Cartas do Passado
8 Capítulo 08 - Carta número 07
Notas iniciais
Sia — Loved Me Back to Life
You saw through the pain, saw through the mask
Você viu, através da dor, viu através da máscara
You never gave up on me
Você nunca desistiu de mim
You loved me back to life, life
Você me amou de volta à vida, a vida...
Chicago, 10 de janeiro de 2016
Eu nunca de fato pensei sobre a instituição do casamento, mas simplesmente não consigo para de pensar sobre isso. Não sou narcisista a ponto de gostar do meu sobrenome, mas confesso que adoro a ideia de Bella usando ele.
Nós estamos juntos há pouco mais de um ano agora e eu estou cogitando fortemente a possibilidade de um pedido oficial de casamento. Não é como se as coisas fossem mudar, uma vez que já moramos juntos. Mas posso esperar um pouco mais se ela decidir que não está pronta. Eu a esperaria por toda a eternidade e não me importo nem um pouco se isso soa clichê.
Eu imagino que você sendo médico, gostaria de saber que fiquei um pouco doente alguns meses atrás. Mas me sinto muito melhor.
Bella continua com seus quadros. Deus, Anthony, ela é tão talentosa! Gostaria que percebesse o quão talentosa ela é, porque as vezes tenho a sensação de que ela não faz ideia.
Parece que finalmente algum lunático do mundo das artes abriu os olhos e enxergou seus quadros. Ela tentou me explicar o quão influente ele era durante do jantar que fomos, mas eu só conseguia prestar atenção na peruca extremamente perturbadora do cara. Não é que eu não me interessasse, mas era uma peruca realmente estranha. Mas ainda sim, não poderia estar mais orgulhoso da minha Pan.
Talvez você não entenda o apelido, porque é uma coisa nossa. Vimos um documentário onde Pandas pintores vendiam seus quadros. Bella disse que queria ser um deles e desde então, ela se tornou minha pandinha. Minha Pan. Embora, ela seja bem mais do que isso. Ela é minha garota.
Minha garota....
Gosto de como isso soa. Gosto mais do que deveria. Mas sei que no futuro, vou gostar ainda mais das palavras, minha esposa.
Sei que já faz muito tempo, mas gostaria de ver você irmãozinho. Gostaria mesmo.
Do seu irmão mais velho;
Clarke.
— Você pegou tudo? O casaco? Seu almoço? – Ela perguntou olhando ao redor.
— Bella, não é a escola. – Tom declarou sorrindo. – Eu vou ficar bem. – A tranqüilizou.
— Eu sei. Nervoso com o primeiro dia? – Questionou, quando ele a abraçou.
— Apavorado. Acho que só perde para a ideia de conhecer seu amigo.
— Sobre isso, não precisa se preocupar. Ele não vai poder vir. Parece que ele está no meio de uma parte importante do curso e não tem como se afastar agora.
— Ah. – Foi tudo que ele conseguiu dizer. – Eu sinto muito.
— Está tudo bem. Uma hora vocês irão se conhecer. – Respondeu sorrindo. – Agora vai e seja o melhor médico daquele hospital. – Acrescentou o beijando, quando ele se afastou.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
A porta se abriu e uma Bella muito feliz correu em direção a Tom, que abriu os braços a pegando nos braços.
— Primeiro dia de trabalho e é essa a recepção que recebo? Acho que eu gosto disso. – Declarou a beijando com fervor.
— Como foi seu dia? – Perguntaram ao mesmo tempo, sorrindo em seguida.
— Incrível. – Tom respondeu, brincando com uma mexa de cabelo de Bella. – As pessoas são ótimos e minha sala é incrível. Foi incrível. E o seu dia?
— Adivinha? Alguem quer meus quadros! – Gritou, animada, fazendo o sorriso dele aumentar.
— Bella isso... Parabéns, meu amor. – Declarou a beijando ainda mais. – Temos que comemorar. Você finalmente irá se tornar uma artista famosa, Pan.
— Não acredito que continua me chamando assim. – Respondeu
— E eu nunca vou parar. – Tom declarou, mordiscando seu pescoço, enquanto ela o puxava em direção ao quarto.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~
Eles estavam deitados na cama, enrolados nos lençóis. Bucky estava deitado no chão do quarto, adormecido. As mãos de Tom faziam desenhos imaginários nas costas de Bella, enquanto ela ronronava.
— Qual sua opinião sobre tatuagens? – Tom perguntou, chamando a atenção de Bella.
— Nunca pensei sobre isso. Acho elas bonitas, mas nunca vi uma tão boa que me desse vontade de fazer. Por quê? – Indagou.
— Ando pensando nisso. Quero fazer uma. – Respondeu.
— Sabe qual?
— Andei olhando algumas. Então isso não seria um problema para você? – Perguntou.
— Não. Eu acho que você ficaria sexy. – Declarou com um sorriso provocador.
— Eu pensei que eu já fosse sexy. – Retrucou a olhando, arqueando a sobrancelha.
— Você é. Mas uma tatuagem? Uau. – Sorriu, rolando para cima dele. – Podemos ver isso. Onde você a faria?
— Talvez na perna ou perto do ombro. – Respondeu.
— Isso é bom. Eu gosto de beijar suas costas.- Acrescentou, entrelaçando seus dedos aos dele, fazendo ele sorrir.
— Você não existe. – Declarou olhando para o relógio. – Acho que temos que levantar.
— Noite de jogos. – Bella completou, sorrindo. – Que tal um banho?
— Ótima ideia.
~*~*~*~*~*~*~*
— Eu espero que vocês estejam prontos para perder. – Emmett declarou, entrando pela porta com uma caixa de pizza e um engradado de cerveja.
— Eu acho que não dessa vez, Emm. – Tom respondeu, guardando as cervejas e voltando para a sala.
Bella e Rosalie estavam na cozinha, arrumando as coisas para que pudessem comer.
— Sabe, fico feliz em que o resultado dos exames tenham dado negativo. Você não tem ideia do quanto. – Emmett sussurrou.
— Eu também, Emm. Olha, eu não disse nada para Bella, então será que...
— Isso fica entre nós. – Respondeu o tranqüilizando.
— Meninos! Hora da pizza. – Rosalie gritou da cozinha. A noite só estava começando.
~*~*~*~*~*~*~*~*
Tom abriu os olhos, mirando o teto, quando Bella se aninhou em seu peito.
— Eu quero fazer isso. – Declarou, olhando para Bella.
—Fazer o que?
— A tatuagem. Eu realmente quero fazer isso. – Acrescentou se virando, subindo e descendo a mão pela barriga lisa de Bella.
— Tem certeza? – Indagou sorrindo e ele concordou. – Então vamos lá! – Exclamou jogando o lençol no chão e estendendo a mão para ele. – Eu conheço a garota certa.
— É sério? – Perguntou se vestindo.
— Pode apostar. – Respondeu sorrindo.
Eles chegaram ao estúdio, e Tom se sentou na cadeira, esperando sua vez.
— Como ela se chama mesmo? – Perguntou.
— Alice. Você vai adorar o trabalho dela, é muito talentosa.
— Isso é bom. – Declarou, balançando as pernas.
— Nervoso? – Perguntou.
— Ansioso. Como a conheceu? – Indagou.
— Ela fez a tatuagem da Rosalie. – Explicou, quando Tom foi chamado.
Ele estava deitado sobre a maca, enquanto a garota começou a limpar a área onde a tatuagem seria feita.
— Então? Eu coloquei o modelo, quer ver antes de começar? – Alice perguntou e ele se virou olhando no espelho.
A garota era baixa e tinha os cabelos repicados na altura da nuca. Sua pele era branca e coberta por algumas tatuagens.
— Ficou ótimo. – Respondeu sorrindo, quando ela começou a sessão.
Durou algumas horas, mas ela finalmente terminou. Depois de limpar ela o posicionou em frente ao espelho, mal contendo sua alegria com o resultado. Bella observava tudo, seus olhos brilhando de alegria ao ver a tatuagem que Tom havia feito.
— Está pronto? – Perguntou e ele assentiu. E ali estava. Um belo panda. Não poderia pensar em nada melhor. Não se cansava de olhar para ela. Assim como não se cansava de olhar para a garota que a inspirou.
— Sabe, Alice. Será que você está livre agora? – Perguntou, e Tom ergueu a sobrancelha.
— Mesmo? – Ele perguntou, sem acreditar no que ela estava dizendo. – E o que vai ser? – Ele perguntou curioso.
— Uma grande surpresa. – Declarou sorrindo.
~*~*~*~*~*~*~*~*
— Acorda, acorda, acorda. – Sussurrou em seu ouvido, cheirando seu pescoço.
— Ainda é muito cedo. E é sábado. – Ela murmurou puxando o edredom e se cobrindo.
— É, mas está nevando! – Declarou, sorrindo, cantarolando baixo. – Você quer brincar na neve? — Bella gargalhou, descobrindo a cabeça e jogando o cobertor para o lado.
Em poucos minutos eles estavam vestidos com casacos, luvas e tocas. Prontos para sair.
— Olha quanta neve! – Tom declarou, tão feliz quanto uma criança na manha de natal. Ele segurou as mãos dela, a mantendo firme sobre seus pés e começou a correr. Eles estavam no meio de uma pequena praça que haviam ali perto, coberta pela neve, quando Bella começou girar e girar, deixando Tom tonto, quando ele soltou sua mão e ambos caíram na neve, ainda rindo alto.
— Isso é divertido. – Bella declarou ainda rindo.
— Você ainda não viu nada. – Respondeu se levantando e pegando uma bola de neve.
— Você não ousaria. – Bella indagou se levantando e começando a correr. Ela corria, com ele atrás dela, ambos rindo e derrapando na neve.
Tom a perseguiu, rindo cada vez mais alto, ofegante. Ele correu o mais rápido que pôde, enlaçando a cintura dela com o braço, pronto para jogar uma bola de neve, mas desistindo no ultimo segundo.
— Não consigo. Você é adorável demais para isso. – Ele declarou e ela abriu um sorriso largo.
— E é por isso que você vai perder. – Respondeu, jogando uma bola de neve, a espalhando sobre seu cabelo.
— Isso foi trapaça. – Disse, voltando a correr atrás dela, fazendo com que os dois caíssem na neve.
— Anjo de neve! – Bella declarou, se espalhando pela neve, quando tom rolou por cima dela. – O que está fazendo?
— Um anjo duplo. – Respondeu a beijando. As bochechas dela estavam quentes e macias, assim como seus lábios. Tom a beijou, pressionando seu corpo contra o dela. Ela era quente e macia, se encaixava perfeitamente com ele. Eles só... faziam sentido juntos.
— Muito engraçado. Vamos voltar para dentro, você está congelando. – Disse, sentindo o corpo de Tom contra o seu, mas as bochechas dele estavam frias e ele tremia levemente. Ela só não sabia que seus tremores não tinham nada a ver com o frio e sim com o toque dela.
— Eu estou ótimo. – Respondeu
— Você me fez vestir três casacos, mas só vestiu um. Você vai se resfriar, Tom.
— Eu não sinto frio. – Declarou se levantando e estendendo sua mão para ela. – Que tal um chocolate quente?
— Perfeito.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Tom abriu os olhos quando ouviu um gemido baixo vindo do seu lado.
— Bella? – A chamou, ainda sonolento, acendendo o abajur.– Tudo bem?
— Hum... – Ela murmurou baixo, chamando sua atenção.
— Você está bem? – Puxou o edredom, olhando para ela. As bochechas estavam coradas, quando ela tossiu. — Bella?
— Quero dorbir. – respondeu gemendo e puxando a coberta. – Apaga isso. – Respondeu cobrindo os olhos.
— Você está quente. – Tom respondeu, tocando sua testa. – Deve estar com febre. O que mais está sentindo? – Perguntou preocupado.
— Sodo. Apaga! – Implorou, enterrando o rosto nos travesseiros. – Tom se levantou, correndo até o banheiro, pegando um anti-térmico e voltando.
— Aqui, toma. – Pediu. – Prometo que apago a luz depois. – Declarou, mas dessa vez ela obedeceu. – Boa garota. Vai se sentir melhor.
— Você dão devia ficar aqui. Vai ficar doente. Logo eu vou be sentir belhor.
Ela resmungou, mas ele a puxou contra o peito, colocando uma toalha fria contra sua testa, torcendo para a febre ceder.
— Vai se sentir melhor, logo. Mas eu não vou sair daqui. – Respondeu, quando ela murmurou.
— Você é bom. Dão é como ele. Ele era bau. – Bella declarou, chamando a atenção de Tom.
— Ele quem?
— James. Ele bandou uma carta, bas eu rasguei.
— O que? Quando foi isso? – Indagou surpreso. – Por que não disse nada?
— Não queria chatear você. Eu só queria que ele fosse embora. – Respondeu se enroscando ainda mais. – Ele tentou me ligar, mas eu dão quero vê-lo. Dunca mais.
— Você não vai. – Declarou, acariciando seus cabelos. – Ele te machucou muito? – Indagou, sem deixar de tocar seus cabelos, quando Bella assentiu, fechando os olhos e dormindo em questão de minutos.
~*~*~*~*
Dois dias haviam se passado e Bella já se sentia melhor, mas não o bastante para voltar a sua rotina. Ela estava deitada no sofá, enrolada no cobertor quando a campainha tocou.
— Eu atendo. – Tom respondeu se levantando e caminhando até a porta. Ao abrir, Tom encontrou um homem parado segurando um buque de flores. – Posso ajudar?
— Desculpe, cara. Acho que errei o apartamento. Eu estava procurando...
— James? – Tom se virou, ao ouvir Bella atrás dele.
— Bella!
— Que diabos você faz aqui? – Questionou, quando Tom arqueou a sobrancelha.
— Esse é o cara? — Tom perguntou, apontando para James.
— Você não atendia minhas ligações, então... – James respondeu dando um passo a frente.
— Você deve ser o amigo nerd dela, né? – James perguntou estendendo as flores para Tom. – Coloca na água, cara. Olha, Bella, eu vim para...
— Para dar a volta e ir embora, espero. – Tom declarou, empurrando as flores de volta.
— Tom...- Ela o chamou, mas ele ignorou, sorrindo e estendendo a mão.
— Sou Thomas Clarke, o namorado dela. – Declarou estendendo a mão.
— Sério, Isabella? Me trocou por isso? – James indagou, indignado.
— James, vai embora! Eu não quero você aqui. Nós...
— Ainda temos que conversar. – Completou dando outro passo.
— Eu estou bem aqui. – Tom ralhou, quando James estendeu a mão.
— Minha conversa não é com você, parceiro.
— Parceiro? Sério? – Questionou irritado, deixando James impaciente.
– Meu assunto é com ela, seu nerd magrelo. — Disse, tentando tocar o braço de Bella, mas Tom foi mais rápido e pegou o braço o girando e lhe dando uma rasteira, o arrastando para dentro, o curvando sobre o braço do sofá.
— Mas que...- Ralhou, quando Tom torceu seu braço nas costas.
— Se tocar nela outra vez, ou mesmo se aproximar dela, o magrelo aqui, vai fazer mais do que dar uma rasteira. – Sussurrou em seu ouvido.
— Tom. – Bella o chamou.
— Isso dói! – James choramingou.
— Tom, solta! – Pediu, quando ele suspirou obedecendo. Ele jogou James de volta ao chão, que se levantou furioso.
— Seu desgraçado! – Ralhou, investindo contra Tom, que desviou do golpe, prendendo o braço outra vez, pronto para quebra-lo.
— James, vai embora! – Bella gritou.
— Eu sou muito paciente, mas isso está me irritando.Eu vou te soltar e contar até três. E quando acabar... – Sussurrou, torcendo o braço, fazendo James urrar de dor. – Se você ainda estiver na minha frente, eu vou quebrar o seu braço em três lugares diferentes.
Tom soltou, arqueando a sobrancelha, esperando para ver se ele tentaria a sorte uma terceira vez, mas James viu que ele não estava brincando e recuou. Aquela garota não valia um braço quebrado. Não para ele ao menos.
— Você está bem? – Tom perguntou, se virando para ela a puxando contra seu peito, sentindo seus tremores. – Não chore. – Pediu, mas quando ela ergueu o rosto, não estava chorando. Estava rindo.
— Não acredito que torceu o braço dele. Aonde aprende aquilo?
— Aposto que ele não esperava uma rasteira de um nerd magrelo. – Respondeu com um sorriso presunçoso.
— Foi uma surpresa para mim também. – Bella declarou sorrindo o puxando para o sofá, quando ele a beijou, a erguendo nos braços, se sentando com ela em seu colo. – Sabe, não devia ficar me beijando.
— E por quê? – Questionou.
— Você vai ficar doente. – Explicou, beijando a ponta do nariz de Tom, se atirando ao seu lado no sofá, voltando a assistir o filme.
~*~*~*~*~*~*
—Uh – Tom gemeu, apertando os olhos.
— Tom? – Bella o chamou, colocando a cabeça para dentro do quarto. – Amor?
— Eu acho que fiquei doente. – Declarou, espirrando.
— Eu disse que ficaria. – Respondeu se aproximando e se sentando na beira da cama, tocando sua testa.
— Valeu totalmente a pena. – Declarou, fechando os olhos ao toque dela.
— Bem, você pode ficar aqui e eu vou trazer um bom café para você e um anti-térmico também. – Disse, brincando com seus cabelos.
Uma semana se passou, mas Tom continuava resfriado. Se sentia melhor, mas os espirros e tosses ainda estavam presentes.
Ele estava na sala, enrolado nos cobertores assistindo um filme, enquanto Bella estava na cozinha, terminando um chocolate quente, quando Tom ouviu o telefone tocar.
— Bella? – A chamou, quando ouviu seu tom de voz subir e um barulho de algo se quebrando. – Bella? – A chamou novamente, mas ela não respondeu, quando Tom se levantou, correndo até a cozinha, onde a encontrou sentada no chão, encolhida em um canto. – Bella! – Gritou, correndo até ela.
Ele se ajoelhou a sua frente, mas seus olhos estavam frios, banhados de lágrimas, enquanto ainda segurava o telefone entre as mãos.
— Amor, olha para mim. – Pediu, quando ela ergueu os olhos.
— Meu pai... – Murmurou, voltando a soluçar, quando Tom pegou o celular.
— Senhora Swan? – Chamou, ouvindo uma voz familiar. Estava apavorado e Bella não parava de chorar.
— Thomas, é você? – Perguntou, também fungando.
— Sim, sou eu. O que aconteceu.
— Foi... Foi um acidente. Meu Charlie... – Soluçou. – Foi um acidente de carro.
— Ele está bem? – Perguntou, tentando acalmar Bella, mas ela se encolheu.
— Ele não... Não sobreviveu. Eu não.... Bella, ela...- Ela murmurava palavras desconexas.
— Eu vou cuidar dela. Eu ligo para saber mais, está bem?
— Certo. – Ela respondeu e Tom podia ouvir o choro em sua voz.
— E senhora Swan? Eu realmente sinto muito. – Se despediu, suspirando. Bella continuava encolhida, fitando o chão, com um vazio nos olhos.
Ele desligou o telefone, voltando seu olhar para a garota a sua frente.
— Bella? – Tom a chamou, sentindo seu coração partir ao ouvir os soluços dela. Ele se aproximou e a puxou para seus braços. – Sinto muito, Bella. Sinto mesmo. – Declarou, seu ousar dizer que tudo ficaria bem. Ele sabia que não importava quanto tempo se passasse, as coisas nunca ficariam bem.
Ela se encolheu contra ele, e Tom envolveu seus braços ao redor dela.
— Você vai sobreviver a isso. – Sussurrou.
— Não... – Ela gemeu, apertando os olhos contra o peito dele.
— Não, me escuta amor. Você vai superar. Vem comigo. – Pediu, a pegando nos braços e caminhando até o quarto.
Tom a deitou na cama, acariciando seus cabelos e a deixou chorar, enquanto acariciava seus cabelos. Bucky entrou no quarto, subindo na cama e se aconchegando entre eles.
No dia seguinte, eles fizeram as malas e foram até Forks para o funeral. Renée parecia desolada, enquanto se despedia do marido. Tom ficou ao lado de Bella o tempo todo, até que a realidade os atingiu e eles tiveram que voltar. Renée decidiu que o melhor seria passar alguns dias com a irmã, Irina. Longe de todas as lembranças.
— Droga, eu me esqueci. – Ralhou olhando para o relógio. – Eu prometi ao Emmett que o encontraria hoje no consultório.
— Tudo bem. – Ela respondeu desfazendo a mala.
— Você vai ficar bem?
— Eu acho... Acho que vou pintar um pouco. Já faz um tempo desde que comecei o quadro. – Declarou se levantando. Ele beijou sua testa e saiu.
Bella entrou no ateliê, pegando os pinceis, olhando para o quadro vazio, quando o computador anunciou uma chamada de vídeo.
— Ei, Dory.
— Oi. – Respondeu, forçando um sorriso.- Como você está?
— Eu ia perguntar o mesmo, garota. Você anda meio fora do ar.
— É, eu sei. As coisas estão... – Respondeu suspirando.
— Bella? – A chamou quando ela fechou os olhos. – O que aconteceu? – Perguntou, quando ela abriu os olhos.
— Meu pai morreu.
— O que... Bella, eu...
— Não. Não diga que sente muito. Eu ouvi isso tantas vezes. Eu só...
— Você está sozinha? – Perguntou, se odiando por não poder estar ao seu lado.
— Não, eu... o Tom precisou resolver um assunto do trabalho. Ele tem ficado ao meu lado, mas... – Respirou fundo. – Eu só preciso ficar sozinha.
— Não acho que ficar sozinha agora seja uma coisa boa. Eu queria estar aí.
— Olha, eu vou ficar bem. Eu só preciso de um tempo. Eu tenho que alimentar o Bucky, posso te ligar depois? – Perguntou, amarrando seus cabelos.
— Claro. Se precisar eu estou a um telefonema de distancia, Dory.
— Obrigada, Martin. – Respondeu desligando.
Ela pegou o pincel novamente, olhando para o quadro a sua frente, mas não conseguia passar nada pela dela. Então em um ataque de fúria, ela jogou os pinceis contra a tela e a tela no chão, enquanto sentia as lágrimas escorrendo por seu rosto.
Sua respiração estava alterado, enquanto Bucky latia descontroladamente. Bella encostou contra a parede, deixando seu corpo escorregar até o chão. E ela se permitia respirar pela primeira vez em dias.
~*~*~*~*~*~*~*
Tom estava sentado na cadeira do consultório, mas dessa vez, do outro lado da mesa. Ali ele não era o médico, e sim o paciente.
— Eu avaliei seus exames centenas de vezes, Tom. Mas eu sabia que havia algo a mais. Então pedi a ajuda de um amigo especialista.
— Especialista em que? – Questionou, avaliando seus próprios exames.
— Eu preciso que você se acalme, está bem. Talvez devêssemos ligar para a Bella. Você vai precisar dela aqui.
— Ela está passando por uma fase complicada. Então, seja lá o que você descobriu ou acha que descobriu.....
— Você tem câncer no pulmão, Tom. – Respondeu sem rodeios. – Eu não tenho palavras, para dizer o quanto eu sinto, Tom. Porque eu sinto. Mesmo. Mas existem tratamentos e a quimio..
— Não. – Respondeu, ainda olhando para os papeis, sentindo o mundo ruir a sua volta.
— O que? –Emmett perguntou, pensando não ter ouvido bem.
— Nada de quimioterapia. Eu sou médico, Emmett. Sei o que isso vai fazer comigo.
— Isso é... É ridículo. Ela tem seus efeitos colaterais, mas e daí? O que isso importa, se te manter vivo? Acha que as pessoas que te amam ligariam? Acha que Bella ligaria? – Questionou, tirando Tom de sua bolha.
— Não vai dizer nada a ela. – Ordenou, olhando para o amigo, que ficou ainda mais confuso.
— Não pode estar falando sério. Você está com câncer e acha que vai tentar esconder isso dela? – Questionou, começando a ficar irritado.
— Não vou tentar. Ela não precisa saber. Não vai saber. Você é médico e não pode dizer nada sem minha autorização.
— Eu sou seu amigo, porra! Amigo de vocês dois. – Exclamou, sem acreditar no que Tom estava dizendo.
— Aqui não é. Aqui você é meu médico e não vai dizer nada. Ela acabou de perder o pai. Isso vai acabar com ela. Eu... Eu ouvi falar de tratamentos experimentais. Eles existem? – Perguntou, mantendo a calma, quando claramente, Emmett não conseguia. Tom entendia isso. Ele havia acabado de descobrir que o melhor amigo estava com câncer e não faria o tratamento e não havia nada que pudesse fazer.
— Sim, existem, mas não há nada concreto. Nada que possa realmente funcionar.
— Não importa. Eu ainda preciso tentar. – Respondeu, pegando seus exames e saindo.
E enquanto Tom olhava para os papéis em suas mãos, só conseguia pensar em uma única coisa. O amor de Bella o fez querer viver outra vez, e agora ele estava morrendo.

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