Cartas do Passado

11 Capítulo 11 - Carta número 10


Notas iniciais
Olha mais um capítulo aqui. Tom se foi e isso é muito triste, mas acho que todos querem ver Beward em ação né? Comentários e recomendações são bem vindas.

Celine Dion — Ashes

‘Cause I’ve been shaking

Porque eu tenho estado abalada

I’ve been bending backwards ‘til I’m broke

Tenho me curvado até quebrar

Watching all these dreams go up in smoke

Vendo todos esses sonhos se tornarem fumaça

Let beauty come out of ashes

Deixe a beleza surgir das cinzas...

Chicago, 15 de janeiro de 2017

Para aqueles que eu realmente amo,

Anthony, eu sempre achei você melhor com as palavras do que eu. Então, nada do que eu disser aqui, seria bom o bastante. Nunca será. Mas tenho certeza como o inferno que vou tentar.

Em primeiro lugar, quero explicar meus motivos. Você merece isso. Isso é uma coisa que eu tinha que fazer. Já não conseguia mais seguir em frente.

Essa carta é para você, irmãozinho, mas também é para ela. Para Bella. Mas não quero que mostre a ela, ao menos não por enquanto. Quero que dê apoio a ela. Que diga que eu amo e continuarei amando e que ficaria com ela para sempre se pudesse.

Eu sei que você, Anthony, será o primeiro e único a ler isto, desde que tenho certeza de que será você a me encontrar. Uma vez que você leu a última carta, então sabe como eu estou.

Nenhum de vocês sabe, mas descobri que tenho câncer no pulmão, e ele rapidamente se espalhou, antes mesmo que eu desenvolvesse qualquer sintoma mais sérios. Se eu pudesse lutar, acredite, eu teria feito. Mas uma coisa sobre o câncer, que aprendi por ser filho de médicos, você nunca realmente vence, uma vez que você perde muitas coisas na batalha.

Chamam isso de luta, como se só os mais fortes pudessem vencer e os fracos fossem eliminados, mas não é como as coisas são.

Câncer não é um jogador que você pode derrotar. Câncer é o jogo.

E não importa o quanto você seja forte. Não importa o quanto você resista. De um modo ou outro, ele sempre vence. Porque em determinado momento, seus recursos acabam, enquanto os dele estão apenas começando a aparecer.

E este sou eu, irmãozinho. Porque meus recursos acabaram e não há mais nada que se possa ser feito. Sim, eu poderia ter tentado mais, mas o que isso poderia tirar de mim?

Minhas forças, minha independência e o mais importante, o Thomas que você e Bella conheceram; minha essência. E eu prefiro que isso não aconteça. Nem daqui a quatro meses, nem agora.

Pode parecer egoísmo, mas convivi o suficiente com pacientes de câncer, para saber como ele trabalha e do que é capaz e me recuso a terminar assim.

Poderia existir uma cura? Talvez. Mas e se não existisse? Eu me recuso a me tornar um fardo para aqueles que tanto amo, então veja isso, como um presente. Estou poupando vocês de escolherem uma coisa que não desejam.

Eu sei que isso pode não parecer uma desculpa boa o bastante, mas eu sabia que se falasse com qualquer um dos dois sobre isso, vocês teriam implorado para que eu não fizesse. E essa, seria uma promessa que eu teria que quebrar eventualmente.

E só Deus sabe em como tenho pensado sobre isso. Eu farei de um jeito que facilitará as coisas.

Eu sei que tudo que disse até agora, pode parecer bastante egoísta, mas essa será a maior delas, Tony. Eu sei que quando eu fizer isso, Bella estará na galeria. Eu também sei que quando tudo acabar, você estará lendo essa carta e provavelmente correu até aqui antes mesmo de termina-la, porque eu o conheço bem o suficiente. Mas ainda sim, fico feliz em saber que será você a me encontrar e não ela.

Como eu disse, venho pensando nisso tem algum tempo, então, caso não consiga reagir rápido o bastante, aqui estão algumas instruções, irmãozinho.

Existe uma chave reserva que fica debaixo do extintor de incêndio no corredor. Você poderá entrar sem problemas, mas não deixe que o B fuja. A última coisa que você irá querer, é perseguir um labrador pelas escadas do prédio.

Assim que você entrar, feche o B no quarto que eu divido com a Bella. A casa ficará movimentada e ele não gosta de estranhos. Eu estarei no quarto de hóspedes, uma vez que não quero manchar o quarto em que fui tão feliz. Sei que Bella não suportaria ficar onde eu a deixei e não me pareceu justo, depois de tirar tantas coisas dela, tirar seu quarto também.

Você pode ligar para a emergência e eles irão retirar meu corpo, e isso vai acabar em algumas horas.

Sei que não será fácil e será especialmente difícil lidar com a situação quando Bella souber de tudo, então tentarei tornar tudo um pouco mais fácil.

Como filho de médico, sei que os comprimidos que tomarei, fará com que a causa dá morte seja dada como infarto. Deixe que todos pensem isso. Deixe que ela pense isso. Será mais fácil para ela seguir em frente assim. E ela merece. Ela merece alguém bom. Alguém inteiro. Alguém que não esteja quebrado, como eu estou.

Como sempre estive.

Por favor, irmãozinho, certifique-se que ela encontre esse alguém. E que seja feliz. Porque ela não merece nada menos do que isso.

E no futuro, se vocês estiverem próximos o suficiente. Peço que lhe mostre nossas cartas. Exceto esta última. Eu preciso que leia com muita atenção, Anthony. Quero que ela leia todas as cartas, mas deixe esta ultima longe de suas mãos. Mesmo que ela me odeie por abandona-la dessa maneira, mesmo que nunca saiba o que aconteceu e me odeie por isso. Talvez seja mais fácil assim.

Você já é um homem irmãozinho. Sinto muito se falhei com você, mas não se culpe. Se quiser culpar alguém, culpe o destino.

De todos que deixo para trás, os que mais sentirei falta serão de você e da Bella.

Agora, a parte que eu mais adiei. Como pedi que não mostre essa carta, acho que terá que se despedir por mim, irmãozinho. Eu sei que no passado, eu disse a ela que talvez, pudéssemos criar um universo alternativo, onde eu, me parecendo o Harry, e ela, Bella, seria minha Hermione, e nós poderíamos ficar juntos. Eu tenho que dizer que as vezes, as coisas acontecem por algum motivo. Existem certos finais que não devem ser mudados. Talvez esse seja um sinal para que ela siga a história original e não me odeie por dizer isso, por escrever isso, mas talvez ela devesse encontrar seu Rony e apenas continuar a história.

E se não puder passar essa mensagem, irmãozinho, não tem problema; mas por favor, por favor apenas... Diga a ela que eu a amo. Que a amo tanto que não suportaria vê-la se afastando de mim aos poucos, como seria com o câncer. Então tive que abri mão da minha felicidade, da minha vida e arrancar o curativo de uma vez.

Queria ter conseguido resolver tudo como sempre fiz e me curado. Queria ter conseguido ser forte e dizer “Eu tive câncer e venci” Mas isso não vai acontecer. Mas apesar de qualquer coisa, ainda amo vocês com todo meu coração.

Do seu irmão mais velho;

Clarke.

— Tom? – Edward gritou, batendo na porta. Sem conseguir mais esperar, correu até onde encontraria a chave. E ali estava ela. Se ele disse a verdade sobre aquilo, sobre o que mais falava sério?

Sentindo o suor se acumular em suas costas, virou a chave, abrindo a porta. Haviam sido as duas horas mais infernais de sua vida, mas ele finalmente estava ali.

Ao entrar, pôde ouvir um latido insistente. Bucky, o cão que eles haviam adotado, latia sem parar. Aquilo não era o melhor dos sinais.

— Edward? – Ouviu aquela tão conhecida voz o chamando, fazendo com que ele paralisasse.

— Bella? – Indagou, ainda sem acreditar. Ela não poderia ser... quais eram as chances de que... Ele só havia visto seu estúdio, afinal de contas. A descrição, o nome... Absolutamente batia, mas quais eram as malditas chances de sua Bella, sua amiga ,a garota que ele aprendeu secretamente a amar e a namorada se seu irmão, serem a mesma garota?

— Oh, meu Deus, Tom! O que aconteceu? – Rosnou, correndo em direção ao corpo caído do namorado.

— Bella, não! – Gritou a segurando, enquanto ela gritava, tentando se livrar de seus braços.

— Não! Não! – Continuou gritando, enquanto se debatia. – Tom! – Soluçou.

— Eu posso explicar tudo, Dory. – Edward sussurrou, tentando segura-la. – Eu sinto muito, Bella. Sinto tanto... Eu não fazia ideia de que ele... – Tentou explicar, mas ela já segurava o celular, enquanto suas mãos tremiam.

Haviam dois enfermeiros, o carregando, enquanto Bella ainda lutava contra os braços que a seguravam com firmeza.

— Você! Como você...? O que você....? – Sua voz vacilava e seu corpo tremia. – O que você fez?

— Eu não fiz nada, Bella. Eu juro. Nunca o machucaria. Ele era... – Suspirou olhando para ela. – Tom era meu irmão.

— Isso não... Ele não... Todos esses anos e .... – Ela tinha a respiração ofegante, enquanto segurava seu estomago. – Você mentiu.

— Eu nunca soube. Não até agora. – Disse, enquanto a respiração dela ia se acalmando. – Nunca fiz a ligação, Bella. Eu juro.

A enfermeira que ali estava apenas olhou para ele, negando. Edward sabia o que aquilo significava.

— O que? – Bella indagou, enquanto a enfermeira lhe observava.

— Eu sinto muito, senhora. — Bella se virou para o corpo, se aproximando. Eles haviam o coberto com um lençol.

— Bella...- Edward começou a dizer, mas ela o interrompeu.

— Ele está morto...Ele está morto. – Como médico, havia visto aquela cena um milhão de vezes. A aceitação. A constatação de que a vida se fora e não iria retornar.

— Bella, fala comigo. – Implorou, se aproximando, fazendo com que ela recuasse.

— Falar com você? Eu não conheço você! – Gritou, recuando contra a parede.

— Você me conhece melhor do que qualquer pessoa. – Edward retrucou.

— Não. Eu conheço um fantasma. Uma fantasia. Você mentiu para mim. Quando eu disse que queria que você conhecesse... Deus, isso não importa. Você pode ter feito tudo isso. Fica longe de mim.

— Doutor Cullen... – A enfermeira disse, fazendo com que ele assentisse.

— Para onde vocês vão? – Bella gritou correndo, quando o corpo foi levado para o corredor. – Para onde vão leva-lo?

— Bella, nós precisamos tira-lo daqui. Eu vou cuidar de tudo. – Declarou, enquanto ela gritava, tentando segui-lo. Foi quando Edward a segurou, sussurrando em seu ouvido. – Vai ficar tudo bem. – Acrescentou, antes que Bella sentisse uma picada. Antes que seu corpo ficasse mole e sua vista escurecesse.

Edward a carregou até o sofá, antes de seguir as ordens que Tom havia deixado.

~*~*~*~*~*~

Os olhos de Bella tremeram, quando ela acordou em um pulo.

— Tom! – Gritou, olhando ao redor, pôde ver que estava em sua cama. Tudo não passara de um sonho ruim. Mas se foi assim, onde ele estava?

Bella se levantou, abrindo a porta do quarto e caminhando pelo corredor. Foi quando ouviu alguem na cozinha.

Deus, havia sido apenas um sonho, ela pensou, enquanto corria em direção a cozinha.

— Tom! Você não vai acreditar no .... – Começou a dizer, mas parou, olhando para o rosto familiar que estava em sua cozinha. – Não... – Sussurrou.

O homem em sua cozinha não era um estranho, mas aquilo não significava que ela estava segura.

— Bella...

— Não. Isso não é real. É apenas outro pesadelo, Deus por favor! – Suplicou, dando um passo para trás.

— Eu vou explicar tudo o que quiser, mas por favor, você precisa me ouvir. – Pediu, enquanto ela recuava.

— Onde ele está? O que você fez com o Thomas? – Rosnou o atacando.

— Eu não fiz nada. Eu juro que tentei chegar a tempo, Bella. Mas eu não... Não consegui. Eu sinto muito. Mas você precisa me ouvir, Bella. Eu não menti. Eu não fazia ideia de que... Ele nunca me disse... – Suspirou, agarrando os cabelos.- Nossa comunicação era tão...

— Inexistente? – Ela questionou com raiva, enquanto batia seus punhos contra o peito de Edward. – Você ficou do lado daquele cretino. Deu as costas para ele, mentiu para mim e agora está aqui! Como quer que eu acredite em qualquer palavra sua?

— Eu posso explicar tudo. Existe uma parte da história que...

— Não! – Grunhiu se afastando. – Eu não quero ouvir. Para onde o levaram? – Questionou, mas ele negou.

— Você não está em condições de... – Mas antes que ele terminasse a frase, ela correu. – Bella, por favor! – Gritou, correndo atrás dela. Suas mãos agarram a cintura dela, mas ela se virou, o chutando. E com ele caído, pôde ver enquanto ela corria.

~*~*~*~*~*~*~~**

Edward entrou no carro, dirigindo pelos quarteirões, a procura de Bella. O tempo fechava cada vez mais, com uma ameaça de tempestade a caminho.

Estava prestes a voltar para o hotel, quando a viu. Ele encostou aos seu lado, baixando o vidro.

— Entra no carro, Dory. — Pediu e ela o ignorou. E continuou a caminhar enquanto a chuva caia.

Apenas o ignorando.

— Você vai ficar doente assim. – Suplicou, enquanto a acompanhava com o carro.

— Me deixe em paz. — grunhiu acelerando o passo e cruzando a rua. Edward irritado desceu do carro, indo atrás dela.

— Volta para o carro. – Pediu, gritando contra a chuva. – Está tarde, Dory.

— Eu mandei me deixar em paz. Por que não volta pra Nova York? Para casa dos seus pais. E esqueça de mim! – Rugiu, se virando.

— Eu não posso fazer isso. – Respondeu exausto.

— Por que não? O único dá sua família com quem eu me importava era o Thomas. — Parou se o encarando. Completamente molhada. — E ele morreu!- Gritou.

— Pensei que fossemos amigos! – Explicou. – Amigos não abandonam amigos!

— Eu também, mas acho que os dois estão errados, não é mesmo? – Rugiu, batendo em seu peito.

— Olha só, vamos conversar no carro? Eu tenho uma coisa pra te mostrar. — Pediu segurando seu braço e ela puxou de volta, se afastando.

— Eu não vou a lugar nenhum com você. – Gritou, suas bochechas coradas pela raiva.

— Dory...

— Não me chame assim! Você não tem mais esse direito! Você o perdeu quando mentiu para mim! – Se enfureceu, se afastando.

— Mas eu não menti! – Tentou se explicar.

— E de que você chama essa merda? Não me contou que Tom era seu irmão. Inferno, você nem ao menos me contou que tinha um irmão!

— Isso é porque quando você me perguntou, Tom tinha acabado de sair de casa e nós não...

— Saiu? Você realmente está dizendo que ele saiu, quando quer dizer que o cretino do seu pai o expulsou? — gritou, empurrando Edward, enquanto a chuva despencava. -Todos deram as costas para ele. Ele só tinha a mim. E eu só tinha ele. E agora ele morreu- Ela gritou chorando. A dor a consumia completamente.

— Acha que não sinto falta dele? Que a dor que você sente no seu coração, eu ​não sinto no meu? Ele era meu irmão. Meu herói. Eu o amava. Eu nunca abandonei.

— E por que você nunca veio ve-lo? Você ficou lá! Apoiou seu pai quando ele expulsou Tom como se fosse um cachorro. Você nunca o visitou. Nunca quis saber como ele estava.

— Isso é o que você acha. E é o que eu estou tentando explicar. Agora entra nesse carro, Bella. — Pediu quase suplicando com os olhos e ela caminhou até o carro. Estava exausta. Não conseguia mais brigar. Não tinha mais forças. Queria que a dor parasse. Ela não sabia mais lidar com aquilo. Ela o amou e o perdeu. E agora ela estava morrendo por dentro.

~~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*

Assim que chegaram no apartamento, Bella estava adormecida, completamente exausta, quando Edward a pegou nos braços, a carregando.

Ele a colocou na cama, ligando o aquecedor e a cobrindo. Suas roupas ainda estavam úmidas, mas não havia nada que ele pudesse fazer. Tocando seu rosto adormecido ele sussurrou.

— Eu sinto tanto, Bella. Se eu pudesse fazer alguma coisa... Qualquer coisa para mudar isso... – Sussurrou se afastando.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*

Todos estavam reunidos em uma pequena capela, observando a pequena urna. Rosalie e Emmett se abraçavam, tentando entender o que havia acontecido.

— O que vai fazer agora? – Rosalie perguntou, para Bella, que se mantinha calada, abraçando o próprio corpo.

— Eu não... Eu não sei. – Declarou, esfregando os olhos. – Primeiro meu pai e agora... Ele estava tão...

— Bella...

— Não. Não posso fazer isso. – Respondeu saindo.

— Bella? – Ela parou ao ouvir uma voz familiar.

— É muita coragem aparecer aqui. – Rosnou, se virando.

— Você não atende minhas ligações. Eu precisava saber como você estava e... além disse, ele era...

— Seu irmão? O irmão que você abandonou. – Respondeu.

— Bella, por favor! Eu quero só conversar. Explicar tudo.

— É? Mesmo? – Perguntou cruzando os braços. – Então explica.

— Mesmo? – Questionou.

— É, Edward. Explica. Explica porque nunca me contou que Tom era seu irmão. Me explica porque nunca nem sequer me disse que tinha um irmão. Me explica, o que estava fazendo, no meu apartamento com o corpo do meu namorado. – Gritou, socando seu peito. – Do meu namorado que morreu.

— Bella, eu não sei como dizer o quanto eu sinto. Eu não fazia ideia de que seu namorado era o meu irmão, Bella. Nossa comunicação.

— Sua comunicação? Você nunca ligou para ele! Você nunca... – Indagou, esfregando o rosto. – Eu não sei porque estou aqui. Vá embora, Edward.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*

Uma semana havia se passado. Edward tinha ido até o apartamento todos os dias, tentando conversar com ela e dizer que iria se mudar para Chicago.

A campainha tocou, fazendo Bella olhar para a porta. Estava pronta para gritar outra vez. Ela caminhou até a porta a abrindo com raiva.

— Eu mandei você sair! – Gritou, parando ao ver quem estava na porta. – Emmett! – Correu o abraçando.

— Bella. – Declarou a apertando nos braços. – Como você está?

— Eu não entendo... Isso não faz sentido. Ele estava tão... E agora... – Gemeu baixo, afundando o rosto contra seu pescoço.

— O que o médico disse? – Perguntou, querendo saber até onde ela sabia.

— Eles disseram que foi o coração. Ele nunca disse... – Respondeu se virando e pegando alguns papeis na mesa. – Encontrei isso em uma das gavetas. – Respondeu estendendo os papeis.

— Thomas... – Emmett sussurrou, sabendo que aqueles exames não eram reais. – Bella, eu sinto muito.

— Tudo bem. Não é sua culpa, não é? Você não tinha como saber.

— Por que gritou ao atender a porta? – Questionou.

— Ah, e as novidades nunca param. Se lembra do Edward? – Perguntou o deixando passar.

— O seu amigo do procurando Nemo? Ele te visitou alguns meses atrás, não foi?

— Ele mesmo, em pessoa.

— O que tem ele? – Indagou.

— Ele aparentemente, além de um cretino mentiroso, é o irmão do Thomas.

— O que? – Gritou, surpreso.

— Essa foi a minha reação. E essa nem é a pior parte. Quando eu encontrei Tom caído, advinha quem estava no apartamento, com ele?

— Bella, não... – Sussurrou a abraçando. – Eu sinto muito.

— Eu quero ficar sozinha. – Pediu, se afastando. – Por favor... – Implorou e ele assentiu se afastando.

Duas semanas haviam se passado e as coisas continuavam do mesmo jeito. A dor e a tristeza a sugava cada vez mais, enquanto Edward tentava desesperadamente se aproximar e explicar tudo.

Bella passou direto pela porta do ateliê, caminhando em direção ao quarto, retirando os sapatos e se jogando na cama.

Aquela era definitivamente a pior parte do dia.

Ela se agarrou ao travesseiro, tirando algo de baixo . A camisa de Tom. A mesma que ela manchou de tinta, quando ele a pediu em namoro. Mas agora só passava de um pedaço de pano. O cheiro dele já havia sumido há muito tempo.

Então as lágrimas começaram a cair, uma a uma, lenta e dolorosamente, até que ela começou a chorar de verdade. Abafando seus gritos de dor, contra o travesseiro que era de Tom.

Edward passou pela porta, que ela havia deixado destrancada, e começou a olhar em volta. Era ali, que seu irmão havia passado os últimos nos de sua vida.

Olhou uma camisa xadrez, pendurada sobre a poltrona. Um vídeo game, que provavelmente havia sido dele, uma vez que Bella não sabia jogar. Fotos e mais fotos dos dois, espalhadas por todo o apartamento.

Então ele passou por uma porta, o ateliê de Bella. Era de lá que sempre conversavam. Tudo estava lá. As tintas, os pincéis, mas havia algo diferente. A bagunça que lá estava, era diferente. Não era a bagunça criativa de Bella. Era uma bagunça de raiva. De coisas espalhadas e jogadas ao chão, em um momento fúria. E no canto do cômodo, havia um último objeto. Dois na verdade.

Dois quadros, cobertos por um pano. Ele sabia antes mesmo de puxar o tecido, o que havia nas telas.

Um, era o seu retrato. O quadro que Bella pintou para sua primeira exposição. Ele estava destruído, mostrando ali nos cortes que ela havia feito, como ele havia a machucado com suas mentiras.

E atrás dele, havia outro. Rosto fino, cabelos escuros, caídos sobre olhos despreocupados. Aquele era seu irmão. E diferente de seu retrato, o de Tom estava intocado.

Sem conseguir mais olhar para eles, Edward saiu do quarto, fechando a porta atrás de si, caminhando em direção, onde sabia que Bella estaria.

Ele nem ao menos pensou em bater. Apenas entrou, silenciosamente, a encontrando afundada em lágrimas e dor.

Havia dado um tempo a ela, mas precisava explicar tudo.

Então, ainda olhando para ela, apenas se aproximou.

— Eu não sei mais o que dizer. — a essa altura, já não haviam mais lágrimas fluindo por seus olhos. Apenas um rosto manchado e inchado e a dor, que nunca se esvaía

— Edward, eu passei as últimas semanas com tanta... Tanta raiva. — Declarou se sentando, respirando fundo, ainda agarrada a camisa – Dele, por nunca ter dito nada. Dos seus pais que o abandonaram.... — levantou o olhar, o encarando. — De você.

— Bella.... — começou a dizer, quando ela negou, se agarrando ainda mais ao tecido molhado nas mãos, quando Bucky subiu na cama.

— Até mesmo do próprio Tom, por não ter dito nada. — Fungou, baixando o olhar, apoiando o queixo sobre os joelhos. — Mas na verdade eu não estou com raiva, nem mesmo irritada. Eu estou destruída.

Sua respiração estava curta, enquanto ela tentava conter as lágrimas, que teimavam em brotar.

Edward se aproximou, se sentando aos pés da cama, ainda sem dizer nada, quando Bella cortou o silêncio.

— Eu queria culpar você. Culpar qualquer um. — declarou, esfregando os olhos. — Mas a verdade, é que o Tom morreu, por uma fatalidade. E não havia nada que pudesse fazer. — Acrescentou, voltando a se deitar, agarrando a camisa do pink Floyd, a favorita dele, puxando Bucky para perto, enquanto ele se deixava embalar.

— Dory... – A chamou, exausto.

—Vai embora, Edward. Você não tem mais nada do que fazer aqui.

Notas finais
Edward vai ter um trabalhinho até a Bella se acalmar, mas ele vai continuar tentando. Comentem e recomendem!