Cartas do Passado

4 Capítulo 04 - Carta número 03


Notas iniciais
Aqui estamos com mais um capítulo. Estão preparadas? Eu disse que seria difícil não se apaixonar pelo Tom. Agora, imaginem como será para Bella. Também quero agradecer a recomendação que a fic teve. Espero que estejam gostando do rumo da história.

Turning Page — Sleeping At Last

I've waited a hundred years

Eu esperei uma centena de anos

But I'd wait a million more for you

Mas eu esperaria mais um milhão para você

Nothing prepared me for the privilege of being yours would do

Nada me preparou para o que o privilégio de ser seu faria

If I had only felt the warmth within your touch

Se eu tivesse sentido o calor em seu toque....

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Chicago, 12 de agosto de 2015

Como é possível se apaixonar tão perdidamente por alguém em tão pouco tempo?

Eu sei que talvez eu tenha escrito seu nome em todas as cartas que fiz nos últimos meses, mas não consigo lamentar por isso. Eu simplesmente preciso que todos saibam o quanto eu a amo.

Caramba, ela manchou minha camisa favorita e se possível, eu amo ainda mais aquele pedaço de pano agora.

Mas com o amor, também sinto outra parte minha florescer. Algo primitivo e selvagem. Algo que eu gostaria de poder manter escondido por mais algum tempo, mas quando ela me beija e me toca, simplesmente não consigo ignorar. Talvez seja cedo, irmãozinho e eu sei que você provavelmente riria se me ouvisse dizer isso, mas estou com medo.

Assim como um adolescente inexperiente, tenho medo de fazer ou falar algo que possa estragar tudo. Por enquanto, acho que o melhor é deixar que as coisas aconteçam ao seu tempo.

Mas ainda que ela me mantenha por longos e duros meses fora dessa área, eu ainda continuaria a amando. Por que antes de me apaixonar por seu corpo- e eu não ligo o quão brega isso possa parecer. – eu me apaixonei por seu coração.

Do seu irmão mais velho;

Clarke.

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Bella continuava com o pé estendido, repousando. Tom havia dado ordens para que descansasse.

Ele havia saído para ir até a universidade, depois passaria em seu apartamento, para pegar algumas mudas de roupa, já que haviam decidido que o melhor seria ele ficar com Bella até que seu pé melhorasse.

Bella olhou ao redor, pensando no que fazer. Não poderia sair, porque não podia andar. Não podia pintar, porque gostava de ficar em pé para isso e não podia fazer isso por causa do pé. Então apanhou o celular, discando o número de cabeça.

Ei, garota.— A voz soou do outro lado, fazendo com que ela sorrisse.

— Ei, garoto. O que está fazendo? – Perguntou, olhando para a televisão.

Hoje estou de folga. Como vai seu pé?— Questionou.

— Um incomodo. – Indagou, bufando. – Não vejo a hora de me livrar dessa tala. Eu tenho tido idéias incríveis para quadros e não posso pintar.

Por quê? Você quebrou a mão?— Questionou rindo, fazendo Bella bufar.

— Engraçado. Você sabe que eu não consigo pintar sentada.

Eu sei. Estou brincando.

— E eu estou entediada. Seja meu melhor amigo! Me distraia. – Implorou.

— O que acha de procurando Nemo?— Ele perguntou, ao telefone.

— Melhor ideia de todas! Me de dez minutos e estarei pronta. – O tempo se passou, e Bella já estava deitada de baixo das cobertas, o celular no viva voz.

— Pronto? Aperte o play em 3, 2, 1. Agora! – Apertou e o filme começou a passar.

O tempo foi passando. Eles riram nos momentos certos e fizeram os mesmo comentários de sempre.

— Nunca me canso de assistir. Mesmo que seja assim, Martin. – Falou, ainda pelo telefone.

Eu prometo que um dia, vamos assistir juntos, Dory.— Ele respondeu, fazendo Bella sorrir.

— Nós estamos assistindo juntos, Martin. – Indagou e o ouviu bufando.

— Você me entendeu, Dory. Se lembra de como tudo começou?— Perguntou.

— É claro. Na sala de bate papo. Quem diria que uma conversa sobre um filme... – Bella disse.

O melhor filme de todos. Não se esqueça, procurando Nemo é o melhor filme de todo. – Edward a corrigiu.

— Que nos levou a uma amizade de mais de dois anos. – Declarou.

— Sabe, Dory, eu acho realmente uma droga morarmos tão longe um do outro.

— Porque o seu pai totalmente me aceitaria aí se morássemos perto, não é?

— Ele é um homem difícil de lidar. Só isso. Todos temos problemas com os pais.

— Acho que você tem razão. Nunca pensei nisso. Quero dizer, os meus são ótimos, nunca pensei que os pais não fossem, mas depois do que Tom contou...

E o que foi que ele contou?— Questionou com curiosidade, fazendo Bella desejar não ter falado nada. Mas desde que conseguia se lembrar, contava tudo a ele. Ele era seu melhor amigo. Mas aquilo era... diferente. Ela constava seus segredos. E aquele não era segredo dela.

— Nada... – Afirmou, vacilante.

— Não pode começar um assunto e me deixar de fora, Dory. Isso é contra as regras da nossa amizade. Quer que eu pegue o memorando?

— Não precisa pegar o memorando. – Respondeu revirando os olhos. Eles haviam realmente feito um manual de regras da amizade. – Só não quero falar sobre isso. – Explicou.

E sobre o que você quer falar, menina do pé quebrado? – A provocou, ouvindo bufar.

— Ele não está quebrado!

— Vamos, Isabella. Abra o jogo.— Pediu, cantarolando.

— Não é nada, está bem. Tom conheceu meu pais esse final de semana.

— Isso é bom.— Respondeu, apanhando suas coisas.

— Eu acho que sim.

— Por que eu sinto que essa conversa está pela metade, Dory?

— Você me acha doida por achar estranho não conhecer os pais dele também? – Perguntou, segurando o pincel.

— Isso não quer dizer muita coisa. Eu por exemplo, nunca levei nenhuma garota para meus conhecerem. Não é grande coisa, Dory.

— E quando foi que você namorou sério, Martin? – Questionou, erguendo a sobrancelha.

— Você tem um ponto.— Respondeu, franzindo a testa. – Ah, agora entendi aonde quer chegar.

— O que? – Indagou cruzando o braço. – Não é nada. Foi só uma coisa que me passou pela cabeça.

Eu sei exatamente o que passou por essa sua cabecinha, Dory. O fato de eu não levar ninguém para casa e nunca ter tido um relacionamento sério, faz você pensar se esse é o motivo do Tom não ter apresentado os pais ainda. Faz você questionar o grau de seriedade da sua relação.

— Engraçado, pensei que quisesse ser pediatra, não psicólogo. – Debochou, fazendo com que ele revirasse os olhos.

Você odeia isso, Isabella. Mas eu te conheço muito bem.

— Tudo bem, talvez eu esteja um pouco insegura. Mas é só porque ele já conhece meus pais.

Tenho pena do coitado que vá enfrentar o chefe Swan.— Declarou suspirando. – Está bem. Eu não acho que você tenha com o que se preocupar. Mas vamos lá. Qual a relação dele com os pais?

— Bem, isso é complicado. – Murmurou, pensando se deveria ou não abrir o jogo sobre isso.

Eu sabia! Você está escondendo algo. O que você não está contando, Isabella?— Questionou.

— Tudo bem, eu não pensei que fosse importante. Não pensei que devesse comentar, parece que houve uma briga algum tempo atrás. E pare de me chamar de Isabella.

Ela declarou, mas ele continuou em silencio, encarando o vazio.

— Edward? – O chamou novamente, o trazendo de volta a realidade.

— Desculpe, eu só... Eu me lembrei de uma coisa.

— Ah é? E o que foi? – Perguntou curiosa.

Eu tenho que ir para o hospital. Tenho plantão daqui a pouco.

— Pensei que estivesse de folga. – Indagou.

— Acabei de olhar as datas. Me enganei. Conversamos mais tarde? – Questionou e ela assentiu, ainda preocupada.

— Claro. Você está bem? De repente ficou todo sério.

— Ótimo. Só cansado. Eu estou fazendo turnos de vinte e quatro horas ultimamente. Tenho que ir, Dory. — Declarou, olhando para ela. – Você e Tom vão se acertar. Eu falo com você mais tarde, enquanto isso...

— Continue a nadar. – Completou, se despedindo do amigo.

~*~*~*~*~*~*~*~*

Tom abriu os olhos, a claridade entrando pela janela, mas o que chamou sua atenção foi a música que vinha da cozinha. Ele se virou para o lado, encontrando a cama vazia. Ele a amava, mas tinha que admitir que era absurdamente teimosa.

Com isso, se deu conta do que havia pensado. Ele a amava. A amava com todas as suas forças. Amava seu senso de humor, amava seu jeito inteligente, amava suas bochechas coradas quando ria, amava os cabelos dela roçando seu pescoço, enquanto ela dormia em seus braços.

Tom se levantou, esfregando os olhos e coçando a cabeça, caminhando em direção a cozinha, ainda bocejando, quando a viu. Bella estava em pé, apoiada no pé bom, mexendo no fogão, cantarolando a música que tocava no rádio. Ela nem soava tão afinada, mas para ele, era o som mais bonito que conhecia. O da voz dela. Ele desceu os olhos, notando que ela vestia um shorts de pijama, mas a camisa era a dele.

Ele se apoiou no batente da porta, apenas a observando, até que a música acabou.

— Alguem deveria estar descansando. – Falou suavemente, fazendo com que ela se virasse.

— Bom dia. – Respondeu, terminando de mastigar o pedaço de bolo. Olhando para ela, parecia uma menininha que foi pega aprontando.

— Animada? – Indagou, se aproximando, se sentando na banqueta.

— É claro! Finalmente vou me livrar disso. – Apontou para o pé imobilizado.

— É, mas se eu bem me lembro, o médico disse que você deveria descansar, não foi? – Perguntou, e ela mordeu o lábio, sabendo que aquele era o jeito dele de chamar sua atenção por algo errado.

— Bem, eu... Eu fiz cookies! – Mudou de assunto, apontando para o prato.

— E parecem deliciosos, mas ainda...

— Prove um... – Mandou, pegando um dos biscoitos e levando até a boca de Tom, mas perdeu o equilíbrio no processo, caindo em seus braços.

Os braços de Tom se mantinham firmes ao redor da cintura dela, enquanto ela corava. Ele levou uma de suas mãos até o rosto de Bella, o tocando.

— Minha menina teimosa. – Falou docemente, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha dela e a beijando.

As mãos dela se prenderam aos pequenos cachos que caiam sobre a nuca de Tom, emaranhando seus dedos sobre eles. As mãos dele desceram, tracejando sua coluna, se apoiando gentilmente no quadril dela, depois descendo até suas pernas, a sustentando no ar.

— Tom... – Bella gemeu, o tirando da bolha, o trazendo de volta a realidade.

— Acho que é melhor... – Declarou, sem fôlego, pelo beijo. –Desculpe. – Pediu, enterrando seu rosto na curva do pescoço dela. – Vamos, ou vamos perder a hora e não queremos isso.

— Tom... – Bella o chamou, mas ele continuou falando, nervosamente.

— E você quer se livrar desse gesso, não quer?

— Tom! – Falou mais alto, segurando seu rosto, prendendo sua atenção dessa vez.

— Sim?

— Pode me colocar no chão? Acho que chegaremos mais rápido no hospital se eu estiver no chão. – Explicou, fazendo com que ele tomasse consciência de que ela ainda estava em seus braços.

— Eu acho que faz sentido. – Murmurou a colocando – muito a contra gosto – no chão.

~*~*~*~*~*~*~*

O apartamento estava calmo, já passava do final da tarde. Tudo que se podia ouvir, eram os discos que Tom havia levado até o apartamento. No tempo em que Bella estava com o pé engessado, as ordens foram para que ela descansasse. Ele descobriu que ela obedecia as ordens com maior facilidade, se tivesse música tocando. Então levou a maior parte de seus discos para o apartamento dela. E lá eles ficaram.

Ambos estavam na sala. Ele na poltrona e ela deitada no sofá, lendo, assim como ele.

— Sabia que você fica a cara do Harry Potter com esses óculos? – Perguntou, mordendo o lábio, fazendo Tom sorrir.

— É mesmo? – Indagou, alinhando os óculos e fechando o livro.

— É mesmo. Muito sexy. – Completou, segurando seu próprio livro.

— E quem você seria? – Questionou se levantando, e se atirando ao lado dela.

— Quem mais eu seria? Sua Hermione! Eu tenho um gosto incrível para livros, uma petulância natural, uma quase obsessão em seguir regras, e não vamos deixar de lado o dom para sarcasmo.

— É, verdade. – Concordou sorrindo, apoiando os pés dela sobre seu colo. – Mas nos livros o Harry e a Hermione não ficam juntos.

— Questão de más escolhas. – Rebateu, fechando seu livro. – Poderíamos criar um final alternativo. – Acrescentou, subindo em seu colo.

— Eu acho que essa é a melhor ideia que já ouvi. – Respondeu, a beijando, e tirando o livro da mão dela.

— Ei, eu estava lendo! – Protestou, fazendo ele se afastar, arqueando a sobrancelha.

— Estava mesmo? – Indagou.

— Não. – Murmurou, olhando para baixo, e cruzando os braços. – Passei a ultima meia hora babando em você. Você é uma distração senhor Hopkins – Declarou, fazendo ele torcer o nariz.

— Sabe o quanto odeio esse sobrenome, não sabe?

— Mas ainda acho adorável a cara que faz quando me escuta dizer. – Respondeu travessa. – Bem, acho que a essa altura, a tinta do meu quadro já secou. – Declarou, se referindo ao quadro que pintou antes de torcer o pé.

— Ótima ideia. – Tom indagou se levantando também.

— Aonde você vai? – Bella questionou, confusa.

— Ver seu quadro? – A afirmação parecia mais uma pergunta, o que só deixou Bella ainda mais confusa.

— Você quer dizer que nesse tempo todo, não deu uma única espiada? – Perguntou, franzindo a testa e estreitando os olhos.

— Não. Eu estava cuidando de você, trabalhando e estudando para as provas. Bisbilhotar não coube na minha agenda.

— Bem, nesse caso, acho que vai ter que esperar. – Respondeu sorrindo. Todo esse tempo, havia pensado que ele havia visto o quadro.

Ao ouvir isso, Tom negou com a cabeça, tentando avançar. Bella já estava na porta do ateliê, com um pote de tinta nas mãos

Ele tentava passar por ela, mas Bella segurou seus ombros, o empurrando para fora do quarto, e para longe do quadro.

— Me deixa ver. – Ele pediu sorrindo e ela negou.

— Não, Tom. Vai estragar a surpresa! – Ralhou o provocando. – Além disso, será muito mais divertido ver sua cara quando eu terminar.

— É só uma espiada. – Pediu e ela negou, quando ele a puxou

— Eu disse não. – Respondeu, passando o pincel de tinta suavemente sobre o nariz dele, fazendo com que parasse.

— Não devia ter feito isso. — Tom Declarou com um sorriso torto, enquanto se aproximava, com as mãos sujas da tinta que havia em seu rosto.

Ele a cercou, fazendo cócegas em suas costelas, arrancando risadas e gritos da morena. Em poucos minutos, os dois estavam uma bagunça de tintas e cores.

— Tudo bem, tudo bem, eu me rendo!- ela gritou em meio às gargalhadas, mas parando subitamente, quando ele ficou por cima dela.

— Desculpe. – Tom pediu tentando se afastar, quando ela o segurou.

— Eu não estou ouvindo ninguém reclamar. — Bella declarou, afastando os cabelos escuros dele, que caíram sobre seus olhos. — Viu? Nenhuma reclamação.

— É isso que você quer?- Perguntou, mantendo seu peso sobre seus braços, quando ela assentiu, prendendo o lábio inferior sobre os dentes, com um sorriso começando a nascer.

— Talvez seja cedo para dizer isso, mas eu não me importo. — Bella começou a dizer, tocando o queixo de Tom. — Eu amo você, Thomas Hopkins. Não dou a mínima que nos conhecemos a pouco tempo. Eu só.... Amo você.

Ao ouvir aquelas palavras, Tom sorriu. Odiava aquele nome do meio, mas ao ouvir Bella o pronunciando, quase passou a gostar dele.

— O tempo não quer dizer nada. Não importa se te conheço há um mês ou há um ano. E se você acha que está sendo precipitada, então talvez deva saber que eu soube que te amava, na noite que manchou minha camisa com sua tinta.

Ele definitivamente a amava e nada o deixava mais feliz, do que saber que o sentimento era recíproco.

Ainda sorrindo, Tom se levantou, a erguendo nos braços. Seus braços e o dela, sujos de tinta. Suas roupas coloridas, suas peles manchadas, criando novas cores com o contato tão próximo.

As mãos dele seguravam nas pernas de Bella, a colocando sentada sobre a mesa.

Havia tinta e cores por toda parte. Em seus cabelos, sua bochecha, seu braço. Na camisa em que ela usava e na dele também. Nem mesmo a bagunça do ateliê importava. Era o momento deles e ambos queriam explorar ao máximo.

Ainda insegura, Bella tocou na barra da camisa que Tom usava, a erguendo sobre sua cabeça, enquanto admirava seu peito.

— Eu não quero ser o primeiro, Bella. Eu quero ser o único. — sussurrou sorrindo, tocando sua mão.

— Alguém leu novembro 9- Bella Respondeu sorrindo.

— Eu realmente fiz. Eu pensei que talvez você fosse gostar da citação.

— E eu gostei. Acredite, ganhou pontos com isso. Mas se importa de usar suas próprias palavras nesse momento?- perguntou ainda sorrindo.

— Eu amo você e quero ficar com você, hoje, até o fim dos meus dias e além deles. — Respondeu seriamente.

— Muito melhor! — declarou, o beijando.

— Talvez devêssemos ir... – Murmurou, fazendo Bella assentir e se levantar.

— Quarto. Definitivamente para o quarto. – Respondeu ofegante, soltando um grito, quando Tom a jogou nos ombro e começou a correr.

~*~*~*~*~*

Tom estava deitado, com o braço estendido, Bella deitada sobre ele, quando ela se virou, apoiando-se no próprio braço.

— Correndo o risco de parecer ridiculamente insegura, eu quero perguntar uma coisa. – Declarou, fazendo com que ele sorrisse.

— O que você quiser. – Respondeu, apoiando-se no próprio braço.

— Quando eu vou conhecer seus pais? – Perguntou sem rodeios. Nunca gostou de jogos. Sempre fora direta no que queria saber. Sua pergunta fez com que Tom suspirasse.

— Bella... Isso é...

— Quer saber? Esqueça. – Murmurou se levantando. – Talvez seja cedo e eu esteja sendo precipitada.

— Espera.- Pediu segurando seu braço. — É só que... Isso é complicado de cem maneiras diferentes, está bem?

— Sempre a verdade, lembra? – Pediu, se virando e se apoiando nos joelhos, descansando as mãos na base da coxa, quando Tom se sentou, entrelaçando seus dedos.

— Quer a verdade? Está bem. Não quero que você os conheça. – Revelou, a deixando sem palavras. Não esperava por aquela resposta. Não espera por resposta nenhuma.

— Não sou boa o bastante? – Murmurou, com a voz ferida, quando ele se aproximou rapidamente dela, segurando seu rosto com as mãos, a forçando olha-lo nos olhos.

— Nunca. – Disse, colando sua testa na dela. – Nunca mais diga isso. É absolutamente o contrário. São eles, está bem? Eles é que não são bons o bastante. Não merecem conhecer alguém como você, Bella.

— Claro, aquela história, não é você, sou eu, não é? – Indagou, perplexa. – Mesmo?

— Mas é a verdade, Bella. Você é doce , gentil e linda, por dentro e por fora. É tudo que meu pai não é. Não quero que o conheça porque tenho vergonha do homem que ele se tornou. Do homem que eu teria me tornado se ele não tivesse me expulsado de casa.

— Ele o expulsou? – Arfou, quando Tom cobriu o rosto, se dando conta do que havia dito. Não queria contar aquela história. Ao menos ainda não.

— Isso não importa, está bem? O ponto é que eu preciso que saiba que não há nada de errado com você, Bella. Eu amo você e quero ficar com você por quanto tempo me quiser. – Se sentou, passando a mão nos cabelos.

Bella suspirou assentindo, se aproximando dele, voltando a se deitar, mas dessa vez aninhando a cabeça de Tom contra seu peito, brincando com seus cabelos.

— Pode se abrir comigo se quiser, querido. Sabe disso, não sabe? – Perguntou e Tom assentiu, suspirando.

— Ainda me lembro como as coisas aconteceram. – Murmurou, passando o braço ao redor da cintura de Bella.

— E como foi? – Questionou, o encorajando.

— Eu me lembro que nosso pai havia conseguido uma prova, que ajudaria Anthony, meu irmão a entrar na faculdade de medicina.

— E ele queria? Queria ser médico?

— Deus, não! Ele sempre deixou isso mais do que claro. Mas nosso pai só ouvia a si mesmo. Já havia passado da hora e meu irmão não havia aparecido. Meu pai estava pra lá de furioso.

Tom contava, mantendo seus olhos fechados, se lembrando daquele dia.

— Minha mãe finalmente o convenceu a se acalmar. Disse que talvez tivesse acontecido alguma coisa. Mas como se pra contrariar tudo e todos, foi nessa hora que meu irmão chegou.

— E havia acontecido algo? — perguntou curiosa.

— Não. Tony faltou a prova, porquê foi em uma pré estréia de uma refilmagem de seu desenho favorito.

— Não! – Exclamou.

— Ah, sim. Nosso pai ficou furioso. Ele havia conversado com Deus e o mundo, para arrumar aquela prova e meu irmão simplesmente não de dignou a aparecer.

— O que ele fez?

— Avançou sobre meu irmão. Meu pai tinha seus ataques de raiva, mas eu nunca, jamais havia permitido que ele tocasse no meu irmãozinho ou na minha mãe.

— Ele já... Ele já tocou em você? – Indagou, sentindo Tom estremecer, enquanto assentia.

— Não. Ele não era... Violento ou um monstro. Ele apenas, perdia a cabeça.

— E o que ele fez? Com seu irmão? – Perguntou.

— Quando me coloquei na frente, ele me empurrou, e depois saiu furioso rumo ao seu escritório. Dos dois, eu sabia que era o filho favorito. Ele nunca havia tocado em mim antes. Mas acho que superestimei sua raiva naquele dia.

— Ele... Ele bateu em você?

— Confesso que foi uma surpresa para mim também. Mas foi apenas um empurrão contra a mesa. O bastante para que ela se quebrasse e eu arrumasse uma cicatriz.

Tom pegou a mão de Bella, levando até o lugar onde a marca ficava.

Bella tocou a pequena linha rosada que havia em sua nuca, como se temesse machuca-lo.

— Não foi grande coisa. Minha mãe era enfermeira e deu os pontos. Eu me recuperei rapidamente, enquanto ele se trancava em seu escritório. Eu tinha uma cirurgia marcada naquele mesmo dia.

Bella continuava brincando com os cabelos dele, dessa vez, acariciando a pequena cicatriz.

— Minha mãe pediu para que eu desmarcasse, e eu deveria tê-la ouvido. — Acrescentou, olhando para Bella.

Seus olhos pareciam mais escuros e ele parecia mais velho, finalmente mostrando suas feridas

— Minha paciente, se chamava Clarie Walter. Ela tinha cinco anos e um sopro no coração. Seria uma cirurgia relativamente simples. Mas minha cabeça ainda estava na briga com o meu pai.

— O que aconteceu? — ela perguntou, o encorajando quando ele havia congelado. — Tom?

— Eu a perdi. Foi por isso que abandonei a medicina. Eu cometi um erro e isso lhe custou a vida.

— Ah, Tom. – Lamentou, o apertando, enquanto sentia algo molhar sua barriga.

— Ela era só uma criança. Tão pequena, tão inocente. – Lamentou, apertando os olhos. – Tive pesadelos com aquela noite por meses.

— Querido, talvez não tivesse sido sua culpa. – Tentou consola-lo, quando ele negou.

— Sabe a pior parte quando se perde um paciente? – Perguntou, respondendo imediatamente. – Dar a noticia aos pais. Aquela garotinha era filha de uma viúva, Bella. A moça havia perdido o marido pouco mais de dois anos antes, no exército. Eu tirei dela o que havia restado de sua família.

Tom se afastou dela, limpando as lágrimas que haviam se formado.

— Quando eu abandonei a medicina, meu pai ficou transtornado. Disse que ele seria motivo de piada entre os amigos. O filho covarde. E eu estava tão... cansado de seguir as ordens e regras dele, eu revidei. Disse que talvez ele devesse procurar amigos novos. Amigos melhores.

Bella tocou os ombros de Tom, que se mantinham curvados, transbordando agonia e desespero.

— Foi a segunda surpresa . Percebi tarde demais que ele havia bebido. E no minuto seguinte, ele estava com as mãos no meu pescoço, o apertando, me forçando contra a parede, rosnando, ordenando para que eu voltasse ao hospital e arrumasse meu emprego de volta, enquanto minha mãe tentava puxa-lo para longe.

— Tom, isso é... Eu sinto muito, querido. – O consolou, o abraçando. Talvez não devessem mexer nos fantasmas do passado.

— Então, não. Se depender de mim, você nunca vai conhece-los. – Declarou, deixando que ela o abraçasse.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

Alguns dias haviam se passado e eles ainda estavam alternando entre os apartamentos, passando mais tempo no dela.

— Eu tenho uma pergunta hipotética. – Tom soltou, se virando para ela. Havia amanhecido há alguns minutos e logo eles levantariam para começar o dia.

— Então pergunte hipoteticamente. – Bella respondeu sorrindo.

— O que você acha de adotar um cachorro? – Indagou, fazendo os olhos dela brilharem, lhe dando aquele ar de menina travessa que Tom tanto amava.

— Hipoteticamente? – Perguntou e ele assentiu.

— Claro, hipoteticamente. – Respondeu, quando ela se virou, ficando por cima dele.

— Eu diria para nós hipoteticamente irmos ao abrigo perto da galeria, porque essa é uma ótima ideia. E eu adoraria adotar um cachorrinho com você. Mas claro, hipoteticamente. – Respondeu, lhe dando um beijo na ponta do nariz. – Preciso ir ao banheiro, já volto.

Ela se levantou, correndo, enquanto ele ficou ali deitado.

— Bella? – Gritou e a ouviu rir.

— Sim? – Perguntou, desentendida.

— Eu não estava falando hipoteticamente. – Declarou fechando os olhos, esperando uma resposta.

— Eu também não, querido. Me deixe tomar um banho e iremos fazer uma visita ao abrigo, está bem? – Respondeu, colocando a cabeça para fora do banheiro, o fazendo se levantar.

— Mesmo? Vamos ter um cachorro? – Perguntou, parecendo uma criança na noite de natal.

— Sim, Tom. Nós vamos ter um cachorro. – Respondeu fechando a porta, ainda sorrindo.

Tom se trocou em questão de minutos, quando ouviu um toque familiar.- Bella!! Seu telefone!

— Atende pra mim? — Ela gritou de dentro do banheiro, enquanto o telefone tocava. — Alô?

Dory?- a voz chamou, deixando tom confuso.

— Quem? – Questionou, olhando para o aparelho. Era um número salvo, não podia ser engano.

Eu acho que liguei errado. É do telefone da Bella?- O cara na linha perguntou. – A ligação está ruim.

— Sim, mas você chamou por Dory. – Explicou confuso.

É uma piada interna, depois ela te explica. A Bella está? Quem está falando aliás?

— É o Thomas, o namorado. E quem é você? – Questionou, sentindo pela primeira vez, o gosto amargo do ciúme.

— Ah, o cara que a derrubou no chão. Ela contou. E por falar nela, ela está? É só dizer que é o Marlin.— O cara declarou, no momento em que Bella saiu do banheiro, enxugando os cabelos.

— Quem é?- perguntou.

— Marlin? — Declarou em tom de pergunta, a fazendo sorrir, enquanto apanhava o celular.

— Hey, Marlin. – O cumprimentou com um sorriso.

— Que coisa feia, Dory. Já estão dormindo juntos e nem contou. Pensei que fossemos amigos. Isso mágoa, garota.

— Você está dizendo isso pela sua mania de controle. Eu não tenho que te dar todos o detalhes. — Respondeu sorrindo, enquanto Tom olhava para ela, com as mãos nos bolsos.

— Não envolva meu controle nisso. Ou então serei forçado a envolver sua descordenação. Afinal, ela te trouxe o cara que está na sua frente agora.

— Está bem, eu não vou. Eu estava de saída, Marlin. Posso falar com você mais tarde?

Essa é sua desculpa para desligar e se esfregar no cara do esbarrão?

— Não o chame assim. E eu não preciso de uma desculpa, bundão. Por que sua voz está assim?

Eu estou resfriado. Aondo você vai com tanta pressa?

— Você está bem?

Claro.

— Tudo bem. Eu falo com você depois?

Estou vendo que estou em desvantagem. Até mais tarde, Dory.

Bella desligou, enquanto Tom ainda a analisava, esperando uma explicação do que havia acontecido ali.

— Tudo bem? – Bella perguntou, o observando.

— Claro. – Respondeu coçando a nuca. Sempre fazia isso quando ficava nervoso. – Então... Marlin?

— É um amigo. – Rebateu, calçando seus sapatos. – Eu o conheci há alguns anos, em um chat sobre procurando Nemo. Nós começamos a conversar e ficamos amigos.

— E correndo o risco de parecer ridiculamente inseguro, quando vou conhece-lo? – Questionou, usando as mesmas palavras dela.

— Na verdade, eu não o conheço. – Respondeu, o deixando confuso.

— O que?

— Eu não o conheço... pessoalmente. – Explicou. – Pode parecer ridículo, mas é um amigo virtual. Conversamos pelo telefone, chats e até vídeo, mas eu nunca o encontrei.

— Ah. – Murmurou, olhando para baixo, fazendo sorrir, se aproximando dele.

— Você está com ciúmes? – Questionou, o fazendo negar.

— Não. Eu não...

— Você está com ciúmes! – Apontou para ele.

— Olha só, isso não... Isso é ridículo. Eu não estou com ciúmes. E...- começou a dizer, quando engasgou com a saliva, começando a tossir.

— Tom? – Ela o chamou, mas ele continuou tossindo cada vez mais, a deixando preocupada. – Tom!

Ele se sentou, tentando recuperar o fôlego, quando Bella correu, pegar um copo de água.

— Aqui, bebe tudo. – Pediu, estendendo o copo, enquanto ele se recuperava. – Melhor? – Perguntou e ele assentiu.

— Eu... – Murmurou respirando. – Eu estou melhor. Acho que engasguei com a saliva.

— Isso tem acontecido bastante ultimamente. – Bella declarou. – Tem certeza de que está tudo bem?

— Eu estou bem. – Respondeu, bebendo mais água. – Se importa se formos outro dia no abrigo? – Pediu, secando o copo.

— Claro. – Declarou estendendo a mão. – Vem. Vamos voltar para a cama.

— Mesmo? – Perguntou erguendo a cabeça.

— Mesmo. É nosso dia de folga e vamos aproveitar. Existem muitas séries para maratonar. – Acrescentou e ele sorriu.

Notas finais
Olha que as coisas estão esquentando.Tom e Bella se declarando, e parte do passado de Tom finalmente aparecendo. Espero que estejam gostando. Comentem e recomendem.