção de realizá-la e conclui-la. Luka sempre trazia um livro consigo, sempre, e dizia que alguns minutos de leitura a acalmavam. E não discordo disso, já que sou a favor de um mundo melhor e sem guerras.

Um fato: Garotas de cabelo rosa sempre são perigosas. Sempre.

Estávamos na mesa da cozinha estudando, ou melhor, tentando estudar, por aquilo não estava dando em nada.

– Ah, claro – Luka falou ironicamente -, se aquilo não passasse de uma A-P-O-S-T-A!

– E daí? Não quer dizer nada, bíblia humana. – Rin afirmou.

– Pra MIM, isso diz tudo. – Luka cruza os braços e continua. – Sério, estamos perdendo tempo falando de algo que vai dar em nada.

– Bom, pelo menos sabemos que você sentiu alguma coisa. – Afirmei. – Só não sabemos exatamente o que.

– E não vão saber.

– Você acabou de afirmar que você sentiu alguma coisa. – Rin disse, com a voz divertida.

– E lá vamos nós de novo... – Revirei os olhos, dobrando a lateral da toalha da mesa, já estou tão entendiada.

– Ai meu Kami... Já chega por hoje. Eu tenho que estudar e...

– Não vou sair daqui até você contar como foi. – Diz Rin.

– Nem eu.

– Então fiquem aí, plantadas. Tchau! – Luka pulou da cadeira, e andou na direção porta, mas parou ao me ouvir dizer:

– Ei, eu tranquei a porta, não tem como sair!

– Vir estudar com vocês é fogo! – Ela bufou e voltou pisando duro e quando sentou na cadeira com estofado, fez um barulho parecido com um pum, e rimos com isso, o que fez ela ficar com mais raiva ainda.

– Eu sei que você me ama. – falei. De repente me lembrei de uma coisa, e não pensei duas vezes em dizer — Ei, vocês viram o que a Meiko fez hoje?

– O que? – Elas disseram juntas.

– Ela estava estranha hoje, quando fui entregar o trabalho de História, acidentalmente derrubei o dela e ela não me olhou feio, como eu esperei que ela fizesse, desde o acidente do sábado. Lembrem-se?

– Sim, quando ela surtou no seu prédio... – Disse Luka — Eu me lembro, foi ontem.

– Foi quando dei aquele gancho de direita nela... – Disse Rin, olhando tristemente para o copo vazio de suco de laranja.

– Ela nem ficou brava comigo, deu apenas um olhar vago. O que ela quis dizer com isso?

– Sei lá, só sei que já passou. O que é bom.

– Será que tem a ver com o Kaito? – Droga, toda vez que falam esse nome minha cabeça começa a girar.

– Com certeza. – disse Rin – Aquela ali é apaixonada por ele, você sabe disso, e provavelmente quando soube que vocês iriam se casar, ficou “pê da vida”.

– Sem sombra de dúvidas. – Afirmou Luka.

– O que eu faço? Ela vai querer me matar! – Coloquei as mãos na cabeça, já imaginando as dezenas de formas de como ela iria crucidar.

– Só mantenha distância. – Disse Luka.

– Mais do que já tem. – Completou Rin.

* * *

Depois de mais algumas horas atormentando a Luka, e falando de besteiras, resolvemos estudar e ficamos assim pelo resto da tarde, que passou voando. Quando deu seis horas elas foram embora, e comecei a me arrumar pra ir pro jantar na casa dos meus pais.

Fui pro quarto, tomei um banho relaxante, vesti um roupão, enrolei a toalha na cabeça e fui pro closet.

Pensando bem, com que tipo de roupa eu devo ir?

Um vestido simples, mas sofisticado? Ou um “cheguei!”? Um preto? Quando eu for ver o Kaito já vai estar aqui, e eu não quero que aconteçam “acidentes” (feitos por ele mesmo), como sempre acontece.

Mas essa não é a questão agora.

Ai Kami, o que eu visto?

Na minha humilde opinião, vá de um vestido preto. Essa negatividade combina com preto, e com o seu futuro NOIVO. Sem falar que aquele vestido preto justo com detalhes em prata que você comprou semana passada é lindo, e nem usou a ainda.

O conselho do vestido eu aceito, mas dispenso sua opinião, ok?

Você é quem sabe. Quem vai vestir o vestido é você, e eu estarei lá para... Ajudar, como eu sempre faço.

Nem pense que eu vou deixar você tomar conta da minha cabeça hoje. Melhor ter outros planos, isso sim.

Ah, minha querida eu... Eu tenho, e você?

O que quer dizer com isso? Ei! Fale alguma coisa! Não me deixe no vácuo!

Depois disso, a Dark Miku, o outro lado negro da minha personalidade que eu prefiro não conviver, foi embora e não voltou mais.

Vesti aquele vestido preto com detalhes prata que ela aconselhou, e acabou ficando bonito. Fui secar o cabelo e fiz com que ele ficasse todo “jogado” de um lado e deixei ele solto. Coloquei um Scarpin preto, uma gargantilha banhada a prata com diamantes e uma brinco redondo também de diamantes que ganhei de aniversário no ano passado. A maquiagem foi um pouco mais elaborada, com uma sombra esfumaçada preta, lápis bem preto e delineador mais puxado no fim. Pra meu rosto não ficar muito pesado, passei um gloss rosa.

Depois de pronta, arrumei minha bolsa e fui esperar na sala. Quando cheguei lá, a campainha tocou, e gelei no mesmo instante. A campainha tinha um som simples, mas se tocada muitas vezes fica irritante. Mas ela soou como um som musical, aquele som que indicava que o ser vivo daquela porta iria me condenar.

Ele tinha chegado. Olhei pro relógio, e marcava sete horas. O tempo passou voando!

A campainha tocou mais uma vez, e acordei do transe. Respirei fundo 3 vezes enquanto andava em direção da porta.

Toquei a maçaneta gelada e tremi. Destranquei a porta, e quase parei de respirar.

Kaito usava um blazer preto e uma calça jeans escura, e uma camisa branca social.

Ele estava encostado no batente da porta, com a mão sobre a porta, bem próximo de mim.

– Ora Hatsune, parece que estamos combinando... – O que era verdade, de fato. Preto com preto.

– Posso desfazer isso, só me dê mais uma hora ou duas...

– Nem pensar, já estamos atrasados. – Ele se endireitou e olhou o relógio de pulso, o que parecia ser bem caro.

– Mas são sete horas, e você disse que me buscaria nesse horário.

– A casa de seus pais é longe, e não podemos chegar atrasados, por isso vamos logo.

Ele me puxou pelo pulso pra fora do apartamento, não muito forte, mas o suficiente para me tirar dali. Ele fechou a porta e trancou, com uma chave tirada não sei da onde.

– Pronta? Vamos logo.

– Ei, espera! – Soltei meu pulso da mão dele com força – Onde você conseguiu essa chave?

– É chave reserva. A que estava debaixo do tapete. Quando voltarmos eu devolvo.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele me puxou pro elevador.

Ele apertou o botão e o elevador abriu. Quando as portas se fecharam, notei que nossas mãos estavam entrelaçadas. Soltei-as levemente e ele olhou pra mim. Nossos olhares se cruzaram mas rapidamente desviei. Não falamos nada até chegar o carro dele, que estava estacionado do lado de fora do prédio.

Inesperadamente ele abriu a porta do carro pra mim, e me mostrei surpresa. Ele deu um sorriso de canto, e entrei no carro, sem cerimônia. Ele deu a volta pela frente do carro, e acabei por analisá-lo melhor.

Ainda estava com o sorriso de canto. Bufei e coloquei o cinto. Ele abriu a porta e entrou.

Logo já estávamos na estrada, e ele resolveu ligar o rádio. Após algumas músicas passarem e passarem, uma delas me chamou atenção.

Watashi no koi wo kigeki no jurieto ni shinaide

Kokokara tsuredashite...

Sonna Kibun yo

Nossa! – Dissemos juntos. Olhamos um pro outro, mas desviamos o olhar.

Essa era a nossa música, desde que éramos pequenos. E tinha anos que eu não ouvia ela.

Era um dueto, e sempre cantávamos juntos quando passava no rádio. Só que agora, quando ouço agora, fico meio confusa, eu não sei o que fazer.

Fico calada como se ela nem estivesse passando?

Quando dou conta, já estou cantando.

– Papa to mama ni oyasuminasai, Seizei ii yume wo minasai, Oto na wa amou neru jikan vo... – Devo dizer que ainda gosto muito do som e da voz da moça.

– Musekaeru miwakuno Caramell, Hajirai no suashi wo Caramell, Konya wa doko made ikeruno?

Ow! Kaito estava cantando comigo como costumava fazer! E ele tem uma voz mudada, já que a dele era bem mais fina quando criança. E devo admitir que não é ruim, é até agradável.

Ui, catchorra!

Calada. Não falei nada demais.

Quando demos conta, nós dois estávamos cantando a música juntos, como sempre fizemos, em perfeita sincronia.

Quando ela acabou, o rádio seguiu sua programação, mas era como se o mundo ao redor girasse lentamente, e a minha cabeça estava girando também.

– Você está bem? – Perguntou Kaito, com um ar levemente preocupado.

– Estou... – Disse seca. – Quer dizer, estou bem sim, obrigada.

Acho que fui um pouco grossa, mas acabei por me desculpar. Era impressão minha ou ele estava preocupado comigo?

Eu podia dar patadas, respostas curtas e grossas, mas não estava com vontade.

Estranho, se tratando com ele.

Por sorte o rádio não passou mais músicas antigas nossas, só músicas atuais e internacionais.

– Miku.

– Sim? – Vir-me-ei da janela pro rosto dele, o encontrando com o olhar concentrado

– Posso perguntar uma coisa?

– Hum... Depende.

– Como assim?

– Ah, esquece. Dependendo da pergunta eu posso responder, só isso.

– Então ta. É... Por que você foi morar num apartamento sozinha no ultimo ano do colegial? Tipo, não é meio cedo?

Respirei fundo e disse:

– Eu sempre fui uma menina independente, e quando tive essa oportunidade, peguei.

– Miku.

O carro parou no sinal vermelho e ele inclinou o corpo na minha direção. Olhando bem nos meus olhos, ele disse por fim:

– Eu sei que você está mentindo.

Droga. Ele sabia.

Há. Não pode escapar dele.

Posso e vou sim.

– Não estou mentindo. – Disse estreitando os olhos. Talvez eu conseguisse disfarçar que estava mentindo.

– Está sim. Basta olhar bem no fundo dos seus olhos. A sua pupila fica mais estreita, e a sua boca – Ele foi atrevido e segurou o meu lábio inferior, se aproximando. – fica bem fechada, o que é provocador. Não adianta mentir pra mim.

– Seu atrevido. – Tirei a mão dele de mim, e apontei pro sinal, que já estava verde. – Pare de enrolar e vai logo, já estamos atrasa...

– Hatsune!

– O que?!

– Por que mente pra mim? Eu estou querendo te ajudar e você fica bancando a difícil.

– Por que você quer me ajudar?

– Por que eu quero ser seu amigo de novo, caramba! – Ele bateu no volante. Estava realmente bravo, o que não era comum, mas respirou fundo e voltou a dirigir — Não notou na nossa situação? Nós vamos nos casar, Miku. CA-SAR.

– Eu sei Kaito! Só que eu não sei mais o que pensar sobre isso. Dá vontade de largar tudo e sair correndo, mas eu sei que tem pessoas dependendo de mim, essa é a razão pela qual eu agüento tudo isso. – Falei tudo, e me senti mais leve. Era tudo verdade, mesmo.

– Eu vou pelos mesmos motivos, mas eu quero ser seu amigo. Iremos conviver juntos todos os dias depois que entrarmos na igreja. Nós teremos que aprender a conviver um com o outro. – Ele virou uma esquina e eu soube que estávamos perto da casa dos meus pais.

– Eu sei. Mas nós não fazemos o tipo um do outro, o que não facilita as coisas.

– Isso não ajuda muito, mas – Ele negou com a cabeça. – teremos que conviver com o outro, com as diferenças também. Não sou tão mau quanto você pensa.

– Sério? – Arqueei as sobrancelhas, surpresa.

– É. Eu tenho minhas qualidades, assim como você.

Respirei fundo e depois de alguns segundos olhando pela janela, perguntei:

– Onde essa conversa vai nos levar?

– Eu não sei. Mas acho que poderia tornar a nossa relação melhor.

O pior era que eu não podia negar. Tinha uma relação entre nós, isso eu já sabia. Só estava tentando negar. E agora não tinha mais uma segunda opção, o que ele disse era verdade.

– É, acho que sim.

Quando falei, nenhum de nós dois voltou a falar, só ouvíamos músicas pelo rádio.

Depois do que pareciam serem horas, finalmente chegamos na casa dos meus pais. Quer dizer, Mansão, com M maiúsculo.

Aquilo era enorme, tão grande que qualquer um podia se perder ali dentro. Quando eu ainda morava lá, uma Aoki (minha empregada) me acompanhava pra eu não me perder, mas com o tempo acabei me acostumando. Minha mãe dizia que eu tinha uma ótima memória quando quisesse. O que não era sempre.

Kaito buzinou em frente ao portão, e em segundos os portões de ferro se abriram. O caminho era um jardim de plantas, como em mansões de filmes, só que com duas grandes árvores de Sakuras em cada lado do jardim, entre eles tinha “estrada branca”, logo na frente a grande área oval era feita para receber carros, com uma fonte no meio e finalmente a mansão. O estilo antigo vitoriano era presente, mas tinha toques atuais, nas janelas e nas molduras.

Na porta estava a minha mãe, a arquiteta que projetou a própria casa.

É, ela é demais.

Ela sorriu e acenou pra nós quando paramos em frente da porta. Kaito parou o carro e saiu dele, e foi abrir a porta pra mim. Era impressão minha ou ele estava bancando o cavalheiro? Provavelmente pra imprssionar.

Depois de sairmos um manobrista veio e pediu a chave para o Kaito, ele a deu e quando viramos para porta, prestes a subir as escadas, ele estendeu o braço pra mim.

Olhei pra ele com cara de: O que é isso? E ele olhou pra mim, dizendo com os olhos: Hey, vamos impressionar.

E como eu tenho a habilidade de “colocar uma máscara e ser outra pessoa”, dei um sorriso e aceitei o seu braço. Subimos as escadas e a minha mãe disse:

– Que bom que vocês finalmente chegaram! Estamos todos esperando vocês!

A cumprimentamos e entramos na casa. O hall era grande e com estilo vitoriano, em cores creme e branco. As grandes janelas tinham cortinas brancas e leves, pra tornar o ambiente agradável.

Tinha alguns móveis antigos de madeira rústica, e um piano de cauda do lado direito, ao lado corredor leste, que dava pra sala de visitas. A escada em espiral dos dois lado dava acesso aos quartos e a sacada.

O lado esquerdo dava acesso a grande biblioteca e o escritório do meu pai.

E no corredor debaixo das escadas tinha quadros antigos feitos pela minha mãe, (ela pintava no seu tempo livre) e logo no fim tinha a grande sala de jantar, com uma mesa retangular colocada horizontalmente e uma lareira na parede leste. O lustre grande com lâmpadas cores amarelo claro dava um ar de classe a sala. A porta da cozinha ficava do lado direito, de onde saem os empregados.

As janelas eram grandes e em frente da mesa, que quase vão do teto ao chão, com cortinas vermelhas. A janela permite ver o jardim florido e a ponte pequena com um lago embaixo. Ah, e não posso me esquecer da piscina alguns metros ao lado.

A mesa estava quase cheia de familiares próximos do lado da minha mãe e do meu pai. Devia ter convidados do lado do Kaito também, já que alguns tinham cabelos em tons diferentes de azul. Meu pai estava sentado na ponta, e do lado esquerdo estava o pai do Kaito, e a mãe dele, Sra Celeste, estava conversando com uma tia minha. Os outros parentes estavam também conversando normalmente, aparentemente felizes.

Quando meu pai me viu, falou com o pai do Kaito, e ele olhou para nós e sorriu. Meu pai se levantou e todos olharam pra ele, e pararam de falar na hora.

– Meus prezados parentes, apresento-lhes nossos noivos! – Disse com a voz alta e forte que ele usava pra fazer negócios.

E ele está fazendo um negócio, só que com a própria filha.

É, fazer o quê. Eu vou conversar mais uma vez com ele hoje a respeito do casamento.

Boa sorte, você vai precisar. Ou melhor, nós vamos precisar.

Os convidados olharam para nós e sorriram, e em seguida vieram nos cumprimentar. Particularmente, fiquei feliz em rever alguns parentes, principalmente meus avós e os do Kaito, que foram super simpáticos. Depois veio a prima e o primo do Kaito, que são gêmeos! Tinham cabelos e olhos da cor do mar, e não paravam de brigar um com o outro.

Depois de cumprimentar mais alguns parentes, eu senti a falta dos meus primos.

Quando caminhei na direção da mesa, Kaito tentou ser gentil e puxou a cadeira pra eu sentar e eu olhei pra ele de lado, e vi que ele estava sorrindo.

Após todos se sentarem, os empregados vestidos só de preto e branco, com cara de sérios e olhares baixos, já vieram da cozinha com bandejas diversas e cheias de comida. Quando eles terminaram de servir, voltaram pra cozinha tão rápido quanto vieram.

Meu pai bateu de leve em uma taça e atraiu a atenção de todos da mesa, que se viraram e olharam atentos para ele.

– Estamos todos aqui para anunciar o noivado de filha Miku, – Ele olhou para mim, sorrindo – E do meu futuro genro, Kaito. – E sorriu pra ele também, que estava do lado do pai.

Como Assim?!

Anunciar? Por que ninguém disse nada?! Disseram-me que era só um jantar entre a nossa família!

E ninguém havia falado nada pra ninguém?!

Tentei ao máximo me controlar, e apenas acenei levemente com a cabeça, e meu sorriso forçado voltou. Quando meu pai terminou de fazer o discurso, todos bateram palmas. Todos voltaram a seus murmúrios de conversas, mas fiquei com um gosto amargo na boca.

Entretanto, um barulho estranho muito alto estava vindo do lado de fora da casa, o que fez todos silenciarem e prestarem atenção.

O barulho estava aumentando a medida que o tempo passava. Como eu sou muito curiosa, me levantei da cadeira e corri pra entrada da casa, acompanhando alguns gritos de protestos (masculinos). Parecia o som de um motor, bem potente. Quando cheguei lá, alguns criados estavam espiando pela janela, e ao me verem acabaram voltando as suas tarefas.

Puxei as portas brancas com força, mas fui surpreendida. Por duas coisas: Kaito conseguiu me alcançar e parou ao meu lado, respirando fundo enquanto eu arfava.

A outra é que eu reconheci as duas pessoas que estavam na moto que vinha na direção da casa, contornando a fonte. Eram os meus dois primos, Zatsune e Daisuke! Não escondi a satisfação ao vê-los, e sai correndo na direção deles. Daisuke estacionou em frente da casa com uma bela manobra e deu um sorriso de galã. Simplesmente por que ele era um galã.

Zatsune foi rápida e ágil em sair da moto e tirar o capacete preto com adornos vermelhos, e logo estávamos abraçadas no meio da escada.

– Miku-chan!!

– Zatsune-chan!!

Acabamos rodando ali mesmo no meio da escada, e senti que estávamos inclinando pra trás.

Íamos cair! Mas eu não me importava, tinha minha prima de novo!

Porém, sinto um par de mãos me puxando pela cintura, me separando de Zatsune. Daisuke me puxou antes de eu cair no chão e Kaito puxou Zatsune.

Oh-oh.

Só tinha um problema: Ela odiava o Kaito mais do que eu, e é cheia de “não me toque”!

– Me larga, Shion! – Gritou com raiva, empurrou-o pra trás e pulou do meio da escada pro chão.

– Calma Zatsune-chan, não vale a pena ficar brava... — Ouvi a voz do meu primo atrás de mim.

Instintivamente me soltei, virei e pulei em cima dele, dando um super abraço.

– Daisuke-kun! Como é bom te ver!

– Miku-chan! Quanto tempo! – Ele me soltou e me olhou – E você cresceu muito, hein?! Minha menininha ficou muito alta! – Ele afagou o topo da minha cabeça, e sorri com isso.

– Hey, Daisuke, ela é minha ainda! – Protestou Zatsune, me puxando de encontro a ela.

Quando éramos pequenos, os dois disputavam pela minha atenção, mas quando chegava o Kaito e eu brincava mais com ele, eles se uniam e ficavam contra ele.

Apesar de Daisuke ser um dos melhores amigos de infância de Kaito, ele ficou totalmente do meu lado depois do acidente do meu irmão. Ele dizia que Kaito não conseguia me entender e em um acesso de raiva a amizade acabou.

– Você é que acha! – Ele me puxou pelo braço, mas Zatsune foi mais ágil e pegou o outro.

Resultado: Os dois começaram a me puxar de um lado pro outro, brigando entre si. E eu no meio. Literalmente.

Eles não mudaram mesmo. Quando notei, fui puxada de novo pela cintura, só que dessa vez por mãos maiores e macias.

As mãos de Kaito.

– Ei, acho que vocês vão deixar a Miku repartida ao meio se continuarem assim! – Minhas costas foram de encontro com o abdômen dele, e corei com a aproximação.

– Humf, e o que você tem haver com isso? – Zatsune disse com palavras cortantes e frias, de olhos estreitos — Nem sua ela é pra começo de conversa!

– Na verdade ela é minha noiva. – Disse calmo.

Os rostos deles foram de puro choque. Os olhos verdes de Daisuke se arregalaram, enquanto Zatsune franziu as sobrancelhas pretas e me puxou de novo pro seu lado.

Ela sempre trabalhou melhor sobre pressão.

– Como assim?! – Perguntaram/gritaram juntos ao mesmo tempo.

Kaito levantou a sobrancelha, deu um passo a frente e cruzou os braços.

– Hoje é o nosso jantar anunciamento de noivado. – Ele olhou pra mim e perguntou: – Não, é Miku?

Meus dois primos olharam pra mim, em busca de respostas. Apenas acenei de leve com a cabeça.

– Como assim?! Noivos?! – Protestou Zatsune – M-Mas...

– AH DROGA!! –Gritou Daisuke, levando as mãos na cabeça e fechando os olhos. – Desculpa Zatsune, esqueci de contar!

– Como assim você esqueceu de contar?! Quem é o baka que se esquece de contar que a própria prima vai casar?! – Zatsune gritou e não pensou duas vezes em pular em cima do pescoço dele. Fui puxá-la e Kaito foi puxar ele. Resultado: Daisuke e Kaito caíram no chão enquanto nós duas caímos na FONTE. Que estava com água gelada. Mas por sorte estávamos na primavera, mas mesmo assim estava gelada.

– AAAH!!! Ta gelada! – Gritei. Estava encharcada da cabeça aos pés, e o estado de Zatsune não estava muito melhor: A maquiagem preta se espalhou pelo rosto e o vestido preto da cor dos cabelos estava grudado ao copo atlético dela, e o mesmo aconteceu comigo.

– Daisuke seu baka, me tira daqui! Se não fosse por você nada disso teria acontecido! – Berrou. Pelo visto a água gelada não acalmou os nervos dela.

– Desculpe, mas eu esqueci de contar! A mãe da Miku me deu a notícia quando eu estava na oficina arrumando minha moto nova! – Ele apontou pra moto impecavelmente brilhante dele. – E você sabe como eu sou com as motos!

Seus olhos verdes estavam tão cheios de determinação e brilho, e ela apenas lhe deu um olhar duro ao invés de um longo sermão, visto que não adianta brigar com eles por causa das motos.

Daisuke a tirou da água e eu sentei na lateral da fonte, mas fui pega de surpresa (pela milésima vez só hoje...) quando Kaito me pegou pela cintura e (pela milésima vez também...), me colocou no chão. Olhei pra ele e vi que seus olhos estavam diferentes, mais escuros.

Vindo dele pode ser qualquer coisa...

– O que está acontecendo aqui?!

A voz do meu pai me assustou e quase caio dentro da ponte de novo se não fosse pelo Kaito. (Sinceramente, quantas vezes eu vou ser salva por ele só hoje?!)

– As duas primas se abraçaram e caíram na ponte. – Disse Daisuke, ajudando Zatsune a tirar a água do cabelo longo dela. Ele sempre foi bom em contar mentiras, mas a sua voz sempre ficava diferente do normal, e eu sei quando ou não ele fala a verdade.

– Filha! – Disse a mãe deles, minha tia. Ela desceu as escadas e a ajudou a tirar um pouco de água do cabelo dela. Sério, o cabelo dela é maior que o meu.

– Hatsune Miku! O que eu vou fazer com voc...

– Por favor, Sr. Hatsune, perdoe a Miku. Ela estava feliz demais por rever a prima, e sem querer elas caíram na fonte. – Argumentou Kaito – Foi apenas um acidente.

– Se é assim... – Disse ele. Quando é o Kaito ele fica calmo, quando é comigo ele quase surta! Qual é a lógica deles?! Depois dizem que as mulheres é que são estranhas!

– Por favor, me tragam toalhas. – Disse minha mãe a uma empregada que estava por perto.

Quando sai da fonte, TODOS os parentes estavam ali, olhando pra nós quatro. Alguns voltaram pra dentro, os curiosos estavam se perguntando o que estava acontecendo.

Depois da confusão toda, nos deram toalhas e eu e a minha prima fomos pro meu antigo quarto nos trocar. Como estávamos famintas, apenas no secamos e trocamos de roupa, já que tinha muitas roupas minhas ali, incluindo vestidos de festa. E fizemos apenas uma maquiagem básica.

Tínhamos a mesma fisionomia corporal, então a roupa não era um problema. As pessoas até nos chamariam de gêmeas se fosse pelos olhos vermelhos e os cabelos pretos dela, e pelos meus olhos e cabelos verdes claros. Ela e o primo são parecidos, embora ele tenha herdado os olhos verdes da minha tia, irmã da minha mãe. E ambos tinham um corpo definido e atlético.

– Ei Miku-chan. – Chamou ela.

– Oi que foi? – Perguntei preocupada – A roupa não ficou boa?

– Não, não é isso... É que... – Disse sem ânimo – Vou ser direta: Você gosta do Kaito?

Aquela pergunta foi como um tapa na cara pra mim.

Por que ela está perguntando isso?

Ah, vai ver por que você vai casar com ele?

– Você sabe que não. – Balancei a mão como alguém que tenta afastar uma mosca. – Vamos descer, estou com fome.

– Miku.

Gelei na porta do quarto. Ela nunca me chamava de Miku, só quando falava muito sério. Muito sério mesmo. Será que ela estava duvidando de mim? Virei e olhei pra ela, que estava com as mãos na cintura.

– Eu sei que você está mentindo.

– Não estou não.

– Está sim, a sua pupila fica mais estreita e sua boca fica dura. Sem falar que quanto mais você nega, mais da pra ver que a mentira é óbvia.

Droga. Eu odiava isso nela. Ela me conhecia melhor que ninguém, até melhor do que eu mesma. Será que eu minto tão mal assim? Todo mundo sabe dizer quando estou mentindo?

– Eu não gosto dele. – Disse por fim.

– Miku-chan, seus sentimentos por ele estão mudando. Da última vez que todos nos vimos, você nem suportava olhar pra ele. E agora está aí: de boa.

– Esse casamento arranjado me fez ficar assim. Já que vou ter que aturá-lo por muito tempo, que haja trégua entre nós. – Mexi a cabeça verticalmente, afirmando. Mas por um momento eu abaixei a cabeça e não levantei mais. – Eu amadureci o suficiente pra saber que eu tenho que fazer coisas que eu não gosto pelo bem de todos.

E ficamos em silêncio, pelo que pareciam horas. Minha boca até ficou seca. Ainda com o olhar baixo, ouvi-a batendo palmas. Lentamente, mas o ritmo foi aumentando.

– O curso de teatro que você fez valeu a pena mesmo. A sua máscara esconde bem seus sentimentos, devo admitir. Mas você já foi melhor quando você roubou aquele cookie de chocolate da sua mãe do pote escondido no fundo do armário.

Arregalei os olhos e levantei a cabeça. Ela não acreditava em mim? E ela ainda se lembra daquele cookie... Ele era tão bom, e o chocolate derretia na boca.

Mas como assim ela não acreditava em mim?

Por que você está mentindo, dãh.

Eu estava falando a verdade!

Então por que ela está com dúvida? Ela não te conhece tão bem? Não é a sua prima?

É, mas eu não sei!

Seu coração diz uma coisa e a mente outra. Decida qual irá escolher.

E isso era verdade.

– Eu... Não sei o que pensar.

Ela suspirou e largou os braços ao lado do corpo.

– Eu não sei o que dizer pra você. Eu sei que você não quer admitir, mas acho que você está gostando dele.

Ai. Essa doeu.

Recuei até bater na parede. Eu estava começando a gostar dele?

– N-Não, não pode ser, eu não gost...

– Gosta sim! – Gritou ela. O grito dela foi tão forte que levei um susto. Ela suspirou de novo e sentou pesadamente na cama, como se estivesse cansada.

– Desculpe. – Disse ela, olhando pra mim. Acenei com a cabeça e fui em sua direção, sentando na cama do lado dela. — Gosta sim Miku-chan, você está voltando a gostar dele. – Ela colocou as mãos no rosto, cobrindo-o. – É como nos filmes. O casal diz que não gosta um do outro, mas no fundo eles gostam, e muito.

Ela tirou as mãos do rosto, lançando aquele olhar terno, que nem quando eu ralava o joelho.

– Zatsune-chan, eu estou bem, só...

Ela apoiou a cabeça no meu ombro, e me deu uma nostalgia, de quando viajávamos juntas, e dividíamos a mesma mala.

Quando eu ficava com sono, ela me deixava ficar nessa posição e dormir. Agora os papeis se inverteram.

– Acha mesmo que eu devo ser comparada a uma atriz? Tipo, eu atuo bem mas não sabia que lembrava uma delas...

Zatsune deu um pequeno sorriso, e fiquei feliz por fazê-la rir, mesmo com uma piada besta e sem graça.

– Você não muda mesmo... – Disse ela de olhos fechados.

– Você acha? Acho que mudei bastante.

– É verdade, antes você era uma tábua, e agora está cheias de curvas. Está honrando as japonesas, hein?

Dei um empurrão nela, e ela quase caiu.

– Você sabe que estou brincando. Eu sou contra você ficar com ele por que acho ele um mané mimado, mas acho que ele talvez tenha mudado. Já que vai assumir a empresa dos pais, a obrigação dele é ser maduro.

Ela pegou minha mão esquerda, que estava do lado da sua direita e as entrelaçou. Ela olhou pra elas e sorriu, e lembrei-me de como éramos super unidas, de novo. Sempre que estamos juntas é essa sensação.

Ela abriu bem os olhos, endireitou a postura e abriu a boca em um grande “O”.

– Cadê o seu anel de noivado? E alias, por que vocês vão se casar? Estava tão concentrada em saber dos seus sentimentos que não perguntei a razão.

Putz. Eu esqueci completamente disso. E fiquei surpresa por ninguém ter notado. Ou ter notado e não ter falado nada. E mais irritada por que aquele baka esqueceu disso. E orgulhosa por ela conseguir sacar as coisas tão rapidamente.

– Aquele baka ainda não te deu...

– Maldito... E agora, o que vão pensar de mim? Uma noiva sem compromisso?

– Não diga bobagens, provavelmente ele esqueceu, ou...

– Vai fazer alguma bobagem maior ainda. – Falamos juntas.

– Promete guardar segredo? — falei.

– Claro, sabe que pode confiar em mim.

– Estou casando com ele por causa das empresas, pois nossos pais são aliados e querem uni-las.

– Vindo do seu pai, eu acredito, mas se fosse de outra pessoa não. E não tem nada que possa ser feito a respeito disso?

– Já tentei argumentar, e queria falar com ele hoje, mas tem essa festa. Acho que já é meio tarde, mas não vou desistir.

– Essa é a Miku que eu conheço!

Acabamos rindo um pouco, descontraindo aquele clima entre nós. De repente uma ideia vem na minha cabeça, como um raio.

– Será que todo mundo sabe o porquê de estarmos casando tão de repente?

– Provavelmente acham que vocês iam ficar juntos desde que eram pequenos. E depois da grande briga voltaram a se reconciliar e agora querem ficar juntos. – Disse ela despreocupadamente. Ela se levantou e me puxou junto.

– Tomara que pensem assim. – Disse eu por fim.

Notas finais
Então, gostaram? Comentem, favoritem, etc, mas me deem um sinal de que vocês estão aí. Recentemente o número de comentários diminuíram, e gostaria de saber o porquê. A história não está boa, está enrolativa, está chata, está uma porcaria, e gostaria de saber a opinião de vocês! Lembram do especial do Kaito? Esse ainda não aconteceu, e os sentimentos dele vão mudar muito ate lá. Ou não. Miku ainda tem alguns segredos pra revelar, começando o por que Aoki foi se mudar com ela para o apartamento. Eu não vou colocar muitas tradições japonesas, já que não é esse o foco da história, e que E a Miku não vai falar do beijo dela com o Kaito para as amigas? Quem sabe... Lembram-se da mãe da Miku? Pensaram ela era fútil uma dona de casa só por ser gentil com a filha? Nooo! Eu, particularmente, gosto da personalidade dela, e talvez renda alguma coisa... Pai = otou-san = Papa Mãe = Oka-san Kami = Deus Baka = idiota Se lembram da música? É Romeo And Cinderella, é minha música favorita dos Vocaloids Miku e Kaito, por isso, vão vê-la (e muito) por aqui em minhas histórias. As frases em itálico normal são os pensamentos da Miku, e as negritadas são da “Dark Miku”, a personalidade sombria dela. A Dark Miku geralmente aparece quando ela está sozinha, quando a Miku tem mais chances de ouvi-la. Hey vocês tem alguma sugestão pro nome do pai do Kaito? E pro pai da Miku? Ficar chamando eles de "Sr." "Otou-san" "Pai de Fulano" Já tenho o da mãe do Kaito, que eu inventei e é Celeste (por é a cor do cabelo dela e eu não sei o nome da mãe do Kaito) e nome da mãe da Miku vai ser Sakura. Obrigado por lerem (se tiveram chegado até aqui). Aos leitores de Fallen, ainda estou decidindo o rumo, mas pretendo continuar.