Cartas Para Antônio Ferreira
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Por Laura
Parece que estou vivendo um sonho, depois de tantas brigas de tantos desencontros e mal entendidos nós finalmente estávamos juntos e estar nos braços do Edgar me trazia uma sensação de felicidade que eu não conseguia mensurar, nosso beijo que estava carregado de saudades e urgência estava ganhando mais intensidade, uma das mãos do Edgar deixam o meu rosto e alcançam a minha cintura e logo sinto a pressão de sua mão trazendo o meu corpo para se unir ao dele e por mais que o meu corpo esteja pedindo pelo dele eu me esquivo da sua investida.
– Não Edgar.
– Porque não Laura?
– Nós não estamos na nossa casa Edgar se contenha.
– Na nossa casa?
– Você entendeu, não estamos na sua casa, eu não quero que abusar da hospitalidade da Isabel.
– Não faz isso comigo Laura eu não sei se aguento chegar em casa.
– Então deixemos para outro dia.
– Esta querendo me castigar?
– Você merece por me ter enganado.
– Laura!
Eu me esquivo novamente dele lhe dando as costas mais ele impede a minha fuga me agarrando por trás e me mantendo presa junto a ele enquanto seus lábios passeavam pelo meu pescoço.
– Eu já fui e muito privado da sua presença, não vou conseguir me afastar de você nem por mais um dia... eu senti tanto a sua falta.
– Eu também senti Edgar.
– Então porque e repeles com tão pouca compaixão?
Eu me liberto de suas mãos que se fechavam na minha cintura e me viro de frente para ele encarando a cara de decepção que ele faz pelo meu gesto, eu dou risada da sua expressão e envolvo os meus braços em seu pescoço.
– Você parece um menino mimado quando contrariado sabia?
– Um menino mimado que você ama!
– Sim eu amo, amo muito.
Ambos damos risadas para depois voltarmos a nos beijar desta vez nos deixando levar pelo desejo que nos consumia. Ele me toma nos braços e me leva no colo até a minha cama numa lentidão absurda, a pressa parecia ter se esvaído deixando apenas a vontade de eternizar aquele momento e fazer dele único e assim nos demoramos em cada toque, cada caricia nos deliciando com cada um deles até o nossos corpos não aguentarem mais para se aprofundarem e se tornarem um.
...
Desperto com os beijos do Edgar em meu ombro nu e esboço um sorriso ao constatar que não estava sonhando, ainda sem abrir os olhos eu me aconchego em seu peito cheia de preguiça, mas plenamente satisfeita pela noite que passamos juntos.
– Hum de repente o fato de estarmos na casa da sua amiga não mais lhe incomoda tanto, não se importa em ficarmos na cama até o meio dia?
– Nossa Edgar porque você não me avisou que as horas já se tinham avançado tanto?
Eu me levanto de sobre salto, tendo o cuidado de manter o lençol sobre o meu corpo enquanto vasculho o quarto com os olhos a procura do meu penhoar, parando ao reparar no ar de divertimento dele.
– Qual é a graça?
– Você sua boba!
Ele me puxa pelo braço me fazendo cair em seu colo e logo sou coberta de beijos.
– Para Edgar o que a Isabel vai pensar nos vendo levantar a essa hora...
– Ela já deve estar pensando muita coisa, mas não se preocupe com a hora meu amor eu estava brincando com você, ainda é cedo temos muito tempo pra nós dois.
– Tarde de mais senhor Vieira sua brincadeira lhe cobrou um preço... a hora é de levantar e se arrumar para o trabalho ou vai me dizer que o senhor advogado não ira trabalhar hoje?
– Não eu decreto a minha folga que pretendo passar em sua ilustre companhia.
– Me sinto honrada por tal privilegio... o que foi Edgar já se arrependeu?
– Não é isso meu amor é a Melissa, eu tinha me esquecido totalmente dela.
– Ela ai dormir na sua casa ontem?
– Não ela dormiu na casa da minha mãe, ela esta morando comigo agora mas eu não tenho lhe dado tanta atenção então ontem eu prometi que iria tirar o dia de folga para poder ficar com ela.
– Edgar ela é sua filha não precisa se preocupar pode ficar com ela.
– Sabe o que ela me pediu quando eu lhe fiz essa proposta? Ela perguntou se poderia convidar você para vir conosco.
– Ela disse isso?
– Disse mas eu estava tão irritado com a sua carta que disse que você estaria ocupada demais para vir conosco.
– Você é tão ciumento.
– E como não ficaria com aquela carta? Laura você acabou comigo... tem noção do quanto eu sofri com essa sua brincadeira?
– Me perdoe meu amor mas eu estava tão irritada por você ter me enganado com essa história de cartas que queria lhe dar o troco.
– E o tapa de ontem se deve a isso também?
– Desculpa mas você mereceu... anda não fica assim, o que eu posso fazer para me retratar?
– Aceite o meu convite e venha passear com a gente.
– Não sei Edgar esse me parece um momento de pai e filha eu iria atrapalhar.
– Esse é um momento de família Laura e você e a Melissa são a minha família, aceita vai, por favor, eu não quero passar o dia inteiro longe de você.
– Esta bem eu aceito, mas vamos levantar desta cama antes que eu mude de ideia.
Quando finalmente deixamos o quarto e nos dirigimos a sala de jantar para o desjejum encontramos a Isabel já a mesa e nos sentamos um tanto constrangidos pela situação, eu cumprimento a minha amiga com o olhar e logo a voz do Edgar quebra o silencio.
– Bom dia Isabel.
– Bom dia Ferreira... quer dizer Edgar.
– Isso caçoem a vontade que eu mereço.
– Desculpa Edgar eu não resisti.
– Eu bem vi que a Laura tinha um cúmplice.
– Negativo, eu só fui incumbida de abrir a porta e guardar segredo, o resto foi por conta dessa cabeça dura, se entenda com ela.
– Pode deixar que eu vou me vingar, como pena vou faze-la passar o dia inteiro em minha companhia.
– Ih amiga já vi que você não terá como escapar a isso, vai ter que ceder as vontades desse homem.
– E só a ideia já me parece maçante!
– Maçante? Pois saiba que com isso acabas de perder o direito ao termino do seu desjejum, terá de me acompanhar para o inicio da sua pena agora.
– Me desculpe Isabel mas mediante a tais argumentos eu não vejo outra alternativa, terei de acompanhar esse senhor.
Nos damos risadas e então me levanto para acompanhar o Edgar e dou um abraço apertado em minha amiga que sussurra um seja feliz em meu ouvido e então deixamos a casa para iniciarmos o nosso dia juntos. Nossa primeira parada é na casa da dona Margarida, o Edgar sai do carro e o contornando abre a porta do meu lado num gesto convidativo para eu descer do carro, mas eu fico imóvel onde estou encarando a sua mão estendida para mim.
– Edgar eu acho que vou ficar no carro.
– Por quê?
– Eu não sei se estou preparada para ver a sua mãe, o que nós vamos dizer se ela nós perguntar se estamos juntos novamente?
– Nós não precisamos dizer nada meu amor, ela vai saber a resposta assim que ver o brilho de felicidade em nossos olhos.
Ele aperta a minha mão tentando me transmitir confiança e eu vejo nos seus olhos o quanto ele quer aquilo, eu levo a minha mão livre para o seu rosto acaricio a sua barba e lhe dou um beijo de leve.
– Esta bem eu lhe acompanho senhor advogado.
Ele me da um sorriso lindo e infantil e me ajuda a descer do carro, somos recebidos na porta pela empregada que nos encaminha até a sala onde estão a dona Margarida e a Melissa ambas com uma boneca nas mãos. Elas ficam surpresas com a nossa entrada mas a primeira a reagir é a Melissa que larga a boneca no sofá e corre na nossa direção só que em vez de abraçar o pai ela abraça a mim.
– Meu filho que surpresa boa... Laura eu não sabia que você conhecia a minha neta.
– Bom dia dona Margarida! Eu conheci a Melissa assim que voltei do interior, não sabia que era a Melissa do Edgar até ela ter uma crise de asma.
– Filho você não me contou nada disso, e pelo visto continua não me contando muita coisa.
– Desculpa minha mãe eu tenho muito que te contar, mas não poderá ser hoje, estou devendo um passeio a certa abelhinha.
– Serio papai? A senhorita Vieira vai com agente?
– Vai minha flor, você não pediu que eu a convidasse?
– E o senhor vai perguntar pra ela?
– Perguntar o que Edgar? — Não consigo conter a curiosidade apesar de estar um tanco constrangida com o olhar da dona Margarida sobre a gente.
– Depois eu te explico... mãe nós já vamos, muito obrigado por ter recebido a Melissa aqui.
– Imagina meu filho é uma alegria receber a minha neta nessa casa!
Nós nos despedimos da dona Margarida e nos viramos para nos dirigir a porta mas antes que eu alcance o Edgar e a Melissa ela me detém e me da um abraço apertado que eu retribuo um tanto desconcertada.
– Obrigada Laura.
– Obrigada? Mas porque dona Margarida eu não entendo...
– Obrigada por trazer o brilho de volta aos olhos do meu filho.
As palavras dela me deixam comovida eu é que deveria agradecê-la por ter dado a luz e criado um homem tão maravilhoso como o Edgar... eu lhe dou outro abraço e depois me dirijo a porta para me juntar a Melissa e ao Edgar.
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