Magnólia, 08:35.


Lucy se esforçava para abrir os olhos, estavam inchados de tanto chorar. Sua cabeça parecia levitar, seu tempo parou desde a noite anterior quando Makarov anunciou a dissolução da guilda. O time já havia se separado, começando por Natsu e Happy que saíram logo de manhã sem ao menos se despedirem. Erza disse que levaria Wendy até a Lamia Scale, Gray ainda pensava no que fazer então decidiu acompanhar a ruiva. Agora, Lucy se encontrava sozinha novamente, pensando que deveria começar a se acostumar com a solidão.


As ruas começavam a se agitar, logo a população veria a notícia da dissolução nas manchetes dos jornais. Sem saber o que fazer, a maga celestial tomou um impulso para sentar-se na cama... E agora? Como continuaria sua vida?


A resposta que recebeu soava mais como uma ordem, era seu estomago roncando. Com um pouco de coragem foi até a cozinha, abriu a geladeira e notou que estava cheia de comida. Claro, o Dragon Slayer não veio esvazia-la na noite passada, até mesmo os peixes que comprará para Happy ainda estavam ali. Pegou uma fatia do bolo de morango que havia comprado para Erza e sentou-se à mesa.


Tentando distrair a mente, ligou a lacrima de reprodução e deixou sintonizada no canal atual, era hora do noticiário.


“Bom dia Fiore! Começa mais um Jornal da Manhã, sempre te mantendo informado com os maiores acontecimentos de nosso país, eu sou Sienna e estarei lhes acompanhando.”


“Nesta madrugada tornou-se de conhecimento público a dissolução da maior guilda de Fiore, a Fairy Tail. Ainda não fomos informados pelos motivos, mas o impacto que essa decisão causou já pode ser nota-...”


A loira desligou a lacrima, céus, tudo que não queria pensar era nisto e todos já estavam falando. Olhava para a marca em sua mão, como estariam seus companheiros? Espantou esses pensamentos e respirou fundo, era hora de recomeçar. Pegou suas chaves e decidiu dar uma volta, assim alguma ideia deveria ter.


Nas ruas o assunto não era outro, em todas as partes se falava de sua antiga guilda, porém um comentário que ouviu lhe chamou atenção. Ouviu dizer que a Fairy Tail era uma das principais fontes de dinheiro da cidade, ela fazia o “dinheiro girar”, agora até a economia da cidade estava abalada.


Lucy parou de caminhar quando chegou ao parque, sentou-se na grama e ficou olhando as pessoas que passavam, elas seriam afetadas mais cedo ou mais tarde. Mesmo que não fosse sua culpa por completo, a maga celestial sentia que precisava ajudar de alguma forma. Os olhos da maga brilharam ao ouvir um turista rogar pragas, ele não tinha encontrado um hotel para ficar já que todos estavam lotados.


Era isso, pegaria suas últimas economias com a herança que seu pai lhe deixou e abriria uma pensão. Sentiu-se alegre quando pensou que seus antigos companheiros poderiam até mesmo vir se hospedar, claro!


—_Lucy? – A maga celestial olhou para cima, era Loke. __O que pretende agora? Quero dizer, ainda quer ficar na cidade? – O leão carregava um semblante preocupado.


—_Não se preocupe Leo, eu já sei o que fazer. – Nesse ponto ela notou o ruivo um pouco animado. __E você vai me ajudar nisso, aliás, todos vocês! – Agora ele estava confuso.


—_E o que pretende Hime? – O leão se mostrava curioso.


—_Vou abrir uma pensão!


O leão refletiu, era certo que Lucy gostava de lidar com pessoas, mas não a imaginava administrando uma pensão, sempre pensou que seria melhor lidando com uma loja ou algo do tipo.


—_Tudo bem, se é o que você quer eu irei te apoiar. – Disse Loke desaparecendo com um grande sorriso.


Agora sim, ela estava decidida. Parou de admirar a paisagem do parque e começou a correr para uma imobiliária, queria escolher o lugar ainda hoje!


—-- Quebra de Tempo ---


13:47


Agora, nossa loira se encontrava na região sul da cidade, acompanhada de seu corretor. O rapaz havia lhe dado a descrição de uma casa que se encaixava com o perfil que queria para sua pensão.


—_Lucy-san, esta é a casa que lhe falei. – Dizia o corretor em frente a um edifício. __Toda reformada, os antigos donos resolveram parar com o ramo de hospedaria e focar nas plantações de soja.


—_É realmente linda! – Dizia a loira maravilhada. __Acha que posso abrir assim que comprar ou preciso resolver alguma pendência?


—_A documentação não tem problemas, faz pouco tempo que foi fechada sem nenhuma denúncia, é um local exemplar. – Afirmava o rapaz. __Pode abrir assim que assinar o contrato.


Ao adentrar a sala, a maga celestial começou a reparar na decoração. As paredes eram brancas e contrastavam com o piso de porcelanato que imitava uma madeira escura. Logo na entrada havia um longo balcão marrom a esquerda, atrás dele ficava o corredor para os quartos. Já a direita ficavam 4 mesas, 2 com quatro cadeiras e as outras 2 com seis, logo atrás delas ficava uma grande bancada que as separava da cozinha.


A cozinha era toda azulejada na cor branca, o piso era tão branco que refletia tudo que passava por eles, Lucy fez uma nota mental de não ir na cozinha de saia, só se usasse um short por baixo.


Entrou em um dos banheiros para conferir, o azulejo deste era quadriculado variando entre as cores branca, preta e cinza enquanto o piso era igual ao da cozinha, porém na cor negra. O quarto que conferiu tinha como base a sala, paredes brancas e um piso que imitava madeira, mas a cor deste era um tanto amarelada.


Para ter certeza do que estava fazendo, Lucy invocou Caprico e Leo, eram responsáveis e poderiam ajuda-la com essa decisão. Os espíritos vasculharam o local enquanto ela ficava conversando com o corretor na sala, tirando suas dúvidas. Meia hora depois, os espíritos voltaram para dizer suas opiniões sobre o lugar.


—_Lucy-sama. – Começava Caprico. __Este esse edifício passou nos meus critérios avaliativos, me lembra muito o seu jeito de ser.


—_É verdade Hime. – Agora era a vez de Leo. __Em cada cômodo, parecia que eu estava ao seu lado. – Finalizou o leão, segurando a mão da loira.


—_Obrigada Leo... – Agradecia Lucy um tanto envergonhada. __Muito obrigada Caprico, vocês me pouparam muito tempo.


—_Faria qualquer coisa pela minha Hime! – Afirmava o leão desaparecendo junto de Caprico.


—_Você tem bons espíritos Lucy-san. – Dizia o corretor admirado com a relação que tinham.


—_Ás vezes Leo se empolga. – Falou Lucy ainda ruborizada. __Já me decidi, eu compro essa casa.


Gastando as últimas economias, Lucy assinou o contrato, agora era a dona do edifício cujo nome seria “Casa Celestial”. Sua vida recomeçaria ali, ao lado de seus espíritos, mal podia esperar o primeiro cliente chegar.


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Não muito longe de Magnólia, uma maga voltava de sua exaustiva missão. Pretendia chegar na cidade antes de escurecer, tinha em mente encontrar um local para passar a noite. Estava tão cansada que já não sentia suas pernas, essas caminhavam sozinhas em direção a civilização.


No alto de um barranco, a jovem pode constatar que estava na direção certa, seus olhos brilharam quando viram ao longe a catedral Kardia. Em algumas horas chegaria na cidade e finalmente poderia relaxar em um bom banho, esse era seu maior desejo no estado em que se encontrava.


Antes que pudesse pensar em descer do barranco, algo vibrou em sua mochila, a maga se apressou para pegar o objeto antes que cessasse. Posicionou a lacrima em sua frente e atendeu, o antigo brilho que tinha deu lugar para um rosto que estava perto demais, porém era capaz de reconhecer.


—_Sting, quantas vezes eu tenho que te dizer que para conseguir te ver, você tem que deixar a lacrima longe?! – Exclamava a maga um tanto sem paciência, no entanto feliz de ter recebido uma ligação. __O que aconteceu?


—_Não seja chata Minerva! – Exclamou o dragão branco se arrumando na tela. __Eu estava preocupado, só isso. – O loiro a olhou sério e perguntou. __Não arranjou um namorado, arranjou?


—_Se eu arranjasse, não lhe diz respeito! – Dizia Minerva irritada, já estava cansada e ainda teria que aguentar as crises de ciúmes do loiro. __E se não tem nada interessante para dizer, eu vou desligar.


—_Não!!! – Gritou Sting desesperado. __Eu liguei para falar sobre uma nova missão e é em Magnólia. – Dizia o loiro atraindo a atenção da maga. __Olha, o mestre mandou você ficar por ai mesmo, já está incluída na missão.


—_Eu nem terminei a minha e já me tacou em outra? Ele não tem mais o que fazer não? – Pronto, tinha acabado com sua alegria. __Que missão é essa?


—_Já ouviu que a Fairy Tail foi dissolvida certo? – Perguntava o loiro, ao ver a morena afirmar continuou. __Então, Makarov-san deu permissão para que o mestre fixasse uma outra base nossa em Magnólia. – Vendo o interesse da maga, ele termina. __É isso, nós vamos ser parte da primeira turma.


—_Quando vocês vem? – Perguntava Minerva já sem paciência. __Vou arranjar um lugar para ficarmos nesse tempo.


—_Depois de amanhã, vamos pegar o trem da noite. – Olhando para o lado direito, ele termina. __É isso, te ligo amanhã. Tchau! – E desliga, sem dar chances da maga responder.


—_Esse imbecil... – Praguejava Minerva.


Procurar um lugar, tinha que fazer rápido, mas nem sabia quantas pessoas seriam, Sting só a metia em furada. Derrotada, a morena aperta o passo para Magnólia, não tinha muito tempo para a chegada dos amigos, muito menos energia para gastar atoa.


—_Ai ai... – Suspirava Minerva caminhando em direção a cidade. __Eu só queria um banho...