Casamento Arranjado?
17 Capitulo 15 - Reencontros - Parte 2
Notas iniciais
Casamento Arranjado?
Capitulo 15 — Reencontros — Parte 2
Gostaria de dizer que o jantar foi sem problemas. Mas jamais poderei dizer isso. Mesmo que me pagassem pra dizer isso...
Depois de descemos e sentamos nos nossos lugares, começamos a comer.
Ou melhor, íamos, se não fosse pelo Kaito.
Aquele Baka pervertido.
E daquele outro Baka do meu primo.
Ele pediu permissão ao meu pai para falar no meio do jantar, e quando começou não parou mais. Disse que estava feliz por todos estarem ali, unidos e outras milhares coisas de discursos que teentendiam tanto que fazem querer dormir.
É claro que todo mundo acreditou, ele pareceu bem realista falando.
Porém, algumas frases ele disse olhando no fundo dos meus olhos, como essa:
– Eu sempre fui apaixonado por ela, posso ter negado esses sentimentos por um tempo, mas não posso mais. – Ele olhou pra mim bem nos olhos como se quisesse ver minha alma e continuou: — Eu simplesmente me apaixono por cada movimento seu, pelo mais sutil ou mais ousado. Eu me apaixono por você todo dia, e vou amar você até meus últimos dias de vida. Você pode ser irritante, chata, birrenta e mimada, mas...
– Ele abaixou o olhar e mordeu os lábios, depois levantou a cabeça e disse: — Mas você é honesta e companheira, linda e... Minha. Para todo o sempre.
Por fim ele ergueu uma taça e vinho e pediu um brinde a nós.
Todos bateram palmas e se emocionaram. E eu fiquei lá, sorrindo que nem uma boba apaixonada...
Mas ele fez aquela parte final justamente para ME provocar! E pelo visto ninguém percebeu isso, mas tenho certeza que uma certa prima minha também tinha percebido.
E isso não vai ficar assim... Sou sua noiva, não?
Posso muito bem fazer meu próprio discurso.
– Com a licença de todos, peço pra fazer um pequeno discurso também. – falei.
– Não vejo porque não... Adoraria ouvir o que você tem a dizer, Miku. – Disse Kaito, com a mão direita sob a mesa apoiando o queixo.
Alguns concordaram com acenos e incentivos.
– Eu me lembro quando te conheci. Foi na primavera, e nossos pais se reuniram aqui mesmo. — Estiquei um pouco os braços pra demonstrar o espaço, e vi cabeças seguindo meu movimento.
Era um sinal para continuar, estavam começando a ficar entretidos.
– Nós já começamos a nos dar bem no primeiro encontro, e lembro que você estava com o cabelo jogado pro lado e com um casaco da cor do seu cabelo. E não tardou para nossa amizade crescer mais e mais com o decorrer dos anos... Tivemos altos e baixos, mas hoje estamos aqui, na mesma sala, e agora noivos. E não consigo achar palavras exatas para expressar o que estou sentindo agora. – E enxuguei uma lágrima inexistente no canto do olho.
Ouvi vários “awn”, principalmente de mulheres. E agora era hora da minha cartada final. Peraí, essa expressão existe? Acho que é uma parecida...
– E eu adoro o modo como você deixa o cabelo, do estilo bagunçado e simples. Eu também gosto muito das manias, mesmo que sejam estranhas...
– E que tipo de manias são essas? – Perguntou minha mãe curiosa.
Indiretamente, ela estava me ajudando, só que ela mesma não sabia. Tão ingênua e curiosa... Mães.
– Ele não para de mexer as mãos quando está nervoso e é fanático por sorvetes. Se encontrar alguém com um sorvete azul, não pensa duas vezes e pegá-lo, de quem quer que seja.
Todos riram, e quando fui olhar pra ele, estava com um sorriso forçado e com as mãos em punho, apoiando o queixo. Sorri internamente com isso.
– E também ele ama o espelho, provavelmente estaria casando com ele ao invés de mim. – E sorri.
Continuaram a rir e antes de qualquer movimento, ergui minha taça de vinho e disse:
– Mas são essas pequenas ações que me fazem amar você. Um brinde ao amor! – Ergui o braço com a taça bem alto e todos seguiram meu ato.
Porém, o momento mais tenso foi quando Daisuke abriu a boca e perguntou sobre o meu anel de noivado.
O maldito tinha que falar!
Cocei discretamente o cabelo com mão direita para disfarçar, mas todos, todos mesmo, estavam olhando pra mim e pra minha mão sem a aliança. Até os gêmeos de cabelos azuis pararam de brigar pra olhar pra mim.
Kaito disse que tinha uma surpresa ao dar o anel, mas antes de qualquer coisa, eu disse a todos que não ligava pra jóias (o que não é mentira) e que já considerava que nós estávamos noivos, e que o amava, e outras coisas mais.
Porém povo acreditou! E fizeram “aaawn” também, de novo! Kaito sorriu pra mim, veio até o meu lado da mesa e ajoelhou, e citou lindas frases pedindo pra ser sua.
Apesar de, por ordens, eu já ser dele, eu é claro, aceitei, com a minha máscara de teatro feliz.
Por um mísero instante, eu pensei se isso pudesse realmente acontecer, tipo, eu conhecer alguém por quem eu me apaixonasse e ele ajoelharia e pediria minha mão.
Mas eu tive uma grande controversa, e agora eu estou aqui.
Com ele.
A pior parte foi quando o povo vibrou e pediu por um beijo. Procurei Zatsune pelo canto do olho e ela balançou a cabeça levemente concordando que era melhor fazer isso, mesmo que eu fosse contra.
Meu coração gelou, e eu fiquei paralisada na minha cadeira. O ritmo do pessoal estava animado, e eu não podia recuar. Não agora.
Não na frente da família toda.
Bom, eu te disse.
Disse o que?
Que eu ia aprontar.
Aprontar o que?
Antes que eu pudesse perceber, enlacei meus braços ao redor do pescoço dele, e o beijei. Inicialmente ele ficou surpreso, mas logo se soltou e me retribuiu o beijo. O beijo acabou sendo melhor do que eu pudesse esperar. Parecia ter... Desejo. Mas de ambas as partes! Ele beijava bem, isso eu devia admitir. A língua dele foi ousada e explorou minha boca, e tentei acompanhar o ritmo. Mas sem querer, esqueci o que estava fazendo, quem ou o que estava ao meu redor. O beijo parecia ter durado muito tempo, mas eu sei que durou alguns segundos, os quais não fiz questão de contar, mas quando acabou ele encostou nossas testas, arfando um pouco.
– Precisa melhorar. – Sussurrou ele. – Mas deu pro gasto.
Pressionei mais a testa contra a dele, dando um sorriso nervoso e irritado.
– Calado, alien pervertido. – Falei entre os dentes.
O pessoal acabou aplaudindo, e voltamos a comer.
Senti um pouco de vergonha por ter beijado ele daquela forma na frente de todo mundo... E na frente do meu pai! Mas não sei se ele estava feliz ou meio irritado.
Olhei pra ele e vi que ele estava mexendo sem ânimo com um garfo no macarrão do prato.
É claro, como eu disse anteriormente, o jantar teve problemas. Depois de toda aquela coisa fofa, mais uma vez Daisuke começou a aprontar. Ele jogou uma ervilha no Kaito, discretamente, que bateu na minha tia, mas que ignorou pois estava conversando com minha mãe e a mãe do Kaito. Como se não bastasse, Zatsune viu e começou a jogar comida nos outros também.
Pronto. Agora ferrou geral. Quando ela entra numa guerra, é pra ganhar.
Ela conseguiu jogar em duas pessoas ao mesmo tempo, que começaram a jogar em outras, e foi assim por diante, até que aquilo se tornou um campo de guerra, tipo um campo de guerra mesmo. Até nossos avós também entraram nessa!
Não demorou muito para aquilo começar a causar problemas.
Tinha até pessoas abatidas e obviamente, NINGUÉM saiu limpo dali.
Fiquei escondida atrás da cadeira, mas depois que Zatsune veio atrás de mim sem eu perceber e jogou com tudo um monte de macarrão com molho vermelho, eu entrei também.
Todos acertavam aleatoriamente, menos os dois primos do kaito, o par de gêmeos. Era muito engraçado ver eles brigando, principalmente quando gritavam ofensas! Nossa, como eu sou má.
Particularmente, os dois piores foram (pra variar) meu primo e o Kaito.
Bakas. Como podem ser tão bakas?! Não é possível!
Eles estavam tão determinados em atingir um ao outro que não atiraram comida em mais ninguém! Um deles usou uma bandeja de frutas pra se proteger, e o outro se desviou por pouco do punhado de macarrão do outro. Era uma terrível confusão, e não era da maneira como nos filmes, era pior. O macarrão tinha molho vermelho, e manchou muita roupa, tanto que vários se retiraram para salas ou foram embora, alguns dando acenos e gritos de despedida. E eu perdi completamente as horas, estava jogando comida em alguém e gritei quando acertei alguém, só não sabia quem, e só me dei conta quando eu me escondi atrás da minha cadeira e vi minha pequena bolsa que estava pendurada na lateral vibrar de um lado pro outro. Era meu celular!
Recebi uma mensagem, e já era dez da noite! Fui para um canto afastado da sala de jantar e li a mensagem, que era de Zatsune, dizendo que tentaria tirar o irmão dali, e que era pra eu tirar o Kaito. Ela disse também que ainda me amava e que queria me ver mais vezes. E que seria madrinha do meu casamento.
Então já estava decidido! Daisuke seria padrinho, e Zatsune, minha madrinha. Eu estou prevendo que isso não vai dar certo... Mesmo.
Os dois bakas eram os únicos que ainda estavam atirando comida, como se fosse armas. E como se estivessem em jogos de tiros de primeira pessoa. Eu estava andando até Kaito quando meus instintos me alertaram que alguma coisa estava vindo na minha direção. Meus sentidos foram mais rápidos, mas só deu tempo de abaixar, e mesmo assim não consegui desviar totalmente. Uma almôndega me atingiu minha cabeça com tudo, quase me levando pro chão.
Essa foi a gota d’água!
Já sujaram dois vestidos lindos meus hoje, estou imunda da cabeça aos pés e eles ficam atirando comida no primeiro que aparece estar na frente deles! Como se fosse algum jogo! E eu sou campo!
Tá, eu fiquei jogando nos outros também, mas... Não dessa maneira!
Mas concordo que foi divertido de ver...
Fechei minha boca em uma linha reta e fui pisando duro até ele, o Baka um chamado Kaito, e o peguei pelo braço a força, (o que foi difícil, visto que ele é maior que eu, mas minha força de vontade foi maior que o peso dele), que protestou e tentou jogar purê de batata no Daisuke, que desviou, acertando em cheio a cortina. Minha mãe iria ficar uma fera, sem dúvidas!
Fomos para a frente da casa, e uma empregada veio dar algumas toalhas. Kaito agradeceu com um sorriso, que achei galanteador e ela ficou boquiaberta, e piscou pra ele, depois foi andando pelo corredor.
Quem ela pensa que é? Não me viu não? Cara de pau, fica flertando com o primeiro que dá um sorriso! Mas se bem que Kaito é alto e esbelto, e tinha um belo rosto, deve ser por isso que ela não me viu.
Gente, eu acho isso fofo.
O que é fofo?
Você com ciúmes oras. Queria o que? Ela não deve estar acostumada com homens bonitos...
Eu estou com ciúmes? Não, não pode ser, eu não gosto dele!
Faça-me um favor e se joga naquela fonte de novo. Até a sua prima percebeu isso.
...
...
EU NÃO ESTOU COM CIÚMES!!
Está sim, se não, não estaria gritando consigo mesma!
– Não estou não! – Disse em voz alta. Imediatamente tampei minha boca com as duas mãos, dando conta do que eu acabei de fazer.
– Miku, — Kaito olhou pra mim com uma sobrancelha arqueada – Você está bem?
– Estou... – Coloquei a toalha na minha cabeça, tentando disfarçar minha vergonha tirando sujeira do meu cabelo. – Estou. Estou sim. Só... Um pouco cansada, e você?
– Estou. Olha, o seu primo é muito bom com a pontaria, ele me acertou em diversos lugares, até na minha aqui. – Ele se virou e mostrou uma mancha de alguma mistura de comida, bem na lateral do traseiro dele.
Eu não deixei de rir e ele me acompanhou. Tirei a toalha do cabelo e ele gargalhou, e eu me lembrei de quando Zatsune jogou lamén com molho vermelho em mim.
Ri também, mas ele estava rindo tanto que chegou a dobrar os joelhos e a barriga. Dei um peteleco na cabeça dele e ele gemeu de dor, dando sorriso sexy e malando.
Oh-oh. Isso não é um bom sinal!
É, não é mesmo!
Ele me levantou no colo, e saiu correndo escada abaixo do Hall, e eu sai gritando, com as mãos presas nos ombros e costas dele. Ele estava correndo em direção a fonte! Ele era louco!
– Kaito, não! Para! – gritei e dei tapas nele, mas que ignorou e continuou a sorrir.
– E lá vamos nós!
E continuei gritando, agarrada a ele. Se ele me jogasse ali, pelo menos iria junto ou metade dele iria!
Por sorte o manobrista tinha chegado a tempo e parado bem na nossa frente, bloqueando o caminho até a fonte.
Respirei de alivio e Kaito deu um suspiro meio triste.
Peraí, ele ia mesmo jogar a gente! Há, ele é louco!
Eu, você quer dizer.
Nhé, para de ser individualista.
O manobrista saiu do carro e deu as chaves a Kaito e se curvou rapidamente, indo pegar outros carros de outros convidados.
E aquela mesma empregada chegou para recolher as toalhas. Ela estava sorridente, mas ficou séria quando viu ele me segurando no colo. Olhei para ele, que estava me encarando e dei sinal para me colocar no chão. Ele deu o mesmo sorriso de antes, que desconfio ter tirado do rosto, e me colocou no chão com uma delicadeza que não imaginaria que ele tivesse. Ela esperou ele dar a toalha suja pra flertar de novo com ele, com sorrisos.
Afe, não fazem mais empregadas boas. Quase joguei de propósito a toalha no ar pra ela pegar.
Se tem uma coisa que eu aprendi nos palcos é: Se a pessoa não gosta de você ou é falsa, aprenda ser a melhor. Seja confiante e simpática que essa pessoa falsa ficará no lixo. Ou ela se sentirá no lixo. Acho que minhas expressões poderiam não ser tão boas, mas conseguia disfarçar minha voz até.
E por que não fazer isso agora?
– Olá. – Dei o meu melhor sorriso e dei um passo adiante, ficando de frente com ela.
– Você é a filha do patrão? – Disse surpresa.
– Sim, sou eu mesma. Prazer em conhecê-la! – Estendi a mão, que ela cumprimentou com um pouco de receio. O porquê disso? Não sei. Provavelmente respeito e medo? Meu pai era o patrão dela afinal.
– O prazer é meu, senhorita Hatsune-sama. – Disse se curvando ligeiramente.
Ah, então ela sabe se colocar no seu lugar, aparentemente. Deve ser a prática.
– Ah, que isso, não precisa de cordialidades, pode me chamar de Miku. – Tombei a cabeça pro lado, ainda com o sorriso no rosto. – Qual é seu nome?
– Satsuki Hinagoka, senhorita Miku.
– Que nome bonito, Satsuki-chan. Ah, não sou senhorita. – Dessa vez abri mais o meu sorriso, daquele de orelha em orelha. – Estou noiva.
– Noiva?
– É, desse azulado aqui. – Puxei Kaito pela gola da blusa, mostrando intimidade. – Em breve estaremos casados, não é meu amor?
– É, isso mesmo Miku. – Não sei se ele sacou a atuação, mas abriu um sorriso safado e se levantou, indo abrir a porta do carro pra mim.
– Bom, temos que ir. Até mais Satsuki-chan! – acenei e entrei no carro e Kaito fechou a porta pra mim. A cara dela foi a melhor! Estava de boca semicerrada e olhos bem abertos. Certamente surpresa!
Ele contornou o carro preto e entrou, colocou a chave no lugar, deu a partida e finalmente fomos.
Suspirei fundo. Finalmente acabou. O dia foi longo, e a noite maior ainda. Mas até que valeu a pena, vi parentes que não via há tempos.
Relaxei no banco, e fechei os olhos por um instante.
Felizmente, mais uma vez, não falamos pelo resto do caminho. Já estou ficando acostumada com esse silêncio entre nós. No caminho, me recusei a fechar os olhos, piscando a cada cinco segundos. Até a música parecia estar mais lenta e baixa. O banco estava quentinho por eu ter ficado tanto tempo sentada, com apenas uma pequena fresta aberta da janela de vidro escuro.
Estava tudo tão quieto, tudo tão quieto, se não fosse pelo volume baixo do rádio, que eu poderia dormir.
Acho que exagerei no vinho. E também não passou nenhuma música constrangedora até ele me levar de volta pra casa.
Eu estava morrendo de sono quando cheguei à portaria.
– Miku, você parece muito cansada, me deixe te acompanhar até o seu andar.
– Não, Kaito não precisa. – Estava subindo as escadas e me desequilibrei, ele veio na hora me amparar, mas me segurei no corrimão. Estava zonza, meio grogue... – Estou bem. Bem. Muito bem.
– Sei. Quantas taças de vinho você tomou?
Comecei a contar nos dedos enquanto andava em direção ao elevador.
– Huum... Umas três cheias... Ou mais, sei lá.
– Você ficou louca?! Nem era pra estar bebendo vinho, e logo toma isso tudo. Não é toa que está parecendo uma mendiga – Ele suspirou e apertou o botão e imediatamente as portas se abriram.
– Aaah, nem vem encher meu saco, até parece que nunca fez nada de errado. E mendigas não tem bolsas da Gucci. – Balancei minha bolsa, e ele ficou quieto. Eu deveria ter ficado também, mas pontos luminosos estavam surgindo a todo o momento na minha frente, me confundindo.
– Quantas taças você tomou? – perguntei.
– Uma e depois só refrigerante. Iria dirigir, não podia estar bêbado!
– Uhum... Que homem certinho. – Disse irônica.
Entramos e acidentalmente tropecei, mas logo fui amparada por ele. Olhei pra ele e parecia preocupado, mas talvez fosse coisa da minha cabeça mesmo. Encostei-me na parede de vidro, e tremi com o choque térmico: eu estava quente e o vidro bem frio.
Gemi e Kaito se virou pra mim, ainda com o dedo no botão da cobertura. Apontei com o queixo para suas mãos e ele soltou o botão que agora estava com uma luz vermelha ao redor.
Mais pontos luminosos apareceram na minha frente. Coloque os dedos nas minhas têmporas, massageando-as.
– Está com dor de cabeça? – perguntou ele.
– Sim, mas quando chegar tomo remédio.
Ele cruzou os braços sobre o peitoral e fiquei vermelha. Mais do que eu já estava. A blusa estava com vários botões abertos, mostrando seu... Peitoral bem malhado. Realmente não estava acostumado com essa visão.
E quando foi que ele tirou o paletó? Ah, não ligo.
Percebendo seu olhar, ele deu um sorriso sexy, o qual eu percebi que ficava sem ar, e perguntou malicioso:
– Quer tocar?
Eu, como não estou muito lúcida, não tinha sacado a malicia.
Dei um passo pro lado e toquei bem no meio do peito largo. Ele arqueou a sobrancelha, mas quando coloquei as duas mãos ele grunhiu.
Comecei a passear as mãos por ali, surpreendendo por sua pele ser lisa e firme. Era realmente atraente.
Quando desci mais as mãos, senti sua respiração no meu pescoço. Ele havia aproximado a cabeça para bem perto de mim, e disse:
– Minha vez.
Ele começou a cheirar o meu pescoço, fazendo cócegas e causando arrepios. As mãos dele pareciam estar pegando fogo quando colocadas na minha cintura e me puxaram pra mais perto. Minhas mãos ainda estavam sobre ele, comprimidas.
Quando senti o nariz dele, não pude evitar e abaixei meu pescoço, por que faziam cócegas. Aparentemente irritado, ele me apertou mais contra si e levantei meu rosto, encaixando perfeitamente na curva do seu ombro.
Olhando pra cima, vi uma câmera. E percebi que ela funcionando! E o carinha que eu esqueci o nome lá da frente deve estar vendo!
Na hora me empurrei dele, sentindo um frio de gelar o corpo. Estava tão quente ali com ele?
Ele me olhou irritado e eu olhei discretamente pra cima, indicando pra ele olhar também. Ele olhou e viu a câmera, em seguida bufou e cruzou os braços.
Estava bravo? Com certeza.
E eu... Também. Só um pouquinho.
Encostei-me na parede com o vidro, ao lado dele, bem próximo até, e esperamos o elevador parar.
Subimos o elevador em silêncio. Olhei para o vidro do elevador e me assustei com o meu reflexo: Uma Miku exausta e imunda da cabeça os pés. Meu vestido estava todo amassado, sujo e com várias manchas de comida. Meu cabelo estava com nós e com restos de comida que não consegui tirar com a toalha. Meu rosto era o pior, a maquiagem borrada e marcada, com as sobrancelhas desarrumadas, rosto pálido e com marcas de cansaço. E grandes olhos verdes emitindo cansaço. Percebendo meu olhar, Kaito disse:
– Você está bem cansada, por isso estou te acompanhando.
– Pelo o que eu me lembre, você também disse que estava cansado. E não está muito melhor que eu.
– É, eu sei.
Eu esperava que ele fosse me provocar, mas acho que está tão cansado pra fazer isso que deixou de lado.
Depois de alguns minutos as portas do elevador finalmente se abriram, revelando um pequeno corredor familiar que me tranquilizou, o qual eu tentei atravessar rápido, mas sem sucesso. Ele, que estava apenas um passo a trás de mim, me segurou pelos cotovelos, não me deixando cair.
– Meu Kami, você não está bem mesmo! Nem consegue andar!
Murmurei algo desconexo e me esforcei para tentar recuperar a postura que há algum tempo tinha perdido. Andei alguns passos com ele ainda me segurando e me soltei dele quando cheguei em frente a porta.
Peguei a chave da bolsa (que por sorte eu não esqueci) e abri a porta em seguida. Entrei no apartamento e coloquei a chave na parte de trás da porta, respirando fundo joguei a bolsa no sofá e olhei pra trás.
Ele estava parado na frente da porta, de braços cruzados.
– Você não está cansado? – Perguntei.
– Não muito... Posso entrar?
– Pode.
Sentei na lateral sofá e ele entrou, sentando do meu lado, no sofá.
– O que achou desse jantar?
– Uma idiotice. Não precisava fazer um jantar pra dizer “Esses são os noivos” bem na última semana de prova. Era só publicar em uma rede social que nós estamos noivos. – Disse emburrada, quase fechando os olhos de tanto cansaço.
– É, eu meio que concordo com você. Conhecemos nossos pais, eles gostam de dar festas pra tudo mesmo.
– Até pra lâmpada que queimou...
Ele riu e depois ficou sério.
– Sabe que a festa de noivado vai ser daqui a algumas semanas, um pouco antes do seu aniversário?
– Sim, e que o casamento vai ser logo depois do meu aniversário? Sim.
– Na verdade... – Ele começou a brincar com uma mecha de cabelo minha. – Consegui convencer nossos pais de que o casamento pode ser ATÉ uma semana depois do seu aniversário.
Adiar o casamento? Isso é música para os meus ouvidos!
– O QUÊ?!
– Não gostou da notícia?
– Claro que gostei! Só estou surpresa!!
– Ah, que bom então...
– E... O planejamento da cerimônia?
– Elas já marcaram a data, depois que eu conversei com elas.
– Elas?
– Nossas mães...
– Pra variar... – Revirei os olhos, mas eu escorreguei no sofá e cai em cima do colo dele.
Kaito fica me olhando e eu pra ele. Ele deu um sorriso de canto que não soube dizer se era de algo engraçado ou por que iria aprontar alguma coisa.
Será que tinha comida no meu rosto?
– Tem alguma coisa errada? – Perguntei.
– Ah, não, não... – Ele olha pro relógio de pulso e diz. – Tenho que ir.
– Ok.
– Pode me acompanhar até a porta?
Dei de ombros, cansada demais pra pensar em alguma coisa de mal vindo dele, e levantei de cima dele.
Acompanhei ele até a porta e seguro a maçaneta enquanto ele sai e para na minha frente.
– Boa noite, Miku.
– Boa noite pra você também, Kaito.
Ele aproxima o rosto do meu e acabo ficando parada. Se ele fizer uma gracinha, fecho a porta na cara dele, esmagando os poucos miolos pequenos que tem na cabeça dele!
Acho que estou passei tempo demais com a Zatsune...
Ele se aproxima e me dá um beijo na bochecha, e acabo estremecendo sem querer.
Droga de hormônios!
Ele recua um passo pra trás.
– Desculpe, Miku.
– Baka.
Junto toda minha força e fecho a porta com força, sem pensar duas vezes.
Como um ninja, ele coloca o braço na porta, impedindo que eu feche a porta, já que ele é bem mais forte que eu. Ou por que eu estava meio mole mesmo.
Kaito empurra a porta e entra a passos fortes no apartamento, enquanto eu vou recuando, até eu tropeçar no tapete felpudo no meio da sala, caindo de costas por causa do salto alto e do sono que estava vindo. Pisco os olhos e no instante seguinte ele esta em cima de mim, com uma mão em cada lado da minha cabeça. Coloco uma mão minha no meu rosto, coçando os olhos pra ver se era uma alucinação por estar tão cansada ou se era real.
Ao tirar minha mão, vejo que ele ainda está em cima de mim. Seus olhos azuis estão ocultos pela franja do cabelo, de modo que não consigo decifrá-lo.
– Kaito, o que você está...
– Isso.
Ele avança suas mãos quentes sobre a minha cintura e ataca minha orelha. Sua língua quente avança, e sinto algo dentro do meu peito se acender, algo que está crescendo e não sei dizer o que é.
Antes mesmo de conseguir pronunciar qualquer coisa ele faz uma trilha de beijos sobre o meu maxilar e encontra minha boca.
O beijo é imediato. Ele puxa mais a minha cintura contra seu abdômen malhado e sensações mexem com a minha cabeça de modo que eu não consigo pensar direito e correspondo ao beijo.
A língua experiente dele contra minha sem experiência é notável, mas ele não parece se importar com isso.
Ele apenas acaba com qualquer espaço entre nós e aprofunda o beijo mais ainda.
Não sei quantos segundos duraram aquela tortura, mas sei que perdi os minutos. Sim, tortura. Ele beijava tão bem que tirava o fôlego. E eu não conseguia acompanhar o ritmo dele, e estava ficando pra trás. Mas não por muito tempo. Eu estava com sono, mas quando ele me beijou eu acordei, como se tivesse levado um balde de água fria, só que foi uma onda de beijos quentes.
Agora consigo entender o que a Rin dizia com “não sabe o que está perdendo sendo BV”.
O ar se fez ausente e tivemos que nos separar. E minha consciência voltou, assim como a razão. E a minha raiva vem como uma bomba atômica.
Empurro ele pra longe e digo frustrada.
– O que você pensa que está fazendo?!
– Te beijando, oras... – Disse malicioso. – Quer que eu te beije de novo?
– Não! E quem disse que eu queria ser beijada?!
– Tava estampado na sua testa. – Ele cruzou os braços.
– Não estava não! – Respiro fundo e vou até a porta a passos duros, quase fundando o salto no chão, indicando a saída. – Você não disse que tinha que ir embora? Então, a porta está aberta.
Ele passa pela porta e para no corredor, virado de costas pra mim.
– Me chame qualquer dia desses pra repetir a dose, Miku.
E fechei a porta com força. Desci minha mão pra chave e girei rapidamente, caso ele resolvesse entrar novamente.
Dei um soco na porta e minha mão começou doer na hora. Comecei chacoalhar em busca de amenizar a dor e encostei minhas costas na porta, e fui escorregando até o chão. Coloquei a mão na minha bochecha e a senti quente.
Estresse, vergonha e irritação. Desejo, calor. Era isso que eu sentia.
Aí conseguiu.
O que?
Beijá-lo.
Mas eu não queria beijá-lo. Foi ele que me beijou.
Como se você não tivesse gostado.
Quem disse que eu gostei?
Seu rosto, sua testa, sua boca, seus olhos... Quer que eu continue?
Não.
Ok. Mas dizer que você não gostou é o cúmulo.
Sacudi a cabeça pra parar de ter esses pensamentos e me levantei com muito esforço, tomando cuidado pra não tropeçar. Fui ao banheiro e tirei toda roupa, em seguida tomando um banho rápido, mas com muito sabonete. Coloquei meu pijama rosa de alcinhas e coloquei o despertador pra tocar mais cedo, já nem arrumei meu uniforme, e sentei na beirada da cama.
Fiquei alguns minutos pensando no que aconteceu, até dar dor de cabeça.
Esqueci de tomar o remédio de dor de cabeça!
Levantei-me e coloquei meu chinelo de dedos, fui ao banheiro e tomei uma aspirina que estava em uma das gavetas ao lado da pia. Depois fui à sala e peguei meu celular na bolsa, checando as horas. Era 23H30, melhor ir dormir.
Voltei ao quarto, sonolenta e me joguei na cama e adormeci bem rápido, pelo o que pareceram minutos.
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