Cartas de um Carteiro

12 CAPÍTULO 11 - Nossa Mesa


Notas iniciais
Olha eu aqui, atrasado mais uma vez '-' Espero que gostem do capítulo! ♥

Um mês, esse fora o tempo necessário para que Alex começasse a perder suas esperanças sobre voltar sua relação com Anderson. Dentro desse tempo seu desempenho escolar diminuiu muito, sendo ele o aluno com pior nota na sala nas provas que foram aplicadas. Em casa seu ‘desempenho’ também reduziu bastante, ficando quase que o resto de seu dia, após as aulas, trancado em seu quarto, relendo mensagens e chorando o que ainda podia. Sua mãe ficara muito preocupada, tentara conversar com ele durante maior parte do mês que passou, mas não conseguiu nada, Alex sempre tinha um novo motivo para ir pro quarto ou até mesmo sair e ficar vagando pelo quarteirão enquanto tentava espairecer a mente.

O garoto estava tão mal, que nem mesmo se importava com as investidas de Jeff para com ele e também os insultos de John sobre os dois e sobre Anderson também. Essa era a pior parte do dia, ter que ouvir a pessoa que era seu melhor amigo desde pequeno falar sobre seu “ex-namorado”, o motivo de sua tristeza, piorando ainda mais seu humor.

º º º

Quinta Feira, 05:05 PM

Mais um dia de aula estava prestes a terminar, os alunos terminavam de copiar o último texto redigido no quadro negro pelo professor de Gramática e, os que já haviam terminado, só restava esperar e conversar sobre assuntos surtidos do dia-a-dia.

— Não saiam ainda. — O professor pediu ao notar que seus alunos começariam a sair da sala. — O diretor pediu para que avisasse que amanhã essa turma irá fazer uma visita ao shopping. Preciso que tragam esse bilhete assinado por seus pais. — Pediu, dispensando assim a turma, que saiu em disparado para suas casas.

— Visita ao shopping, muito legal não é mesmo? — Jeff correu até Alex, iniciando uma conversa. — Podemos dar uma fugida e ir no cinema ou comer alguma coisa.

— Não tô afim. — Cortou rapidamente o outro, apressando seus passos em direção à sua casa.

º º º

Sexta Feira, 13:13 PM

— Sentem-se por favor! — A professora de História pedia calmamente para seus alunos, ela usava um vestido florido amarelado e o jaleco branco de professora por cima. — Enquanto não se sentarem não iremos sair daqui.

Todos começaram a se ajeitar em suas poltronas, Alex tentou, tentou muito se sentar sozinho, porém, ao notar que não iria ser deixado em paz por Jeff e até mesmo John, decidiu correr para frente do ônibus e se sentar ao lado da professora, já que eram amigos de longa data.

— Alguma coisa te incomoda, Alex? — Durante a viagem, a senhora de idade tentou puxar assunto com o mais novo. — Você me pareceu triste nesse último mês.

— Não é nada. — Respondeu rápido, tentando não dar trela para ela.

— Não mesmo? Não tem nada a ver com aquele homem bonito que vinha te buscar na escola?

O sangue gelou, talvez não tivesse sido uma boa ideia se sentar com a professora. Sem resposta alguma, Lexy colocou seu fone e, com um pedido de desculpa quase inaudível, ele finalizou a conversa.

º º º

Chegando no Shopping, a turma de Alex é dividida em duas, uma iria com a professora para a exposição histórica na parte norte do local, enquanto o outro grupo fora com a inspetora para o outro lado do shopping. Elas revezariam entre a exposição e depois, no fim do dia, se reencontrariam próximos ao ônibus no lado de fora do prédio.

— Não se separem da turma e fiquem próximos uns dos outros. — Fora o aviso dado pela inspetora que estava no comando da turma de Alex.

Óbvio que Alex não obedeceria essa regra, ainda mais com Jeff e John em seu grupo. Na primeira oportunidade que teve, se esgueirou para longe do grupo e foi para a praça de alimentação. Conseguiu apenas alguns minutos de sossego e logo fora encontrado por Jeff, que ao avistá-lo sentado na mesma mesa em que o encontrara outro dia com Anderson.

— Fugindo da turma? — O moreno se aproxima rapidamente de Alex e se senta em sua frente, lugar que antes era ocupado por Anderson.

Alex não responde, apenas arruma seus fones nos ouvidos e aumenta o volume da música.

— Vai me ignorar também? — Tentou questiona, porém não fora ouvido. — Tudo bem então. — Olhando ao redor, Jeferson avista alguém de quem Alex gostaria muito de ver, porém, ele não deixaria que isso acontecesse. — Você quem pediu. — Murmurou pra si mesmo e, ao perceber que o loiro olhava na direção deles, agarrou as mãos de Alex e aproximou seu rosto muito perto do dele.

— O que está fazendo? — O jovem puxa suas mãos, porém tarde demais, Anderson já havia desviado o olhar.

— Apenas me assegurando. — Comentou com um sorriso, olhando na direção em que o loiro estava, o que chamou a atenção do outro, que, se tivesse se atrasado um pouco seu olhar, não avistaria o maior.

— Você! — Alex se levanta bruscamente, iniciando uma corrida na direção em que o loiro se encontrava. — Anderson! — Gritou, chamando a atenção de toda a turma, inclusive da professora de história, que passava com sua turma por perto da praça de alimentação.

— Não precisa vir atrás de mim. — O mais velho exclama sem nem olhar pra trás.

— Para ai agora! — Mais um grito e ainda mais atenção para os dois. A segunda turma da escola já havia se aproximado também, iriam fazer o horário de almoço quando escutaram os gritos e foram ver o que estava acontecendo.

— Alex, volte já pra sua turma. — A inspetora chamou, porém fora interrompida pela professora.

— Deixa, é algo importante pra ele. — Disse, puxando a mulher pra trás. — Logo ele volta, vamos levar a turma pra comer.

— Mas senhora.

— Mas nada, vamos logo, estou morrendo de fome!

º º º

— Porque não respondeu minhas mensagens? Porque mudou sua rota de entregas? Porque se afastou de mim? — O mais novo estava ‘eufórico’, questionava Anderson com tudo o que lhe vinha a mente e um pouco mais. O homem, por sua vez, estava indiferente, olhava o menor sem demonstrar nada, apenas olhando atentamente e esperando ele terminar.

— Não acho que esteja tão preocupado por isso. — Disse, olhando em volta, eles estavam do lado de fora do prédio, próximos ao estacionamento e várias pessoas passavam por eles. — E não precisa gritar, estou bem na sua frente.

— Mas não parece! — Exclamou irritado. — Sabe pelo que eu passei esse mês todo, pensando em você, acreditando que logo iria me responder ou aparecer na porta da minha casa com as entregas de meus pais? Sabe o tanto que eu chorei? Sabe.

— É, eu sei! — Cortou o garoto, antes que ele continuasse com seu discurso. — Eu estive passando todos esses dias pensando em você também, imaginando o quão feliz você deveria estar com o tal de Jeff e.

— Esperai, Jeff? — Um sacode de cabeça. — Eu não tenho nada com o Jeferson! Porque pensou isso. — Antes mesmo de terminar sua frase, o moreno se deu conta. — Merda, ele fez parecer que estávamos tendo algo só pra você sair do caminho dele e ele ficar comigo.

— Parece que conseguiu. Como foi o almoço do casal? Pelo que vi, estavam sentados onde antes era nossa mesa.

— Ainda é a NOSSA mesa! — Gritou. — Todos os finais de semana eu venho nesse shopping e sento lá, fico lendo nossos nomes escritos na madeira e pensando em você!

— Como explica o que vi na mesa então?

— Ele viu que você estava olhando e agarrou minhas mãos, ele não quer que fiquemos juntos.

— Você está mesmo dizendo a verdade? — Os olhos do maior agora estão fixos em Lexy, olhando-o atentamente e esperando uma resposta, essa que veio como um beijo, o melhor até o momento, um beijo que demonstrava todo o sentimento de Alex por ele. Um beijo de amor.

º º º

Mesmo dia, 10:15 PM

Alex havia, finalmente, se reconciliado com Anderson, o homem, por sua vez, ainda teria muito o que fazer naquele dia e Alex terminaria seu dia no shopping com sua turma. Agora, já em casa, o moreno esperava ansioso pela chegada o loiro, que, no shopping, havia marcado de encontra-lo lá para esclarecerem tudo com os pais no mais novo.

— Parece bastante eufórico hoje, Alex. — A senhora Santana havia notado isso em seu filho desde que o mesmo chegara do colégio pois, pela primeira vez em um mês, ele não fora para seu quarto e sim ficara na sala, assistindo um programa qualquer na TV. — Aconteceu alguma coisa?

— Ainda não, mãe. — Respondeu, ouvindo a campainha logo em seguida. — Mas vai acontecer, cadê o papai?

— Vou chama-lo. — Ela diz, secando as mãos no pano de prato azulado e com flores e se dirigindo para seu quarto.

— Posso entrar? — O loiro estava com sua melhor roupa, ou assim pensou, já que usava a camiseta lilás que Alex o ajudou a comprar, uma bermuda bege e sandália nos pés. Tinha também um sorriso no rosto.

— Claro que sim, bobo. — Deu-lhe um beijo e liberou passagem para dentro de sua casa.

— Olha só quem apareceu. — O pai Alex, Eduardo, cumprimenta o homem e o chama para se sentar no sofá, onde sempre conversavam quando Anderson aparecia na casa. — Porque parou de vir aqui?

— É uma longa história senhor. — Respondeu.

— E vamos explicar hoje. — Alex se senta ao lado do loiro, esperando que sua mãe se acomodasse junto de seu pai pra só então depositar sua mão sobre a do mais velho.

º º º

Naquela noite, Alex e Anderson explicaram tudo o que acontecera nos últimos meses entre os dois, sobre como começaram a ficar e sobre o que realmente sentiam um pelo outro. De início, Samanta fora a única a achar isso muito bom, afinal, após um “Eu já sabia” e um largo sorriso, a mulher deum uma cutucada no marido, esse que por sua vez chacoalhou a cabeça e voltou a encarar seu filho e seu mais novo ‘cunhado’.

— Então vocês dois estão.

— Namorando! — Fora Alex quem respondera. Não deixava de maneira nenhuma as mãos do loiro, e seus olhos estavam fixos nos pais, que por sua vez, também os encaravam.

— Isso é muito bom, não é mesmo querido?

— É... Eu acho que sim.

— Acha? — Ela lhe dá um leve tapa no ombro. — Quantas vezes o Anderson já salvou nosso filho? Ele se preocupa muito com o Alex e tenho certeza que ele vai cuidar muito bem dele.

— Você tem razão. — O homem se levanta. — Vocês tem todo nosso apoio. — Ele abraça o loiro e logo em seguida o filho. — E ai de você se não cuidar desse jovem aqui.

— Pode deixar senhor Santana, não vou deixar que nada de ruim aconteça com o filho de vocês.

º º º

Naquela noite, Anderson ficou ali na casa até cerca de três da manhã, ele e Alex passaram o tempo todo conversando e paparicando um ao outro, recompensando o tempo perdido. Mas tudo o que é bom dura pouco, o mais velho teria que acordar mais cedo para trabalhar no outro dia e não poderia dormir lá.

Notas finais
A história agora está entrando em sua reta final... Mais dois Capítulos e um Epílogo e finalizamos ela!