Casamento Arranjado?

12 Capítulo 12 - Como Se Eu Fosse A Dona Do Mundo.


Notas iniciais
YOO!! Como vão? Sentiram minha falta?
Me desculpem por não postar antes, estava meio que sem ideias e tempo pra postar... Então espero que não fiquem tristes por que eu não sei quando vou poder postar.
MAS deixem seus reviews e (quem sabe) recomendações...
Espero que gostem.

Casamento Arranjado? – Capítulo 12 – Como Se Eu Fosse A Dona Do Mundo

- Kaito?

- Sabia que eu até já estou acostumado a ser chamando de Kaito por você? Nem me chama mais de Shion como estava acostumado... – Ele se recostou na parede, cruzando os braços e olhando pro céu.

- O que está fazendo aqui? – perguntei.

- O céu está bonito hoje... Não? – ele continuou olhando pra cima, me ignorando de novo.

- Tanto faz... – Disse desanimada. – O que está fazendo no meu apartamento? É a segunda vez que você invadiu meu apartamento! – Bati o pé com força, finalmente atraindo a atenção dele, que olhou pra mim.

- Essa é a primeira vez.

- Não é não.

- É sim.

- Não é.

- É sim.

- Sim.

- Não.

- Sim.

- Não.

- Não.

- Sim.

- Viu? Agora você concordou. Essa é a primeira vez que eu invado esse apartamento. – Ele voltou a sua posição inicial, olhando pro céu.

- Não vale! Você trocou as palavras só pra eu dizer o contrário... – Cruzei os braços. Eu simplesmente odeio quando as pessoas fazem com que eu mesma me ferre. – Você está errado do mesmo jeito, isso é invasão de domicílio.

- Não vai ser invasão de domicílio a partir do mês que vem. Háhá... – Disse sem graça, como se fosse obvio.

- Peraí. Quer dizer que você sabia que a gente ia se unir oficialmente mês que vem?

Ele apenas virou a cabeça pro lado, não me deixando ver seu rosto.

O maldito sabia.

...

...

- Você sabia e não me quis contar. Por quê?

- Eu só estava brincando, oras. Eu sou bem humorado. Não se pode mais se fazer brincadeiras desse tipo?

- Você não é bem humorado. É um retardado mental, isso sim! Onde já se viu brincando com data de casamento?!

- Ei, calma. Não é nada demais...

- Nada demais... Sei. – Resmunguei baixinho.

Caminhei até a porta, mas aquele maldito alien pervertido estava bloqueando a passagem. Ele ficou parado, olhando pro meu rosto enquanto disfarçava o nervosismo procurando a chave.

- Dá licença? – Disse impaciente, já com a chave com em mãos.

- Como se diz?

- Se diz o quê Shion? – Disse irritada.

- Sua mãe não te ensinou boas maneiras não?

- Ensinou sim, e a sua? Acho que ela ter ensinado sim, mas do jeito que você é não deve nem ao mesmo saber o que é. – Disse sarcástica.

Ele mexeu com a minha mãe. Eu simplesmente fico “p” da vida quando tocam no nome dela, quando não estão elogiando-a. Por qualquer coisa mesmo.

- Claro que ela ensinou, minha ótima memória contribui também. É só dizer as palavras mágicas.

- Aff... Vamos fazer do meu jeito, da última vez foi o seu. – Respirei fundo e disse como se eu fosse a dona do mundo. E eu sou, né? — A porta é minha, a casa é minha, e eu que mando aqui. Você já me tirou do sério nesse final de semana, a partir da festa da Meiko! – Falei em alto e bom som, apontando o dedo indicador pra ele. — Agora sai da minha frente, preciso descansar. É a última semana de aula, com provas finais e trabalhos pra entregar!

O empurrei, e magicamente ele cedeu, ou eu que fui forte mesmo. Abri a porta e entrei, mas quando me virei pra fechar, ele não estava mais lá. Até me arrisquei a olhar no corredor, inclinando um pouco a cabeça para os dois lados. Dei de ombros, provavelmente foi embora. Sossego finalmente!

Quando tranquei a porta e me virei, me deparei com aquela criatura sentada no meu sofá branco. Os sapatos dele estavam ao lado da porta, como era o normal de todos. Ele simplesmente se desviou de mim e entrou na minha casa! Ele agia como se estivesse na sua própria casa, se deitando no sofá e ligando a TV!

Não é normal um cara entrar na sua casa, sentar no seu sofá e ligar a sua TV.

- O que está fazendo aqui? – Perguntei me aproximando aos poucos da cozinha, tentando passar despercebida, apesar de a casa ser minha. Talvez se eu o matasse eu não precisaria me casar! Livro-me do casamento e dele, como dizem: Dois coelhos com uma cajadada só. Apesar de não fazer sentido na minha situação...

- Estou vendo Tv, oras. O que mais? Atacando zumbis? – Disse irônico.

- Se você não sair da minha casa agora, eu vou atacar você, isso sim. – Disse em um tom sombrio, o lado escuro de Miku.

- Eu adoraria ser atacado por um par de peitos grandes... Nunca fui atacado por uma verdinha... – Disse malicioso.

Trinquei meu maxilar (se é que ele existia). Ele estava se referindo ao “acidente” da festa, quando ele caiu em cima de mim. Mais precisamente em cima dos meus peitos.

- Cala a boca, seu grande baka. Eu iria te atacar com uma faca, mas acho que posso te matar com qualquer coisa que estiver na minha frente mesmo. – Fiquei parada enquanto falava, dando meu olhar mais assustador a ele, que apoiou o cotovelo na ponta do sofá e apoiou a cabeça com as mãos.

- Ai que medo... – Disse sarcástico. – Já está tarde... – Olhou o relógio do pulso. Aparentemente caríssimo. – Ei, sabe por que vim aqui? – Voltou a ser o Kaito normal, ou seja, o Kaito idiota.

- Humm, pra me atormentar, como sempre faz? – Disse em tom de inocente.

- Além disso. – Fez um movimento com as mãos, como se afastasse uma mosca irritante.

- Você é um baka mesmo... – Encostei-me à parede, apenas olhando pra TV, tentando ignorá-lo. Um fracasso, pois ele não parava de falar.

- Adivinha.

- Eu estou com fome, não comi nada desde o almoço. Vai embora logo!

- Eu tenho uma coisa pra você comer... – Nem preciso dizer que tinha malícia nessa frase, né? Segundas intenções então...

- Eu não quero nada vindo de você. Nada.

- Ta bom, ta de mau humor hoje...

- Eu estou de bom humor, mas não estou de bom humor com você. – Apontei pra ele, e depois apontei pra porta. Por que ele simplesmente não ia embora logo?!

- Eu já vou indo... – Disse desanimado, finalmente se levantando do sofá. — Mas antes não quer saber o por que vim aqui? – Disse infantil.

Meu Kami do céu!! Ele quer acabar com a minha paciência!!! Baka-Kaito!

- Quer fazer o favor de sair? – Coloquei a mão na cintura, impaciente.

- Então você não quer saber... – Disse desanimado, abaixando a cabeça.

- Se tem haver com o nosso casamento, você tem o dever de contar.

- É... Você tem razão...

Quase engasguei com minha própria saliva, e comecei a tossir. Muito. E logo depois me recuperei.

Ele dizendo que eu estava certa?

Ta, eu sempre estou certa, mas ELE concordar?! Ele nunca concordou comigo!

- Você está bem?

- Estou, estou... – Falei me apoiando na parede.

- O assunto tem haver com o nosso casamento, sim...

- Então conte logo.

Ele suspirou e caminhou até a porta, tirando uma chave igualzinha a minha do bolso da calça jeans e a colocando na moldura da porta.

- Nossos pais pediram para irmos juntos na casa dos seus pais amanhã à noite, para acertar coisas do casamento... Convidados, convites, decoração, blá, blá, blá... Você sabe... – Ele abriu a porta e olhou pra mim uma última vez e disse – Vou passar aqui amanhã as sete.

E fechou a porta, me deixando sozinha, com a chuva batendo no vidro da janela. Aquele som leve me acalmava. Já passei por muita coisa para um só final de semana. Merecia um descanso. Mas antes eu devia refletir um pouco.

Comecei a pensar.

Fazia sentido o que ele falou.

Acho que ele não mentiu dessa vez.

Mas acho que devia ter perguntado antes dele abrir a porta e...

Peraí!!!

COMO ELE CONSEGUIU A CHAVE DA MINHA PORTA?!!

Abria a porta, já que ele não trancou, e o vi andando lentamente até o elevador, como se tivesse tempo pra isso. Corri até ele, e quando finalmente ia encostar no ombro dele, tropecei no mesmo momento em que ele virou pra mim.

A pior coisa que ele podia ter feito.

Como eu tropecei, devido ao chão escorregadio (já que a maior parte da entrada do meu prédio é aberta) e eu ia cair de cara no chão.

Se não fosse pelo Baka-Kaito, claro.

Acho que ele ouviu o barulho de eu escorregando, ou era ninja. Ele se virou e colocou os braços ao redor da minha cintura, e ter se abaixado ao ponto do seu rosto colar no meu.

Eu fechei os olhos, com medo do que poderia acontecer. Quando percebi que ele tinha me segurado, eu abri os olhos.

Um terrível engano.

Ele estava literalmente a milímetros do meu rosto. A sua respiração estava... Ofegante? Batimentos cardíacos bem acelerados. Mas eu podia jurar que a minha estava mais, podia até escutar!

E então nos encaramos. Ele desceu seu olhar penetrante dos meus olhos, quebrando o contato, e parou na minha boca.

Até parei para olhar bem pra ele. Ele tinha traços fortes, firmes, delineando o rosto. Mas muito bonitos, devo dizer... Os olhos cor do mar, levemente puxados ficaram menores e mais escuros quando ele voltou a olhar para os meus olhos. E então ele se aproximou, fechou os olhos e...

Me beijou.

No inicio arregalei os olhos, muito espantada. Era a primeira vez que eu era beijada!

Infelizmente ele não parou por aí. Ele me pressionou mais contra ele, e eu senti cada músculo dele. E apertou mais minha cintura, e me senti presa.

O estranho era que uma parte de mim dizia que era pra empurrá-lo e gritar muito, pro prédio todo ouvir.

A outra parte dizia que era pra retribuir o beijo, e agarrar ele como um leão faz com sua presa.

O que quê eu faço?! O que, o quê?!

Mas...

Esse sentimento estranho que está dentro de mim...

Eu nunca senti isso antes...

E...

Os lábios dele eram quentes e macios. Sua boca fina e masculina chegava a me deixar tonta.

Mas eu não podia me entregar a ele!

Quem ele pensa que é?

Não podia me beijar assim, simplesmente do nada!

Optei por seguir a primeira parte da minha consciência: Empurrei ele com todo o pingo de vontade que me restava, e a quebra de contato me fez estremecer. Me fez sentir vazia, como se uma grande parte de mim fosse tirada bruscamente de mim.

Acho que ele ficou atordoado, ele recuou meio bambo, mas em segundos ele recompôs sua postura. Seus olhos estavam bem escuros, como se não fossem dele.

Eu devia estar um lixo, literalmente. Roupa amassada, boca vermelha e um par de bochechas em combustão. Coloquei as mãos na boca, apertando muito os meus dedos.

Ele sorriu e acenou, entrando no elevador. Antes das portas se fecharem, ele sorriu como uma criança faz arte em casa e fica feliz por isso. E se foi. Por enquanto. Estava com receio de ele voltar e me agarrar de novo. Vai saber o que passa na cabeça dele...

Queria não poder dizer isso, mas... A sensação e o toque do beijo me fizeram gostar. Bastante, até.

Coloquei a mão no rosto. Estava quente.

A última vez que eu fiz isso, de nos olharmos muito como se estivéssemos travando uma batalha, foi na entrada da casa da Meiko, ontem na festa.

E eu não sabia do que pensar diante desse acontecimento.

Sabe aquela sensação que se tem quando você ganha um brinquedo desejado de aniversário? Ou quando sua mãe faz brigadeiro? Ou quando você está tão feliz que nem consegue agüentar segurar e tem vontade de sair gritando feito uma retardada?

Só não consegui entender por quê estava assim...

Por que você gosta dele, baka-Miku...

Gelei.

Era a minha consciência que dizia isso? Ou era uma parte do meu coração?

Seja qual for não quero ele em nenhuma dessas duas. Era o meu outro lado, um dos dois que eu tinha. Um era a consciência, o outro...

Quanto tempo!! Olha, vai ser difícil você não ficar perto dele, vou te dizer. Esqueceu que vocês vão se casar? Tanto que querer e poder são bem diferentes, hahaha.

Cala a boca. Todo o tempo que eu puder passar longe dele será excelente.

Ahhh, você sabe que não posso fazer isso... Sou a sua outra parte, a parte que você deixou aprisionada durante todos esses anos, desde aquele acontecimento trágico. Pare de se fazer de santa, você quer SIM passar mais tempo com ele.

Não pedi sua opinião.

Pedir não pediu, mas eu sei que você vai precisar de mim agora em diante. E querer ficar mais tempo com ele nem precisa. ELE é que vai vir atrás de você, como tem feito ultimamente. Você seguiu a sua consciência todos esses anos, nem sequer pensou em fazer uma loucura e me ativar... Senti saudades, sabia?

É justamente por esse motivo que eu deixei você “desligada’’. Pra não fazer esse tipo de coisa, ainda mais com a “imagem” que eu tenho agora.

- EU NÃO GOSTO DELE!! Gritei. Acho que estava tão nervosa comigo mesma que acabei gritando. Definitivamente não estou bem.

A total negação seguida de gritos é a primeira prova que está se falando a verdade. E lá vem você com essa parte social que só pensa na imagem... Mais um motivo pra eu voltar, pra você ter aquela emoção de viver que tinha, mas que deixou pra trás...

CHEGA!! Eu estou exausta! Preciso dormir!

Como quiser... Só se lembre desse seu lado de viver a vida.

Encerrei a meu monótono mental, cansada demais pra pensar nesse lado “viver a vida”.

Fiquei parada por alguns minutos, ali, no meio da garoa de primavera.

Recobrei os movimentos quando senti uma grossa gota de água cair bem em cima do meu nariz. Sacudi bem a cabeça, fazendo minhas chiquinhas balançarem junto.

Decidi voltar pra dentro de casa. Apesar de ficar embaixo da chuva e ficar gripada, era uma boa idéia. Podia faltar as últimas aulas e ficar em casa, assim não precisaria ver meus pais amanhã! Junto com aquele baka...

Ai...

Só de pensar nele vem a imagem daquele sorriso sacana e me deixa tonta.

Entrei em casa e tranquei a porta, e fiz um lembrete mental pra trocar de porta. Subi para o quarto (apartamento duplex) e vi a linda paisagem de uma Tóquio brilhante e movimentada através da grande sacada do meu quarto. Fechei as cortinas brancas e me joguei na cama. Como estava com uma roupa mais simples, uma saia preta soltinha e uma blusa branca larga, não me importei de dormir daquele jeito. Só liguei o despertador para tocar ás 6h15 da manhã.

Depois só me lembro das minhas mãos nos lábios, ainda quentes com o beijo roubado de Kaito, e das minhas pálpebras pesadas insistindo para se fecharem.

Notas finais
Eu vou dividir o capítulos em duas partes, já que quando apertei Ctrl + C, apagou parte da minha estória, e a parte dois que demorei horas pra escrever se foi, e não tinha salvado essa parte. Gomen...
E então? Gostaram? O que acharam do primeiro beijo em baixo da chuva da Miku? O que acharam da outra parte da Miku? Ela merece continuar viva? (viva a vida kkkkkkkkk) Comentem!!!! ♥