Cartas pra Você

2 Love is a Laserquest


Notas iniciais
Esse aqui é o primeiro capítulo kakaka como só estou migrando as histórias pra cá, não tenho muito o que dizer. Mas espero que gostem♥

Now I can't think of air without thinking of you

I doubt that comes as a surprise

And I can't think of anything to dream about

I can't find anywhere to hide

2 anos depois

A volta para a casa da cafeteria era sempre um pouco solitária. Com o tempo ruim e chuvoso do outono, a chuva quase sempre dava as caras para molhar boa parte das roupas de Baekhyun. Era bem desprevenido quando se tratava de eventos infortúnios (ou qualquer tipo de evento, se fosse sincero). Porém, tudo se compensava quando deitava a cabeça na janela gelada do ônibus 505, sentido bairro, e apenas escutava a voz dele. O podcaster da voz grossa que todos estavam amando nos últimos meses: Do Kyungsoo. E não fosse pra menos que Baekhyun havia se apaixonado por sua voz também.

"Cartas pra você" era um podcast sobre o amor. Não necessariamente a parte boa, mas sim todas elas: a parte ruim, a dolorosa, a feliz, a extasiante e muitas outras mais que compunham esse sentimento tão confuso. O amor, nas palavras de Do Kyungsoo, havia diversos jeitos de ser expresso. E ele prometia abranger todos eles ali, lendo cartas para os ouvintes, dos ouvintes, pra você. Esperando que, de alguma forma, as pessoas pudessem não desistir do amor.

Baekhyun o admirava muito por isso, além de também ter encontrado conforto em todas aquelas cartas que o rapaz lia diariamente com tanto sentimento. A voz, normalmente sussurrada, sempre continha muita emoção quando deixava as palavras irem à vida. Kyungsoo parecia mesmo derramar seu coração em cada palavra que lia fazendo o que boa parte das pessoas não tinham coragem de fazer: expor o seu amor. Seja em declarações calorosas de paixão, ou pedidos sofridos de perdão — todos continham uma história com sentimentos profundos, tirados do fundo coração.

Naquele dia chuvoso, não era diferente.

O loiro sentou em um dos últimos bancos do ônibus, procurando o silêncio absoluto que sabia ser difícil de encontrar. Ouvir o podcast com barulho era horrível, pois a voz viciante ficava cada vez mais abafada. Mas sua ansiedade de ouvi-lo ao vivo era bem maior que seus problemas de barulho. Era idiota, mas se sentia mais conectado com o podcast quando ouvia de primeira mão. Não sabia bem por que, mas agradecia da mesma maneira. Sempre que pudesse ouvir Do Kyungsoo falando, seria uma dádiva.

Baekhyun ajustou os fones de ouvido bem fundos na orelha. Esperava que assim poderia abafar os sons indesejáveis e concentrar-se apenas na sua voz. Logo, a música relaxante se fez presente, indicando que havia começado. Uma música que conhecia muito bem, por sinal.

Na primeira vez que o ouviu, não pode acreditar. O garoto, ao que tudo indicava, era um grande fã da sua banda favorita: Arctic Monkeys. Não que fosse muita surpresa, já que eram bem famosos naquele momento. Mas, ainda assim, não podia deixar de achar curioso terem isso em comum.

Love is a Laserquest era uma música que falava sobre um romance um tanto quanto conturbado. O eu lírico parecia reclamar dos jogos de amor que sua amada tanto gostava. Nada como algo que Baekhyun já havia vivido, mas era algo que poderia imaginar. De certa forma, combinava muito bem com o tipo de coisa que Do Kyungsoo costumava tratar ali. Logo quando a música acabou, deu-se espaço para a voz grossa do podcaster começar a falar:

"Olá a todos. Aqui é Do Kyungsoo mais uma vez, falando com você. Achei que a chuva hoje merecia uma música um tanto especial. Acho que já é de fato conhecido o quanto eu adoro Arctic Monkeys." O moreno riu rouco, como sempre fazia quando ficava acanhado com alguma informação pessoal. Baekhyun achava isso fofo. " Realmente é uma banda que gosto muito. Por mais que a música seja um pouco mais triste, a carta que separei hoje é um pouco diferente. Mas antes de começar, como sempre, vou tentar dizer um pouco sobre o que eu quero tratar aqui nesse podcast, se você está me conhecendo pela primeira vez." Kyungsoo fez uma pausa. "O Cartas pra você surgiu de uma idéia um pouco maluca, e nunca achei que ia dar certo de verdade. Mas fico feliz que tenha dado. Profundamente feliz. Por isso, quero agradecer cada um dos ouvintes desse podcast. E dizer que... eu devo muito a você. Obrigado."

Baekhyun se sentia ridículo por ter gostado de ouvir aquilo. Ele acompanhava o programa desde quando ainda não era tão famoso assim, logo depois da sensação ter saído do tumblr para as plataformas de stream. Então se sentia sensível pelo agradecimento do rapaz. Sentia que era pra ele também.

"Assim... vou dar um breve resumo sobre o que esse programa se trata. Hã... bem... aqui, eu abro o seu coração. Eu falo por você quando você não consegue. E fico feliz por isso. Eu deixo que você fale do seu amor para mim, e tento entender o seu amor por você, quando isso pode vir a se tornar um peso. E eu acredito muito nisso. Acredito muito que o amor é a força mais poderosa que temos, e tento ajudá-lo a vencer todas as barreiras que o mundo possa te colocar para alcançá-lo. E espero que você me ajude com isso também..."

O loiro se sentiu mexido com a maneira que ele falava. Era sempre tão apaixonada. Pensava se as outras pessoas se sentiam assim também, como se tudo se acalmasse depois que ele começava a falar, como se tudo de repente fizesse sentido. A maneira como ele se derramava e colocava empenho naquilo que fazia deixava o loiro admirado. Nunca havia sido uma pessoa de podcasts, mas aquilo era totalmente diferente. O Cartas Pra Você o tocava das mais diversas maneiras.

"Hoje, particularmente, vou ler uma carta um pouco diferente." Baekhyun voltou a prestar atenção no rapaz, tentando se concentrar além dos próprios pensamentos em meio aos barulhos externos do trânsito. "Essa me assustou um pouco no fim, mas depois fiquei reflexivo sobre a situação." Kyungsoo fez uma pausa. "Só espero que a pessoa esteja ouvindo isso aqui, ou tudo será em vão..."

O loiro franziu o cenho. O que ele queria dizer?

"Querida Sojin..." O rapaz começou. "Estou aqui sentado na porta da frente de casa, logo depois de você me abandonar. Eu sei que fui uma pessoa cruel e sem coração com você, muitas e muitas vezes. Mas hoje, eu estou lhe implorando por um perdão. Há dias em que eu me sinto incompleto sem você e as crianças me esperando na sala quando chego do serviço, e isso quebra a minha velha alma ignorante. Eu gostaria que você me desse mais uma chance. Pois aí eu saberia que ainda tenho um motivo para viver. Vocês sempre foram tudo pra mim, Sojin... tudo o que eu nunca ao menos imaginei. Então se você ainda puder me aceitar, serei o homem mais feliz do mundo. Prometo mudar, e nunca mais..." Kyungsoo fez uma pausa. Demorou alguns segundos antes que ele suspirasse e voltasse a ler a carta. "Nunca mais relar a mão em você." Silêncio prevaleceu pela live por alguns longos segundos.

Baekhyun sabia que aquela não era uma carta de amor bom. Era uma de falso amor, como Do sempre gostava de ressaltar. Talvez, uma que se passasse por amor na cabeça de muitas pessoas. Surpreendeu-se que ele havia lido aquela no podcast. Tinha que ter muita coragem para entrar em um assunto desse, expondo-se ao vivo assim. Esse ainda era o tipo de assunto que gerava muita polêmica na mídia, e muitas vezes não era bem aceito pelo público. Principalmente o masculino.

"Eu disse que era uma carta difícil, certo?... Na realidade, eu espero que Sojin esteja ouvindo isso, pois eu tenho algo a acrescentar dessa vez." As vezes ele fazia isso. Acrescentava algum pensamento às cartas. O loiro adorava aquilo, pois de certa forma sentia que conseguia lhe conhecer mais um pouco. "Sojin..." Kyungsoo continuou "Não faça isso com você mesma. Sei que pode ser difícil, mas se você se livrou uma vez desse relacionamento, você consegue de novo. E mais uma vez. Sua força é algo que ninguém vê além de você mesma. Creia nela. Você não precisa dele mais. Enquanto ao homem que me escreveu... espero que entenda que agredir mulheres não é algo que possa ser aceito. Espero que você adquira consciência do que é ser um humano decente, e se esforce para uma redenção de sua covardia. Se é que você merece uma redenção por isso."

Baekhyun ficou quieto diante daquilo.

A violência doméstica era uma coisa comum no país. Muitas pessoas não se metiam por ter um pensamento antiquado em relação ao papel masculino no casamento, e achar que mulheres eram propriedades de seus companheiros. O que era horrível, pois cartas como essas se tornavam cada vez mais comum. Quando não terminavam em uma delegacia ou algo pior.

"Eu devo dizer que entendo como esse tipo de situação deve ser complicada. Mas o objetivo de eu fazer o que eu faço é mostrar pra você, ouvinte, até que ponto o amor se torna aceitável." Aceitável? "Nós nos acostumamos às migalhas. Nós achamos que é o máximo que merecemos, porque já estamos acostumados com o nada, em algumas situações." Baekhyun parou por um momento.

Será que ele mesmo não estava se sujeitando a pedir migalhas por aí? A achar que o pouco era muito?

"O respeito mútuo é o mínimo que uma pessoa tem que ter por quem ela ama. O carinho, o cuidado, o suporte... isso tudo é o mínimo. Não aceite menos que o mínimo, Sojin. E peço que os ouvintes não aceite nada como isso também." Kyungsoo fez uma pausa. Provavelmente estava bebendo alguma coisa, pois Baekhyun escutou uma tampa girar. "Agora... eu queria, como sempre, pedir pra você refletir sobre isso por hoje. Tente traçar suas relações amorosas e tente perceber se não há algum comportamento vicioso nisso. Tente perceber se não deixou um barril de migalhas para trás, na sua trajetória até aqui. Se for o caso, imagine-se queimando esse barril. Você não vai mais acumular nenhuma delas. De agora em diante, seu objetivo é não aceitar mais nada como isso."

Baekhyun não sabia porque, mas estava chorando. Não sabia se já havia aceitado um caminho inteiro de migalhas, mas sabia que nunca se sentia satisfeito com as coisas. Ainda havia um vazio dentro de si, a pressão de ser alguém melhor que um simples garçom de cafeteria... e agora tudo havia vindo de uma vez. Todos os arrependimentos e todas as vezes que a sua família o pressionou para alguma coisa.

Era horrível.

Só queria poder, por pelo menos uma vez, se sentir livre como uma pessoa de verdade. Sem farsas, sem amarras, sem migalhas das quais tanto se prendia a se segurar. Queria mesmo era poder simplesmente tocar a sua vida da maneira que queria. Mesmo que fosse sozinho. Só ele contra o mundo. Mesmo assim, sabia que seria feliz.

"Não será fácil. Todo processo de mudança é um grande passo. Mas, conte comigo pra isso. Eu sempre vou estar aqui para ler pra você. Se quiser conversar, me mande uma carta." Kyungsoo chamava os emails de carta, por causa do nome do podcast. Isso, o loiro achava bem criativo. "Se não quiser que eu leia no ar, pode me pedir por isso também. Assim responderei apenas você. Não fique acanhado por conta disso." Isso fez o coração do loiro vacilar.

Baekhyun já havia feito isso antes, mas se soubesse que poderia conversar com ele por email — em particular — já teria mandado muitos outros. Era como se uma luz tivesse acendido dentro de si.

"Vocês já sabem o email do programa, está sempre na descrição. Sintam-se a vontade para me contatar. Sempre estou disposto a ajudar." O rapaz fez uma pausa novamente.

Ele sempre fazia quando mudava de assunto ou cansava de falar por tanto tempo. A música de fundo era a única coisa que podia se ouvir. Baekhyun apenas esperou, perguntando-se iria conseguir ter coragem de lhe contatar de verdade.

"Acho que por hoje era isso que eu tinha a dizer. Já estamos chegando a mais de 12 minutos..." Kyungsoo riu de leve "Uau... talvez esse é um novo recorde. Hoje eu só... estou sentindo que posso falar por horas." E o loiro sentia que podia ouvir por mais duas quadras, já que estava chegando em casa.

"Eu não sei bem como terminar o programa hoje. E... pra falar a verdade... eu acabei ficando um pouco melancólico."

Baekhyun mentiria se dissesse que não estava se sentindo melancólico também. Quase todas as vezes em que os temas eram mais profundos, sentia-se assim. Mas também sentia que o rapaz conseguia amenizar no final.

Como agora.

"Então... não vou entrar mais no tema, porque eu queria fechar o programa com uma outra coisa." Outra coisa? "Eu venho fazendo esse podcast já faz um tempo, depois do sucesso que eu tive respondendo as cartas no tumblr. E... estou pensando em voltar com isso. Abrir o tumblr novamente, e deixar que vocês me contatem por lá também. Quem quiser contar sua história, ou algo que te aflige, pode me dizer. Estarei... de caixa aberta." Ele riu da própria piada, o que fez Baekhyun sorrir. Kyungsoo parecia ser uma pessoa extremamente doce fora do podcast. "Então eu acho que por hoje é isso. Não tenho muito mais o que falar. O próximo programa será daqui dois dias, como sempre fazemos. Gostaria de agradecer a todos que continuam fazendo esse programa acontecer, e, claro, a você também. Em especial. Você mesmo que está me ouvindo: muito obrigado. Espero que o seu dia tenha ficado melhor depois de me ouvir. E que tenha uma boa noite também. Até um próximo encontro, novamente aqui... tchau, tchau."

Baekhyun suspirou, tirando o fone grande de cima dos cabelos loiros. Aquele havia sido um programa de reflexão. Talvez... um pouco mais profundo que isso para quem se identifica com a situação. Mas para ele, o principal tópico que ainda lhe apertava no peito era o barril de migalhas.

Por quanto tempo mais iria viver daquele jeito, ele ainda não sabia. Já havia saído da escola e ainda não tinha nenhum sonho queimando dentro do peito. Não tinha nenhuma coisa pela qual lutar. E isso, de certa forma, preocupava a sua mente e lhe causava uma certa ansiedade.

O loiro percebeu que o veículo já estava parando no seu ponto, o que o fez correr para tocar a campainha. Maluco. Só podia estar fora de si por achar que poderia ouvir seus podcasts no ônibus, se distraindo daquele jeito.

Baekhyun desceu do ônibus, já pensando em como iria queimar o seu enorme barril de migalhas, em como poderia buscar por algo que lhe completasse, além do superficial. Algo que despertasse o antigo eu, e trouxesse de volta a sua vontade de sonhar. Pois já havia se perdido há muito tempo. Em parte, se sentia triste por isso. Em parte, sabia que era uma parte do crescimento. Mas, principalmente, do fato de ter se perdido nesse grande caminho que era a sua própria vida.

Não era fácil ser adulto. Haviam conflitos de todos os lados e a pressão excruciante que era morar com os pais sem poder ajudar direito em casa, já que ganhava pouco como garçom.

A rotina também era traiçoeira. Fazia o tédio parecer a única maneira de viver, e o tempo congelar como em um filme de conto de fadas. Era como se cada dia que passasse fosse o mesmo e ele estivesse preso nesse loop infinito que não tinha volta. Não havia como quebrar o feitiço, pois o feitiço era o que o prendia ali: seu próprio coração que não batia mais por si mesmo, além da mecânica biológica; sua cabeça que não pensava em nada além dos problemas que tinha que lidar.

Era como viver como o Mágico de Oz.

A única coisa que ainda lhe dava alguma força era o podcast. Era Do Kyungsoo e suas palavras doces de consolo sobre a vida. Sobre o amor. Sobre ele mesmo. Sentia-se estranhamente grato por uma pessoa que nem ao menos conhecia.

Quando finalmente chegou em casa, Baekhyun subiu direto para o quarto. Não havia ninguém lá, pois todos trabalhavam, e a pequena irmã já não morava mais com eles. A avó havia tomado conta para colocá-la em uma boa escola. Ter o futuro que Baekhyun não teve.

Não reclamava disso, no entanto. Na verdade, até agradecia a avó por ter intervindo. Mas não podia deixar de sentir um pouco de inveja pela oportunidade que nunca iria ter: garantir o próprio futuro. Lutar por algo que ele queria. Ao menos sentir vontade disso, já um começo no qual sonhava em desejar.

Entrando no quarto escuro, o loiro nem ao menos sentiu vontade de ligar a luz. Deixou que a escuridão o consumisse por inteiro. Baekhyun se jogou na cama, e soltou um suspiro que parecia passar pelo corpo inteiro.

Sozinho no próprio quarto era que ele podia pensar com mais clareza.

Migalhas.

O que poderia definir migalhas, no entanto? Baekhyun nunca namorou, então não tinha como saber se já teve um relacionamento de merda. Seu único amigo no mundo inteiro era Oh Sehun, e o considerava um bom amigo. A única migalha que ele parecia aceitar eram aquelas que ele comia escondido de si mesmo. E, de alguma forma, Baekhyun sabia que essas eram o pior tipo de migalhas que poderia aceitar.

Ainda estava pensando sobre tudo o que havia ouvido no ônibus, quando ouviu o telefone tocar. Sabia quem era, porque só havia uma pessoa no mundo que poderia ligar pra ele: o rapaz magro e alto do time de handball.

Baekhyun atendeu no quinto toque, porque estava cansado demais para esticar a mão até o bolso da calça e apertar o botão verde. Quando fez isso, esperou que Sehun gritasse com ele antes de colocar o telefone na orelha.

"Ok, peço desculpas pelo drama, seja qual for ele, que você acabou de fazer." Sehun bufou do outro lado.

"Você sabe que eu odeio quando faz isso, e adivinha? Você continua fazendo!"

"O que eu estou fazendo Sehun?"

"Me ignorando!" Baekhyun riu

"O que você quer?"

"Preciso ir no cinema assistir esse novo filme da Marvel e você PRECISA ir comigo. Tipo, agora!"

"Sehun, eu acabei de chegar do trabalho. A última coisa que eu quero fazer agora é assistir homens em uniformes agarrados se achando o máximo por de trás de efeitos especiais bem ruins."

"Você ser cult é um problema nessa amizade, mas também é um problema seu! Você vai assistir comigo porque eu preciso de alguém para pirar na sala de cinema. E você é o meu amigo, e eu quero que pire comigo."

Baekhyun revirou os olhos.

"Eu sei de alguém que preferia ir com você do que eu..." O silêncio na outra linha fez o loiro pensar que havia acertado em cheio.

"Baekhyun... já conversamos sobre isso. A resposta ainda é não."

"Você vai acabar perdendo esse garoto de vez, e isso será triste."

"Já disse que já conversamos sobre isso!" Sim, já tinham conversado. O que não significa que Baekhyun não queria saber sobre mais... detalhes.

"Enquanto a você? Viu o Luhan jogar hoje?"

"Vi, foi apenas um treino." Baekhyun riu baixo.

"Ficou debaixo da arquibancada de novo?"

"Cala a boca, Byun!" Baekhyun riu alto.

"Sehun... desde quando eu te conheço você gosta desse cara. Porque nunca fez nada sobre isso? Ele é tão inacessível assim?" Sehun ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder.

"Ele é... diferente."

"Diferente?"

"Olha, esquece isso, tá legal? Eu vou parar de fazer essas coisas." Agora o garoto já parecia extremamente envergonhado.

Baekhyun suspirou. Estava sendo um péssimo melhor amigo.

"Não é isso que eu estou falando."

"Eu não posso falar com ele, Byun. Não adianta."

"E porque não?" O garoto ficou em silêncio de novo "Sehun? Porque não?"

"Digamos que... ele já sabe quem eu sou." Baekhyun franziu o cenho.

Isso era novidade.

"Ele sabe?" Perguntou, curioso para saber que parte ele havia perdido dessa história maluca.

"Sabe. Ooh se sabe."

"Como sabe disso?"

"Eu sei, porque eu o vi no vestiário uma vez. Foi... constrangedor." Baekhyun riu alto.

"Você o que?"

"Eu disse que era pra você esquecer disso! Você não tem maturidade!" Sabia que o garoto devia estar com todos os cinquenta tons de vermelho, mas isso era diferente.

Byun precisava saber mais sobre essa história.

"Sehun... o que aconteceu no vestiário?"

"Não quero te dizer." De repente, Baekhyun juntou as peças do que hipoteticamente poderia ter acontecido.

"Você foi espiar ele no vestiário depois do jogo? Tá brincando?"

"Não!" Sehun arfou com indignação "Não... exatamente."

"Meu Deus... você viu ele pelado? É isso?" O garoto ficou em silêncio pelo o que pareceu uma eternidade.

Baekhyun ficou horrorizado.

"OH SEHUN!! EXPLIQUE-SE!!"

"Olha, foi um acidente. Eu não sabia que eles estavam treinando aquele dia."

"O que aconteceu exatamente?"

Sehun gemeu como se estivesse com dor. E deveria estar. Baekhyun achava que a vergonha as vezes poderia causar dores físicas, tinha quase certeza disso.

"Eu... estava indo para o vestiário, porque eu ainda tinha que treinar pro handball. Então, obviamente, eu precisava me trocar no vestiário. Mas aí..."

"Ele estava lá?"

"S-sim." Sehun bate na testa "Ai!" Baekhyun ri.

"E você viu ele e gritou de surpresa?"

"N-não."

Byun ficou confuso.

"Então o que você fez Sehun?"

"Fiquei parado. Olhando. Até ele se virar e perceber que eu estava lá."

"Meu... você tá falando sério?" Agora o loiro já se segurava para não rir.

"Eu fiquei em choque, Baekhyun! Simplesmente não consegui me mover. E aí... aconteceu o pior."

"Meu Deus..."

"Ele riu de mim! Começou a tentar falar comigo sobre alguma coisa que eu nem escutei, sabe por quê?"

"Por quê?"

"Porque eu saí correndo de lá!"

Baekhyun gargalhou como nunca fez antes.

"Pare de rir! Não é engraçado!"

"Deixa eu ver se eu entendi... a primeira interação com o primeiro amor de sua vida foi ficar parado vendo ele se trocar, e sair correndo quando ele te notou? É isso?"

"Seu idiota!" Baekhyun riu novamente.

"Putz, Sehun. Você realmente tem um karma muito ruim."

"Sabe de uma coisa? Eu não te conto mais nada. Foi difícil pra eu ter que passar por isso, é extremamente constrangedor. Me escondi dele por um mês inteiro!"

"E deixa eu adivinhar: por causa disso é que você vê os jogos dele debaixo da arquibancada como um maluco?"

"E eu estou errado?"

Ainda tinha que perguntar?

"Claro! Quem age assim?"

"Eu!" Baekhyun bufou.

"Sehun... ele nem deve lembrar mais disso."

"Eu duvido!"

"Você já falou com ele depois disso?" Sehun fez uma pausa.

"N-não."

"Mas ele já viu você?"

"Já."

"E então?" Silêncio novamente preencheu o outro lado da linha. "Hun?"

"Baekhyun... vamos parar de falar sobre isso, tá legal?" Ele respondeu depois, com uma voz baixa.

"Ok, ok. Me desculpe. Eu só queria te ajudar."

"Eu sei... mas... eu não estou preparado."

"É só que talvez você esteja perdendo uma oportunidade que não vai voltar mais." Baekhyun disse, inspirado pelo podcast que havia escutado hoje.

"Do que está falando?"

"Essa coisa toda com o Luhan. Como sabe que não tem chance com ele? Quer dizer... vocês nunca nem conversaram. E faz anos isso. Talvez seja a hora de você tomar uma decisão e... parar de aceitar migalhas."

Ah, havia mesmo virado Do Kyungsoo agora mesmo?

"Baek... eu-" Sehun fez uma pausa novamente, respirando como se estivesse frustrado. "Não é tão fácil assim. Eu não sei se quero me expor assim, não tenho coragem pra isso."

"Sehun... nunca vai saber se não tentar."

"Olha... eu sei que você é o cara do "lute pelos seus sonhos", mas acontece que a minha vida não é tão fácil." Baekhyun ficou em silêncio.

Sehun nunca falava sobre os seus problemas fora da escola e do clube de handball. Baekhyun não sabia nada sobre a sua família. O loiro começou a pensar que talvez isso contribuísse para boa parte de sua falta de atitude.

"Não é isso que eu quis dizer." Tentou se redimir.

"Eu sei. Mas você podia me respeitar também, sei lá. Acho que eu mereço." Byun suspirou, pois sabia que havia magoado ele.

"Tá bem, tá bem... eu só queria te ajudar."

"É, tá, enfim... você e eu deveríamos sair um pouco amanhã então. O que acha?"

"Sair pra onde?"

"Bem, eu quero ir ver o filme mesmo. Mas não vou te obrigar a passar por tanta tortura assim." Ele estava sendo irônico novamente. Baekhyun revirou os olhos. "Então talvez poderíamos ir em algum outro lugar. Algo que não seja uma cafeteria."

"Na verdade, vamos ver esse seu filme. Se estivermos no shopping, pelo menos poderei comprar sorvete." Sehun foi quem riu dessa vez.

"O seu vício por sorvete deveria ser estudado." Baekhyun sorriu.

"Sorvetes deveriam ser estudados. Eles que são extremamente deliciosos, para além de todos os sabores desse universo."

"Ai, ai, Baek. Você parece um maluco!" O loiro sorriu novamente "Amanhã eu apareço depois do seu turno. Se quiser, levo uma roupa pra você."

"Oh, seria um máximo! Obrigado Hunnie."

"Me agradeça depois com um balde extra de pipoca. Até mais, Byun."

Ah, pequeno chantagista!

"Até." Sehun desligou.

Não podia acreditar que iria ver esses filmes de herói amanhã com seu melhor amigo. Só podia ser brincadeira mesmo.

Baekhyun suspirou, deixando o celular ao lado da própria cabeça.

Será que um dia o amor iria vencer de verdade? Era uma coisa que ele se pegava pensando as vezes. Principalmente, nas vezes que conversava com o seu melhor amigo que tinha a mania de se apaixonar fácil pelas coisas.

Baekhyun não tinha esperanças pra isso já fazia um tempo. Não se achava interessante o suficiente para despertar os sentimentos de alguém, muito menos se achava bom o suficiente para tentar um relacionamento com alguém.

A questão era: porque alguém iria querer se meter com a carga de problemas que ele era? Não havia sentido algum. Também, não esperava que fizesse. A única coisa pela qual ele realmente esperava, para o seu futuro, era que pudesse descobrir o verdadeiro significado do único amor pelo o qual ele buscava pela vida inteira: o amor por si mesmo.

"Eu não vejo sentido nessa coisa de Invasores."

"É Vingadores, Chanyeol!" Kyungsoo riu da raiva de Luhan.

Os três estavam juntos na praça de alimentação do Shopping no centro da cidade. Não era o seu lugar favorito no mundo, mas ainda sim, era bom estar com os dois patetas. Mesmo que Luhan ainda estivesse sujo do treino de futebol que havia acabado de jogar, e que Chanyeol estivesse com todos os mil mangás novos que havia comprado espalhados pela mesa... era bom sair com seus melhores amigos.

"Você só pode estar de brincadeira. De quem eles querem se vingar?"

"Do mal que assombra a Terra." Explicou Luhan, com um dar de ombros.

"E que mal é esse? A crise ambiental?" Luhan cruzou os braços, visivelmente irritado.

"Você diz isso porque gosta daquelas coisas com naves."

"Star Wars faz todo o sentido do mundo!"

Kyungsoo parecia olhar de um para o outro toda hora. Era como assistir uma partida de ping-pong, mas que a bola era argumentos geeks e a raquete a cara fechada dos dois bobocas a quem ele chamava de melhores amigos.

"Ah, claro! A história não se passa nessa galáxia, mas, incrivelmente, há vários humanos rondando por lá!"

"Isso não vem ao caso."

"Claro que sim!" Luhan bateu na mesa.

Ai, agora vinha a apelação. Kyungsoo resolveu intervir:

"Será que, por um acaso, algum de vocês ouviu meu programa hoje?" O moreno disse, com a voz baixa.

Ambos os rapazes olharam para ele no mesmo momento. Pareciam ter esquecido o porquê dos três terem decidido por se encontrarem ali, e que não tinha nada a ver com arrancar a cabeça um do outro. Luhan suspirou, passando os dedos pela face em frustração. Chanyeol cruzou os braços emburrado como sempre fazia — porque ele é um emburrado. Kyungsoo apenas ficou esperando que os dois amigos parassem de agir feito duas crianças — mesmo que isso fosse impossível.

"Me desculpe Soo. Você estava dizendo?"

"Perguntei se algum de vocês ouviu meu podcast hoje. Acontece que... falei um pouco demais e acabei... ficando nervoso." Chanyeol o encarou confuso.

"O que você disse?" Perguntou o mais alto.

"Eu acabei lendo a carta sobre violência doméstica. Sugeri para a mulher abandonar o cara que estava perseguindo ela. Mas agora estou com medo desse cara realmente ir encontrar ela. Não pensei nisso na hora, mas-"

"Isso não é uma coisa que você pode controlar." Luhan interrompeu, puxando o canudo do milk-shake que ele já havia terminado. "Você lendo ou não a carta, ele supostamente pode saber onde ela mora. E ela também já deve estar protegida. Devemos pensar assim." Kyungsoo concordou.

"Ainda assim me preocupo. Das próximas vezes serei mais cauteloso."

"Talvez você devesse parar de ler cartas assim, Soo." Chanyeol interviu, dessa vez sem os braços cruzados para o amigo em sua frente. "Talvez devesse focar em dramas mais fáceis de resolver, sabe?"

"Tipo o que? O seu amor por sagas ruins?" Luhan comentou, carregado de acidez.

Chanyeol fechou a cara.

"Eu não estava falando com você, seu-"

"Hey! Vamos focar no podcast por alguns minutos? Pleease?" Ambos cruzaram os braços novamente como se estivessem se segurando para não voar pra cima um do outro. Kyungsoo revirou os olhos. "Meu Deus, como vocês são infantis!"

"Chanyeol que é infantil, eu apenas-"

"Você apenas gosta de encher o meu saco! Cai na real, Luhan!" O mais alto franziu o cenho.

"O.k. Estou desistindo outra vez. Falem sobre o que quiserem. Whatever."

"Você sempre faz isso, Luhan. Todas as vezes. Eu só acho incrível que, sendo meu amigo, implica tanto comigo assim!"

"Você implica bem mais!"

"Isso não é-"

"Hey, Luhan... aquele ali não é o seu stalker? Perto da portaria de ingressos?" Kyungsoo não achava que poderia se confundir, pois o rapaz era reconhecível até demais pela sua altura e feições marcantes.

"Meu Deus... é ele. Caramba! É ele mesmo." De repente Luhan fica nervoso.

Kyungsoo havia esquecido o quanto seu melhor amigo ficava nervoso perto do rapaz. Luhan gostava de Sehun desde o quinto ano do fundamental. Nunca havia se declarado por se achar insuficiente, e também pelo fato de ter vergonha de se aproximar do amigo baixinho de cabelos loiros, que era mais velho do que todos ali.

Bem, acontece é que, Luhan tinha uma teoria da conspiração: achava que Sehun namorava com Baekhyun desde o primeiro ano do ensino médio e nunca iria olhar para ele (que por sinal, era capitão do time de futebol), por ser um mané de 19 anos (na idade coreana). Baekhyun já tinha seus bons 21 anos, e tinha bem mais liberdade financeira que o chinês, que dependia dos pais para tudo. E mesmo que Kyungsoo tentasse explicar que isso não tinha nada a ver (porque realmente não tinha), o castanho não tirava da cabeça que era insuficiente para o outro rapaz.

O amor era realmente uma coisa muito complicada.

"Uh... parece que ele está com aquele outro rapaz." Chanyeol disse com cuidado, pois sabia que o seu amigo poderia ficar chateado.

"Que merda, Luhan." Do comentou, olhando para os outros dois garotos que compravam ingressos.

Sehun estava como sempre esteve: alto e elegante. Kyungsoo tinha um pouco de inveja em como ele conseguia andar como se estivesse desfilando. O outro rapaz, que era mais baixinho, parecia bem pequeno do lado dele. Eram como pai e filho, ou irmão mais velho e mais novo; na verdade, era bem fofo de se olhar. Por mais que Luhan fosse apaixonado por Sehun, não podia negar que o outro rapaz também combinava um pouco com ele.

"Eu não consigo acreditar. Seria ele mesmo o namorado? Será que namoram?" Chanyeol deu de ombros como se não pudesse fazer nada.

"Talvez. Podem ser amigos." Kyungsoo tentou tranquilizar, jogando um olhar repreensivo para Park.

"Amigos?" Chanyeol bufou "Que tipo de amigo vai sozinho no cinema com outro amigo? Isso é um encontro."

"Nós literalmente estamos aqui pra isso Chanyeol."

"Isso não vem ao caso. Estamos em três. Três é normal. Dois? Casal!" Luhan fechou a cara.

"Não leve tão a sério, Lu. Podem ser apenas amigos." Kyungsoo, novamente, tentou acalmar o seu melhor amigo.

Luhan apenas ficou observando de longe. O moreno voltou o olhar para os garotos, tentando enxergar um pouco além de suas expectativas. Não pareciam como um casal, mas também pareciam ser bem íntimos. A aposta era que: ou Sehun e seu amigo eram melhores amigos de longa data, ou eram namorados discretos porque... bem... gays?

"Eu sou muito idiota. É claro que ele tem namorado. Ele deve me espiar todo esse tempo porque sabe que não sei jogar direito. Ou talvez procure pelas minhas falhas pra um jogador adversário, ou talvez-"

"Ok... você já está pirando, Luhan..." Chanyeol, ironicamente, surgiu como a voz da razão entre eles.

"Ah, pode me culpar?"

"Você acha ele tão bonito assim? Sério?" Do em parte não entendia essa obsessão toda.

Tá, Sehun era bonito. Mas... era praticamente a única coisa que poderiam saber sobre ele. Além do fato dele jogar handball. Não entendia porque o amigo era tão fissurado por ele.

"Claro que acho ele bonito! Mas é... um pouco além." Chanyeol riu baixo.

"Aquela vez do vestiário, hein? Eu queria muito ter visto aquela cena."

"Não foi engraçado, Chanyeol!" Luhan já estava ficando vermelho.

"Mas você riu!"

"Eu ri porque eu queria tirar barato da situação! No fundo no fundo eu estava querendo chorar de vergonha."

"Mesmo?"

"Claro!"

"Nossa..." Chanyeol ficou quieto, voltando seu olhar para Kyungsoo, esperando que o moreno quebrasse o clima da besteira que ele havia acabado de falar.

Kyungsoo revirou os olhos.

"Escuta..." O podcaster começou "De qualquer forma, eu acho que talvez deveria falar com ele. Sei lá... tentar não vai arrancar pedaço, sabe?" Luhan negou com um aceno.

"Eu não vou fazer isso."

"Ah, Lu. Isso nunca vai acabar se não falar com ele."

"Dane-se. Então que não acabe." Luhan levantou da mesa, puxando a mochila de corda para as costas "Se vocês não querem saber como me sinto, então ao menos tentem me respeitar. Vou indo nessa. Amanhã... conversamos melhor."

"Qual é, Lu!" Chanyeol protestou, mas o rapaz já havia saído da mesa.

Kyungsoo começou a se sentir esquisito. Não sabia se havia de fato agido da maneira correta, mas decidiu que não era muito algo que ele podia adivinhar. Se Luhan estava tão incisivo em não levar aquela história adiante, então só poderia torcer de longe pelo melhor amigo.

"Luhan é sempre tão apelativo. Você vê como ele nunca leva nada na brincadeira? Tudo pra ele é intensidade." Chanyeol franziu os lábios, aproximando o canudo da boca.

"Eu não o julgo pelo o que ele é, eu só... sei lá. Nada vai adiantar se ele continuar na defensiva sem fazer nada, sabe? Quem sabe esse Sehun também não gosta dele, e ele nem ao menos sabe?"

"Se for o caso, então ele seria louco." Chanyeol deu a última sugada no milk-shake, puxando tudo de uma vez com um barulho horrível.

"Por Deus, Chanyeol!"

"Ai, desculpa. Mas eu adoro fazer isso." Ele sorriu como uma criança "É a parte mais gostosa do milk-shake." Kyungsoo negou com um aceno.

"Que seja. Precisamos ir se quisermos assistir esse filme."

"Você ainda quer ver? Quer dizer... estamos só nós dois aqui. Luhan era quem mais queria assistir. Podemos fazer outra coisa." Kyungsoo deu de ombros, casualmente perdendo o olhar em ambos os rapazes, que já não estavam mais na fila.

"Onde eles foram?" Park parecia confuso.

"Quem?"

"Sehun e o outro cara..." O grandão deu de ombros.

"Anyways... podemos ir jogar vídeo game, o que acha? Bem legal né!" Kyungsoo riu de leve.

"Você quer jogar vídeo game? Comigo? Desde quando isso?"

"Você não vai ganhar! Eu vou!" Kyungsoo riu novamente.

"Aposto 5 pratas que você perde de primeira no Enterra A Cesta." Park sorriu como se estivesse prestes a fechar um negócio com a máfia.

Empurrou os óculos para cima com os dedos grandes, limpou o suor da mão em sua própria calça e sorriu ao esticá-la para o mais novo como um compromisso a ser selado:

"É um trato, então." Disse, enquanto apertava a sua mão.