Notas iniciais
Espero que gostem! Não deixem de comentar sobre o que acharam :)

Querida (ou querido) desconhecida (ou desconhecido),

Você não me conhece e eu tampouco conheço você. Achei seu endereço por aí, parece estranho falar assim, achei no Google. Você tem uma bela casa, aparentemente você gosta de verde… Bom, eu não sei porque estou te escrevendo.

É mentira. Eu sei realmente porque estou escrevendo: meus pais morreram, meu irmão é o assassino deles. Não sei o que posso fazer a não ser escrever e externar esses sentimentos. Eu não sei como me sinto exatamente, mas acho que estou triste, não sei como continuar ou se devo continuar.

Resolvi, então, escrever para você. É madrugada aqui, espero que esteja lendo essa carta durante a noite, assim podemos fingir que estamos compartilhando quase o mesmo momento. Bom, ao menos no tempo, não sei.

Desculpe o incômodo.

Ternamente,

Sasuke Uchiha.

Sakura sorriu um pouco e olhou para o sol brilhando lá fora. Deu uma risada nesse momento. Passou novamente os olhos pela carta e a letra quase que perfeitamente impecável, a julgar pela posição das letras, Sasuke talvez fosse canhoto. Passou os dedos delicadamente pelo papel e suspirou.

Ok, o que faria agora? Responderia a carta daquele desconhecido? Poderia pesquisar a história que ele contou e ver se era verdade… Bem, não parecia algo inventado. Sakura piscou forte duas vezes, parecia sim, parecia completamente inverídico. Sakura riu novamente, dessa vez um pouco nervosa. Deveria ligar para Ino e contar o absurdo que acontecera? Deveria responder?

Não sabia muito bem como agir, sinceramente, não sabia em nada como agir. Poderia simplesmente ignorar, Sasuke não exigia uma resposta, aliás, ele simplesmente se desculpava pelo incômodo. decidiu, então, jogar a carta no lixo e deixar essa história quieta, tinha muito o que fazer naquele dia. Encontraria Shikamaru mais tarde e precisava se arrumar, era o aniversário de namoro dos dois, cinco anos, para ser bem específica e Sakura estava animada.

Tomou banho, maquiou-se e colocou um vestido vermelho que comprara apenas para aquele dia. Estava tranquila com a sua vida no momento, era verdade, queria contar que foi escolhida para a bolsa de estudos em Medicina na cidade vizinha, não muito longe dali, mas mal conseguia se segurar. Precisava, no entanto, segurar mais um pouco a notícia, hoje o dia era dela e de Shikamaru, apenas dos dois.

Pegou o carro e passou nos correios antes, para deixar a carta de admissão com todos os documentos assinados e organizados por pastas. A excitação de Sakura mal podia ser contida no peito, ela não conseguia parar de sorrir e Shikamaru disse que seu sorriso estava mais brilhante nos últimos dias, sem notar que ela guardava aquele segredo.

Encontrou Shikamaru e ficou encantada com o lugar escolhido para o jantar: luz de velas, frutos do mar e um vinho branco delicioso. A mente de Sakura estava em outro lugar, completamente e totalmente perdida em pensamentos sobre seu futuro, sobre os dois… Não queria estragar aquele momento, não agora, era o momento ideal para contar sobre sua bolsa de estudos? Não sabia, mas a bebida zonzeava um pouco sua mente e a deixou confusa por breves minutos… Era o momento, um dia tão maravilhoso quanto aquele merecia ser comemorado duplamente.

— Fui admitida em Medicina. — Sorriu para o namorado com ternura. Shikamaru parou seu vinho e deixou a taça na mesa.

— Você vai embora? — Perguntou, o cenho franzido.

— É a cidade vizinha, meu bem… Uma bolsa! Uma bolsa de estudos completa! — Sakura soluçou um pouco com a bebida e sorriu, daquele jeito que os bêbados fazem quando passaram um pouco da conta, mas ainda estão sóbrios o suficiente para não fazer nenhuma besteira constrangedora.

— Acho melhor falarmos sobre isso amanhã… — Shikamaru começou a se levantar.

— Eu já enviei os documentos, aceitei a proposta. — Disse Sakura, agora com o cenho franzido, sem compreender a reação de seu namorado. Pensou que ele ficaria animado e orgulhoso de seu esforço, afinal, sabia como se dedicara aos estudos daquela prova nos últimos dois anos.

— Como assim? — Shikamaru arregalou os olhos. — Vamos embora, Sakura… Falamos disso amanhã. — E não trocou palavra alguma com a namorada durante o trajeto, não permitindo que ela mesma dirigisse o carro.

Sakura mordeu os lábios quando ele a deixou em casa sem se despedir dela. O cenho franzido, com raiva de alguma coisa. Sakura não saberia dizer o que havia feito de errado… Seria a questão do dia em que contara sobre a bolsa de estudos? Deveria ter esperado um pouco mais? Então, pensou em como ele fechou a cara ainda mais quando ela disse que iria embora. Será que ele gostaria de ser consultado? Para quê? A bolsa era dela.

Andou de um lado para o outro em seu apartamento, preocupada com o que acabara de fazer. Um copo de água gelada a acompanhava e clareava a mente, os dedos tamborilando pelo copo de maneira ansiosa… O que faria agora? Que podia fazer? Desistir? Não, essa não era uma opção para Sakura.

Foi até o lixo e pegou a carta de Sasuke, leu-a uma vez mais. Decidiu responder, podia sentir o álcool no organismo, mas sabia que estava mais ou menos lúcida. Ao menos, o suficiente para que respondesse a carta de Sasuke quase que completamente ciente do que fazia. Bem, o que podia fazer era deixar ali no balcão e enviar apenas no dia seguinte, quando estivesse mais sóbria. Se decidisse enviar, porque essa questão ainda era uma incógnita.

Querido Sasuke,

Meu nome é Sakura… Realmente eu gosto muito de verde, mas prefiro a cor vermelha. A minha casa tem essa cor apenas por um infeliz acidente com o proprietário, mas de qualquer maneira, pode notar que moro em um apartamento e não teria como escolher a cor do prédio inteiro.

Sinto muito pelo o que ocorreu com sua família, acho que ninguém nunca espera uma coisa dessas. Se estiver disposto, eu gostaria de ouvir o que você tem a dizer. Ou melhor dizendo, eu gostaria de ler. Acho que é importante você compartilhar as suas mágoas com alguém, não sei se serei de grande ajuda, mas lerei suas palavras com a devida atenção.

Infelizmente, li sua carta em uma tarde muito ensolarada, mas é durante a noite que a respondo. Talvez a envie pela manhã… Não sei, na verdade não sei muito bem por qual motivo respondo sua carta, deve me achar um pouco esquisita por isso.

Desculpe qualquer coisa.

Atenciosamente,

Sakura Haruno.

Fechou a carta e a endereçou para o que indicava ser a residência de Sasuke, deixou a carta ali no balcão e foi descansar… Certamente não enviaria a carta no dia seguinte, era uma humilhação completa aquela resposta, já era difícil o suficiente lidar com a primeira carta dele em si. Riu para si mesmo, o coitado deve estar desesperado para enviar uma carta para uma completa desconhecida e revelar aqueles detalhes de sua vida pessoal tão rapidamente. resolveu dormir rindo um pouco daquela situação, mas um tanto triste pela situação que Sasuke se encontrava.

Ao acordar, sentia a cabeça latejar fortemente por causa da ressaca, sabia que não deveria beber tanto na noite anterior. Olhou para o balcão e sentiu falta de algo muito importante, a pia extremamente limpa não deixava pista alguma do que Sakura deveria fazer.

— Olá, bela adormecida! — Escutou a voz de Ino em suas costas. — Fiz o café da manhã e enviei as correspondências que você deixou no balcão… Ainda vamos sair hoje?

O coração de Sakura parou por um segundo, recordando-se da carta que deixou para Sasuke ali naquele balcão. Correu os olhos três vezes pelo local, mas Ino estava sendo sincera quando disse que enviara tudo… Estava perdida, completamente perdida. Não sabia o que faria, poderia ela impedir que uma carta chegasse ao seu destino?

Paralisada, apenas assentiu para a última pergunta de Ino e pegou o copo com suco de laranja, pensando em todas as terríveis possibilidades de resposta daquela carta. O que mudaria agora? O coração de Sakura palpitava tão forte que a garota podia ouvir o seu rimbombar nos ouvidos, completamente desesperada com o que aconteceria dali para frente.