Cartas Para Antônio Ferreira
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Por Edgar
Ela me olha boquiaberta, acho que não imaginava uma resposta dessas e ter a pego de surpresa me dava uma satisfação enorme, afinal não era sempre que conseguia uma proeza dessas, normalmente era o contrario ela me surpreendia com suas atitudes, mas principalmente com sua ousadia... levo a minha mão ao seu rosto e acaricio a pele macia de sua face, o contato pele com pele acabou por desperta-la do transe e ela finalmente abre a boca para me responder.
– Então esta perfeito senhor meu noivo, hoje mesmo me tomaras por esposa.
O sorriso que eu abro em resposta deve tê-la distraído, pois ela se esquece da brincadeira e não repele a minha aproximação quando grudo nossos lábios em um beijo.
– O senhor meu noivo esta muito atrevido... Eu vou voltar para companhia da minha futura sogra, assim fujo das tuas investidas.
– Pois eu lhe acompanho, mas não para desfrutarmos da companhia da minha mãe, mas sim para avisa-la de que estamos de saída.
– Estamos?
– Sim estamos, não passarei mais um dia, uma hora se quer sendo apenas seu noivo.
– Não estendo para que tanta pressa... Poderíamos deixar o assunto para resolvermos amanhã ou ate mesmo na semana que vem.
– Se isso acontecer eu serei obrigado a apressar algumas coisas que acontecem com os noivos apenas após os laços matrimoniais, mas precisamente na primeira noite de casados.
– Nem pense nisto Edgar, não tive a minha noite de núpcias na primeira vez, não abrirei mão dela agora.
As palavras dela foram a tom de brincadeira, mas me acertaram em cheio me trazendo a memoria nossos primeiros meses de casado, não posso dizer que não gostei da primeira vez em que tive a Laura em meus braços quando a fiz minha, mas ela estava certa nós não tivemos nossa noite de núpcias, para um homem acho que isso não tem muito significado, mas para uma mulher imagino que deve ser uma data importante, é o momento em que fica marcado a sua saída da casa do seu pai, de sua proteção para mudar para a própria casa debaixo da proteção de outro homem, do seu marido... Fico perdido nesses pensamentos e desta vez é a Laura que me desperta.
– Edgar você esta bem?
– Sim meu amor, só estava aqui pensando no quanto você esta certa.
– Do que você esta falando?
– Deixa pra lá, vamos entrar que a nossa falta já deve estar sendo sentida pelas crianças, principalmente pelo Antônio, que já deve estar com fome.
– Esta bem, mas isso não nos vai atrasar? O juiz não vai nos esperar a tarde toda.
– Se não pudermos ir hoje, então iremos amanhã, não precisamos correr.
Ela franze o cenho e me olha intrigada não reconhecendo a calma do homem parado a sua frente e provavelmente se perguntando a onde fora parar a minha afobação.
– Pensei que estavas com pressa para resolvermos a nossa situação...
– E estou, mas não quero ter que sacrificar nada por causa da minha impaciência, quero fazer tudo certo.
– Tem certeza? Eu não pretendo voltar atrás com relação a minha noite de núpcias.
– Eu também não minha noiva fique tranquila, você terá tudo o que tem direito.
– Edgar o que esta aprontando?
– Eu? Nada Laura, eu não estou aprontando nada... Agora vamos que acho que estou ouvindo o choro do nosso pequeno.
...
Minha mãe estranhou o fato de nos ver saindo em direção a nossa casa ao invés do cartório, mas não queria explicar para ela o que tinha em mente na frente da Laura, então o fiz por telefone assim que a Laura subiu para deixar o Antônio no berço e ajudar a Melissa com o banho, depois de falar com a minha mãe fiz mais alguns telefonemas e quando a Laura desceu novamente eu já estava sentado no sofá fingindo interesse em um livro que encontrei na mesinha de centro no qual eu não tive nem o trabalho de procurar saber o titulo. Após o jantar eu subi para colocar a Melissa na cama e quando retornei a sala a Laura estava distraída com o mesmo livro que eu havia largado minutos antes de irmos jantar, me aproximo lentamente e a surpreendo com um beijo na curva do seu pescoço bem próximo ao seu ombro.
– Me acompanha em um porto?
– Edgar! — o tom dela é de repreensão, mas um brilho nos seus olhos acusa o desejo crescente.
– Só um pouquinho, não ha de fazer mal.
– Você disse a mesma coisa do vinho na hora do jantar.
– Disse é? Não estou lembrado — digo brincalhão já servindo dois cálices.
– Edgar não brinque com o fogo...
– É só um cálice meu amor...
– Pois sei muito bem onde isso tudo costuma dar.
– Não Precisamos fazer nada que não quisermos.
– Ai é que esta o problema.
Ela estende a sua mão para pegar o cálice que eu lhe ofereço sem tirar os olhos dos meus e nesse momento eu sei que estou prestes a me queimar... ela desvia o rosto quando o meu olhar começa a mudar e sei que ela esta fugindo para não se deixar levar, ela começa a andar pela sala colocando alguma distancia entre a gente enquanto termina com o seu porto, ainda de costas para mim ela leva uma das mãos a nuca a massageando de leve e sem pensar muito em minhas atitudes já estou pousando o meu cálice na mesinha, encurtando a distancia entre nós e levando as minhas mãos ao seu ombro.
– Quer que eu te ajude com isso?
– É melhor não Edgar...
– O que há de errado em uma massagem?
Ainda evitando contato visual ela se afasta um pouco de mim, repousa a sua taça ao lado da minha e se senta no sofá puxando os cabelos para frente do ombro e expondo as costas e a nuca, eu me aproximo e me sento atrás dela iniciando com a massagem, era para ser um gesto simples e até mesmo inocente, mas meu corpo não estava querendo cooperar com isso, principalmente quando sentia os ombros dela relaxarem e a sua respiração se alterar com o meu toque... me demorei um pouco mais em sua nuca e ombros e depois fui descendo as minhas mãos pelos seus braços enquanto os meus lábios entravam em contado com a pele macia do seu pescoço.
– Edgar! –
A respiração descompensada dela não deu o tom de repreensão que ela queria impor a voz e eu continuo com os beijos, a medida que as minhas mãos vão escorregando pelos seus braços indo de encontro as mãos dela repousadas em seu colo, quando as encontro eu aperto o meu abraço trazendo o seu corpo para o encontro do meu, sem conseguir reprimir um gemido ela tomba a cabeça para trás os seus lábios procurando os meus. Ficamos assim trocando beijos e carinho até que ela se levanta do sofá e me puxa pela mão e caminhamos rumo ao nosso quarto.
O percurso até a escada e depois no corredor que levava ao nosso quarto foi marcado com beijos, abraços e apertos, nossa respiração estava totalmente descompensada e o desejo de chegarmos ao quarto e nos amar afetava a nossa coordenação motora, nos fazendo esbarrar em tudo o que era lugar, gerando uma serie de risos que eram reprimidos com beijos para não acordamos a casa inteira... Quando chegamos ao nosso quarto que cessamos com os beijos para podermos abrir a porta é que me subiu a consciência o que eu estava prestes a fazer.
– O que foi Edgar vai ficar parado ai a porta?
– Acho que não devíamos...
Não termino a frase, mas ela parece ter entendido bem o que eu estava dizendo... o riso deixou o nosso rosto e passamos a nos encarar sérios com o nossos peitos em um sobe e desce frenético enquanto tentávamos controlar a respiração.
– Tem certeza? – Ela coloca a mão na cintura e me encara cobrando uma resposta.
– Não eu não tenho...
– Decida-se Edgar, você vai entrar ou não?
– Acho que vou dormir no quarto de hospedes hoje. – Digo sem um pingo de convicção, mas não me movo do lugar e continuo a encarando pensando se serei forte o bastante para virar as costas.
– Então boa noite! – Ela leva a mão a maçaneta e começa a fechar a porta antes que ela termine no, entanto eu a impeço num instante eu estou segurando a porta e no outro a estou beijando... meu gesto foi tão repentino, tão rápido que a peguei de surpresa.
– Eu não quero ir... – Digo assim que os meus lábios relutantes deixam os seus.
– Então fica. – Ela se coloca na ponta dos pés apoiada em meu peito e leva a sua boca a minha orelha onde me da uma mordida.
– Você ainda vai me deixar louco! – A aperto um pouco mais em meus braços e lhe beijo com intensidade, para depois solta-la e me dirigir para porta... antes de fecha-la eu coloco a cabeça para dentro do quarto meus olhos indo de encontro as da Laura que ainda estava parada encarando a porta totalmente incrédula.
– Te vejo a manhã senhorita Assunção, isso se ainda quiser casar comigo.
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