Cartas Para Julieta
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Após toda aquela nossa movimentação, almoçamos e logo estávamos de volta à estrada.
A primeira parada foi em uma casa perto da cidade. E eu realmente estava querendo ir embora dali o mais rápido possível. Aquele homem parecia ser pior que o Lorenzo Louco!
–Eu sou Lorenzo Bartolini! –gritava ele gesticulando com as mãos, enquanto nós nos afastávamos sorrateiramente, e Claire apertava a mão dele com uma cara assustada.
Então uma mulher, que aparentava ser a esposa dele, apareceu na janela e gritou:
–Levem-no! Por favor! Eu não aguento mais!
Aquilo foi muito bizarro. Entramos dentro do carro, e um silêncio se instalou no mesmo instante. Olhamos uma para as outras e então começamos a rir. Rir não, gargalhar. Aquilo tinha sido muito estranho.
Viajamos mais um pouco, e paramos em frente a uma fruteira. Desta vez o Lorenzo parecia ser gente boa, mas ele era meio banguela. Claire conversou alguns minutos com ele, porém logo voltou para o carro, nos contando que ele não era o homem que procurávamos.
No mesmo vilarejo, fomos à procura de outro Lorenzo. E para nossa surpresa, ele era um padre. Isso mesmo, um padre. E um padre careca.
Brittany e eu ficamos a distância, encostadas no carro apenas assistindo Claire e o homem conversarem, e logo depois entrarem na igreja.
–Não lhe agrada a ideia de ter um novo “vovô” tão... Entregue a Deus? Talvez você até se transforme em uma pessoa melhor. –brinquei quebrando o silêncio.
–Primeiro: Eu adoraria. –respondeu ironicamente. –Segundo: Cala a boca, San. –riu ela.
–Por que você não vem calar? –indaguei com um olhar desafiador.
Ela me olhou tão profundamente que achei que até poderia ler meus pensamentos. Então ela foi se aproximando de mim, de maneira que ficássemos muito próximas, e colocou uma mão em cada lado da minha cintura.
Nós respirávamos praticamente o mesmo ar, e aquilo estava me deixando sem reação nenhuma. Ela iria me beijar, e eu queria. Queria ser beijada por ela.
Até que do nada, ouvimos Claire voltando, e nos afastamos abruptamente.
Brittany estava com o rosto muito vermelho, e não olhava diretamente para mim.
–Viu? Fiz você se calar. –disse ela distraidamente, abrindo um sorriso tímido.
–É. Fez sim... –respondi assistindo ela abrir a porta do carro para Claire.
Depois do episódio do “quase beijo” que tive com a Brittany, viajamos por uns 30 minutos, até chegar a outro vilarejo.
E parece que naquele dia as coisas tendiam a piorar... Desta vez paramos em frente a um restaurante.
E o que tinha de errado nisso? Até certo momento, nada. Mas quando vimos o Lorenzo... Ele era, além de horrível, um completo tarado! Ele estava dando em cima de mim! Aquilo foi nojento! Claire soube no exato momento que o viu que ele não era seu Lorenzo.
Já estava escurecendo, então resolvemos procurar algum lugar para passar a noite.
Claire foi dormir mais cedo, alegando estar muito cansada. Já Brittany e eu, decidimos ir comer alguma coisa e tomar um vinho.
Estávamos em uma descontração enorme, e eu realmente acho que isso era efeito do álcool em nossos corpos.
–Sabe o que você é? –direcionei-me para Brittany, que neste momento levava sua taça de vinho até a boca. –Montequios e Capuletos.
–Ah... Quer dizer... Bem... –se enrolava ela. –Pelo menos não sou o Romeu.
–Essa é a coisa mais óbvia do mundo! –disse rindo.
–Não... Porque veja bem, se eu encontrasse o amor da minha vida, não ficaria em pé como uma idiota, sussurrando em um jardim. Eu só a apanharia daquela maldita sacada e pronto. –explicou Brittany.
Fiquei alguns segundos apenas a encarando, e as palavras simplesmente saíram de mim sem que eu sequer percebesse:
–Você acredita em destino?
–Você acredita? –respondeu ela redirecionando a pergunta para mim.
–Sim. Acho que é meu destino, eu estar aqui, agora. –Brittany se apoiou na mesa, e ficou muito perto de mim, então eu continuei. –Com a Claire.
–É claro. Com a Claire. –disse ela sacudindo a cabeça e voltando a sua posição inicial.
–Bem, vamos voltar para o quarto? –perguntei. –Quero dizer, para o hotel?
–Vamos. –respondeu ela abrindo a carteira e deixado algumas notas em cima da mesa.
–O que é isso? Não, eu pago. Eu faço questão! –disse tirando dinheiro da minha carteira e colocando ao lado do de Brittany.
–Santana, não vamos começar uma discussão idiota com o tema “quem vai pagar”, não é? –disse Brittany me olhando.
–Não, não vamos. Porque eu vou pagar. Qual é Britt, você já pagou tantas vezes, me deixa pagar uma. Posso ser uma checadora de fatos, mas não uma morta de fome. –argumentei rindo.
–Eu nunca disse isso, San. E não, eu vou pagar! E ponto final! –então ela pegou o dinheiro e praticamente correu até o balcão pagar.
Eu apenas revirei os olhos e guardei meu dinheiro na bolsa.
–Doeu? –ironizou Brittany puxando-me pela mão para fora do lugar.
–Nem fale mais comigo. –respondi virando meu rosto para o lado oposto do dela, e fazendo bico.
–Sabia que fica linda toda irritadinha? –comentou Brittany virando meu rosto, para que ficássemos de frente uma para a outra.
–Eu sou linda de qualquer jeito. –respondi fazendo-a rir.
Caminhamos com os braços enganchados um ao outro e em silêncio até o hotel. Chegando lá, Brittany acompanhou-me até meu quarto.
–Bem, então é isso. Nos vemos amanhã... –dizia ela com as mãos no bolso. –Eu... Eu...
–O que foi? Pode falar, Britt. –disse, pois ela parecia se embaralhar com as palavras.
–Não é nada. Boa noite, San. –respondeu ela dando um beijo em minha bochecha e indo embora.
–Boa noite... –sussurrei, e logo em seguida entrei no quarto.
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