Cartas de um Carteiro
11 CAPÍTULO 10 - Ciúmes
Notas iniciais
Sábado, 10:25 AM
Fim de semana, dia vago de aula, uma ótima oportunidade para...
— Alex, visita pra você! — A porta do quarto do jovem é aberta e seu corpo chacoalhado com força. — Anderson está na sala e quer falar com você. — Era Samanta quem cutucava o filho, ela não tinha problema em deixar que Anderson e o filho conversassem e saíssem a vontade, ainda mais depois das vezes em que o homem ‘salvara’ o filho. — Alex! — Ela chama mais uma vez, conseguindo acordar o jovem.
— Oi? — A voz saiu falha pelo sono. — Aconteceu alguma coisa?
— O Anderson está aqui, ele quer falar com você.
Com um salto da cama, Alex corre até o banheiro fazer sua higiene matinal, troca o pijama por um short e camiseta e vai até a sala.
— Bom dia. — O homem estava com uma xícara de chá e assistia TV junto com Eduardo e Samanta, que chegara para acompanha-los.
— Oi. Bom dia. — Respondeu um tanto sem graça, indo em direção a cozinha, onde pegara um pouco de chá pra tomar também. — O que veio fazer aqui?
— Alex, isso é modos de tratar a visita?
— Tá tudo bem senhora Santana. — O homem coloca a xícara sobre a mesinha de centro da sala. — Eu vim te chamar pra ir no shopping. — Disse sem se preocupar com a reação que os pais do garoto poderiam ter.
— Shopping? — Quase que cuspindo o chá de sua boca, devido ao ‘sustos’, Alex questiona.
— Se seus pais deixarem.
— Claro. — Samanta olha para o marido. — Querido, tem algum dinheiro pro Alex comer algo no shopping?
— Não, não precisa. — Anderson se levanta. — Eu pago caso comamos por lá. — Ele encara o mais novo. — Vamos?
— Eu... — Alex encarava seus pais esperando alguma coisa acontecer.
— Vão logo, e tomem cuidado.
º º º
Alguns minutos mais tarde.
— Esse lugar está cada vez mais movimentado. — O comentário de Anderson foi devido à enorme fila que encontraram na entrada da lanchonete que sempre comem quando fazem esse passeio.
— Não é pra tanto, a comida aqui é muito boa. — Eles já estavam olhando o cardápio, mesmo ainda existindo algumas pessoas em sua frente. — Acho que vou pegar um lanche.
— Estava pensando o mesmo. — Ele aponta para um dos maiores lanches do cardápio, um lanche com três hambúrgueres, bacon, e tudo o que um lanche ‘enorme’ poderia ter. — Vai querer o mesmo?
— Você acha mesmo que eu aguento um lanche desse? — O maior sorriu.
º º º
Finalmente conseguiram fazer o pedido e, pra sorte dos dois, a mesa na qual sempre se sentam nos passeios ao lugar, estava vazia e pronta para que eles a usassem.
— Que bom que não sentaram em nossa mesa. — Disse ficando frente a frente com o mais novo.
— Nossa mesa? — Lexy questiona confuso. — Só porque nos sentamos sempre aqui?
— Não só por isso, pequeno. — O mais velho aproveita os palitos de dente que podem ser pegos em um potinho sobre a mesa e começa a arranhar algo na madeira.
— O que está fazendo? Não pode riscar a mesa do shopping. — O moreno tenta pará-lo, porém falha em sua tentativa.
— Dessa vez foi rápido. — O comentário veio devido ao aparelho que lhes fora entregue na lanchonete começar a brilhar e vibrar, seu pedido estava pronto. — Pode deixar que eu busco. — Avisou, antes que o menor se levantasse. — Não queremos perder nossa mesa.
° ° °
— Que tal um cineminha?
A pergunta veio após saírem de uma loja de jogos, Anderson estava buscando algum presente para o menor, já que não dera nada para ele em seu aniversário. Tudo fora muito bem planejado, o homem passou por todas as prateleiras possíveis da loja, observando atentamente Alex, que, por sua vez, só mostrou interesse nos jogos de simulação, como The Sims e outros do gênero. O loiro já sabia o que comprar.
— Alex! — Antes que pudesse responder alguma coisa, uma voz conhecida chamou pelo mais novo, que se virou para encarar seu novo amigo da escola, Jeff, que corria em sua direção. — Como vai? — Deu-lhe um abraço. — Dando um passeio no shopping também?
— Sim! — Anderson interveio. — Estávamos indo ver um filme, agora. — Tentou segurar a mão de seu ‘namorado’, porém não foi tão rápido.
— Legal, também vou! — Jeferson fora rápido o suficiente para agarrar a mão de Alex e o arrastar, na frente, em direção ao cinema do shopping.
— É, legal. — O maior comentou antes de segui-los.
— Que filme vamos assistir? — Alex dirigia sua palavra ao maior, porém, a resposta não veio dele.
— Vamos ver aquele ali, é m lançamento e parece ser muito bom! — Eles já haviam enfrentado a fila e já iriam comprar seus ingressos e Jeff estava na frente. — Três por favor. — Pediu.
— Acho que só temos mais dois acentos próximos e um, um pouco afastado deles. Tem algum problema? — A atendente, uma jovem ruiva, de olhos mel e um belo corpo pergunta.
— Problema nenhum. — Respondeu o moreno.
º º º
O plano era o seguinte: Anderson e Alex sentariam nas poltronas próximas, enquanto Jeferson ficaria com a distante dos dois. Algo simples e muito fácil de entender, já que os dois primeiros formam um casal, porém, eles não contavam com a ‘insistência’ do novo companheiro de passeio.
— Espero que não se importe, Anderson. — Da mesma maneira que Jeff havia arrastado Alex para a fila do cinema, ele fizera o mesmo para chegarem até os assentos próximos, se sentando com o amigo da escola, deixando o mais velho um pouco afastado deles.
— É... Talvez eu. — O loiro nem tivera tempo de responder, recebeu um olhar de Alex e foi para seu acento.
º º º
O filme em si fora muito bom, Anderson gostara, e muito, da história, porém, o que não lhe deixou nada satisfeito, fora o fato de ter que se sentar longe de seu ‘namorado’ era o fato de que Jeferson ficava, a todo momento, cochichando no ouvido de Lexy e também, como se não bastasse, acariciava suas mãos todas as vezes em que iria pegar um pouco de pipoca para comer. O homem saíra pouco antes do filme terminar e, sem se despedir, fora embora, deixando os dois ‘a sós’ no cinema.
— Você viu o Anderson sair? — Alex já procurava o maior a um tempo e nada de encontra-lo.
— Ele já deve ter ido embora, Lexy. — O moreno diz, seus braços estavam cruzados e ele não parecia se preocupar muito com isso. — Devemos ir também, está ficando tarde.
— Deixa eu só mandar uma mensagem pra ele.
“Alex: Onde você está? Já está tarde e preciso ir embora.
Anderson ♥: Estou chegando em casa, pede pro Jeff te levar em casa.”
— E então? — O outro questiona tentando ver as mensagens.
— Ele já está em casa, vamos.
º º º
O resto do fim de semana Alex ficou sem receber notícias do maior. Mesmo ele mandando mensagens a todo momento, Anderson não o respondia, nem mesmo o atendeu quando Alex foi até sua casa. “Talvez ele tenha saído” o menor pensou, e por isso decidiu não ficar esperando e ir embora.
º º º
Segunda Feira, 10:45 AM
— Carteiro!
Era exatamente isso que Alex estava esperando. Se levantou rápido do sofá e correu até a porta, e pra sua surpresa, não era Anderson quem estava ali e sim um homem moreno, cabelo raspado e barba por fazer.
— Bom dia. — O homem estava com a entrega diária dos pais de Alex. — É aqui que moram os Santana?
— I... Isso, é aqui mesmo. — Ele pega o pacote e assina a papelada de sempre. — Aliás, o que aconteceu com Anderson?
— Ele pediu pra mudar de rota comigo. — O moreno respondeu enquanto guardava sua prancheta. — Bem, já vou indo, tenha um bom dia.
— Obrigado, você também. — Volta pra dentro de sua casa e se joga no sofá, deixando antes a encomenda de seus pais sobre o balcão da cozinha. — Mudou de rota? Porque ele faria isso?
º º º
Mesmo dia, 03:45 PM
— Alguma coisa te incomoda? — Jeff arrastara sua carteira para ficar colada na de Alex a alguns dias, o que deixara John com ainda mais ciúmes.
— Anderson, ele mudou a rota de entrega e não passa mais em casa. — Respondeu deitando sua cabeça na mesa. — E também não responde minhas mensagens.
— E isso é um problema?
— Olha só, parece que a mocinha da escola tá solteira. — Escutando a conversa dos dois, o ruivo decide também participar.
— Fica na sua ai Ketchup. — Jeff rapidamente corta o ‘amigo’. — Digo, vocês nem estava namorando realmente e, ele parece ser bem mais velho que você.
— Ele é um pouco mais velho sim, mas não é isso que importa.
— Claro que importa, você tem que namorar alguém da sua idade. Alguém como...
— Como você? — John volta para a conversa. — Ele nunca iria ficar com você, ele não gosta de caras novos, não é mesmo, Lexy?
Para a sorte de Alex, o sinal do intervalo soa e ele vai para a biblioteca, talvez tivesse um pouco de sossego por lá. Levou apenas um pacote de salgadinho, uma lata de refrigerante e seu celular, claro, teve que entrar escondido com os alimentos, o que fez com facilidade, o problema era comer em silêncio.
“Alex: Você pode me explicar o motivo de não responder minhas mensagens e nem atender minhas ligações?
Alex: Anderson, fala comigo!
Alex: Você não pode fazer isso. Não tem motivos para fazer isso!
Anderson ♥: Não tenho motivos?
Anderson ♥: O que me diz de seu novo amiguinho Jeff, sussurrando em seu ouvido, acariciando suas mãos e, acima de tudo, você não fazendo nada para impedi-lo.
Alex: Ele só estava comentando sobre o filme, e pegando pipoca.
Anderson ♥: Acho que deveríamos dar um tempo, Alex...
Alex: O que? Não!
Alex: Anderson, me responde!
Alex: Para com isso Anderson!”
O sinal para retornarem para as salas de aula tocou, os olhos do moreno lacrimejavam e ele teve de se esforçar para não chorar durante o restante das aulas. Ele, até mesmo, saiu mais cedo da escola, alegando uma dor de cabeça muito forte e, ao chegar em casa, se trancou em seu quarto e chorou. No fim do dia, nem mesmo lágrimas ele tinha para chorar, apenas ficava relendo as mensagens que trocara mais cedo com Anderson e se forçando a acreditar que aquilo não era real.
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