Casados? Não, Espera
13 Sinto Muito

Sherlock observava como o sangue continuava a escorrer através dos degraus, formando uma pequena poça pegajosa no final da escada.
Afastou-se lentamente para que os legistas pudessem examinar o cadáver. Seus movimentos foram lentos, pois seus membros pareciam pesar uma tonelada, apoiou-se contra a parede, voltando a fitar cuidadosamente o corpo.
Uma das pernas, a esquerda, estava reta, seus braços estavam sobre sua cabeça, e seus olhos estavam abertos. Seu olhar castanho penetrante ainda era cativante, e até mesmo arregalados pela morte, seus olhos iluminavam seu rosto.
“Se tivéssemos chegado aqui mais rápido.” Pensou ele. “Perdão Marcus.”
– Sherlock. – a voz suave de Joan soou, fazendo-o piscar rapidamente e virar-se mecanicamente na direção dela.
Ele deve ter levado muito tempo para responder, quando sentiu as mãos dela acariciar suas costas de uma forma tranquilizadora, antes de passar para frente dele, protegendo-o da visão do cadáver.
– Eu deveria estar aqui. – declarou ele. – Poderia ter evitado tudo isso.
– Como? – Joan perguntou calmamente.
Ele sentiu as mãos dela acariciar suas costas novamente, o calor de seu toque parecia irradiar por todo seu corpo, e ele sentiu-se mais calmo, mas a visão de Bell caído e coberto de sangue, fez seu corpo ficar tenso mais uma vez.
Algumas horas antes
Joan dormia profundamente, quando sentiu movimentos familiares como fosse pequenas patinhas andando através de seu estômago. Ela abriu os olhos, piscou algumas vezes para ajustar-se à leve iluminação do quarto. Passou as mãos pelos cabelos, antes de pegar Clyde.
– Watson, você está acordada, excelente! – exclamou radiante.
– O que descobriu?
– Os arquivos do Taylor. – Sherlock respondeu simplesmente. – Meu conhecido em Londres conseguiu descriptografar. – completou, sentando-se na cama ao lado dela.
– Meu Deus! – exclamou ela, estudando as imagens e palavras diante dela.
Os olhos de Joan permaneceram na tela por um momento, ela estava perplexa com toda aquela informação. Depois de meio minuto, que pareceu uma eternidade, ela inclinou-se para trás, não conseguia olhar aquilo sem sentir-se enjoada.
Os arquivos descriptografados continha informações sobre dezenas de mulheres, que estavam nas garras da organização de Taylor. Os arquivos tinham fotos, informações e status. Algumas imagens estavam marcadas em letras vermelhas: “Transferida” ou “Contrato rescindido”, e algumas não tinham marcas o que fez Sherlock deduzir que as mulheres ainda estavam sobre o domínio da organização.
Enquanto analisava as páginas, Holmes reconheceu vários rostos, alguns estavam nos arquivos dado por Gregson e alguns de suas pesquisas secundárias.
– O que é isso? – Joan perguntou com a voz ligeiramente embargada.
– Um catálogo de sofrimento e degradação.
– Quantas são?
– Cento e dezesseis. – Holmes respondeu.
– Por que ele... – ela fez uma pequena pausa. – Por que ele teria isso arquivado? Isso é prova suficiente para prendê-lo.
– Ele é claramente um sadista, quer manter o controle sobre as mulheres que está negociando ou tenham vendido. – Holmes respondeu. – Serial Killers levam troféus e Taylor mantém arquivos detalhados sobre suas vítimas.
– Mesmo que ele esteja mantendo os arquivos como uma espécie de troféu. – ela estreitou os olhos em confusão, enquanto falava. – Ele estava correndo um risco enorme. Manter arquivos dessa natureza no seu notebook, e deixa-lo sem vigilância em seu quarto. Por que alguém que tem atraído o interesse de várias agências de inteligência assumiria um risco tão ousado?
Sherlock ficou em silêncio por alguns instantes, processando o questionamento feito por Joan.
– Como já discutimos antes, Joan, Taylor é arrogante. – Holmes respondeu. – Ele acredita que tem o poder e a capacidade de escapar dos crimes que cometeu. Como Cap. Gregson disse, existem várias agências investigando e Taylor sabe sobre isso, o que está provando isso é que os arquivos que ele mantinha em seu notebook não podem ser considerado fácil, o acesso demorou, além, que foi preciso dois softwares para descriptografar.
– Mas ele é procurado por várias agências de inteligência. – Joan rebateu. – Presumidamente, todos têm acesso ao mesmo software que seus colegas da MI6.
– Claro. – Sherlock afirmou, balançando a cabeça enquanto falava. – Mas nenhum deles seria capaz de obter os arquivos legalmente, a fim de decifra-los em primeiro lugar. – explicou. – Como não poderão obter os arquivos de forma legal, o que é impossível, porque não haveria causa provável para um mandado, esses arquivos, na verdade, não existem.
– Iremos encontrar uma forma de liga-los aos crimes. – Joan disse convicta.
– Iremos. – Holmes concordou segundo antes de seus lábios tocarem os de Joan.
Eles já tinham esquecido do mundo. Os lábios um do outro eram a droga mais viciante que existia para eles. Sherlock rolou para cima de Joan com cuidado e continuou a beijá-la. Suas mãos não deixavam o corpo dela, ora segurando a cintura, ora subindo por baixo da camiseta. Em meio ao êxtase do momento, eles ouvem o celular de Sherlock tocar, não sabem dizer a quanto tempo a sirene da polícia estava tocando.
– Seu celular está tocando. – Joan disse – Não vai atender?
– Deixe que caia na caixa de mensagens. – Respondeu ele.
– Você devia atender. Pelo toque é Marcus lhe ligando.
Sherlock levanta-se resmungando baixinho enquanto vai até o telefone para atender.
– Boa noite detetive, em que posso ajudá-lo? – perguntou Sherlock irritado.
– Eles sabem... – respondeu Marcus antes que a ligação terminasse.
– Marcus? Marcus?
– O que aconteceu? – Joan pergunta preocupada.
– Marcus está em perigo. – exclamou ele exaltado. – Avise ao Cap. Gregson. – falou Sherlock antes de deixar o quarto às pressas.
****
Joan caminhava de um lado para o outro no saguão do hotel sem saber onde mais procurar por Sherlock. Ela já havia procurado em todos os locais sem encontrar nenhum sinal dele.
– Sra. Harrison.
Joan virou-se para saber quem a chamava e suspirou aliviada em ver que era Cap. Gregson.
– Esta tudo bem? – perguntou ela.
– Eu preciso que a senhora me acompanhe.
Ela apenas assentiu e o seguiu até um local mais reservado longe de curiosos.
– Você tem notícias de Sherlock e Marcus? – Questionou ela aflita.
– Infelizmente não. Conte-me o que exatamente Sherlock disse antes de sair correndo do quarto?
– Apenas que Marcus estava em perigo e que avisasse a você. – respondeu ela. – Você precisa encontra-los.
– Iremos encontra-los. É apenas uma questão de tempo. – afirmou Gregson.
Antes que Joan pudesse continuar, ouviu seu celular tocar. Era uma mensagem de Sherlock contendo a sua localização.
– Eles estão na escada de incêndio e pediram para levar os paramédicos. – informou Joan.
– Como você sabe que SD IC significa isso? – indagou ele confuso.
– Sherlock me treinou em uma forma de linguagem superior.
Gregson revirou os olhos. Pegou seu HT, modulou com a sua equipe e se dirigiu com Joan para o local indicado.
A cada passo que eles davam Watson sentia seu coração bater mais rápido. Era angustiante não saber o que os aguardava. Ela rezava baixinho para que estive tudo bem com eles, mas ao chegar no começo da escada toda a sua esperança desapareceu.
A cena era horripilante. Havia sangue espalhado por todos os lados e nos primeiros degraus encontrava-se Sherlock. Joan jamais o tinha visto tão horrorizado. Parecia que a qualquer momento fosse desmaiar. Ela se aproximou dele lentamente e o chamou.
– Sherlock. – disse ela suavemente, fazendo-o piscar rapidamente e virar-se de forma mecânica na direção dela.
Ele levou algum tempo para responder, até que ela acariciou suas costas de uma forma tranquilizadora e passou para frente dele, protegendo-o da visão do cadáver.
– Eu deveria estar aqui. – declarou ele. – Poderia ter evitado tudo isso.
– Como? – Joan perguntou calmamente. – Deveríamos voltar para o quarto. Não temos mais nada que possamos fazer aqui.
***
Sherlock permaneceu em silencio todo o trajeto de volta. Ele passava a cena do crime varias vezes em sua mente tentando não deixar escapar nenhum detalhe.
– Eu deveria ter chegado a tempo. – murmurou Sherlock.
– Se lamentar agora não vai mudar nada. Devemos nos concentrar agora em pegar esse desgraçado.
Joan abriu a porta do quarto e notou algum incomum. Ela viu manchas pelo chão da sala. Watson virou-se para Sherlock quando ele levou o dedo indicador ao lábios indicando silencio.
Holmes caminhou lentamente até a sala onde estava instalado, onde encontrou uma figura sentada na poltrona arfando, quando ela levanta e vai na direção de Sherlock
Joan vê no momento em que aquela pessoa se aproxima deles e fica perplexa quando Sherlock diz admirado e confuso.
–Marcus?!
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