Cartas do Passado
18 Capítulo 18 - Carta número 07
Notas iniciais
Capítulo 18 – Carta 07
Yeah, I'm gonna have to move on
Yeah, eu vou ter que partir para outra
Before we meet again
Antes de nós nos encontrarmos de novo
Yeah, it's hard
Yeah, é dificil
If you had only seen
Se você tivesse apenas visto
Take control
Assuma o controle
And don't be afraid of me
Não tenha medo de mim
Nova York, 16 de maio de 2016
Acho ótimo pensar no casamento. Significa eu você realmente encontrou a garota certa. Nunca pensei que veria o dia em que meu irmão se amarraria a alguem. Garota de sorte essa.
Espero que quando ler essa carta, esteja se sentindo melhor. Mas caso não esteja, você tem meu número.
Eu acho que nós nunca percebemos realmente o quão talentosos somos. Principalmente se alguem nos diz isso.
Fico feliz em saber que sua garota finalmente foi descoberta pelo lunático das artes e agora esteja vendendo seus quadros. Espero te ver logo, Clarke. Já tem muito tempo que não nos vemos e só as cartas não tem sido mais o suficiente
Do seu irmãozinho:
Anthony.
Edward despertou sentindo cheiro de café e panquecas. Seu estomago roncou enquanto abria os olhos e se espreguiçava. Dormir no sofá não havia sido uma boa ideia, mas a conversa da noite passada com Bella o havia deixado atordoado demais para procurar uma cama descente.
— Bom dia. – Ouviu uma voz familiar vindo da cozinha. Bella estava em pé perto do batente, segurando uma caneca de café.
— Bom dia. – Murmurou se levantando e olhando as mensagens no celular. Não havia falado com Mia desde a noite passada. Ele mandou uma mensagem rápida e desligou o celular, voltando sua atenção a Bella. – Dormiu bem? – Perguntou a fazendo negar com a cabeça.
— Sonho estranho. Mas eu que deveria fazer essa pergunta. É você que está no meu sofá. Eu disse que tinha uma cama. – Explicou oferecendo uma caneca de café para ele.
— Eu estou bem. – Murmurou bebendo o café. – Você.... Leu todas? As cartas.
— Cada uma delas. – Respondeu com os olhos vazios. – De novo e de novo. Procurando algo que deixei passar.
— O que quer dizer? – Perguntou olhando para ela, a testa franzida enquanto ela fitava o chão.
— Procurando onde estava o erro. O que não batia na história. Se em algum momento ele pediu ajuda e eu simplesmente não vi.
— Bella.. Não faça isso. Não outra vez. – Pediu.
— Quer dizer, quando foi que ele decidiu que na valia mais a pena lutar? Quando pensou que não podia me contar a verdade. Deus, será que ele pensou que eu não o apoiaria? Que viraria as costas como os seus pais? – Indagou.
— Não. Claro que não. – Respondeu se levantando. – Acredite, você foi a melhor coisa que aconteceu com meu irmão. Ele foi feliz, Bella. Ele só não...
— Queria dar trabalho? Acha que seria isso que aconteceria?
— Eu sei que é difícil pensar nisso, mas sim. Talvez ele pensasse nisso. Ele só não queria ser um fardo. – Respondeu calmamente. – Olha, eu tenho que ir para o hospital agora. Eu tenho algumas consultas e depois vou me encontrar com a Mia. Mandei uma mensagem para ela dizendo que passei a noite aqui, mas eu não posso mais fazer isso, Bella.
— Fazer o que? Perguntou.
— Ser sua ocupação. – Respondeu claramente. Mas não havia mágoa em sua voz. Só certeza.
— Você não... – Começou, mas ele a interrompeu.
— Talvez devesse voltar para o trabalho. Procurar um passa tempo, sabe. Algo que te faça feliz.
— Eu já fiz isso. Voltei para a galeria e até pensei em pintar outra vez. Já faz muito tempo.
— Isso é bom. – Respondeu se levantando, mas parou, olhando para ela. – Eu sei que você pensou que nunca seria feliz outra vez, mas isso vai acontecer. Pode levar um tempo, mas um dia, você vai ser completamente feliz outra vez. E de verdade, espero estar por perto para ver esse dia chegar. – Acrescentou sorrindo.
— Edward? – O chamou hesitante. – Acha que podemos retomar de antes? Quando éramos amigos? Quero dizer, eu sei que tenho sido uma péssima amiga, mas... Eu realmente adoraria tentar. Se você ainda quiser. – Completou.
— Seria bom. – Respondeu sorrindo. – Senti falta da minha melhor amiga.
— É, eu também. – Completou. – Vai fazer alguma coisa hoje a noite? – Perguntou esperançosa. Sabia que seria difícil fazer com que tudo voltasse a ser como antes, mas tentaria como nunca. – Podíamos fazer uma sessão de procurando Nemo.
— Seria bom, mas... Hoje não é um bom dia. Os pais da Mia estão na cidade e vamos jantar com eles. – Explicou, colocando as mãos nos bolsos.
— Ah, claro. Eu só pensei... Sem problemas. – Respondeu rapidamente.
— Mas podemos marcar outro dia. Quem sabe. – Declarou, passando as mãos no cabelo. – Eu realmente tenho que ir agora. Mas eu te mando uma mensagem. Eu quero muito que você a conheça. Ela é tão...inteligente, engraçada. Além de você, ela é a única que conheço que entende meu humor negro, e ela é tão fantasticamente brilhante. Acho que vocês vão se dar muito bem.
— Claro. Ela parece ótima mesmo. Podemos marcar um dia para um jantar, talvez. Seria ótimo. – Respondeu trincando os dentes.
*~*~*~*~*~*~*~
— Pensei que só fosse te ver a noite. – Mia declarou beijando Edward. – Como sua amiga está? Sua mensagem me deixou preocupada.
— Ela está bem. Agora ela sabe a verdade sobre a morte do Tom. Acho que foi... Demais para ela. Eu não sei como vai ser agora.
— Ela ainda acha que é sua culpa? – Indagou arqueando a sobrancelha. – Porque você sabe que não...
— Não, ela não acha. Olha, eu sei que essa situação pode ser desconfortável para você, mas eu não quero que pense que....- Ele tentou explicar, mas ela o interrompeu.
— Edward, somos adultos aqui. Eu amo você, então acredite quando eu digo que não estaríamos aqui agora, se eu não estivesse completamente segura de onde seu coração está. Ela é sua amiga e sim, você foi apaixonado por ela, mas eu não acho que esteja agora. Porque se estivesse, acho que estaria com ela, e não aqui, me dando explicações e se desculpando. – Explicou tranquilamente, enquanto pegava os prontuários.
— Eu já disse o quão madura você é? – Ele perguntou com um sorriso brincando nos lábios.
— Já. Segundo você e minha mãe, eu tenho apenas vinte e seis, mas a maturidade de alguem na casa dos quarenta. O que me torna incrível no trabalho.
— E as vezes um pouco convencida. – Brincou, mexendo em uma das mexas do cabelo de Mia.
— Só um pouco. Mas isso é saudável. Não seria bom se você fosse o único convencido da relação. – Retrucou o beijando e se afastando. – Eu gosto muito de onde estamos agora, mas eu tenho mesmo que ir. Tenho que chegar os pré operatórios. Vejo você a noite? – Perguntou e ele assentiu.
— Que horas seus pais chegam? – Perguntou vestindo o próprio jaleco.
— As sete. – Respondeu saindo. – Não se atrase.
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Bella terminou seu banho, vestindo um shorts claro, com uma regata cinza. Já fazia calor e ar estava abafado. Talvez fosse o próprio apartamento, que a fazia se sentir sufocada. Queria uma mudança de ar. Precisava disso.
— Acho que está na hora, Buck. – Suspirou, enquanto o cão a observada, deitado na cama.
Bella amarrou o cabelo para o alto, se preparando para o dia que teria pela frente. Emmett e Rosie haviam deixado caixas no armário já fazia um mês. Estava na hora. Sabia que nunca seguiria em frente com todas aquelas coisas ali, como uma lembrança permanente de que ele se fora. Do que ela havia perdido.
Pegou seu celular, ligando uma música alta e animada. Talvez fosse aquilo que ela precisava, dois ou três minutos de música, dança e barulho, para abafar aquela voz que a mandava guardar as caixas e deixar as coisas.
Talvez fosse mais fácil começar por outro cômodo invés do quarto. Ali era tudo muito, devastador. A lembranças, as fotos, os cheiros e momentos que haviam vivido ali. A sala talvez fosse uma melhor escolha.
Ela abriu a primeira caixa. O vídeo game ainda estava ali, assim como os jogos. Era só um brinquedo. Nada mais, ela ficava se lembrando. Apenas um brinquedo que ninguém mais brinca. Repetiu isso duas vezes e depois o colocou na caixa. Os discos podiam ficar. Afinal, ela ainda os escutava. Separou os livros de medicina, os colocando na caixa. Talvez Edward os quisesse.
Continuou colocando nas caixas tudo que fora de Tom e ela não usaria.
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Quase havia terminado de encaixotar tudo, quando Emmett bateu na porta.
— Você está suando. – Comentou com uma cara de nojo, passando por ela. – Como vão as coisas?
— Bem. Estive fazendo umas coisas de manhã. – Respondeu amarrando o cabelo pela quinta vez na ultima hora.
— Aquilo são... – Perguntou olhando para as caixas no canto da sala.
— São. Pode me ajudar com o transporte? Braços magros, lembra? – Perguntou tentando aliviar o clima. Não queria ter que explicar o que estivera fazendo.
— Lembro. Sedentária convicta, certa? – Retrucou, decidindo que o melhor era deixar o assunto de lado. Pelo menos por enquanto.
Já passava da hora do almoço quando eles haviam terminado de colocar todas as caixa na caminhonete de Emmett. Bella havia terminado de embalar todas as roupas, mas deixou a camisa do Pink Floyd. Emmett entrou no quarto e a encontrou a segurando contra o peito.
— Eu embalei tudo. Não tem mais nada, só essa camisa. É errado eu não querer me desfazer dela? – Perguntou sem olhar para o amigo.
— Não. Acho que é natural. Era a camisa favorita dele. Você quer uma parte dele. A única parte que pode ter. E se não quer se desfazer dela, você tem esse direito.
— Eu não quero ficar presa ao passado, Emmett. – Respondeu se virando.
— Bella, olha em volta. Nós embalamos todas as outras coisas. Você não está presa ao passado. Está seguindo em frente e isso é ótimo. Acredite em mim, você não está indo para trás.
— Acho que você está certo. – Declarou suspirando.
Havia tomado outro banho e estava pronta para se despedir. Emmett disse que cuidaria das caixas. Já era o fim da tarde, mas ela ainda tinha mais um lugar para ir.
Se sentou na cadeira, se olhando no espelho, pensando no eu estava prestes a fazer. Sempre manteve seu cabelo longo. Se lembrava dos dedos de Tom se embrenhando por eles, os acariciando. Emmett estava certo. Estava caminhando para frente, não era mais hora de dar passos para trás.
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