Casados? Não, Espera
14 Quando isso aconteceu?
Notas iniciais
Marcus tinha certeza que algumas de suas costelas estavam quebradas e por algum milagre ele conseguiu evitar gritar de dor. Apesar da adrenalina que corria por suas veias, a dor insuportável em sua cabeça era incessante e forte.
Ele cambaleou em direção ao sofá do quarto principal, mas sua visão foi levemente obscurecida pelo sangue que caia sobre seus olhos. Ele apenas fechou os olhos e esperou que o chão parasse de girar, mas isso não aconteceu.
Seu coração apertou e ele tentou desesperadamente convencer o corpo cansado e quebrado a se mover, mas sem sucesso. Com muito esforço ele alcançou o sofá, onde deixou seu corpo cair sobre.
– Marcus. – uma voz familiar ecoou dentro do quarto escuro, que o levou a abrir os olhos instantaneamente.
– Sher... Sherlock... – ele murmurou, com os olhos fechados. Marcus tentou lutar contra a dor e seu cansaço, mas encontrou-se completamente incapaz. Sua cabeça latejava, sentia-se frio e fraco.
Holmes se aproximou do amigo caído e o examinou rapidamente. Tinha um corte na região frontal da cabeça e provavelmente estava com costelas quebradas.
– Ligue para o capitão e peça que ele venha rapidamente e que traga um quite de primeiros socorros, mas que seja discreto. – pediu Sherlock para Joan.
Após a saída de Joan, Sherlock pegou Marcus nos braços e com um pouco de dificuldade o levou para a cama no quarto, onde começou a tratar do corte em sua cabeça. Havia bastante sangue no rosto e pelo corpo, o que indicava que ele perdeu muito sangue e foi muita sorte ele ter conseguido chegar até o quarto.
– Eles sabem... – Marcus balbuciou.
Passados alguns minutos Watson retorna acompanhada do capitão Gregson.
– O que aconteceu? – Gregson perguntou, correndo na direção do detetive. – Você está bem?
– Ele está ótimo. – Holmes respondeu sarcástico. – Possivelmente tem costelas quebradas e um corte profundo na testa.
– Calma. – Joan pediu. – Os paramédicos estão aqui, então vamos deixá-los trabalhar.
Os paramédicos rapidamente examinaram os ferimentos, eles estavam impressionados sobre como Marcus ainda não tinha perdido a consciência.
– Tudo bem, precisamos leva-lo ao hospital. – disse a médica, voltando-se para seu colega.
– Não. – Marcus protestou, apertando as mãos no colchão e empurrando-se para cima. – Obrigada, mas eu... – suas palavras foram cortadas pela dor, que o fez gemer um pouco.
– Marcus, você precisa de cuidados médicos. – Joan informou.
– Eu não vou recusar o tratamento, o que estou recusando é a hospitalização. – Bell inclinou-se ligeiramente enquanto tentava sentar mais uma vez. – Se eu sair daqui para um hospital todos correm perigo.
– Você tem um golpe na cabeça e estava semiconsciente quando encontramos você. – falou Joan. – É necessário que você seja monitorado durante vinte e quatro horas.
– Ele está certo. – disse Sherlock. – Marcus não pode deixar esse quarto, tenho certeza que Taylor e seus parceiros estão atrás dele para finalizar o serviço.
Todos concordaram, balançando silenciosamente a cabeça, aceitando o fato de que Holmes tinha razão. Antes de sair os paramédicos deram as últimas instruções sobre os cuidados necessários e caso Marcus continuasse sentindo dor seria levado para o hospital.
***
Holmes estava sentando encarando algumas pastas de arquivo sobre o caso, precisava encontrar algo, que pudesse levar Taylor a justiça.
– Chá. – Joan pôs as xícaras na mesa e sentou-se ao lado de Sherlock.
Ao fundo era possível ouvir a melodia vinda do radinho na sala, misturada ao som da chuva.
– Obrigada pelo chá. – murmurou ele.
Ela o observou. Como era bonito. Aqueles olhos, aquele sorriso maravilhosamente de lado. A barba por fazer lhe dava um aspecto tão masculino.
– Então o que vamos fazer? – Joan perguntou.
Ele sorriu e ficou em silêncio por um momento. Até que se levantou e seguiu em direção a ela com um meio sorriso no rosto. Insinuante. E uma das mãos estendidas para ela.
–Se importa de dançar comigo?
– Aqui? Você lembra que o Marcus está no quarto principal? – Joan indagou.
– Quem se importa.
Joan observou o espaço pequeno a sua volta, hesitante. O coração quase descompassado. E sem dizer mais nenhuma palavra ela pegou a sua mão. Então, com os olhos nela ele a enlaçou com o outro braço puxando-a gentilmente contra si.
Sentia a sua respiração quente envolvendo o seu pescoço, e uma mão masculina e viril que roçava suas costas. E era possível ouvir sons tão simples e tão agradáveis no entanto. O som da chuva batendo contra o teto e a música que reverberava da sala e invadia o ambiente numa agradável eufonia.
Ficaram por muito tempo ali. Dançando abraçados. A respiração de Sherlock era capaz de aquecer o corpo pequeno de Joan. Ela estava com a lateral do rosto descansando no peito dele. Os olhos fechados. A paz. A calma. Mas isso não durou muito tempo.
Joan se assustou um pouco quando sentiu as mãos dele unindo seu corpo ao dela numa força desnecessária.
Então ela levantou os olhos para ver o que estava acontecendo, e se deparou com os olhos azuis encarando os seus. Ele suplicante, roçou os seus lábios nos dela algumas vezes antes de pressioná-los com força.
Já nem era mais uma dança. A dança havia sido esquecida. Abandonada.
As respirações quentes, pesadas, descompassadas. O hálito de Joan ainda exalava o perfume das ervas do chá que tomara a pouco tempo. E isso só enlouquecia a Holmes quando sentia os lábios dela nos seus.
E então Watson se viu encurralada contra a mesa e o corpo decidido do homem que estava na sua frente, pressionando-a. Ficaram ali por bastante tempo. Ele ali, entre as pernas dela, enquanto apertava a cintura fina dela entre suas mãos. Ela podia sentir seus lábios em seu rosto e pescoço. A umidade da boca de Sherlock estava deixando-a sem forças. Totalmente rendida.
– Capitão me deve 100 dólares. – a voz de Marcus soou pelo cômodo.
– Como? – Sherlock perguntou.
– Quando isso aconteceu?
– Não é um bom momento para perguntas. – Sherlock esbravejou.
– Oh! Desculpa, eu vou voltar para o quarto. – disse Marcus. – Por favor não façam muito barulho.
Joan ruborizou comentário, escondendo o rosto contra o peito de Sherlock.
– Eu quero morrer. – Joan sussurrou.
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