Cartas de um Carteiro

4 CAPÍTULO 3 - Cartas de um Desconhecido


Notas iniciais
Aproveitando que estou sem sono... Mais um capítulo pra vocês nessa madrugada!! Tenham uma ótima leitura!

Quinta-Feira, 02:55 PM

O som do intervalo havia acabado de soar e todos os alunos já estavam se dirigindo para suas salas.

John não puxara conversa com Alex desde o início das aulas, talvez devido à conversa de mais cedo, e isso estava deixando Alex um pouco desconfortado, já que não conversava com mais ninguém na sala a não ser o ruivo.

Isso já está ficando chato.” Pensou consigo mesmo o moreno, que acabara de chegar na sala e avistara John, que estava sentado na carteira atrás da sua.

— Tá olhando o que? — Pra surpresa do moreno, seu, antes, amigo pergunta em um tom seco.

— Preciso de permissão? — Ele responde sem muito esperar, deixando os outros alunos bastante curiosos sobre o desfecho da conversa.

— Não sei... Mas talvez seu cadete saiba. — Intimidou se levantando, olhando diretamente nos olhos de Alex.

Tais palavras foram o suficiente para que todos os outros jovens na sala começassem a cochichar sobre o tal “cadete” que Jonathan havia dito.

— Do que você está falando? — Indagou o moreno que já começava a se irritar.

— Você sabe muito bem do que estou falando, senhor. — Mais uma vez o ruivo dá ênfase nas últimas palavras. — E se não souber, tenho certeza que amanhã bem cedo seu cadete vai estar na porta de sua casa. — Exclamou bem no momento em que o professor de História entrou na sala.

— O que está havendo aí? — Questiona o homem, de pele morena e cabelos castanhos escuros, olhos negros, escondidos atrás da lente dos óculos de grau, deixando seu material sobre a mesa, já prosseguindo. — Não importa, Sentem-se e peguem seus trabalhos. Irei recolher todos hoje.

— Uma pergunta professor. — John levanta a mão direita, pedindo permissão pra falar e ela é concebida com um aceno rápido. — Aceitará os trabalhos que não foram feitos individualmente também? — Questiona.

— Já disse que não aceitarei trabalhos em dupla. — Repete pela décima vez em três dias. — O senhor fez o trabalho em dupla Jonathan?

— Claro que não professor, mas alguém recebeu ajuda pra terminar o trabalho. — Revela, tentando fazer com que Alex perca alguma nota por não ter feito todo o trabalho sozinho. Mas parece que não funcionou muito, já que o professor já estava caminhando entre as carteiras e recolhendo os trabalhos sem pressa.

— Se foi só uma ajuda não tem problema Jonathan. — Diz, pegando o trabalho das mãos do jovem. — Agora deixe de causar confusão e abra o livro na página cinquenta.

Ouvindo isso, John ficou um tanto sem graça diante dos amigos, e muito irritada por não conseguir fazer Alex perder pontos na matéria.

º º º

Mesmo Dia, 05:35 PM

Todas as turmas do colégio já haviam ido embora, os professores terminavam de corrigir trabalhos, passar a lista de chamada para o sistema da escola e, também, faziam as provas de final de bimestre.

Alex, como de costume estava na biblioteca, se preparando para ir embora. Ele não estava estudando, e muito menos fazendo o trabalho de alguma matéria, não hoje. Hoje o jovem estava apenas pensando, em tudo aquilo que havia acontecido nos últimos dias.

Na folha de caderno sob a mesa, alguns rabiscos podiam ser vistos, e entre eles haviam.

“Jonathan é gay e gosta de mim.”

“Anderson, o carteiro, é um cara legal.”

“O que eu sou?”

“Brigar com o melhor amigo não faz nada bem para a saúde de uma pessoa.”

Essas e outras frases, e também desenhos, tais como nuvens, caixas, exatamente iguais às que o carteiro Anderson entrega todos os dias para o moreno, entre outros objetos, que Alex vê no seu dia-a-dia. Ele rasga o papel em pequenos pedaços e os joga no lixo antes de sair.

— Até amanhã senhora Lil. — Se despede da senhora que cuida do lugar, uma mulher de setenta anos, pele branca com algumas manchas marrons, rugas, cabelos brancos cobertos por um lenço amarelo florido e trajando um longo vestido acinzentado com detalhes em amarelo.

— Até amanhã meu jovem. Tenha um bom fim de dia. — Deseja ao garoto, que esperava pacientemente por cada lenta palavra que saia da boca do idosa. E depois de um longo sorriso ele finalmente vai embora.

Já do lado de fora, Alex terminava de se despedir do diretor quando Anderson o chama, ele usa uma camisa branca, de gola V, e short bege com tênis nos pés, carregava sua mochila nas costas.

— Mais uma vez estudando Lexy? — Questiona se aproximando do garoto.

— Dessa vez não. — Ele lutava para seu rosto não corar. Algo em seu corpo não estava nada bem. — Apenas pensando sobre a vida.

— Um pensador então. — Brincou, remexendo o cabelo do moreno. — Você está quente. Está doente? — Ao tocar no menor, Anderson pode notar o calor sair de seu corpo. Então o mais velho leva sua mão direita sobre a testa de Alex. — Pode ser febre.

— Não é nada! — Tenta se afastar, mas o homem insiste, indo pra cima do outro, repousando mais uma vez sua mãe na testa dele.

— Se for febre, você precisa ir até um hospital. — Diz, prosseguindo. — Quer que eu te acompanhe?

— Não precisa. — Agora era impossível não ficar vermelho, e o moreno sabia disso então, sua última saída era. — Eu tenho que ir embora, meus pais devem estar me esperando. — Exclamou e correu, na direção em que ficava sua casa.

— Porque tão apressado? — Murmurou a si mesmo, sem entender o porquê da pressa do garoto.

º º º

Mesmo Dia, 10:45 PM

Alex havia passado o resto do dia ajudando os pais a separar os produtos bons dos ruins, entre aqueles que receberam mais cedo. Os mais velhos haviam tirado o dia de folga na empresa para poderem adiantar ainda mais o trabalho e o filho decidiu ajudá-los, já que ele decidira seguir a mesma carreira eu os pais à muito tempo, e agora, estava indo procurando em seu guarda roupas vinho uma roupa para vestir, depois do banho.

Ele já ligara o chuveiro, que soltava um ducha quente, que era exatamente o que ele precisava, sua mente pensava em vários assuntos, antes de entrar debaixo da água.

— Alex, poderia não demorar muito? Acabei de receber uma ligação do trabalho e preciso ir pra lá o mais rápido possível. — A mãe do garoto diz, depois de duas batucadas na porta, o que desperta o garoto de seus devaneios.

— Já vou sair mãe! — Respondeu, saltando pra debaixo da água corrente. Sua mão percorria por seu corpo, ensaboando-se e, depois de enxaguar-se, passou um pouco de shampoo nos cabelos, seguindo para o condicionador logo em seguida. “Porque não paro de pensar nele?” Indaga mentalmente, depois de desligar o chuveiro e começar a se enxugar. “Isso tá começando a me encher.

Depois de, totalmente, seco, o pensativo garoto se veste e sai do cômodo que a mãe usaria logo em seguida, vai até seu quarto e se deita. Seus olhos estavam fixos no teto branco. Sua mente viajava por vários lugares e, inconscientemente, em todos esses lugares estavam Jonathan e, também, Anderson. Pouco tempo depois, ainda imergido em pensamentos, ele dormiu.

º º º

Sexta-Feira, 09:58 AM

— Droga, acordei tarde demais! — O sono da noite passada fora tão profundo, que Alex acordou alguns minutos mais tardes do que é acostumado. Ele estava apressado, tinha que lavar o rosto e se trocar o mais rápido que podia, mas pra que?

— Carteiro! — A voz do lado de fora da casa chama, O garoto não estava arrumado, ficara pensando em planos de como faria sua rotina matinal mais rápido e acabou se esquecendo de se levantar da cama.

— E agora? — Porque ele estava tão preocupado? Nem mesmo Alex tinha essa resposta.

— Carteiro! — Insiste o do lado de fora.

— Tô indo! — Respondeu num grito. Ele teria de sair do jeito que estava. “Pelo menos estou vestido.” Pensou olhando para seu pijama, um short pra cima do joelho e branco, quase transparente, camiseta cavada também de mesma cor e meias nos pés, essas ele retirou, não iria sujá-las. — Vamos lá. — Passou as mãos no cabelo bagunçado tentando, de alguma maneira, deixá-los menos espetados.

Saindo de seu quarto, o garoto se dirigiu para a sala e, com rápidas olhadas, iria observando o homem do lado de fora através das janelas, que não são muitas. Logo já estava na em frente à porta de madeira, sem muitas frescuras, e a abriu.

A primeira coisa que fez foi observar a reação do loiro em sua frente quando o viu. Os olhos verde acinzentado dele percorreram todo o corpo do menor, sem se importar em mostrar sua surpresa.

— Uau. — Murmurou pra si mesmo, mas mesmo assim Alex ouvira. — Eh. Bom dia Lexy! Acordou agora? — Tentou mudar sua atenção para as cartas.

— Pois é. — Sorriu, um pouco sem graça. — Não escutei o despertador. — Mentira, o moreno nunca precisara de despertador para acordar.

— Porque acorda tão cedo? — Perguntou enquanto remexia na sua bolsa. — Pelo que sei, você estuda a tarde.

— Sim, mas. — Pensou em algo pra responder. — Preciso receber as correspondências de meus pais. — Não conseguiu inventar desculpa melhor.

— Acorda cedo só pra me ver. Que gracinha! — Brincou, ou não, já que, enquanto dizia, seus olhos percorriam mais uma vez o corpo de Alex, que não percebera desta vez.

— Mais ou menos isso. — Respondeu, e mais uma vez mostrava seu sorriso tímido.

— Aqui está. — Finalmente encontra a encomenda dos pais do jovem. — Parece que desta vez até você recebeu carta hoje. — Mencionou, depositando sob a caixa de papelão um envelope branco. — Assine aqui, por favor. — Sempre mantinha sua pose de entregador, mesmo enquanto fazia suas brincadeiras.

— Que será o desocupado que mandou esta carta? — Falou, recebendo um sorriso confuso de se entender como respostas. — Pronto, já tem meu autógrafo. — Brincou. — Com todos os outros que já te dei você pode ganhar uma fortuna.

— Prefiro guardar todos. — Afirma, mas ao receber um olhar confuso logo completa. — Daqui alguns anos podem estar valendo muito mais. — Pela primeira vez Alex via um sorriso envergonhado no rosto do homem.

— Essa caixa parece mais pesada hoje. — Mudou de assunto, ele queria entrar logo, não tinha mais assunto pra puxar.

— Quer ajuda pra levar pra dentro? — As mãos do homem já foram de encontro a caixa, porém o menor acenou negativamente com um sorriso passageiro.

— Obrigado, mas acho que precisa terminar algumas entregas não é mesmo? — Sua voz saiu calma, como a de alguém que se preocupa com todos em sua volta.

— Tem razão. — Confirmou ao sentir o peso da bolsa com cartas. — As pessoas da cidade precisam de mim! — Exclamou, como se fosse um super herói, e saiu correndo para a próxima casa. — Até mais Lexy! Tenha uma boa aula hoje. — Se despediu.

— Obrigado, e bom serviço! — Respondeu com a maior naturalidade, mas logo se arrependeu ao ver a feição de seus vizinho. O casal de idade que passava por ali ficou encarando o jovem, suas caras desconfiadas deixaram o jovem sem expressão alguma, apenas com a cara de paisagem de alguém que sabe que acabou de dizer algo que não devia na frente dos maiores fofoqueiros do bairro.

— Bom dia Alex, como vai seus pais? — A senhora de pele pálida e cabelos tingidos de vermelho pergunta, fingindo não ter ouvido nada. Ela usa uma calça leg agarrada no corpo e camisa cavada rosa do mesmo jeito, tênis nos pés e possivelmente chegava da caminhada. Uma visão não muito agradável.

— Vão bem senhora Menfor, e vocês, como vão? — Tenta ser educado, observando cada um deles, como se soubesse o que pensavam.

— Vamos levando meu filho, só levando. — Desta vez é o homem que responde. Sua pele morena e cabelos castanho claro pingavam de suor, seu short curto e camiseta cavada, ambos brancos, estavam molhados e o tênis parecia muito gasto.

— Aquele que saiu correndo era o carteiro? — A Menfor perguntou, e o jovem percebeu a cotovelada que levou do marido por fazer a pergunta.

— Era ele sim. — Respondeu com a maior naturalidade, afinal, não estava fazendo nada de errado. — Ele vem entregar os produtos para meus pais fazerem as checagens a noite. — Explicou.

— Ele vem? — Ela pensou um pouco, logo ligando os pontos. —Seus pais recebem esses produtos todos os dias?

—Sim, eles sempre estão cheios de trabalho pra fazer. — Diz, ajeitando a caixa em seus braços, que já estavam doloridos. — Ajudo eles quando posso.

— Faz muito bem. — O homem exclama, puxando a mulher.

— Temos que ir querido, tenha um bom dia. — O ruiva se despede.

— Vocês também! — Alex tenta acenar, e logo entra em sua casa, indo direto até a bancada da cozinha, deixar a caixa de seus pais, ficando apenas com o envelope endereçado a ele.

— De quem será? — Indagou, procurando algum nome no papel. — Não tem remetente. — Algo estava estranho, quem enviaria uma carta sem remetente? — Só tem um jeito de saber. — Pegou uma faca na gaveta do armário e abriu o envelope.

Olá Alex,

Só queria que soubesse que te admiro muito,

Contrai um grande afeto por você há um tempo e,

Mesmo não estando com você e sei exatamente o que estou sentindo.

É um sentimento novo, mas muito forte.

Espero que também sinta o mesmo.

De alguém que te admira muito!

Notas finais
Os capítulos agora começam a ficar um pouco maiores e com mais dilemas a serem tratados :3 Até quinta que vem!