Carry On My Wayward Son
2 Primos?
Notas iniciais
Pov. Annabeth
Quando estava levando minha avó para o psicólogo encontrei um garoto que despertou minha curiosidade, ele ficava em seu canto, deprimido e sozinho, não tinha que ser nenhuma médium para ver a áurea de tristeza que se formava a sua volta.
Não sei dizer o porquê, mas sentia que podia ajudar aquele garoto, e só depois percebi que já havia visto ele. Sim, ele era da minha escola.
Depois de conversar rapidamente com ele, voltei a acompanhar minha vó.
Passei a noite inteira pensando nele e em sua tristeza, não que eu sentisse pena dele, todos temos tristes histórias para contar, mas eu tive aquele impulso para ajudar e era isso que eu faria.
No dia seguinte o encontrei debaixo de uma árvore, e fui puxar papo com ele. E acabei falando para me encontrar ali depois da escola.
Durante a aula de história Thalia, minha melhor amiga, me passa um bilhetinho.
“Quem era aquele garoto que você conversava hoje mais cedo?”
Fiquei um pouco nervosa, mas respondi.
“Alguém que pretendo ajudar. Depois te conto”
Passei de volta, e voltei a prestar atenção na aula.
Na hora do almoço sentei com Thalia, Luke, Nico e Bianca. Não era um grupo muito grande, mas para mim bastava, começamos a conversar e a rir altamente com as piadas que os meninos contavam, até que vi Percy sentar sozinho em uma mesa. Fiquei triste por ele, então sai da mesa e fui em direção à ele.
–Olá – disse alegremente – por que não senta ali com a gente? – perguntei logo de cara.
–Ah, eu não sei, eles nem me conhecem – ele disse sem graça.
–E é um ótimo motivo para você vir e conhece-los, então – disse já puxando a manga de seu casaco, e ele ficou sem opções além de me seguir.
Assim que ele sentou, o apresentei.
–Gente esse é o Percy, sejam legais.
Apresentei cada um deles, e ele pareceu gostar, de uma forma tímida, conhecer gente nova.
Luke que pareceu não gostar muito dele, o encava de forma estranha, mas não acho que ele tenha percebido. O resto do grupo pareceu gostar dele, tentava sempre puxar conversa e fazer piada, até conseguiram arranca dele um ou dois sorrisos e aquilo me deu motivação para continuar ajudando-o.
E como prometido, no final do dia nos encontramos na entrada da escola. Ele parecia um pouco nervoso, mas deixei de lado essa observação.
–O que achou dos meus amigos – perguntei.
–São muito legais – respondeu com sinceridade.
–Então, o que quer fazer? – ele perguntou.
–Que tal andarmos, e se uma ideia boa vier a cabeça, a gente faz – respondi.
–Você não tem nenhuma ideia né? – ele disse.
Fingi refletir por um momento e conclui.
–Não tenho.
O puxei para a calçada e começamos a andar e a conversar, ele era bem quieto, mas dei conta, não deixei a conversa morrer, e sempre que o assunto acabava, logo jogava outro em cima.
Parei na frente de uma loja de fantasia e o olhei de uma forma que induzia a minha ideia, e ele logo entendeu.
–Ah, não – ele disse tentando sair de perto, mas fui mais rápida e o puxei para dentro da loja. Parecia um ratinho encurralado quando o deixei em um sofá perto dos provadores. Fui para as araras procurar alguma fantasia, e achei uma perfeita. Joguei-a em cima dele que me olhou como se dissesse “Serio?”.
–Vai, por favor, só para a gente se divertir – eu disse com um sorriso brincalhão no rosto.
Ele resistiu muito, mas eu era mais forte e ele logo cedeu, bufou e foi para um dos provadores. Alguns minutos ele voltou vestido de cowboy, e eu não me aguentei, cai no chão de tanto rir. Ele estava igualzinho ao Woody de Toy Story.
–Está bem , já chega, vou colocar minhas roupas – ele disse e eu continuei a rir – você me deve uma.
Saímos da loja e continuamos a andar, até achar um café, onde paramos para beber alguma coisa.
Sentamos em uma mesa e voltamos a conversar.
–Ainda não entendi por que está tentando me ajudar – ele perguntou.
–Também estou tentando descobrir – disse sorrindo – mas eu acho que você acabou de fazer uma amiga Percy Jackson, e vai ter que me aguentar de hoje em diante.
–Ah, não – disse ele brincando, me fazendo rir.
–Acho melhor eu ir para casa.
–Ah claro – ele disse se levantando.
Pagamos a conta e voltamos a caminhar, logo chegamos na minha casa. Dei-lhe um abraço e entrei em casa. Assim que olhei meu celular tinha umas três ligações perdidas da Thalia.
Disquei seu número e ela atendeu na primeira chamada.
–Onde você estava – disse ela quase gritando no telefone.
–Eu falei que ia sair com o Percy – respondi na defensiva.
–Ok, que seja. Você não vai acreditar – disse animada demais. Não era seu estilo, mas tentei ignorar.
–O Green Day vai dar um show aqui perto – perguntei.
–Bem que eu queria, mas não.
–Fala então.
–Esse garoto, que você saiu hoje – ela fez uma pausa dramática – é meu primo.
–O que?! – falei alto demais – e você descobriu agora? Ou não me contou antes?
–Agora! Descobri que meu pai tem um irmão que não conversa há anos, e de repente, tenho mais membros na família.
–Nossa, Thalia, não sei nem o que dizer – acabei rindo da situação, de como ela estava tensa e animada ao mesmo tempo.
–Para de rir, isso é sério. Minha mãe deu chilique quando meu pai tocou no assunto, e disse que já estava na hora de eu e meu irmão conhecermos meu tio e não sei mais o que, você sabe que não presto atenção no que ela diz.
–E por que está tão nervosa? – perguntei.
–Eu sei lá, não é todo dia que descobre que tem um tio e primo de primeiro grau –ela disse indignada – mas enfim, você viu como o Luke estava enciumado hoje, quando você apresentou o Percy?
–Eu não diria que ele estava com ciúmes, Lia.
–Ah, serio! O cara ama você há anos, e do nada você apresenta um garoto novo para a gente, toda animada – ela disse segurando o riso
–Cala a boca Thalia, ele não gosta de mim – eu disse com certeza.
–Se você diz – falou ironicamente.
–Boa noite, até amanha –eu disse encerrando a conversa.
–Até – ela respondeu e desligou o telefone.
Deitei na cama e fiquei pensando em tudo o que havia acontecido hoje, será que era verdade o que a Lia disse, conhecia Luke desde os sete anos. Éramos como irmãos. E Percy, com aqueles lindos olhos verdes, mais ainda tristes, faria de tudo para colocar um sorriso em seu rosto.
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