Cartas Para Julieta
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Meu despertador tocou extremamente cedo nesta manhã. Ainda faltavam 6 Lorenzos, e queríamos que aquilo não demorasse mais tanto tempo, então iríamos à busca mais cedo.
Levantei a contragosto da cama, e fui até o banheiro para realizar minha higiene matinal. Pois até uma latina linda como eu precisa fazer xixi.
Coloquei um vestido branco mais folgado e confortável, pois o dia estava extremamente quente, e provavelmente passaríamos um bom tempo no carro.
Saí do quarto, e fui em direção ao restaurante do hotel, podendo observar Claire e Brittany já sentadas tomando suco.
–Bom dia, Sanny. –surpreendeu-me Brittany com o novo apelido. Sorri e respondi:
–Bom dia B. Bom dia, Claire!
–Achei que não havia sido notada aqui. –brincou a senhora, fazendo-me corar. –Bom dia, querida.
Sentei e Brittany logo tratou de chamar o garçom para que eu pudesse fazer meu pedido.
–Então, começamos por onde hoje? –perguntou Brittany cortando um pedaço de sua panqueca com calda de chocolate, e levando-a até a boca.
–Nós vamos um pouco para o norte hoje. Afinal, já passamos por todos os Lorenzos da parte central. –respondi, e em seguida agradeci ao garçom por trazer meu prato.
Comemos em silêncio, mas todas as vezes que nossos olhos se encontravam, um sorriso surgia em nosso rosto.
Pegamos nossas malas, pagamos o hotel, e em pouco tempo já estávamos de volta à estrada.
Após duas horas, fomos entrando em uma pequena cidade perto de várias fazendas e plantações de uva. E como em quase todas as outras cidades, essa também possuía várias ruas mais estreitas. Estacionamos o carro, e caminhamos até uma casa de tijolos no final da rua.
Como se fosse um ritual, Claire suspirou e se aproximou da porta, antes de tocar a campainha.
Uma... Duas... Três vezes, mas ninguém atendia. Talvez não estivesse ninguém em casa. Já perdíamos as esperanças, quando ouvimos uma moto se aproximar, e um moreno alto descer dela.
–Buongiorno. [Bom dia.] –cumprimentou o homem.
–Buongiorno. –respondemos.
–Cercare Lorenzo Bartolini? [Procuram Lorenzo Bartolini?] –perguntou ele.
–Sì! Sapete dove si trova? [Sim! Sabe onde ele se encontra?] –questionou Brittany.
O homem afirmou com a cabeça, e disse para que o seguíssemos.
Voltamos até o carro, e o homem foi nos guiando com sua moto, chegando a um caminho estreito perto de algumas fazendas, e apontando para aqueles lados. Brittany buzinou agradecendo, e o homem foi embora.
Entramos com o carro pelo caminho indicado, e eu senti meu corpo gelar com o que uma placa indicava.
Era um cemitério.
Brittany parou o carro e ficou em silêncio. Claire, como sempre, suspirou e abriu a porta, descendo logo em seguida.
Brittany me enviou um olhar que não consegui interpretar pelo espelho retrovisor, e também saiu do carro.
Respirei fundo, e resolvi acompanhá-las.
Claire caminhava lentamente e em silêncio por entre os túmulos, até que em frente a um determinado, ela parou.
Tudo o que eu pude ver foi tristeza em seus olhos azuis, antes que ela começasse a chorar, e se abaixar ao lado do túmulo do seu suposto amado, Lorenzo.
Quando olhei para o lado, lá estava ela. Brittany. Mas seu olhar não era mais meigo como antes. Seus olhos carregavam uma enorme raiva, seu maxilar estava rígido, e seus punhos fechados. Ela ergueu a cabeça para me encarar, e me enviou um olhar frio. Aproximou-se de mim, e disse:
–Isso era o que eu mais temia.
–Nem sabemos se é ele. –respondi.
–Espero que não seja. Realmente espero que não... De qualquer jeito, terminamos aqui! –disse ela saindo.
–Não! Não aqui! –segurei em seu braço a impedindo de sair.
–Então, quando paramos? Depois da próxima colina? Rodaremos o país todo? Não! Isso acaba aqui, Santana! –esbravejou ela.
–O outro Lorenzo não está longe daqui. –tentei convencê-la.
–Não é o final que deseja, é? –disse ela se aproximando mais de mim. –Isso não é apenas uma história esperta com um bom enredo!
–Para Brittany...
–É a nossa vida! A vida da minha avó! –gritou ela me ignorando.
–Brittany, não tem nada a ver com a história! –argumentei.
–Ela já perdeu o cara uma vez. Quantas vezes mais você a faria perdê-lo? –disse ela cuspindo as palavras sobre mim. –Não espero que entenda isso, porque você não sabe nada sobre perdas de verdade! –gritou.
Olhei para ela, sorri tristemente e saí daquele lugar. Eu simplesmente não poderia continuar ali, eu precisava chorar e esquecer de tudo ao meu redor. Precisava esquecer ao menos um pouco da Brittany.
Narrador POV on:
Santana saiu do cemitério, e esperou ao lado de fora, tentando em vão, conter as lágrimas que não paravam de cair.
–Você está errada. –disse Claire para Brittany com uma expressão triste no rosto. –A mãe da Santana a abandonou quando ela era uma menininha.
–É diferente, vovó. –respondeu a loira abaixando a cabeça. –É muito diferente...
Claire se aproximou da neta, e colocou a mão direita em seu rosto.
–Você está certa, mas... –começou a senhora. –A mãe dela escolheu abandoná-la. E você sempre soube que seus pais a amavam.
Brittany suspirou, e Claire a envolveu em um longo abraço. Ficaram assim por mais alguns minutos, até decidirem voltar para o carro.
Santana estava parada, sentada em uma pedra perto do veículo, apenas olhando para o nada.
Quando ela viu as duas se aproximando, levantou-se rapidamente, e entrou no carro.
Elas seguiram em um completo silêncio até acharem algum hotel, e Santana logo tratou de ir para seu quarto.
Ela havia chorado tanto... Não queria admitir, mas as palavras da loira machucaram-a de uma maneira que ela nem imaginava que pudesse acontecer.
Havia tomado um banho, e estava a algum tempo sentada na frente do espelho, sem vontade de fazer mais nada. A hora do jantar já havia passado, mas ela continuava sem fome.
Seus olhos estavam vermelhos, seus cabelos molhados, e sua expressão triste... Não tinha vontade sequer de se mexer do lugar. Então ouviu algumas batidas na porta.
–Entre. –falou a morena sem animação alguma na voz. –Oi...
A senhora cruzou o quarto trajando as roupas de dormir, e sentou-se na cama.
–Querida... –começou ela. –Só queria ver se estava bem.
–Estou bem. –mentiu Santana. –Claire, eu sinto muito se causei...
–Não! –interrompeu Claire calmamente. –Cada minuto tem sido muito especial.
Santana a olhou com os olhos marejados, e Claire foi até ela, lhe envolvendo em um abraço apertado.
A senhora então se abaixou, ficando na altura de Santana, e começou a limpar as teimosas lágrimas que desciam em seu rosto. Pegou a escova de cabelo na penteadeira, e levantou-se novamente.
Virou o rosto de Santana em direção ao espelho, e começou a pentear de maneira calma os cabelos negros.
–Você sabia que uma das maiores alegrias da vida, é escovar os cabelos de alguém? –disse a senhora arrancando um sorriso de Santana.
Elas ficaram nessa mesma posição por mais alguns minutos. Os cabelos de Santana já estavam quase secos, até que Claire parou.
–Sinto muito por hoje cedo, minha querida. –disse a senhora. –Você sabe como Brittany é, mas isso não é motivo para ela lhe falar aquilo. Porém quero que saiba que você se tornou uma pessoa extremamente importante em minha vida, e eu não esquecerei isso que está fazendo por mim. –Santana apenas sorriu, e Claire lhe aplicou um beijo na testa. –Boa noite, querida.
A morena suspirou e deitou-se na cama, esperando por um sono que demorou a vir.
–----***-----
Santana acordou na manhã seguinte com uma enorme dor de cabeça. Levantou da cama, e ao passar pelo espelho tomou um susto. Ela estava com uma aparência horrível!
Tomou um banho, se arrumou e resolveu ir tomar café da manhã.
–Brittany, peça desculpas. –falava Claire enquanto avistava a morena se aproximar. –Olhando nos olhos, Brittany. Com arrependimento.
Antes que Santana pudesse chegar até a mesa, Brittany levantou e arrastou a cadeira para que a morena pudesse sentar.
–Obrigada. –disse Santana ao sentar-se.
–Santana... Eu... –começou Brittany.
–Olhando nos olhos. –cortou Claire, fazendo Brittany corar.
–Sim vovó, não tenho mais 12 anos... –Brittany sentou antes de continuar.
–Prove então. –desafiou Claire.
Brittany suspirou, olhando para as próprias mãos, depois ergueu a cabeça em direção a Santana e finalmente começou a falar:
–Eu sinceramente sinto muito, Santana. Não acontecerá novamente.
Santana olhou para a loira a sua frente, e abriu um sorriso.
–Santana... –disse Claire estendendo uma taça com suco para a morena. –Quero fazer um brinde. Quero agradecer pela coisa maravilhosa que fez para uma completa desconhecida, e como já te disse anteriormente, nunca esquecerei.
–Nem eu. –completou Brittany olhando nos olhos castanhos.
–Passei os dias mais incríveis. –disse Santana. –De verdade, e... Agradeço demais por me deixarem vir junto.
–Eu acho que você fez mais do que vir junto. –respondeu Claire levantando a taça, e sendo acompanhada das duas garotas. –A todos nossos entes queridos, onde quer que estejam.
Elas brindaram, e tomaram seus sucos. O clima não estava mais tão pesado, e Brittany e Santana já trocavam sorrisos e olhares novamente, assim como já interagiam uma com a outra.
–Bem, eu não sei vocês duas, mas eu quero um dia de folga! Já é quase hora do almoço, então acho que nem vale a pena sairmos aqui do hotel. –disse Claire. –Passemos mais uma noite aqui, que amanhã saímos cedo. O que acham?
–Por mim tudo bem, vovó. –respondeu Brittany.
–Por mim também. –concordou Santana.
–Então ótimo! Eu vou aproveitar e dar uma passada no SPA que eles têm aqui e aproveitar. Parece ser muito relaxante... Se quiserem se juntar a mim, fiquem à vontade. –disse Claire levantando. –Não me esperem para o almoço. E comportem-se!
As meninas riram da senhora, e quando ela saiu, um silêncio se instalou entre elas.
–Bem, eu vou aproveitar o tempo livre para escrever um pouquinho... –começou Santana levantando-se. –Nos vemos no almoço, Brittany.
–San, espera. –disse Brittany também se levantando, e segurando delicadamente no braço da latina. –Eu realmente sinto muito pelo o que disse ontem. Espero que possa me perdoar, e que tudo volte a ser como antes. Não gosto desse clima entre nós.
–Está tudo bem, Brittany. Eu te perdoo. –disse a morena, e Brittany abriu um sorriso. –Na verdade eu te devo desculpas também. Você estava certa desde o inicio.
–Não, você que estava. Eu nunca vi minha avó tão feliz em toda minha vida, e ontem nem sabíamos se aquele era o Lorenzo certo. Eu fiz uma tempestade em um copo d’água, e por causa da minha birra de criança mimada você ficou triste. –disse a loira e um fôlego só. –E eu não gosto de te ver triste.
–Tá tudo bem, Britt. Almoçamos juntas depois? –perguntou Santana.
–Claro. Estarei te esperando aqui em baixo. –respondeu a loira.
–Ok. Até mais tarde. –Santana deu um beijo na bochecha de Brittany, sorriu para a mesma e saiu em direção a seu quarto, enquanto a loira ficou parada no mesmo lugar com um sorriso bobo no rosto.
–----***-----
Mais tarde as duas almoçaram juntas em um clima descontraído, e foram descansar perto da piscina.
–Acha que ele é bonitão mesmo? –perguntou Brittany. –O tal Lorenzo?
–Pelo o que sua avó fala dele, deve ser. Porque a pergunta? –disse Santana virando-se na espreguiçadeira para encarar a loira.
–Sei lá. –Brittany também começou a encarar a latina. –E se ela gostar mais dele do que gostava do meu avô? Tipo... Eu me sinto como se eu fosse um erro desse jeito.
–Britt, Claire amava seu avô. Ele deu a ela um filho, e uma neta. Uma família! –disse Santana calmamente. –Porém talvez Lorenzo fosse sua verdadeira alma gêmea. E isso é um sentimento muito forte.
–É. Você tem razão... –respondeu Brittany. –Eu estava dando uma volta por aqui, e vi que tinha tipo uma sala de cinema. Você não gostaria de ir comigo? Quer dizer... Só se você não tiver nada pra fazer, e...
–Eu adoraria. –cortou Santana.
–Bem, ainda são 2 horas da tarde. Que tal se fossemos um pouco mais tarde, tipo as 7 horas da noite? –sugeriu Brittany.
–Acho perfeito. Então eu vou subir, terminar de escrever, e você me encontra aqui as 18:45. O que acha? –disse a latina.
–Posso ir te buscar no seu quarto? –perguntou a loira timidamente. –Porque daí já vamos juntas, e tal...
–Tudo bem! –concordou Santana. –Até mais tarde B.
–Até mais, San! –sorriu Brittany.
–----***-----
Horas mais tarde, Santana se olhava no espelho do quarto dando os últimos retoques em seu visual. Ela estava deslumbrante!
Usava um vestido rosa bem clarinho que destacava, e muito, seus seios, e ia até a metade da coxa bronzeada, e um sapato de salto preto. Sua maquiagem era leve, e seus cabelos formavam cachos que caiam em seu ombro.
Santana estava em duvida do que vestir, então preferiu essa combinação de roupas já que o hotel era realmente mais luxuoso que os outros que elas haviam estado anteriormente.
Ela terminava de passar o batom, quando alguém bateu na porta. A morena suspirou e foi em direção à porta.
Quando abriu, deu de cara com Brittany escondida atrás de um enorme buquê de rosas vermelhas. Ela estava extremamente linda na opinião da latina. A loira usava um short jeans claro, uma blusa branca caída no ombro, e um salto preto. Sua maquiagem destacava muito bem os olhos azuis, e seus cabelos estavam em cachos assim como os da latina.
–Queria me desculpar decentemente. –explicou Brittany. –São pra você.
–Não precisava. Obrigada Britt! –respondeu Santana pegando as flores e as largando em um vaso dentro do quarto.
–Eu peguei rosas vermelhas, porque elas me lembram de você... Sabe como é... Vermelho é uma cor de pessoas com personalidades fortes, marcantes. –disse Brittany envergonhada.
“É a cor da paixão também.” –pensou a loira, afastando esses pensamentos logo em seguida.
–Obrigada... –disse Santana sorrindo. –Vamos?
–Vamos.
Então a latina fechou a porta, e seguiu com Brittany pelo corredor, até o elevador.
Elas passaram um ótimo tempo juntas, apenas rindo de como o filme era ruim.
Narrador POV of
–Eu sinceramente não entendi quase nada daquilo. E os atores eram péssimos! –disse para a loira que caminhava ao meu lado.
–Eu também! A parte mais emocionante do filme foi quando a dentadura caiu da boca daquele senhor. Foi legal, mas nojento. –concluiu Brittany.
–Eca, aquilo foi horrível! Mas foi a parte mais emocionante mesmo... Isso que dá deixar você escolher o filme. –brinquei.
–Como é? Você que quis ver esse porque já tinha visto Romeu e Julieta! –exclamou Brittany. –E só tinham esses dois filmes. Acho que eles só assistem Romeu e Julieta aqui na Itália.
–Eu também acho! –disse rindo.
Andamos em um silêncio confortável, e estávamos chegando até a porta da entrada do outro prédio do hotel quando Brittany mudou de direção.
–O que você tá fazendo? –perguntei confusa. –Nossos quartos são nesse prédio.
–Estou apenas caminhando. –respondeu ela tranquilamente.
Pensei em voltar para meu quarto, mas alguma coisa me puxava para o lado daquela loira, e quando vi, já estava acompanhando-a novamente.
Caminhamos por um bom tempo em silêncio, até que ela andou pelo gramado, e deitou em baixo de uma arvore.
Eu fiquei olhando-a de longe, até que andei em sua direção.
–Posso me juntar a você? –perguntei.
–Por favor. –respondeu ela.
Deitamos, e ficamos novamente em silêncio, apenas olhando as estrelas.
–Eu costumava me deitar sob as estrelas no verão, quando era pequena. –disse. –“Duvide que as estrelas sejam fogo, duvides que o sol se mova...”.
–“Duvides que a verdade seja mentirosa, mas não duvides jamais do meu amor”. –terminou Brittany a citação de Shakespeare que eu havia iniciado.
Nos olhamos, e sorrisos surgiram em nosso rosto quase que instantaneamente.
–Ainda acha que Lorenzo está por aí? –perguntou Brittany.
–Acho. –respondi. –Em algum lugar.
–Então estou errada em insistir que ela desista? –perguntou Brittany novamente.
–Não, sabe... Não se pode continuar para sempre. Em algum momento, se deve parar. –respondi.
–E por que me sinto como um garoto, em um domingo antes da aula? –falou Brittany. –O crepúsculo chega e eu não quero ir.
–Nem eu... E sempre gostei da escola.
Nossos rostos estavam próximos, nossas respirações se misturavam, e ela me olhava de um modo profundo.
Então chegamos cada vez mais perto uma da outra. Meu coração batia forte dentro do meu peito, e minha respiração estava descompassada.
Senti sua mão segurando minha cintura, e seu nariz tocar no meu... E então, finalmente seus lábios encostaram-se aos meus, e eu simplesmente senti como se o mundo finalmente fazesse sentido.
Sua língua pediu passagem, e eu logo cedi. Seu sabor me embriagava e eu queria cada vez mais, como se fosse o último beijo que daríamos em nossas vidas. A cada movimento eu sentia que estava mais entregue. Era como se a boca de Brittany havia sido moldada para a minha.
Finalmente todas aquelas coisas clichês de livros e romances faziam sentido.
Tudo fazia sentido, agora... Eu estou apaixonada por Brittany Susan Pierce.
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