Cartas de um Carteiro
3 CAPÍTULO 2 - Sentimento Revelado
Notas iniciais
Quinta-Feira, 7:45 AM
Na manhã do outro dia, John foi o primeiro a se levantar. Foi até a cozinha e viu os pais de Alex terminando de toma o café da manhã para saírem pro trabalho.
— Bom dia John. — Cumprimenta a mulher, de cerca de 1,67 de altura e 54 quilos, longos cabelos negros muito bem cuidados, pele clara e olhos verde escuro, corpo sem muitas curvas, porém muito belo. — Alex ainda não acordou?
— Bom dia. — Ele cumprimenta Samanta, e logo em seguida Eduardo. —Ele ainda está dormindo, ficamos até tarde ontem conversando. — Explica, indo em direção a geladeira, onde pega a garrafa de leite, despejando um pouco em um copo.
— Quando ele acordar, peça que vá até o mercado comprar as coisas da lista em cima do balcão por favor. — O pai de Alex, um homem com cerca de 1,75 de altura e 77 quilos bem distribuídos pelo seu corpo, pele branca e olhos preto acinzentados, cabelos negros e um barba bem rala, diz depois de terminar suas panquecas.
— Falo sim, pode deixar. — Diz, já tomando seu copo de leite.
º º º
Mesmo dia, 9:20 AM
— Ei, acorda dorminhoco! — John havia esperado os pais do amigo saírem para o trabalho e fora até o mercado, comprar os itens da lista deixada por Eduardo. Ao chegar decidiu preparar algo para que Lexy pudesse comer assim que acordasse e foi chama-lo. — Lexy, levanta logo! — Algumas cutucadas no moreno e ele logo resmunga.
— Me deixa, estou cansado! — Reclama puxando o cobertor pra cima de sua cabeça.
— Vai logo, fiz até um café pra gente comer. — Diz, retirando a coberta do outro. — Se não descer em dois minutos eu volto com um balde d’água gelada. — Ameaça e se dirige à cozinha.
Não demora muito pra que Alex dessa e encontre John terminando de colocar o jarro com suco de maracujá sob a mesa.
— Você fez tudo isso? — Indaga espantado. Ele não sabia que o amigo sabia cozinhar.
— Não, encomendei. — Diz sarcástico. — Claro que foi eu, quem mais poderia? — Completa ao perceber uma certa desconfiança vinda do amigo. — Agora senta e come!
— Espero que esteja bom. — Comenta Alex, já sentado de frente para John, que se servia sem pressa alguma.
º º º
Não se passou nem meia hora e os dois jovens já haviam terminado o café. Alex estava espantado com os dotes culinários de John e queria porque queria, saber quando o amigo aprendeu tanto sobre culinária, questionando-o enquanto lavam a louça suja.
— Diz logo... Quando aprendeu a cozinhar? — Já era a terceira vez que o moreno fazia a mesma pergunta.
— Já disse... É segredo! — A mesma resposta mais um vez. — E chega de insistir.
— Se me disser, talvez te ajude a tirar suas dúvidas sobre... — Antes mesmo que pudesse terminar de falar, John o interrompe.
— Para... Não quero forçar você a fazer nada. — Diz desviando o olhar para os pratos sujos.
— Não está... Eu é quem estou me oferecendo pra isso. — Nenhum dos dois se olhavam mais, apenas fitavam a louça suja enquanto lavavam e secavam tudo. — Então?
— Eu costumo assistir o programa de culinária quando estou sozinho em casa. — Finalmente responde a pergunta.
— Programas culinários? — A resposta de John faz com que o moreno comece a rir, mas não por muito tempo, já que o mesmo lhe joga um pouco de água no rosto.
— Não é pra rir! — Adverte bravo e joga mais uma pouco de água no rosto do outro.
— Ei... Pare com isso! — Entrando na brincadeira, Alex pega um copo ensaboado e joga a água com sabão que estava nele em John.
— Foi você quem pediu. — Com a esponja encharcada, o ruivo vai pra cima de Lexy, tentando esfregar a mesma no rosto do amigo.
— Não faça isso! — Soltando rapidamente o pano de prato, o moreno usa as mãos para tentar impedir que John o molhe ainda mais, porém como suas mãos estão ensaboadas, elas escorregam, fazendo com que o ruivo vá com tudo pra cima dele, caindo os dois no chão, um por cima do outro.
O clima fica um pouco tenso, isso jamais havia acontecido entre eles e agora, os dois estavam se encarando sem dizer nada. Pelo menos até John quebrar o silêncio.
— Posso cobrar o que prometeu? — A pergunta vem rápida e a resposta também, com um leve aceno de cabeça por parte de Alex.
A respiração dos dois jovens acelera a cada centímetro em que seus rostos vão se aproximando. Alex não sabia exatamente como agira, então deixou tudo nas mãos de John, que por mais nervoso que estava, tentaria tornar aquele beijo perfeito.
Pouco a pouco, cada vez mais seus lábios se aproximavam, o beijo seria o melhor, se...
— Carteiro! — Um rápido arrepio percorre o corpo dos dois, que rapidamente se levantam, acreditando que alguém os vira em meio ao quase beijo. — Carteiro! — Insiste o homem do lado de fora da casa.
— Você recebe cartar todos os dias? — Indaga John emburrado, tanto por ter sido atrapalhado, quando por saber quem é o carteiro que traz as correspondências de Alex.
— São para os meus pais, eles recebem amostra de produtos todos os dias em casa. — Explica, ajeitando a roupa no corpo e indo em direção a porta. — Já volto, pra te ajudar a guardar a louça.
— Ok...— O ruivo responde enquanto continua a limpeza.
— Lexy! — O loiro, fardado com sua roupa de serviço acenava para o jovem assim que ele atravessa a porta.
— Porque está me chamando assim? — O moreno caminha a passos lentos até o carteiro.
— Já te encontrei tantas vezes, que me permiti te chamar assim também. — Diz, sorrindo para o mais novo.
— Mas eu não permiti. — Exclama, encarando os olhos verde acinzentados do homem.
— Ah, me desculpe então. — Antes de pegar a encomenda em sua bolsa, o homem faz posição de sentido. — Permissão para te chamar de Lexy senhor! — Exclama, continuando em posição de sentido, esperando que Alex o responda.
— Permissão negada! — Entre uma gargalhada e outra o moreno responde.
— Uma pena, pois irei desobedecer suas ordens senhor! — O mais velho diz, dando uma piscadela para Lexy. — Bem. — Ele dá uma revirada na bolsa, retirando a caixa embrulhada. — Aqui está a encomenda de seus pais. — Como no dia anterior, o homem dá alguns papéis para que o garoto assine, comprovando a entrega.
— Um cadete muito desobediente você. — Um rápido comentário sai da boca de Alex, que nem percebe. — Aqui está! — Ele devolve a prancheta para o carteiro. — Muito obrigado. — Já com o pacote em mãos, o jovem se despede, indo em direção a casa.
— Então está marcado, amanhã nesse mesmo horário eu passo aqui Lexy. — O loiro guarda sua prancheta na bolsa, e faz uma gracinha para Alex, que apenas sorri.
— Pronto, mais uma caixa com produtos em testes para meus pais checarem. — O moreno mostra a caixa em suas mãos para John, que já havia terminado de lavar a louça e agora estava no sofá, assistindo um desenho qualquer.
— Era o cara do guarda-chuva de novo? — O ruivo indaga curioso, sem nem mesmo olhar para o amigo.
— Droga, esqueci de devolver o guarda-chuva. — Alex exclama, dando um tapa em sua própria testa.
— Pois é. — Com um rápido movimento John se levanta, deligando a TV pelo controle remoto e caminhando até parar frente a frente com Alex. O jovem pega o pacote das mãos do amigo e o coloca sobre o balcão da cozinho, dizendo. — Ainda posso cobrar o que prometeu? — Seu rosto se aproximava vagarosamente do rosto do outro.
— Acho melhor não, John. — Desviando o rosto pro lado, Alex recua alguns passos.
— Ah, claro! — O ruivo sai bufando. — Talvez queira fazer isso com seu cadete não é mesmo, Lexy? — Diz, imitando os mesmo gestos que Anderson fizera minutos antes.
— Você está com ciúmes do carteiro? — Finalmente Alex percebe, começando a gargalhar. — Espera. — Uma rápida pausa, permitindo que a mente do moreno ligue todos os fatos ocorridos até agora. — Você... Você gosta de mim? — Afirma, logo prosseguindo. — Você é....
— Qual o problema? — Jonathan abre a porta de entrada da casa, se preparando pra ir embora.
— Espera, onde você vai? —
— Nos falamos na escola... Eu acho. — Diz, fechando a porta depois de sair, deixando um Alex solitário e pensativo.
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