Cartas do Passado
17 Capítulo 17 - Carta número 06
Notas iniciais
Never Be Alone — Shawn Mendes
Hey
Ei
I know there are some things we need to talk about
Eu sei que há algumas coisas sobre as quais precisamos falar
And I can't stay
E eu não posso ficar
Just let me hold you for a little longer now
Só me deixe abraçá-la mais um pouco agora
Take a piece of my heart
Pegue um pedaço do meu coração
And make it all your own
E torne-o todo seu
So when we are apart
Assim, quando estivermos separados
You'll never be alone
Você nunca estará só
Never be alone
Nunca estará só
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Nova York, 10 de janeiro de 2016
Fico feliz que as coisas estejam funcionando para você, irmão. Conhecer o amigo dela pode ser uma coisa boa. É uma coisa realmente boa, Clarke. Quer dizer que você é uma parte importante da vida dela.
Eu mal posso esperar para conhecer o B. O Peru é um cachorro incrível e acredito que você sinta falta dele. Não se preocupe, eu entendo. Mas talvez você goste de saber que eu me mudei da casa dos nossos pais e o trouxe para meu novo apartamento.
Não acredito que vai voltar a ser médico. Depois de todo esse tempo? Isso é realmente incrível.
Eu disse a você que as coisas estavam prestes a melhorar para você.
Do seu irmãozinho;
Anthony.
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— Bella? – Emmett declarou surpreso. – Marcamos alguma coisa, porque eu não... – Dizia, mas ela o interrompeu.
— Não, não marcamos. Eu falei com Edward, sabe, depois que eu voltei. – Disse, entrando no apartamento.
— Então já conheceu a Mia. Eu sei que não era o que você esperava, mas...
— O que? Não, não era, mas não é sobre isso que eu vim fala com você. – Explicou.
— Mesmo? Quero dizer, você finalmente ia se declarar e....
— Eu não ia me declarar. – O interrompeu pela terceira vez naquela manhã. – Eu ia dizer que queria que as coisas voltassem ao normal entre nós.
— E? – Indagou cruzando os braços.
— E no lugar disso eu encontrei uma garota que parece ser muito legal e várias cartas do meu noivo morto.
— O que você esperava e..., espera, o que? – Indagou confuso.
— Edward e Tom tem se correspondido por anos. Edward havia me dado as cartas dele.
— As que ele diz ser apaixonado por você. – Concluiu.
— Sim. Mas agora ele me deu as do Tom também. – Respondeu, olhando a expressão de Emmett endurecer.
— Você já leu? – Perguntou sem olhar para ela.
— Não. Não consegui. Eu estava prestes a ler no trabalho, mas meu dia foi cheio e não consegui. Então eu vim até aqui e...
— Não acho que deva ler. – Concluiu.
— O que? Por que não? É uma chance de entender tudo que ele veio passando nos últimos meses e ter um pouco mais dele.
— Não, Bella. É a chance de se machucar mais. Eu sei que a Rose foi cruel em algumas coisas que disse, mas eu sou seu amigo, não sou?- Indagou.
— Claro que é. – Confirmou rapidamente.
— E quem esteve ao seu lado enquanto você surtava com a descoberta do Edward e as acusações da Rosie? – Perguntou e ela suspirou.
— Você. – Declarou.
— Então é como seu amigo, que eu digo. Ler essas cartas não vai trazer nada de bom.
— Mas... – Começou a dizer, mas ele a interrompeu.
— Não, Bella. Você sabe que eu tenho razão.
— Eu sei. Sei disso, mas isso seria, eu não sei. – Murmurou andando pelo apartamento. – Eu só queria que tudo voltasse ao normal. Pensei que tivesse superado isso. Pensei que estivesse pronta para recomeçar, mas não. Eu acho que talvez esse seja meu recomeço. – Acrescentou esfregando o rosto.
— Bella... – Emmett começou, mas ela o interrompeu.
— Não, quer saber? Eu não devia ter vindo aqui. Obrigada pela ajuda, Emm. Eu preciso ir agora. – Se despediu. Ele tentou impedi-la, mas ela já havia partido.
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Bella estava em seu apartamento, terminando seu jantar enquanto Bucke se aconchegava no sofá.
Ela terminou de limpar a cozinha e se deitou no sofá, olhando as cartas ainda não lidas na mesa de centro.
— Eu sei o que está pensando. Emmett provavelmente está certo e ler as cartas é um erro, mas pensar no que ele disse nas cartas. Saber se ele falou de mim e se estava feliz. – Murmurou esfregando as orelhas do cão.
Bella pegou o telefone, discando o número novo.
— Alô? – Disse uma voz suave do outro lado.
— Edward está? – Perguntou.
— Não, ele não está. Ele está de plantão. Quem é? – Perguntou.
— É a Bella. Eu não sabia, é Mia, certo? – Indagou
— Sim. Nós não tivemos muito tempo para conversar. Algum problema? – Perguntou verdadeiramente preocupada.
— Não, eu só... Edward deve ter te contado sobre as cartas, não é? – Perguntou pegando o papel nas mãos.
— Sim, ele contou. Você já leu? – Perguntou curiosamente.
— O que? – Bella perguntou sem entender.
— Desculpe, não é da minha conta. Edward deve chegar em algumas horas. Eu posso pedir para ele te ligar se quiser.
— Eu gostaria muito, obrigada. – Agradeceu desligando. – Já chega, Bucke. Vamos descobrir o que ele tem a dizer. – Resmungou pegando a carta e começando a ler.
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Bella bateu na porta sem nem ao menos se importar com a hora. As palavras daquela carta ainda giravam em sua cabeça.
— Bella? – Edward abriu a porta, confuso. – O que..?
— Você sabia? – Perguntou mostrando a carta. Edward sabia que aquele momento chegaria. – Sabia o que ele tinha feito? Que ele tinha...cancer? E que que desistiu. Você sabia, não é? – Perguntou, sentindo sua garganta embolar e os soluços escaparem.
— Eu estava imaginando quanto tempo levaria para você vir aqui.
— Ele estava com medo? Ele disse mais alguma coisa? – Perguntou o ignorando.
— Bella...
— Não! – o censurou. – Deus, ele... os médicos disseram que foi o coração. Emmett disse... Emmett! Ele sabe? Emmett sabe, não sabe? – Perguntou esfregando o rosto.
— Sabe. Emmett sabe, sim. Eu sei que é muito pra digerir, mas vamos conversar.
— Eu... Foi uma ideia ruim vir aqui, eu preciso ir pra casa. Eu preciso ir.
— Não, Bella. Não faz isso. Não fuja outra vez. – Pediu segurando seu braço.
— Edward, ele se matou. Tom, meu noivo, seu irmão se matou. Ele mentiu sobre um câncer que o atormentou e aterrorizou por meses. Acha que eu não tenho direito de enlouquecer?
— Acho que isso não vai ajudar em nada. Você tem se saído tão bem, se superado. Se quiser ir para casa, tudo bem. Mas eu levo você. – Respondeu apanhando seu casaco.
— Edward, eu não quero uma babá. Eu quero saber por que nunca me contou. Há quanto tempo sabia do câncer?
— Eu soube quando recebi a ultima carta.
— Então tem quase um ano. – Constatou. – E Emmett?
— É complicado. – Explicou. – Código de médico e paciente e...
— Acha que isso é uma desculpa? – Questionou.
— É tudo que eu posso dizer, Bella. O que queria que eu fizesse? Vem, eu te levo para casa. Por favor. Não vamos voltar ao começo. – Pediu gentilmente e ela assentiu.
Estava cansada de brigar e queria voltar para casa.
— Mia sabe onde você está? –Perguntou sem olhar para ele.
— Ela foi chamada no hospital. Eu mandei uma mensagem. – Bella assentiu entrando no apartamento e caminhando até o quarto. Bucke rapidamente se acomodou com ela nas cobertas.
— Precisa de mais alguma coisa? –Perguntou e ela negou. – Podemos conversar amanhã, — olhou para ela, que assentiu. – se quiser.- Ela assentiu fechando os olhos, deixando tudo desaparecer.
— Sabe, Pan. Você não está sendo muito justa
— Tom? Você.... Você está aqui...
— Eu sempre estive aqui, Bella. Prometi que nunca te deixaria e estou tentando manter minha parte da promessa da única maneira que posso. Eu sempre estarei ao seu lado.
— Isso é um sonho?
— É o único jeito que encontrei de que você me ouvisse. Você precisa perdoa-lo
— Ele mentiu! Você mentiu. Até mesmo o Emmett. Todos têm mentido para mim.
— Não, Pan. Eles têm mantido promessas. Emmett não contou porque não podia. Sigilo médico, lembra? E quanto ao meu irmão, ele é leal a você, mas também é a mim. Fui eu, Bella. Eu implorei para que não dissesse nada. Para que não mostrasse a última carta que enviei, porque eu sabia exatamente o que ela faria a você. Ela te destruiria, meu amor.
— E como acha que estou agora? Você podia ter tentado... Podia ter...
— Não, Bella. Não podia. Você acha mesmo que eu a deixaria se tivesse outra escolha. Os exames não mentem, e meu tempo estava acabando. Então eu fiz o que tinha que fazer.
— Você me deixou.
— Eu te libertei. Eu conheço você e você nunca teria me deixado.
— É claro que não. Porque é isso que se faz quando se ama alguém. Ficamos com esse alguém.
— Eu sei que não parece, mas essa dor, essa dor vai passar e você vai viver de novo. Vai ser feliz outra vez. Só precisa parar de afastar as pessoas e se permitir respirar outra vez.
— Não... Eu não...
— Consegue sim. É a mulher mais forte e incrível que já conheci e fui muito feliz ao seu lado, mas agora é a sua vez, Bella. Você está pronta.
— Não me deixe. Não de novo.
— Eu sempre estarei aqui. Eu te amo, Bella. Minha Pan. — Piscou para ela, quando Bella abriu os olhos se encontrando em seu quarto, sozinha outra vez.
Ela caminhou até a sala, encontrando Edward adormecido em uma posição nada confortável em seu sofá. Fazia frio e ele estava encolhido, tentando se aquecer da melhor maneira.
Bella voltou ao quarto, apanhando um cobertor e voltando para a sala, o estendendo sobre Edward, que suspirou ao se sentir aquecido.
Ela estava prestes a voltar para o quarto, quando ouviu seu nome.
— Bella? — ela se virou, o fitando, sem dizer nada.
— Eu realmente sinto muito. Nunca foi minha intenção mentir.
— Chega de desculpas. O que está feito, está feito. Eu vou tentar dormir um pouco e você devia fazer o mesmo. .
— Claro. Deve estar exausta.
— Sabe, tem um quarto de hóspedes bem ali. Você não precisa dormir nesse sofá. — respondeu se virando.
— Boa noite, Dory. — ele declarou, torcendo por uma resposta. Ao ouvir aquela frase, Bella parou de caminhar e respondeu sem nem se virar.
— Boa noite, Martin.
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