Cartas de um Carteiro
5 CAPÍTULO 4 - Um Passeio no Shopping
Sexta-Feira, 10:45 AM
Após a leitura da misteriosa carta, Alex corre pra seu quarto, pegar seu caderno da escola. Seu plano era comparar a letra na carta com as assinaturas de seus amigos, pelo menos as assinaturas dos que escreveram em seu caderno.
Ele demorou cerca de dez minutos para checar tudo, e mais vinte para checar nas imagens dos cadernos de seus amigos que havia tirado para copiar as matérias dos dias que faltou.
— Não é igual a de ninguém. — Murmurou, encabulado por não conseguir achar o que procurava. Ele olha para o relógio. 11:05. — Melhor eu começar a arrumar as coisas. — Guardou a carta em sua bolsa e foi para a cozinha, a louça do dia anterior não iria se lavar sozinha.
Quarenta minutos depois, o som do rádio ainda estava alto, tanto que podia se ouvir a música por toda a casa. Alex já havia terminado de lavar, secar e guardar a louça, que não era muita, porém ele não estava no pique para o serviço.
— Agora só falta me trocar e ir pra escola. — Confirmou a si mesmo depois do banho, toalha enrolada na cintura e o frasco de desodorante na mão.
Rápido como um foguete, ainda mais depois de perceber que já se passava do meio dia, o jovem terminou de se aprontar, arrumou seu material do dia e correu pra fora de casa. Trancou a porta, guardou sua chave em um bolso qualquer de sua mochila, e correu em direção a escola, passando em frente a casa dos Menfor, avistando o senhor de idade, que olhava pela janela, acenando para o mesmo.
“Finalmente vou chegar na hora.” Estava feliz, já que não conseguia essa proeza a muito tempo.
º º º
— Olha só quem resolveu chegar mais cedo. — Jon aparece na frente do moreno quando tenta entrar na sala.
— Só um dia de sorte. — Alex responde seco, porém, tentando não ser rude demais. — Você é o único na sala? — Questionou, tentando olhar por cima do ombro do amigo.
— Não, o professor de Física está na sala revisando as prova surpresa que vai aplicar hoje. — Revelou, mas seu rosto não parecia muito feliz por ter dito aquilo.
— Prova surpresa? E o que vai cair? — Assim como não era muito bom em história, o moreno também não tinha tanta facilidade nas matérias de física, química, matemática e geografia, e por isso precisava de ajuda para estudar em quase todas as provas.
— Não abriu o bico desde que chegou. — Mentiu.
Na verdade, o professor havia chego na sala e, ao ver Jonathan, foi logo avisando para que o jovem ficasse na porta, avisando os amigos sobre a prova surpresa e sobre o que deveriam estudar, pelo menos os que chegassem mais cedo. Mas o jovem não deixaria barato o acontecimento do dia anterior, ele queria sua vingança.
— Tudo bem então, vou pro meu lugar. — Falou passando pelo outro, que segurava um sorriso vitorioso.
— Alex, parece que chegou no horário hoje. — Roberto Martins, um homem de pele morena e cabelos castanhos, curtos e bem penteados, e olhos de mesma cor exclama, levantando rapidamente a cabeça para ver o garoto. — Acho que Jonathan já disse que a matéria da prova está entre as páginas vinte e a cinquenta do livro. — Ele estava vestindo uma camiseta branca com seu jaleco de mesma cor por cima e calça jeans escura, e acabara de dedurar o jovem que estava de guarda na porta.
— Sim, ele falou — Alex apenas olhava para a porta, suas sobrancelhas arqueadas e um falso sorriso no rosto.
— Muito bem então, ainda deve ter uns minutos para estudar. — Concluiu, retomando a revisão das questões da prova.
º º º
Mesmo Dia, 03:15 PM
A prova teria sido um desastre total caso o professor Martins não tivesse avisado sobre o tempo e a matéria para estudo. Lexy tinha quase certeza de que se saiu bem, podia não saber a matéria, porém sua mente era muito boa em decorar as coisas.
Os alunos retornavam para suas salas após ouvirem o sinal do fim do intervalo, a maioria estava feliz, sorrindo e festejando, porém, haviam aqueles que não esboçavam sinal nenhum de felicidade. Provavelmente os que teriam provas nas próximas aulas.
O moreno estava se aproximando da sala quando é abordado por John, que questiona. — Como foi na prova?
— Já que pergunta. — O jovem passa pelo outro sem nem ao menos olhar para seu rosto. — Me saí muito bem, obrigado! — Sem nem ao menos esbarrar no ruivo ele adentra o local de paredes claras, indo até seu lugar.
— Parece irritado, Lexy. — John se aproxima do amigo, se sentando na carteira atrás dele. — Aconteceu algo? — Provoca.
— Sim. — Afirmou, se virando para encarar o ruivo. — Um velho amigo que, do nada, começou a agir feito um idiota apenas por não ter seus sentimentos correspondidos!
— Cale a boca! — Exclamou, empurrando a carteira contra o outro.
— Ou o que?
— Ou todos vão ficar sabendo que você está sendo a putinha do carteiro! — Seria a frase completa, porém, antes de termina-la, ele sente uma forte dor em seu maxilar, vinda de um forte soco dado pelo moreno. — Ficou maluco? — Indagou antes de pular sobre Alex, o puxando para o chão, iniciando o que seria uma sequência de socos, interrompida pelo professor, que segura cada um deles como uma de suas mãos, arrastando-os para a sala do diretor.
Quinze minutos depois, o diretor Johnson já havia dado um sermão nos jovens, alegando que os dois eram amigos e que amigos não deveriam brigar. Nenhum dos dois ousou dizer uma palavra sequer, mas sabiam que aquilo não estaria resolvido assim que saíssem da escola.
— Podem ir para suas casas agora. — Disse o velho, sem desviar os olhos da papelada em sua mesa. — Não quero ver vocês aqui novamente entenderam? — Eles acenaram em concordância, saindo um por vez da sala do diretor.
Já do lado de fora, os garotos nem ao menos se despediram um do outro. Ambos estava com um olho roxo e, Jonathan, para não arrumar mais encrencas, fora as pressas para sua casa, sem olhar pra trás, o que foi algo bom, já que, se o tivesse feito, teria visto o momento em que Anderson chegara nos portões da escola e puxara assunto com Alex.
— Saindo mais cedo hoje Lexy? — O loiro pergunta, apoiando o peso de seu corpo nos braços, que estavam apoiados na grade que cerca a escola.
— Fui expulso. — Resmungou baixinho.
— Não acredito. Você expulso? — Brincou, mas logo percebeu que não o deveria ter feito.
— Aquele idiota do Jonathan causou isso. — A voz do jovem parecia alterada, ele não estava nada contente.
— O que ele fez? — Perguntou, ajeitando sua postura.
— Ele é só um imbecil mesmo. — Começou a caminhar pela calçada estreita. — O maior problema é que não posso voltar pra casa agora. Mesmo com meus pais fora, ainda tem os vizinhos que vão contar pra eles o que aconteceu. — Ele parecia muito preocupado, será que os vizinhos eram tão fofoqueiros assim?
— Não precisa voltar pra casa agora. — O carteiro parecia tentar esconder um sorriso. — Digo, tive poucas entregas hoje e já fui dispensado do serviço. — Explicou. — Se quiser, podemos ir até o shopping dar uma volta. — Propôs, parando a caminhada para esperar a resposta.
O corpo de Alex faz o mesmo, sem nem ao mesmo ser ordenado. — Ir ao shopping? Nós dois? — Indaga, sem ao menos olhar para o homem.
— Claro, porque não? — A mão do loiro vai até o ombro do menor. — É só pra passar o tempo. Melhor do que ficar vagando pelas ruas. — Lexy se vira, olhando nos olhos do outro. — Então?
A resposta vem com um aceno de cabeça positivo, seguido de. — Tudo bem, vai ser legal.
º º º
A caminhada até o prédio de três andares durou alguns minutos. Os dois não tiveram tanto papo durante o caminho, porém, assim que chegaram no local, de paredes brancas e várias janelas, Anderson decidiu quebrar o silêncio.
— Esse lugar já foi mais limpo. — Mencionou, olhando para o caminho de pedra repleto de copos descartáveis e embalagens de alimentos.
— As pessoas não sabem o significado de reciclagem. — Alex afirma sorrindo. — Deveriam contratar alguém pra limpar isso. — Comenta, depois de pisar em uma casca de sorvete, ainda com um pouco da maça adocicada.
— Vamos logo pra dentro! — O pulso do moreno é envolto pela mão do homem, que o puxa em direção a porta automática, que se abre com a aproximação deles. A brisa fria do ar condicionado lhes toca a pele, causando um passageiro arrepio. — O que vamos fazer?
— Andar. Não foi pra isso que viemos aqui? — Disse o mais novo, que olhava para a fachada de algumas lojas.
— Também mas, pensei que quisesse comer algo ou assistir algum filme. — Comenta, ficando lado a lado do outro.
— Não trouxe dinheiro pra isso. — O garoto menciona, ainda caminhando, lenta e evasivamente pelas pessoas, tentando disfarçar a fome, mas seu estômago o trai, resmungando.
— E nem precisa. — Anderson retira a carteira de couro bege do bolso. — Eu te convidei, então eu pago. — Não dá nem tempo de Alex reclamar, o homem começa a guia-lo, indo em sua frente, na direção da praça de alimentação.
— Boa tarde, o que vão querer? — A jovem de farda avermelhada e touca na cabeça os cumprimenta. Eles haviam parado em uma das lanchonetes do lugar, e depois de uma pequena fila eles foram atendidos.
— Então? — O mais velho pega o cardápio abrindo na parte de pratos, esperando Alex escolher o que queria.
— Pode ser esse. — Ele aponta para o estrogonofe de carne.
— Eu vou querer filé de frango. — O maior pede.
— Mais batata por dois e cinquenta? — A mulher de cabelos avermelhados pergunta. O loiro acena positivamente. — Qual o molho? — Responderam que não queriam. — Algo para beber? — Anderson esperou a resposta do moreno.
— Pode ser fanta laranja.
— Dois copos grandes por favor.
— Tudo vai dar, sessenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos. — A ruiva recebe o dinheiro, devolvendo o troco para o loiro. — Aqui está. — Ela entrega um pequeno aparelho acinzentado, esse que começaria a brilhar suas luzes em vermelho quando os pratos estivessem prontos.
— Vamos sentar ali. — O mais velho apontou para uma mesa um pouco distante da lanchonete, porém a mais perto que estava vazia. Eles vão rápido até o lugar para não perde-lo.
— Quando chegar em casa eu te pago. — O estudante comenta, tentando arrumar um local para deixar sua mochila.
— Não precisa. — Afiram, pegando a bagagem do outro, colocando entre as pernas e sob os sapatos para não deixar tocar o chão. — E, se insistir, vou ficar chateado. — Ele retira seu celular do bolso. — Uma pergunta Lexy. — Levanta um pouco a cabeça, olhando para o rosto do moreno. — Porque nunca te vejo com um celular?
— Ah, isso. — O menor parecia envergonhado, mas decide dizer. — Não gosto muito de sair com o celular, não que seja antigo nem nada. É que ele atrapalha a conversa com meus amigos. — Anderson recebe tais palavras como um alerta e, apertando o botão lateral para bloquear o aparelho, ele o guarda no bolso.
— Bastante maduro para um garoto de, dezessete? — Indaga, pouco antes do aparelho quadrilátero sob a mesa começar a vibrar e piscar várias luzinhas vermelhas. Ele então gesticula com a mão para que Alex permaneça sentado enquanto que ele, vai buscar os pratos.
— Tenho dezesseis. — O mais novo espera que o homem retorne à mesa e já o recebe com a resposta para a pergunta que lhe fora feita antes.
Os dois conversam durante o almoço. Falaram sobre suas vidas, principalmente Lexy, que é bombardeado por perguntas sobre família, escola e principalmente relacionamentos. A comida no prato do loiro havia acabado à cerca de cinco minutos após ir buscá-la, já a do menor ainda estava por mais da metade, e suas batatas fritas começariam a esfriar, caso não estivessem sendo devoradas por Anderson.
— Você sempre come devagar assim Lexy? — Perguntou, após comer mais uma das batatas fritas do garoto.
— Normalmente não. — Respondeu um pouco sem graça. — É que esse não costuma ser meu horário de almoço. — Explicou, levando mais um pouco de arroz e strogonoff até a boca.
— Então, o que faz nesse horário, quando não está na escola? — Esperou o jovem terminar o que tinha pra engolir e questionou.
— Assisto algum filme na internet, ou algo do tipo. — Estava um tanto quanto preocupado em responder essa. Tinha uma vasta chance dele querer levar o jovem para assistir algo, assim como fizera meia hora atrás.
— Os Vingadores ainda está em cartaz, você já assistiu? — Sorriu levemente, tentando não demonstrar muito interesse pelo filme, e menos ainda pelo jovem à sua frente.
— Assisti não faz muito tempo com o John. — Após a resposta, sua feição muda completamente. Ainda estava muito furioso com o ex-amigo para lembrar dos momentos em que faziam algo legal. — A gente ia assistir DeadPool amanhã. — Seus olhos fitavam o prato de comida, ainda com alimento nele.
— Decidido! — Percebendo que o clima havia pesado, e que Alex não iria mais comer, o loiro se levanta, pendura a mochila do garoto em seu ombro direito e o agarra pelo pulso, caminhando por entre as mesas. — Vamos assistir DeadPool!
Demoraria cerca de vinte minutos para a sessão mais próxima se iniciar, e pelo jeito, a sala não estaria muito cheia, já que no momento em que escolheram um acento, haviam cerca de apenas quinze ocupados.
— O que acha dessa? — Enquanto esperavam, Anderson decidiu comprar alguma peça de roupa nova, e Alex foi junto, para ajudar a escolher.
— Legal. — Já era a quinta camiseta que o loiro experimentava, e a quinta vez que Alex respondia a mesma coisa.
— Que tal se eu chegar mais perto? — O homem brincou e se aproximou lentamente do menor, quase encostando seu rosto no dele, e no mesmo momento uma das vendedoras, uma mulher de pele morena e cabelos castanho escuro, médio e cacheados, olhos castanho e trajando a farda da loja, um conjunto de camiseta, calça e sapatos pretos, se aproxima, com mais algumas peças do mesmo tipo para o homem. Ao perceber a presença da mulher ele se afasta, agradecendo.
— Eu gosto de roupas claras. — O garoto assumiu, que retomava sua cor original.
— Essa então? — Anderson mostra duas camisetas de cores mais suaves. Uma em tom azul bebê e outra em tom lilás.
— Essas são bonitas. — Finalmente declarou, tirando um sorriso do homem, que rapidamente vai até o caixa pagar pelas roupas, retornando com duas sacolas, e apressando o jovem, já que passaram quase que os vinte minutos dentro da loja. Mais uma vez foram em direção ao cinema.
º º º
O filme durou cerca de uma hora e meia, talvez mais, e os dois assistiram tudo com total atenção, temendo pelo herói nos momentos mais críticos, sofrendo por ele nos momentos mais perigosos e gargalhando com sua palhaçadas. Anderson havia comprado um pacote grande de pipoca e também um único copo de refrigerante, que mesmo com a recusa de Alex, ele insistia em fazer o garoto comer e beber, dividindo tudo, sem tentar esconder o sorriso bobo em seu rosto, que era disfarçado pela falta de luz no local.
— Então, gostou do filme? — Aproveitando que já estavam do lado de fora do cinema, o loiro carregando a mochila do menor, e os dois indo em direção a escada rolante em direção ao segundo andar, o homem pergunta.
— Tem como dizer não? — Uma pergunta retórica. — DeadPool é o melhor filme que já vi em minha vida! — Sua vontade era correr em volta de Anderson, falando sobre as melhores partes do filme, ou até mesmo pular sobre o homem, que com certeza não o impediria.
O maior apenas sorria com o entusiasmo do outro, que passa em minutos, após ver a hora em um dos relógios pendurados no teto de um dos corredores do shopping. — Ei, aonde vai? — O loiro não teve nem tempo de devolver a mochila do garoto, que sai em disparado na direção da saía, parecia muito preocupado.
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