Cartas Para Antônio Ferreira
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Por Laura
Fico encarando-o sem dizer nada e percebo o desespero dele pela minha falta de resposta... Levo as minhas mãos ao seu rosto e ele fecha os olhos absorvendo a sensação que o meu toque trás enquanto acaricio a sua barba, aproximo a minha boca da dele e lhe dou um beijo no canto dos lábios e depois vou subindo até chegar ao seu ouvido, dou uma pequena mordida no lóbulo da sua orelha e sussurro.
– O senhor é muito apressado, se quer me da tempo para que eu possa tomar uma decisão — Ainda de olhos fechados ele solta um suspiro desapontado.
– Pensar no que Laura? Não tem o que pensar é só dizer se quer ou não voltar a ser minha mulher.
Ele se afasta para poder encarar-me nos olhos, com a preocupação estampada nos seus e me pergunto o ele faria se a resposta fosse negativa.
– Edgar se eu lhe disser não o que vai fazer?
– Você vai me dizer não?
– Eu perguntei primeiro.
– Eu não sei Laura não pensei nesta possibilidade.
– Achou que eu ia dizer sim de imediato... Sem pensar duas vezes?
– É uma atitude natural em uma situação assim onde duas pessoas q se amam...
– Então se não te aceitar é porque não te amo... – Eu o interrompo feito uma criança petulante enquanto tentava desvendar o que tinha em sua cabeça.
– Não foi isso que eu disse Laura, eu não duvido do seu amor por mim assim como não duvido do meu por você... Mas achei que fosse aceitar, tive receio sim de que você achasse desnecessário alegando que não se importa com o que os outros pensam a nosso respeito, mas não achei que isso seria motivo suficiente a ponto de me recusar.
–Eu acho desnecessário e também acho que não devemos nada a ninguém.
Ele abre a boca para rebater, mas não encontrando palavras a fecha novamente, leva as mãos ao cabelo depois a cintura e ainda assim fica mudo... E eu me controlo para não dar risada do seu jeito impassível, ele fica um charme quando esta nervoso.
– Mesmo achando isso senhor Vieira apesar desses motivos, eu quero sim ser sua esposa novamente, isso perante a sociedade, perante o juiz, mas a verdade Edgar é que eu nunca deixei de ser sua mulher... Nem mesmo nos anos em que eu estive longe... Edgar eu estava longe fisicamente porque os meus pensamentos não te deixavam nem um dia...
– Nem uma noite...
– Nem por um segundo Edgar!
Sua expressão passa de zanga para alivio em poucos minutos e mal dou tempo a ele para se recompor e me jogo em seus braços juntando os lábios em um beijo apaixonado.
Por Edgar
Bem sei se a intenção dela com aquele discurso todo era me deixar louco, então devo dizer que ela conseguiu, por um momento achei mesmo que ela iria dizer não e já estava pronto para tentar contra argumentar, tinha ciência de sua teimosia assim como conhecia a minha própria e não iria desistir ate obter o meu sim... Não que eu desse muita importância ao que diziam as pessoas sobre a nossa situação, nada disso me importava já que a Laura como ela mesma disse nunca tinha deixado de ser minha mulher e não iria ser um papel que iria dizer o contrario... Mas agora também tinha o nosso pequeno Antônio no meio disso e a consequência que a nossa situação iria trazer para ele é que me incomodava e me tirava o sono. Volto a apertar a Laura contra a coluna sem descolar os nossos lábios e é perceptível a reação que esse meu gesto provoca ao seu corpo... Estava me sentindo o homem mais afortunado do mundo pelo seu sim, mesmo que a nossa vida juntos não fosse mudar se ela tivesse dito não, tirando o fato, é claro que eu não iria deixar o assunto morrer e lhe apresentaria o meu lado insistente, mas ouvir o sim dela despertava as mais incríveis sensações em mim, era como se eu estivesse pedindo a sua mão novamente e ela estava reafirmando com esse sim que confiava em mim novamente para desposa-la.
– Você me deixa completamente louco senhora Vieira.
– Percebi senhor Vieira e você não tem vergonha de agir dessa forma comigo?
– De que forma? — A olho intrigado enquanto ela pressiona as suas mãos contra o meu tórax tentando abrir uma distancia entre nos.
– Não é porque estamos noivos que o senhor pode tomar liberdades comigo, eu sou uma moça de família.
Ela tenta falar serio, mas vejo um pequeno sorriso pairando no canto dos seus lábios então entro na brincadeira.
–Mil perdoes, longe de mim querer lhe faltar com respeito... Mas confesso que tenho dificuldades em manter distancia de você quando estamos assim sozinhos... — Falo de um jeito calmo enquanto volto a me aproximar lentamente dela.
– Percebi, mas devo dizer que estas me saindo um péssimo noivo, fique você sabendo que tenho pai e irmão muito zelosos que não mediram esforços para preservar a minha honra.
– Tem é? Acho que eles não precisam saber dos detalhes do que se passou neste jardim, podemos guardar segredo. – Ela não consegue disfarçar o riso pelas minhas palavras e aproveito de sua distração para alcançar o seu pescoço onde começo a depositar vários beijos e apesar das mãos dela ainda estarem firmes em meu peito sinto que ela se derrete toda, mas quando aproximo os meus lábios da sua boca ela termina por nos afastar com um sorriso divertido nos lábios...
– Não pense que pelo fato de estar longe das vistas do meu pai ou do meu irmão irei deixar que tomes liberdade, não senhor, eu sei preservar a minha honra...
– Laura eu já estou me cansando desta brincadeira eu quero te beijar e quero agora. – Lanço um olhar de desafio para ela o que faz ampliar ainda mais o seu sorriso.
– Pois tente e irei dar queixa ao meu pai, ele com certeza ira vir em minha defesa.
–Laura!
– Já lhe disse, enquanto não for oficialmente meu marido não terá nenhum direito sobre mim, se quiser me beijar, então beije a minha mão que não haverá mal algum.
Num gesto provocativo ela estende a mão direita para mim, sem conseguir disfarçar o ar de divertimento... Eu a seguro em minha mão e sem desprender o meu olho do dela eu levo a sua mão a minha boca e a beijo
– Se a dama prefere assim... Então que assim seja.
– Você está concordando em esperar até oficializarmos nossa situação?
– Sim estou eu sou em cavalheiro e não pretendo faltar-lhe com o respeito.
– Deixa-me ver se entendi... Você vai esperar até oficializarmos tudo para...
– Sim pretendo... Porque esta arrependida?
– Não eu não estou só achei que você não pretendia esperar tanto tempo...
– E esta certa, não irei esperar muito tempo.
– Não?
– Não irei leva-la para oficializarmos tudo o mais breve possível.
– Já tem a data senhor meu noivo?
– Sim, a menos que esteja arrependida pretendo colocada de frente ao juiz hoje mesmo... e então Laura o que me diz?
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