O sinal do fim da aula bateu as 13h, fui ao meu armário guardar os livros, como ele fica perto da saída, não demorei muito para avistar jack. Tinha parado de chover, ainda havia algumas possas de água pelo caminho, mas mesmo assim fomos a pé para casa.

—Sofia, eu soube que o Gabriel sofreu um acidente, sei que ele é seu melhor amigo e que significa muito pra você, eu sinto muito, se você precisar de qualquer coisa, até de um ombro pra chorar, estou aqui, sempre que precisar de mim, só me chamar ok?

Fiquei surpresa com as falas de Jack, pensei que ele me perguntaria sobre o ocorrido lá na sala com Math, mas não, ele fou gentil, solidário e amoroso comigo, mais um motivo para eu gostar dele.

—Ah Jack, muito obrigada, eu sou muito apegada ao Panda e à família dele desde pequena, ele é muito importante pra mim e está sendo muito diícil pra mim e pra família dele em todo esse processo, muito obrigada pela sua solidariedade, sério mesmo.

Naquele instante ele pegou a minha mão, fez carinho nela e disse:

— Sofia, espero que você entenda que eu quero te ajudar, quero estar do seu lado nos momentos bons e ruins e sempre que possível, eu quero amenizar o seu sofrimento ou pelos o menos partilha-lo comigo, eu não gosto de te ver assim.

—Alguns sentimentos na vida Jack, são inevitáveis, sejam eles dor, sofrimento ou amor e reciprocidade...

Depois disso ele deu um sorrisinho e continuamos a andar em direção a minha casa, no caminho eu fui prestando atenção na paisagem e tudo parecia mais triste, o céu estava nublado, as árvores estavam marrons, suas folhas estavam ressecadas, não havia vento, o trânsito estava um caos, a grama não estava verde, não havia sol, estava frio, não havia crianças brincando no parque, nem passarinhos cantando, parecia que sem o Panda ao meu lado, tudo ficava mais cinza.

Minutos depois nós chegamos na minha casa, meus pais estavam lá, junto com os pais do Panda, a tia Helena e o tio Chris, eu me despedi do Jack e entrei, eles estavam me esperando para irmos ao hospital. Assim que cheguei eu corri para o meu quarto para me trocar e ir ver o meu melhor amigo, de repente olhei para a janela no meu quarto, que fica do lado direito da minha cama, me lembrei de todas as vezes que eu e o Gabriel brincamos ali quando éramos crianças, a minha janela é em frente a janela do quarto dele, por isso, sempre nos víamos, mesmo não querendo, naquela hora eu torci e pedi muito para que ele ficasse bem, para que tudo voltasse ao normal, para que eu pudesse ter o meu melhor amigo de volta.

Quando eu desci as escadas, estavam todos me esperando, minha mãe me chamou e disse que quando o carteiro passou hoje de manhã ele deixou uma carta pra mim, eu corri para abrir, nela dizia:

"Ah, minha pequena flor, como eu queria poder dizer como você está linda, como o meu coração acelera ao te ver passar, como você alegra o meu dia, não importa onde você esteja, não importa o que acontecer, uma parte de mim, sempre será sua, você tem o meu coração em tuas mãos, eu sempre estarei contigo, onde você estiver.

— O Menino Apaixonado"