Cartas de um amor desconhecido
19 Capítulo 19
Enquanto eu lia a carta, o telefone do tio Chris tocou, era do hospital, eles disseram que o Gabriel tinha acabado de acordar e estava se preparando para a nossa visita, naquele momento eu fiquei mais tranquila, queria muito ver ele, abraçá-lo e perdir perdão.
Dentro do carro, no caminho para o hospital, eu comecei a refletir sobre a carta, porque dizia "não importa o que aconteça" ou "onde você estiver"? o que será que aquelas palavras significavam? Isso é um mistério que ainda seria desvendado, mais cedo ou mais tarde..
Quando chegamos ao hospital, eu fiquei muito animada, por uma questão de respeito, eu e meus pais deixamos os pais de Panda entrarem primeiro e falarem com o filho, nós ficamos esperando do lado de fora do quarto, cerca de dez minutos depois, os pais dele abriram a porta e nos deixaram entrar, meus pais foram na frente e eu fiquei meio escondida, queria falar com ele urgentemente, porém a sós, por isso deixei os adultos saudarem ele logo, para depois pedir para conversar com ele.
—Filha, fique com o Gabriel enquanto eu, sua mãe e os pais dele vamos até a lanchonete para conversar ok?
—Sem problemas pai, pode deixar- Era a chance, o momento que eu precisava para falar com ele.
—Panda? Precisava falar com você..
—Estou aqui te ouvindo, pode falar
—Panda, eu te devo mais do que um pedido de perdão, eu não tenho sido a melhor amiga que você merece, eu tenho estado distante de ti e não tenho te contado tudo como fazia antes, quando soube do seu acidente, o meu coração quase parou, só de pensar em perder você... Comecei a lembrar de você em cada coisa que fazia ou em cada lugar que eu passava, os dias sem você são cinzas e sem graça, eu fiquei olhando pela janela do meu quarto e lembrando de nós dois crianças brincando como se não houvesse amanhã, Panda, você é uma das pessoas mais importantes pra mim, me perdoe,por favor...
Assim que eu terminei de falar eu desatei em lágrimas e o Panda começou a enxugá-las com os dedos, ele sempre se preocupava comigo, nunca gostava de me ver triste...
—Sofia, é claro que eu te perdoo, você, assim como eu, é humana e também erra, o importante é que você reconheceu o seu erro e que agora podemos voltar a ser como antes, eu te amo, eu só estava chateado por você estar escondendo coisas de mim, por estar distante e estar falando com pessoas novas também, na realidade, eu me senti trocado, é isso..
—Essa não foi a minha intenção, sério, é que ultimamente, as coisas têm tomado um rumo muito diferente do que eu imaginava, o Jack e eu estamos meio que saindo, o Math e eu temos muito em comum e eu estou ajudando a Ana e o Dani nesse "relacionamento" deles, basicamente é isso que tem acontecido.
—Ah! Entendi...- Ele falou com uma entonação um tanto quanto decepcionada, só não sei em relação a que-
Uns trinta minutos tinham se passado e os pais dele voltaram para o quarto, meus pais me chamaram para ir embora, quando fui me despedir do Panda ele me abraçou, um abraço forte, passou a mão no meu cabelo e o acariciou, o Panda sempre fazia cafuné em mim, o que eu adorava e naquele instante, percebi que estava com saudades daquilo. Antes de sairmos o médico entrou no quarto e disse que em três dias ele voltaria para casa, era apenas o tempo das lesões sararem e a saúde dele ficar estável, ou seja, em uma semana ele estaria de volta à escola.
Fui para casa sorridente, no caminho, lembrei que precisava estudar para a prova de física de amanhã e que precisava tomar mais alguma ideia para encontrar O Menino Apaixonado, tudo o que eu mais queria naquele momento era abraçar ele, independente de quem ele fosse.
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