Cheguei em casa devastada, não tirava da cabeça a possibilidade de perder o meu melhor amigo. Subi as escadas, entrei no meu quarto, tinha passado o dia inteiro sem comer, mas não estava com fome, por isso, decidi ir dormir, apaguei as luzes e tentei ir dormir, mas não consegui, minha mente não desligava, esteva tensa, estressada, com medo, aflita.

Amanhece o dia, o despertador toca e eu ainda não tinha dormido, nem cochilado, não senti nem sono. Tive que levantar da cama e me arrumar pra ir pra escola, não estava com a menor cabeça pra isso, mas precisava ir.

Para combinar com o meu humor, neste dia, estava caindo um temporal, por isso, meu pai decidiu me levar de carro pra escola, como não acordei atrasada, pude tomarmos café da manhã tranquilamente, um copo de leite e pão integral com queijo branco, arrumei minha mochila, coloquei um casaco e fui em direção ao carro que estava estacionado na parte coberta da garagem.

Ao chegar na escola, o pessoal veio me perguntar sobre ele, nem sabia o que dizer, apenas que estava estável. Na aula de sociologia o professor Marcos começou a falar de amizade e o quanto é importante viver cercado de pessoas ao nosso redor, principalmente, de amigos, estava me segurando, mas teve uma hora que eu não aguentei e comecei a chorar, lágrimas discretas e silenciosas, mas com um peso enorme, lembrei da mensagem que ele tinha me mandado dizendo que eu estava distante e meio ausente, perguntando se tinha acontecido alguma coisa e pedindo para ficarmos próximos novamente, tentei não fazer barulho nenhum para que ninguém percebesse, o prof tinha acabado de passar uma lição na apostila é tão estavam todos conversando, assim não ouviriam o meu singelo choro de culpa é remorso, mas, de repente, uma mão toca as minhas costas com um toque suave, passo os dedos sobre os olhos e olho para ver quem é e lá está o Math, ele diz que o professor o autorizou a me levar para fora da sala e me acalmar, ele me pegou pela mão e me conduziu até a porta, por onde saímos juntos.

—Sofia, eu soube o que aconteceu com o Gabriel, acho que é por isso que você está assim não é?

—É sim Math, estou morrendo de preocupação, culpa e medo...

—Por que culpa?

—Porque ultimamente não tenho sido a melhor amiga de todas entende?

—Ah, compreendo.

—Não preguei o olho esta noite, morrendo de medo de perdê-lo, de não ter a chance de me perdoar e consertar o que eu fiz de errado..

Nesse momento ele me abraçou e colocou a mão direita na minha cabeça e trouxe-a para perto de si e com a mão esquerda me abraçou, nesse mesmo instante eu desatei em lágrimas, expeli todo aquele sentimento que estava dentro de mim e cerca de vinte minutos depois nós voltamos para a sala de aula.

Quando entramos todos pararam o que estavam fazendo e se viraram para nos ver passar pela porta juntos, nesse momento meus olhos encontraram os de Jack, ele me olhava com um olhar confuso como de quem não sabe o que pensar sobre aquela situação toda. Nem tinha me tocado que aquilo podia parecer que havia algo a mais entre mim e Math, minha cabeça estava com muita coisa pra pensar nesse tipo de detalhe.

Duas aulas depois o sinal do intervalo toca, saio com a Ana para a cantina, precisamos correr para pegar os melhores salgados, ao terminarmos de descer as escadas eu me lembro que esqueci meu dinheiro na mochila e volto para pegar, assim que entro na sala avisto o Dani, ele estava na minha carteira, segurando o meu estojo, naquela hora me lembrei do que o Math tinha me falado sobre o Dani lá na sorveteria, com todos esses acontecimentos tinha colocado a missão de achar O Menino Apaixonado em segundo plano. Assim que abri a porta, ele tomou um susto e deixou o estojo cair, enquanto eu me aproximava ele foi juntando as coisas de uma forma rápida e desajeitado como quem tivesse sido pego no flagra, achei aquilo tudo muito estranho.

—O que você estava fazendo sentado no meu lugar é com o meu estojo na mão Dani?

—Ah..- Ele demora um pouco pra responder como se estivesse pensando na resposta- Eu estava arrumando o meu material e me sentei na sua mesa, aí esbarrei no seu estojo e, para que ele não caísse, o segurei.

—Ah, entendi... Ok então.. -Achei aquela história e o tom de voz que ele usou, nada convincentes, mas estava atrasada e precisava ir

—Vamos para o intervalo então?

—Vamos

Quando eu e a Ana achamos uma mesa para nos sentar, começamos a conversar sobre o estado do Panda, de repente, o Jack sai do grupinho dele e começa a vir em direção à nossa mesa.

—Bom dia Sofia

—Oi Jack, bom dia

—Ah, eu queria saber se posso te acompanhar até em casa hoje

Por essa eu não esperava, pensei que ele faria uma série de perguntas sobre o que ele achava que poderia ter entre eu e o Math, mas não.

—Ah, claro! Pode sim

—Ok então, te vejo na saída?

—Vê sim

Por que será que ele queria me acompanhar até em casa? Será que hoje conseguiria ir ver o Panda?