Cartas para Bella
5 Michael Newton, o garoto com cara redonda.
Notas iniciais
Eu já tenho meus suspeitos.
Cinco no total.
Michael Newton, Emmett McCarty, Eric Yorkie, Tyler Crowley e Jacob Black. O que tem em comum? Todos estudam em Forks High School e garotos que eu converso.
Mas por que estou focada em garotos? Não pode ser uma garota?
Bem, a pessoa na carta referiu-se como ele. Então, aí o motivo de estar focada em garotos. A não ser que fez de propósito. O que eu duvido um pouco, no entanto, nada é impossível.
A duas semanas meu correspondente secreto resolveu aparecer em minhas mensagens, perguntando sobre meu bem-estar. Obviamente pensei, com certeza é Emmett! Ele estava lá na hora, me ajudou quando passei mal. O que eu não esperava era chegar na escola pela manhã com todos sabendo do meu pequeno desmaio. Então, todo mundo sabia. Isso porque não há segredos nesta escola, e se tem, em pouco tempo são descobertos.
Durante esse período de tempo, troquei mensagens com ele. Não eram grandes coisas, perguntas vagas, nada que me desse algo consistente. Ele me deixou mais duas cartas, nas últimas duas segundas-feiras. Eu me atrevi perguntar porque nas segundas. Ele respondeu dizendo que segundas são entediantes e que com as cartas suas segundas ficavam melhores. Eu não podia mentir, sentia o mesmo. A cada segunda, eu ficava ainda mais ansiosa para ver o que ele tinha me escrito.
Eu decidira começar as minhas pequenas investigações agora. Essa semana. Já! Eu tenho seis semanas antes das provas finais, sete semanas antes do baile e da formatura. Para dar tempo de eu descobrir a pessoa, me dar bem nas provas, a hora é agora!
O primeiro suspeito que vou investigar é nada mais, nada menos que Michael Newton, o garoto com cara redonda.
Tomo um longo gole de café, em seguida, largo o copo em cima da mesa, tentando prestar atenção na aula de inglês. O professor explica sobre a temática do livro “O Morro dos Ventos Uivantes”. Como se não fosse óbvio. A trama relata sobre o amor que Heathcliff sentia por Cathy transformou-se em desgosto por ela trocá-lo por um homem com mais conhecimento que ele. É uma história de vingança e ódio.
Meu celular apita. Contrariando todas as regras impostas a mim por mim mesma, vejo a tela de bloqueio, com uma mensagem do número do meu correspondente. Rapidamente, deslizo meu dedo pela tela, abrindo a mensagem.
Efetivamente, acho que sou uma criatura ponderada e razoável, não exatamente pelo fato de viver entre montanhas e ver sempre as mesmas caras de começo a fim de ano, mas porque fui submetida a severa disciplina que me ensinou a ser criteriosa.
Você acha que é uma pessoa criteriosa?
Olho por cima do ombro à procura de Mike. Bingo! Ele está com o celular em mãos. Meu sorriso desmancha. Assim como metade da sala.
Eu tenho que ser.
E pq?
Pq eu fui ensinado a ser assim.
Respiro fundo. Isso realmente não me dava nenhuma pista.
E vc?
Considera uma
pessoa criteriosa?
Um pouco.
Nunca realmente
paro para pensar sobre mim.
Por isso você é diferente.
Mordo os lábios, nervosa.
De quem?
De todo mundo.
Volto a guardar o telefone, sentindo calafrios em meu corpo. Tomo mais um gole do café. Precisa de uma grande quantidade de cafeína correndo em minhas veias para ter coragem. Eu ia fazer a coisa mais estúpida que eu já fiz na vida. Olha que eu já mergulhei no vaso da minha casa em Nova Iorque por causa de um desafio ridículo.
Balanço a perna, ansiosamente. Viro a cabeça, olhando para Mike. Eu aceno para o garoto, enrolando uma mecha de cabelo. Ele franze a testa, em seguida, abre um sorriso e acena de volta. Quando volto a encarar o quadro, consigo ver Alice com uma sobrancelha erguida para mim. Eu sorrio amarelo.
Pego o telefone, na esperança de ver outra mensagem de CS. Sim, eu abreviara corresponde secreto. Desanimo ao ver que não havia nada.
O sinal bate, avisando o fim das aulas. Lentamente, guardo os meus materiais, cuidando Mike pelo canto do olho. Alice me espera encostada com o quadril na mesa. Respiro fundo, pondo uma mecha de cabelo para trás. Caminho em direção ao loiro.
Ele conversa com um garoto que se chama Chad. Eu paro em frente a sua classe, com o livro de inglês na altura do peito. Eu lhe dou um sorriso de canto. O garoto Chad lhe dá um tapa na cabeça, para então, apontar para mim.
— Hey, Bella. — ele diz.
— Oi, Mike.
Ficamos nos encarando em silêncio. Eu mordo os lábios.
— Então, como você está?
— Ótimo! — responde, levantando da classe. — E você?
— Tudo certo.
Tomo uma lufada de ar.
— Eu estava pensando. Você gostaria de almoçar comigo?
Os olhos dele se arregalam. Eu coço a nuca envergonhada. Não era essa reação que eu esperava.
— Claro! Você quer se juntar comigo ou?
— A gente podia sentar na rua. Tem um solzinho. — divago, olhando meus sapatos.
— Claro! Nossa, sim! — ele olha para trás, onde Chad lhe mostrava os polegares. — Quer que eu te acompanhe para a próxima aula.
Assinto com a cabeça, mesmo querendo negar.
Agarro a mão de Mike para sairmos da sala. Eu aceno para Alice nos seguir para fora da sala. Ela arregala os olhos, para depois sibilar “vai me contar tudo depois!”. Eu apenas me limito a revirar os olhos.
Vamos os três um do lado do outro. Solto a mão de Mike rapidamente, quando percebo os olhares para nós dois. Alice engancha seu braço no meu. Pegamos nossas coisas no armário e despedimos uma da outra.
Mike oferece para pegar meus materiais. Eu lhe entrego meu livro e caminhamos, em silêncio, pelos corredores até a sala de aula. Lá, engulo em seco. Sem saber o que dizer, abano para o garoto que fica na porta. Ele balança a cabeça para então ir para sua aula.
Sento-me na classe da frente com a cabeça na mesa. Tem como eu ser mais estúpida?! Qual é! Assim eu não vou conseguir tirar nada dele. Eu devo flertar mais?! Mas eu já estava flertando o bastante!
As luzes da sala se apagam e a professora avisa que nas próximas três aulas serão para assistir o clássico chamado “Fale com Ela” e que teríamos que escrever uma redação de mil palavras sobre. Reviro os olhos, anotando em um post-it para assisti-lo em casa mais tarde.
Voltando a fita. A reação de Mike foi péssima. Digo, o amigo dele precisou avisar que eu estava ali, além de que, ele ficou todo estranho quando eu pedi para almoçarmos juntos. No entanto, como o CS saberia da aula que estávamos vendo?
Bem, a parte mais difícil eu já fizera, certo?! Chegar nele para conversar. Check! Agora, falta o resto. Ele provavelmente vai perguntar o por quê de ter chamado ele para almoçar. É só dizer que você quer ser mais amiga dele. Simples.
Eu não posso ser muito atirada com nenhum dos garotos. Caso isso dê errado, essa escola pequena do século XX irá achar que eu sou uma vadia que quer ficar com todos os garotos do Forks High. Então, tenho que ter cuidado. É triste a mentalidade das pessoas do interior.
To entediada.
Mando. Poucos segundos recebo uma notificação.
Eu tbm
Q aula vc ta?
esperta vc
N vou dizer
Assim vc n me ajuda a descobrir quem é
Bem o anonimato é a essência de um admirador secreto
Se n, qual a graça?
Correspondente, vc quis dizer
Bem o anonimato só tem graça de um lado
Obviamente do meu q n é
Presta atenção na aula, Bella
Reviro os olhos com força. Sempre que eu pergunto algo que pode me dar uma pista, ele foge do assunto. Eu quero esganar o pescoço desse cara. Não é justo ele saber quem eu sou. Eu gostaria de lhe dar o troco! Seria incrível vê-lo na mesma situação que eu. Mas, será que ele iria atrás de mim como eu estou fazendo? Provavelmente não.
Vc podia ser um admirador não-secreto
Seria mais fácil
Mas nenhum de nós estaria se divertindo
Eu n estou
Claro que não
O sinal toca, as luzes se acendem e meu corpo gela. Merda! Agora é a hora.
Praticamente corro até a cafeteria, lá eu compro meu almoço. A todo momento da fila vejo Alice me encarando com aqueles olhos assustadores. Eu pago a moça da cantina para dar de cara com Mike que passava pela porta de entrada. Ele soca a mão de Chad, vindo até mim.
— Oi, de novo. — digo, tentando sorrir.
— Hey! — exclama.
— Vamos?
— Claro!
Como a maioria dos alunos nesse dia de sol, vamos para a área não coberta, atrás da escola, onde há um campo de futebol enorme, onde em seus limites havia só mato e mais mato. Sentamos em uma mesa mais afastada.
Comemos devagar, falando sobre futilidades: tempo, escola, trabalho. Esse tipo de coisa. Eu encosto meu cotovelo no seu, sem querer às vezes. Mike não parece notar. Tá, eu não sei o que fazer. Devo, talvez, mostrar os meus peitos?
— Então você lê?
Ele solta uma gargalhada.
— Por que ler se tem o filme?
Abro minha boca, sem acreditar.
— Como você ousa? — brinco, batendo em seu ombro com a bandeja.
— Mas é! É mais prático ver do que ler.
— Você é impossível, cara!
— O mundo todo é tecnológico agora. Por que continuar algo tão primitivo?
— Primitivo vai ser eu arrastando essa sua cara de bebê pelo chão.
— WOW! Você é bem agressiva. — ele brinca.
— Você não tem ideia. — digo, mordendo os lábios.
Ele me olha torto. Eu balanço a cabeça.
— Então você lê.
— E o céu é azul.
— Fatos.
— Exatamente. — digo, lhe lançando uma piscadela.
— Por que?
Eu olho para a frente, sentindo o vento frio batendo de leve em meus cabelos. Inspiro fundo. Eu começara a ler com 4 anos de idade. Desde então venho lendo tantos livros querendo fugir da minha realidade desesperadamente. Como eu poderia explicar a sensação de viver outras vidas pelas páginas? De ir para lugares que nunca fui? Aprender amor e ódio? Como dizer que os livros são o meu refúgio da realidade que meus pais preferem a viajar meses fora, invés de esperar até as minhas férias para ficarem um tempo?
— É bom. — suspiro.
— Não te dá sono?
— Nem um pouco.
O sinal toca. Levanto-me do banco junto a Mike, me sentindo desanimada. Tento deixar de lado essa baboseira. Mike e eu caminhamos pelos corredores conversando sobre basquete. Não que eu fosse uma grande fã, mas torcia pelos Celtics, ele pelos Lakers. Foi uma conversa interessante.
— A gente se vê. — Mike diz, na porta da aula de álgebra.
— Tchau, Mike. — respondo, lhe dando um beijo na bochecha para depois entrar na aula.
Ele balança a cabeça enquanto entro na aula. Merda! Isso foi demais.
Sento na classe no exato momento que o professor de Álgebra entra na sala de aula. Engulo em seco ao ver que ele está com folha na mão. Não, não, não, não, NÃO! Teste, não! Aí, porra!
— Teste surpresa, meus queridos. Já sabem! Sem cola. 1h e 25min.
Ele diz passando entre as classes, entregando as duas folhas. Porra! Ele me entrega a prova com um sorrisinho de canto ao ver a cara de horror de todos os alunos. Bato o olhar na prova e quase desmaio. Meu cérebro não funciona. Ele está em branco!
— Isabella Marie Swan, se concentre! — murmuro.
Pensa no seu futuro. Isso! Notas boas. Preciso disso. Olho para o relógio. Certo, tenho tempo. Meu cérebro volta a funcionar e lembro-me de como resolver as equações exponenciais.
Eu nunca mais entro para a aula de álgebra.
Termino o teste, entregando para o professor. Ele acena com a cabeça, dizendo que posso sair da sala. Viro para a sala vendo caras horrorizadas e gente colando. Normal. Pego meu estojo e caderno para sair da sala.
Sinto um calor infernal, por isso, vou ao meu armário, guardando meu casaco. Prendo o cabelo num coque na cabeça, sentando no chão com a cabeça entre os joelhos.
Desde o ano passado, eu passo mal com testes e provas. Sinto-me quente como o inferno para depois me dar uma grande dor de cabeça. É só eu tomar um alivium que os enjoos passam.
Abro a pequena bolsa rosa com remédios e de lá retiro minha pequena salvação. Vou ao bebedouro e bebo-a. Volta a me sentar em frente ao armário, pegando o Morro dos Ventos Uivantes para ler. Aos poucos, os enjoos passam e continuo a ler até a hora do almoço.
Quando o sinal toca, suspiro pesadamente. Fecho o livro com força, sentindo minha cabeça pesada. Levanto do chão ao ver a movimentação do corredor principal. Pego o material de biologia, e me arrastando, caminho para a aula.
— Bellinha. — viro meu corpo para encontrar Lauren. Inconscientemente, reviro os olhos.
— O que?
— Você está tão malzinha. Com a cara enjoada. Vai desmaiar? Quer que eu chame o McCarty para cuidar de você? AH, não! Espera aí! É a sua cara normal, mesmo.
Respiro fundo.
— Ai, Mallory. Você está com uma cara de vadia hoje. Será que você participou de uma orgia ontem? Ah, não. Espera aí! Esse é o seu comportamento normal.
— Sua cadela. — Jéssica late.
— Não sou eu que estou latindo aqui, Jéssica.
— Bem, não fui eu que foi jogada no fim do mundo para os papais viajarem. Você é tão inútil que nem seus pais te querem.
É como se Mallory tivesse me dado um soco em meu rosto. Eu abro a boca para responder, no entanto, a minha voz não sai. As duas garotas sorriem e saem rebolando. Chuto uma lixeira qualquer que está no meu caminho, descontando a minha raiva. Eu não sou inútil! Algumas lágrimas descem pela minha bochecha. Limpo-as antes de entrar na sala de aula.
Não que ela estivesse errada. Eu devo ser um estorvo para os meus pais. Eles me ligam toda quarta-feira. Só que inútil?! Não! Inútil eu não sou. Certo?! Eu sirvo para algo. Eu sei que sim. Eu acho que sim.
Desanimada para caralho, sento na minha classe ao lado do Cullen. Tento secar as lágrimas que descem pelos meus olhos. Enfio a cara no livro, para tentar mudar o curso de pensamentos.
Eu sou amada. Não sou? Claro que sim! Por que seria? Bem, porque sim.
— Você está bem?
Pelo canto de olho, vejo Edward. Ele está com o cabelo bagunçado, como sempre.
— Ótima. — murmuro.
— Não parece.
Não respondo.
— O que rolou?
— Nada.
— Quem nada é peixe.
— Isso é resposta de oitavo ano. — respondo, tentando mudar de assunto.
— Não me importa.
O professor entra. Eu encaro o quadro.
— Edward. — chamo-o antes do professor começar a falar.
— Diga.
— Como você chama as garotas para sair?
Suas sobrancelhas se juntam em confusão. Sinto minhas bochechas ficarem vermelhas.
— Eu não preciso chamar. Elas que se jogam para mim.
— Tão cavalheiro. — resmungo, anotando o que o senhor Medina passa no quadro. — Agora, entendo o motivo delas lamberem por onde você passa.
Ele solta uma risada baixa.
— Você provavelmente não entenderia.
Arqueio a sobrancelha.
— Ah, pode apostar que eu sei.
— Sabe?
— É sobre o seu pequeno pau. — respondo, desavergonhada.
Ele joga a cabeça para trás, gargalhando. Senhor Medina o manda calar a boca.
— Anda ouvindo sobre o meu pau?
— A culpa não é minha que a comunidade feminina da escola não fale de outra coisa.
— Você é engraçada, Bella.
Eu reviro os olhos.
— Bem, se eu fosse chamar alguém para sair, eu só peço.
— Isso é incrivelmente bom. — digo, sarcasticamente.
— Por que?
— Nada da sua conta.
— Voltamos para o modo rude, huh?
Apenas volto a ignorar Edward.
Os últimos dois períodos passam voando. Eu foquei na aula de biologia enquanto na de Educação Física fugi das bolas durante o jogo de queimada. Não que eu tenha conseguido com sucesso fugir de todas. Eric e eu fomos os primeiros eliminados, mas isso não quer dizer que não fomos acertados.
Quando o sinal toca pela última vez no dia, o que eu quase chorei de felicidade, corro para o estacionamento, encontrando Mike parado em seu fiat strada de 2015. É uma versão melhor da minha Pulga.
Corro para seu encontro. É só ser direta. Sem muita enrolação. Isso! Fico de frente ao garoto, ignorando seus dois amigos que o acompanham.
— Quer ir ao cinema comigo nessa sexta? — digo, apavorada.
Mike arregala os olhos, ficando em silêncio. Olho para meus tênis all-stars, esperando a resposta.
— Hm, bem. Por que não? — responde.
Eu encaro seus olhos castanhos.
— Okay. — sussurro. — A gente se encontra lá?
— Claro. Que horas?
— Acho que as 17h.
— Marcado.
Dou as costas para Mike e caminho em direção a minha caminhonete do outro lado do estacionamento, onde Seth beijava alguma garota que eu não tinha ideia quem era. Faço um barulho alto, de propósito, ao abrir a porta de trás, jogando a minha mochila dentro do carro. Os dois se assustam quase engolindo a língua um do outro. Nojento.
Eles dão um selinho para a garota ir embora. Quando entra no carro, lhe dou vários tapas.
— A. Pulga. Não. É. Encosto. Para. Vaca. — digo a cada palavra um tapa.
— Bella, AÍ!
Após alguns minutos, eu paro, encostando a testa no volante. Vejo pelo rabo de olho um sorrisinho em seus lábios. Lhe dou mais um tapa na barriga. Em seguida, ligo Pulga que faz um enorme barulhão. Juntos, com a música da rádio, vamos para casa.
Ao chegarmos em casa, troco minha roupa para o uniforme do café. Dou um beijo na cabeça de Seth e vou correndo para o trabalho. Abro a porta do lugar, chamando atenção por conta do barulho do sininho. Dou um sorriso a Lizzy, caminhando em direção aos fundos.
Atendo algumas pessoas. O delegado que estava enlouquecido atrás de um café, a professora Schmitt que queria rosquinhas para sua filha e a mãe de um colega veio atrás de um lanche.
Quando a cafeteria está vazia, começo a passar um pano pelas mesas enquanto Lizzy varre o chão. O sino toca mais uma vez, chamando a minha atenção. O doutor Carlisle Cullen entra na cafeteria.
Ele é extraordinariamente lindo. Cabelos dourados, olhos azuis, pele branca. Um galã de cinema. Nós já tínhamos nos encontrado quando fui a casa de Alice. É uma ótima pessoa.
— Boa tarde, Bella. — ele diz, sentando-se na banqueta.
— Boa tarde, senhor Cullen. Como está?
— Exausto se quer saber.
— Plantão? — pergunto, tirando o café fumegante da cafeteira. Pego o croissant e ponho em sua frente.
— Sim. Essa tarde foi movimentada.
— Como o hospital pode ser tão movimentado? É uma cidade tão pequena.
— Eu não tenho ideia.
Rimos juntos.
— Alice está namorando Jasper Hale. Nós os conhecemos, mas o que acha dele?
— Jasper é demais, senhor Cullen. Ele é um ótimo garoto e completamente apaixonado por ela.
— Você é tão madura, Bella.
— Vou tomar isso como um elogio. — brinco, lançando uma piscadela.
Olho para o relógio, vendo que está na minha hora. Retiro o avental, guardando dentro da minha ecobag. Desfaço o rabo de cavalo e pego as chaves da minha caminhonete.
— Aquela caminhonete é sua?
— Sim, senhor Cullen.
— Wow. É uma raridade.
— Você quis dizer velha.
Retiro seu prato e caneca. Lavo-os rapidamente, para em seguida guardá-los.
— Também. — diz, sorrindo envergonhado.
Carlisle me faz companhia até eu desligar as luzes da cafeteria. Eu fecho a porta principal.
— Bem, tenha uma boa noite, senhor Cullen.
— Boa noite, Bela. E por favor, senhor Cullen é meu pai. Me chame de Carlisle ou Carl.
Sorrio para o pai da minha melhor amiga.
— Está bem, Carlisle.
Ele abre um sorrisão. Eu faço o mesmo. Caminho para Pulga, subo nela e dirijo de volta para casa com meu corpo pedindo pela minha cama. Ao chegar em casa, vou direto para a cozinha, onde Sue e Seth estão à minha espera com hambúrguer. Junto-me com eles na mesa para atacar o lanche.
— Sabia que a Bella vai sair com um garoto na sexta, Sue?
Arregalo os olhos.
— Como é?
Eu dou um sorriso amarelo. Seth fofoqueiro do caralho.
— Com quem? Onde? AI, meu Deus! tem roupa?
— Com o Mike Newton, no cinema e não sei se ela tem roupa.
— Seth! — repreendo-o. Lanço lhe um olhar furioso.
— Não ia me contar, Bella? — Sue pergunta, chateada.
— Claro que ia! Eu só me esqueci.
— Então, está desculpada. Agora, me conte, ele é bonito?
— Vai ser como amigos, Sue. — murmuro.
Após milhares e milhares de perguntas, Sue me deixa de lado quando deduro que Seth está ficando com uma garota. Graças a Deus, o foco da conversa muda e Sue nos enche com a conversa sobre sexo. Como se eu já não soubesse que precisamos usar camisinha.
— Entendido, Sue. — digo, fingindo estar prestando atenção.
Tiramos os pratos da mesa, Seth e eu iremos lavar e secar enquanto Sue ia fazer sei lá o que do seu trabalho. Com o pano molhado, torço-o e acerto a bunda de Seth que grita.
— Por que caralhos você fez isso?
— Por ser a porra de um fofoqueiro!
Ele acaricia sua bunda.
— Ouch, Bella. — reclama, fazendo beicinho. — Todo mundo já sabe.
— Sério?
— Muito sério!
Ah, não! Puta merda! Só pode ser brincadeira. Não é como se eu estivesse completamente surpresa. Suspiro derrotada, sabendo que não posso lutar contra. Foram aqueles amigos idiotas do Mike. Tenho certeza!
— Seu merdinha. — digo, sorrindo.
— Escrota. — ele retruca, me molhando.
Eu mostro o meu dedo do meio para subir. Me despeço da Sue para tomar banho e cair na cama.
Tomo o banho rapidamente para quando eu jogar-me na cama receber a ligação de Alice. Atendo-a relutantemente.
— Hey, ALice.
— Como assim você vai sair com o Newton?
Respiro fundo.
— É como amigos.
— Uhum, sei. Você tem um crush por ele e não me contou? Achei que fossemos melhores amigas, eu sempre te conto tud...
— Alice, ALICE! — corto sua fala. — Somos melhores amigas! Eu não sinto nada por ele. Só queria fazer mais amizades. — minto.
— Certeza?
— Sim, Ally.
— Bem. Então, tá. Mas já que agora você tem tempo para sair com o Newton pode muito bem sair comigo.
— Alice….
— Nem vem! Vamos sair na próxima semana! E depois de amanhã vou te ajudar a se arrumar.
— É só uma saída de amigos, ALice. — volto a lembrá-la.
— Bem, você sempre tem que estar linda quando está solteira. Talvez, você encontre sua alma gêmea quando estiver passando na rua. Não pode ficar feia.
— Está me chamando de feia?
— Claro que não! Ah, Bella, você me entendeu!
Rio do seu jeito desesperado.
— Agora, tenho que dormir. Sono de beleza, sabe? — ela diz.
— Claro, bela adormecida.
— Você também tem que descansar. Essas suas olheiras estão horríveis.
— Obrigada pela parte que me toca, praga.
— Beijos, princesa. — ela se despede. — SAI DO MEU QUARTO EDWARD!
Gargalho do grito.
— Tchau, Ally.
Largo o telefone na cama para pegar a última carta que recebi a dois dias atrás. É estranho pensar que Mike iria escrever algo assim. Sua reação não foi a esperada. Eu achei que ele gostasse de mim, por ficar atrás e tudo mais. Ele parecia impressionado? E aquela coisa de não ler? É mentira?
Estalo o pescoço, abrindo-a. Passo as mãos pelas letras, sorrindo boba.
Bella,
desde que comecei a escrever estas cartas percebi o quão forte é o que sinto por ti. Achei que era algo passageiro. Começou com algo pequeno, do tamanho de um grão de arroz. Nós nos víamos e essa pequena coisa dava cambalhotas de felicidade. Aos poucos essa coisa foi aumentando. Pensei que fosse empatia. Afinal, você mudou de cidade quase no final do ano letivo. Eu quis ser legal com você. Queria que você ficasse bem.
Depois da fase da empatia, achei que fosse atração sexual. Não é algo normal você dormir pensando em alguém. Você ficar ansioso para se encontrar com alguém. Pensar nas pessoas 24 horas por dia e alguém. Coloquei isso na minha cabeça. Eu me sentia atraído por você. Queria ter você pra mim e depois eu poderia voltar a minha vida normal. Sendo eu. Achei que eu podia te seduzir, transar e tudo acabaria. No momento que te vi lendo o Morro dos Ventos Uivantes, desisti da ideia. Não poderia fazer isso com você.
Agora você pode estar se perguntando: por que? Na hora, nem eu mesmo soube. Meu único pensamento era que eu não queria machucá-la e sim cuidá-la. No meio da noite, eu percebi o que estava acontecendo. Eu estava me apaixonando por você. Caindo num buraco em que eu nunca estive antes. Aquilo me assustou. E eu corri para longe.
Não consegui me manter afastado. Voltei logo em seguida, após uma velha amiga me dizer as coisas certas. Eu até pensei que poderia tentar algo. Mas e se eu fosse rejeitado? E se você não quisesse nada comigo? Eu enlouqueci e guardei esse sentimento para mim mesmo. Até a primeira carta.
Foi como se eu tivesse tirado o mundo dos meus ombros e ao mesmo tempo que estava apavorado ao pôr a carta dentro do seu armário. Qual seria sua reação? Iria gostar? Ou odiar? No final, como sempre, você me surpreendeu.
Eu nunca pensei que estaria fazendo algo assim. Eu lembrei como era no tempo dos nossos avós e pensei “por que não?” Eu ainda não acredito que essa ideia estúpida esteja dando certo.
Às vezes, o destino consegue nos surpreender.
Atenciosamente,
Seu
Admirador Secreto.
Ps: Me desculpa pelas palavras, eu só quero ser honesto com uma pessoa ao menos uma vez na vida.
Largo a carta no bidê. Pego o telefone e mando uma mensagem de boa noite para meu correspondente secreto. Em pouco tempo ele me responde.
Tava pensando em vc
Bons sonhos, Bella.
Sem nem eu mesmo perceber, adormeço com um sorriso no rosto.
***
Eu quero vomitar. Eu preciso vomitar! Dois dias se passaram. Todos na escola sabiam do meu encontro com Newton. E meu correspondente secreto não me responde. Isso já está me deixando louca! Ele visualiza e não diz nada. Será que ele está fazendo suspense? Ou só está me ignorando?
Alice e eu saímos da escola direto para a minha casa. Ela escolheu uma saia jeans, cardigã preto, meia calça e uma bota de cano curto com salto. Me maquiou e fez meus cabelos. Parecia que não entrava na cabeça dela que seria uma saída de amigos.
Nos encontraríamos no cinema e depois iríamos jantar. Sim, parece um encontro, mas não é!
Sue havia comentado com os meus pais. Charlie me ligou querendo saber de quem ele é filho. Ficou tranquilo ao saber que ele é um Newton. Minha mãe me lembrou que se eu não quiser nada, está tudo bem e que é um direito meu. Se ele fizer alguma coisa, eu tinha que avisar Sue.
Eu perguntei se os dois conseguiriam vir para a minha formatura. Fiquei sem chão quando disseram que não. Eles falaram que tentaram mudar os voos, mas não conseguiram. Fiquei com raiva e desliguei na cara deles. Saí para respirar um ar fundo e surtei no meio da estrada. Estive desanimada durante esses dois dias.
Mike e eu não conversamos muito. Eu tentei flertar um pouquinho. Até pesquisei no google! Mordi os lábios, elogiei ele, toquei-o e mantive contato visual. Não tive nenhuma resposta positiva. Talvez, ele viu que sou uma idiota e decidiu me largar de mão.
Suspiro fundo, quando Alice passa o gloss em meus lábios. Ela abre um lindo sorriso. Eu faço o mesmo. Mordo o interior da bochecha quando vejo-me no espelho. Eu estou linda! Nem parece meu eu normal que se veste de qualquer jeito.
Merda! Isso está parecendo mesmo que vai ser um encontro.
– Você está uma gatinha. — Alice diz, abraçando-me por trás.
– Obrigada, Ally.
– Não tem de quê, meu amor. — diz, beijando minha bochecha.
Alice fecha sua grande maleta roxa de maquiagem e juntas descemos as escadas da casa. Ao chegar no primeiro andar, Sue e Seth nos esperavam no sofá.
– Apresento vocês a minha criação.
Eu dou uma voltinha enquanto reviro os olhos. Sue e Alice batem palminhas se abraçando.
– Está menos feia agora. — Seth diz com um sorriso maroto. Lhe dou um tapa na cabeça.
– Está maravilhosa, Bella. — Sue tira uma mecha do meu cabelo do rosto. — Agora, vá, ou irá se atrasar.
Sorrindo, assinto e saio rua afora com Alice do meu lado. Nos abraçamos antes dela entrar em seu BMW 320I preto.
– Coloquei camisinha na sua bolsa.
Arregalo os olhos, nos separando.
– Sua depravada.
– Qualquer coisa, só transa e depois vem para casa. Faz bem para a pele, sabia?!
– Você acha que eu sou uma safada?
– Eu sei que você é! Agora, vai logo, garota!
Me afasto de Alice, sorrindo. Minha primeira vez não fora como eu pensei que seria. . Sim, eu já perdi a minha virgindade com Jacob quando tínhamos 14 anos. Não foi a melhor coisa, mas deu para o gasto. Eu queria me livrar dela e Jacob queria ter sua primeira vez. Unimos o útil ao agradável. Não que agora eu tenho alguma vida sexual, nem que fez alguma diferença. Eu só tirei um fardo a menos dos meus ombros.
Pulga leva em torno de 35 minutos para me levar até o cinema em Port Angeles. Este era o único na área. Tinha um pequeno movimento no lugar, talvez pela estreia do novo filme do Christopher Nolan, o qual Mike e eu assistiríamos. O lugar tem dois andares, cheios de salas com a maioria fechada. No meio do lugar, fica a bancada para a compra dos bilhetes e os alimentos.
Compro dois ingressos mais uma pipoca. Fico esperando Mike do lado de dentro do cinema. Ele aparece alguns minutos antes do filme começar. Entramos na sala lotada, sentando no meio dela.
Mal presto atenção no filme. Na verdade, mando outra mensagem para o correspondente. O celular de Mike não toca. Talvez esteja silencioso. Deixo minha mão estendida no braço da poltrona, esperando ele colocar por cima da minha. Ele nem parece perceber, por isso, enfio uma grande quantidade de pipoca dentro da boca, me sentindo frustrada.
As luzes voltam a se acender. Olho para Mike que tinha um sorriso no rosto. Juntos, saímos do cinema e vamos cada um em seu carro para um restaurante perto. Mesmo com a pipoca, minha barriga roncava de fome e agora está na hora de pôr o meu plano em ação.
Sentamos numa parte mais distante do salão. Um garçom vem a nós e pedimos nossas comidas. Eu um estrogonofe, ele uma carne de ovelha. Nesse meio tempo, ele fala sobre o filme e quando tento trocar o assunto, Mike traz de volta para o filme.
Em algum momento, nós dois ficamos quietos, comendo. Numa tentativa em vão, aproximo minha cadeira da sua, tocando de leve em seu braço. Eu peço desculpas baixinho.
A conversa continua. Ele me conta sobre a loja de seus pais. Eu não presto muita atenção. As chances eram nulas de Mike ser meu correspondente secreto. O modo que ele falava, não parecia ser compatível com o cara doce das cartas. No entanto, na primeira carta ele dizia ser falso com os outros. Talvez, seja uma parte que ele nunca mostrou a ninguém.
Lembro dos conselhos de Hayley e numa última tentativa de chamar sua atenção, passo a minha bota por toda a extensão de sua perna. Os olhos de Mike arregalam e eu dou uma garfada na minha comida.
– Bella. — ele me chama. — O que você está fazendo?
Eu sorrio de canto.
– Nada.
– Você, hm. — ele coça a nuca. Eu levo meu pé em direção às suas coxas. — Você anda esquisita.
Paro no meio do caminho, voltando a pôr os pés no chão.
– Como é? — indago, desorientada.
– O que está acontecendo? Do nada, você vem flertando comigo. Eu passei a impressão de que eu queria algo?
– Bem, sim! Você passou! Ficava grudado atrás de mim.
– Ah, é porque eu queria ser seu amigo! Você não me deu bola e eu caí fora.
– Você está mentindo! — digo, batendo as mãos na mesa. — Você não queria só amizade.
— Queria sim!
— Para de brincadeira, sei que você é que está me mandando cartas!
– Cartas? Do que está falando?
– Não se faz de bobo, todas as segunda você está me mandando cartas.
– Por que raios eu estaria te escrevendo cartas?
– Não vem me fazer de palhaça. — digo, elevando o tom de voz. Estou ficando nervosa.
Porra, porra, porra! Mike me encara torto.
– Bella, eu não sei do que você está falando. Juro!
– Mas você… As cartas e ARGH! — me atrapalho com a minha fala.
Olho para seu rosto. Mike está falando sério. Ele não tinha ideia do que eu estou falando. Sinto minhas bochechas ficarem vermelhas. Eu estou fazendo papel de estúpida e louca.
Respiro fundo, massageando as minhas têmporas. Merda!
– Mike. — chamo-o, pondo minha mão sobre a sua. — Me desculpa, está bem?! Tem alguém me mandando umas cartas e achei que você poderia ser a pessoa.
Eu afasto-me para me encostar na cadeira. Ele assente com a cabeça, sorrindo.
– Você dá muito medo, sabia?
– Seth fala isso às vezes. — respondo.
Engulo em seco. Pagamos a conta do restaurante em silêncio e permanecemos assim até chegarmos nos nossos carros. Eu olho para minha botas, morrendo de vergonha.
— Me desculpa mesmo, Mike. Eu jurei que era você.
Mike me abre um grande sorriso.
— Foi uma saída de amigos muito legal, Bella. A gente tem que fazer de novo, só que sem você pirando, está legal? — ele diz, abrindo a porta da minha caminhonete.
Eu assinto com a cabeça enquanto entro no carro. Mike se afasta indo para o seu quando grito:
— HEY! — ele vira em minha direção. — Você poderia não contar sobre isso com ninguém?
— Claro! Não vou dizer para todo mundo que você é uma surtada.
Eu lhe mostro o dedo do meio antes de sair do estacionamento.
Quando chego em casa, caminho para o meu quarto na ponta dos pés, não querendo acordar ninguém. Troco de roupa, colocando um pijama quente e vou para a escrivaninha. Pego meu caderno com a lista de suspeitos e risco o primeiro nome. Mike Newton, você está fora do jogo!
Sinto tudo de uma vez. Estou chateada e irritada por não ter descoberto que Mike era, no entanto de certa forma, estou feliz que não é ele. Escondo-me debaixo das cobertas, tentando me esquecer do fracasso que a noite fora. Eu definitivamente deveria mudar a minha estratégia. Flerte, não é para mim!
Meu celular toca e sorrio quando vejo de quem é a mensagem.
Se divertiu essa noite?
É, acho que sim.
N parece
Poderia ter sido melhor
Como?
Se vc estivesse lá
Uhhh… Aí é difícil
Vc sabe q eu vou descobrir
quem vc é
Veremos, baby
Mas enquanto isso
vou me divertir com isso
Bons sonhos.
Não pra vc
Ouch. pq?
Além de me ignorar por dois dias
Vc diz q se diverte comigo
N quero papo com vc
Me perdoe, doce Bella
Rio da sua persistência
para me achar
Eu não valho a pena
Eu n penso assim
Eu sei q n
Tenha uma boa noite, Bella
Mal posso esperar pela segunda
Quero minha carta
Eu também mal posso esperar
Bem de cinco suspeitos, um estava fora. Eu posso ter errado, no entanto, estou cada vez mais próxima de descobrir quem é o correspondente secreto. Mais perto de o encontrá-lo. E fazer o que? Tirar satisfações, que nem eu pensava no início da “brincadeira”? Não, com certeza não.
Abro a porta do quarto, quando as garras de um certo gato fedorento arranham ela. Presidente Miau entra no quarto, deitando-se no lado esquerdo da cama. Abusado! Eu reviro os olhos dramaticamente para o gato, deitando em seu lado. Ele vem para perto de mim, aconchegando-se em meu peito. Eu nos tapo com o cobertor.
Aos poucos, perco-me no som do ronronar contra o meu peito, pensando no correspondente secreto que está me fazendo sentir coisas novas. Eu não sabia seu rosto, mas sabia seu interior. Esse nem é o pior. O pior de tudo? Eu não sei se posso sentí-las. Eu não sei se mereço elas. Eu não sei se no final tudo não valha a pena. Mas o destino pode ser engraçado às vezes.
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