Cartas de um amor desconhecido

16 Capítulo 16 - A visita ao hospital


Cheguei em casa e, pelo jeito, meus país já estavam sabendo do ocorrido, notaram minha cara e perguntaram se era por causa dele e se eu queria ir vê-lo, rapidamente respondi que sim com a cabeça, nem almocei, apenas larguei minha mochila no chão da sala de corri para o carro, precisava ver o Panda, me certificar de como ele estava.

Chegando no hospital a enfermeira nos direcionou direto para o quarto 301, estive poucas vezes em um hospital, as paredes eram todas brancas e as únicas cores existentes ali eram em tons pastéis, chegava até a dar uma certa tontura.

Assim que eu abri a maçaneta eu o vi. Ele estava com uma enorme faixa branca na cabeça, ela estava ensanguentada, estava com alguns tubos espalhados pelo corpo, o médico o havia deixado em coma induzido por ele ter batido a cabeça, os médicos disseram que em alguns dias ele acordaria, meus país e os pais dele saíram para conversar e me deixaram sozinha com ele por um momento, peguei nas mãos dele, estavam geladas, cheias de agulhas pelas quais passavam inúmeros remédios de hora em hora, ele estava com vários arranhões e machucados, estava muito roxo no lado direito do corpo e com uma enorme faixa na cabeça e na perna, como ele ficou preso por causa do cinto a perna dele sofreu muitos arranhões na hora de desprende-lo é uma parte da porta tinha entrado na perna dele, o que só o feriu ainda mais.

Aproveitei que estávamos a sós para falar com ele, sempre ouvi que quando as pessoas estão inconscientes elas conseguem escutar o que estão falando pra elas.

—Ah! Panda.... Me desculpe.. Me desculpe por não estar sendo a melhor amiga que você merece nos últimos dias,por ter me afastado, por não ter te contado... É que eu não sei o que está acontecendo comigo mesma, não sei porque estou tão insegura, talvez porque eu esteja realmente me apaixonando, pela primeira vez.. Aí acabei confundindo tudo, acabei vacilando com você e agora cá estamos, você quase me matou do coração, quando soube hoje pelo Dani o que tinha acontecido eu gelei, na mesma hora me lembrei de todos os nossos momentos, desde a infância quando você e eu íamos juntos para a sorveteria e pedíamos sempre o mesmo sabor creme com chocolate e calda de caramelo, daquela vez quando tínhamos nove anos em que você me deu um ursinho de pelúcia no dia dos namorados e falou que não importava se éramos só amigos, mas que era pra que eu soubesse que eu era importante é que você sempre estaria lá quando eu precisasse, de quando tínhamos doze anos e você gostou de uma menina pela primeira vez, a Fernanda, ela era dois anos mais velha que você e nunca tinha te dado atenção, lembro que quando ela partiu o seu coração nós fomos para um parquinho e ficamos ali no balanço sentados, conversando e você falando pra mim o quanto gostava dela, lembrei de tantos momentos em tão pouco tempo, percebi que precisava te ver, que todo esse caos dentro de mim tinha inibido um sentimento chamado saudades e que eu estava morrendo de saudades de conversar com você até de madrugada, de quando combinávamos de apagar as luzes juntos para irmos dormir, enfim, saudades de você, o meu melhor amigo.

Naquele exato momento a mão dele mexeu um pouco, com muita suavidade, mas mexeu, eu senti, afinal estava segurando as mãos dele, senti como se ele tivesse entendido o recado e me pedisse para ficar calma, porque ele, mesmo não estando por completo, ainda estava ali.

Por mais que ele não estivesse consciente, pude sentir a presença dele ali, como se ele quisesse que eu soubesse que aquela promessa que ele me fez quando tínhamos cinco anos, de que nunca ele iria me deixar só, estivesse sendo cumprida naquele instante, esse era o meu Panda, o meu melhor amigo.Ao chegar em casa, ainda eatava de uniforme e acho uma outra carta dentro do bolso que diz:"Calma, minha pequena flor, estou aqui com você sempre, para o que precisar. -O Menino Apaixonado"