Carry On My Wayward Son
3 Luke apaixonado
Notas iniciais
Pov. Luke
Será que ela está gostando daquele cara mongo, deprimido, que não tem nada a ver com ela? Não percebe que fui o único a ficar perto dela todo esse tempo? Que derreto todo dia ao vê-la de manha. E que sou totalmente apaixonado desde os dez anos?
Não sei mais o que fazer, só não quero perde-la. Quando a vi apresentando aquele tal de Percy, toda sorridente, quase dei uma voadora naquele moleque, e a sacudi para perceber que estou aqui.
Teria que planejar alguma coisa para melhorar minha situação.
Pov. Annabeth
Assim que adormeci, um sonho começou a se formar em minha mente.
Eu tinha sete anos de novo e estava brincando em meu quarto, quando ouvi o grito de minha mãe no andar de baixo. Fiquei assustada, mas criei coragem e desci as escadas devagar. Foi quando vi um homem armado e a porta da frente escancarada. Ele apontava a arma para minha mãe, fazendo um monte de perguntas “Onde fica o cofre da casa?”, “Tem mais alguém em casa?”, “Onde você esconde o dinheiro?”.
Corri para o quarto de meus pais e tranquei a porta, peguei o telefone fixo e liguei para a polícia, falei o que estava acontecendo, e eles responderam que estariam aqui em um minuto. Mas parece que alguma coisa tinha dado errado, e ouvi um barulho alto vindo da cozinha, e outro grito de minha mãe.
Comecei a chorar desesperadamente, tentei criar coragem para ver o que tinha acontecido, mas não conseguia me mover, apenas sentia as lágrimas descendo. Mesmo com pouca idade, já sabia o que aquilo significava, e então, depois do que pareceram anos, ouvi a sirene da polícia. Chegaram tarde demais.
Acordei assustada, e com minha camiseta colada em meu corpo por causa do suor. E percebi que tinha chorado enquanto dormia. Tinha acabado de me reviver minha pior lembrança.
A porta do meu quarto abriu e minha avó entrou, ela tinha um olhar preocupado, não disse uma palavra. Apenas se sentou na beirada da minha cama e me abraçou. Aquilo tinha acontecido mais vezes do que gostaria. Ela me fazia companhia, já que meu pai trabalhava quase vinte e quatro horas por dia. E ela não gostava de me deixar sozinha.
–Está melhor, querida? – me perguntou carinhosamente depois de um tempo.
–Estou sim, desculpa por ter te acordado – disse sem graça.
–Não tem problema – respondeu secando uma das minhas lágrimas, que sem perceber haviam voltado a cair – Boa noite, Annie.
–Boa noite vó.
Ela se levantou, deu um beijo em minha testa e voltou para seu quarto. Não conseguiria dormir tão cedo, então decidi ligar para alguém, ver se conseguia me distrair um pouco. Olhei para o relógio e eram um pouco mais de duas da manhã, me senti culpada por estar ligando naquele horário, mas o fiz de qualquer jeito.
Disquei o número de Percy.
–Alô? – ele disse com a voz sonolenta.
–Ah, oi, é a Annabeth – respondi devagar.
Ele esperou um pouco para continuar, pensei que havia voltado a dormir quando voltou a falar.
–Aconteceu alguma coisa? Você está bem – ele disse ainda sonolento, mas com um tom preocupado na voz.
–Não, é que... – comecei, mas logo me arrependi de ter ligado. O que eu estava pensando? O conhecia há muito pouco tempo, e já estava ligando para falar de problemas pessoais?
–Pode falar – ele disse, me incentivando a continuar.
–Nada, me desculpe, eu só estava solitária. Que ideia a minha, devia saber que estava dormindo – disse tentando falar com mais confiança.
–Não tem problema, você está bem mesmo? Parece estranha – disse desconfiado.
–Estou, devo estar cansada. Boa noite, até amanha.
–Até – ele respondeu e eu desliguei rapidamente.
Estava, ainda, muito agitada para dormir, fui até o banheiro e tomei um banho quente e voltei para a cama, liguei a TV e comecei a procurar algum filme para assistir. Aquele ia ser uma longa noite.
No dia seguinte, já na ida para escola, encontrei Luke caminhando distraído.
Cheguei devagar por trás, e pulei em suas costas. Ele se assustou, mas conseguiu me equilibrar e segurou minhas pernas, e então me levou de cavalinho o resto do caminho.
–Sabe, você quase me matou do coração – ele disse brincando.
–Mas você não morreu – eu disse rindo.
–Ainda posso te deixar cair, se me provocar.
–Você não faria isso com sua amiga favorita, faria? – disse dando um beijo em sua bochecha.
Ele ficou vermelho, mas deixei quieto.
–Não me subestime – ele respondeu ameaçando me deixar cair.
Chegamos na escola e encontramos Thalia sentada em uma mesa. Quando nos viu abriu um grande sorriso malicioso, típico dela.
–Olá, Lia – a cumprimentei descendo das costas de Luke.
–Vocês formam um casal tão lindo – ela disse segurando a risada.
–Cale a boca – respondi rindo – por que não vai agarrar o Nico?
Seu rosto começou a ficar sombrio e achei que ela ia me matar. Dei vários passos para trás e comecei a correr. Avistei Percy e me escondi atrás dele.
–Acha mesmo que se esconder atrás dele vai te proteger? – ela perguntou com o rosto vermelho.
–Não, mas é um bom escudo – respondi não me aguentando de tanto rir.
Assim que o sinal bateu pedi trégua, que ela aceitou relutante.
Durante a primeira aula, uma coisa estranha aconteceu, todos os celulares ao mesmo tempo tocaram, indicando uma mensagem. A professora lançou um olhar estressado a todos, mas ninguém disse nada, então ela voltou a explicar a matéria.
Não olhei a mensagem até o final da aula.
“FESTA SEXTA-FEIRA À NOITE
CASA DE RACHEL DARE
TRAGAM BEBIDA E AMIGOS”
Não falava com aquela garota havia anos, nunca fomos amigas, ela não é o tipo de pessoa que quero ter amizade. Digamos que seja má influencia.
Na hora do almoço, sentei-me à mesa e comecei a comer. Assim que meus amigos sentaram começamos a falar sobre a festa.
–As mensagens chegaram na aula de história, e o professor sobreviveu a segunda guerra. Digamos que ele não reagiu bem a todos aqueles toques de uma vez – disse Thalia tentando ficar séria.
–Pobre homem – respondeu Luke ironicamente – então, vocês vão?
–Acho que não – respondi. Não era muito de sair.
–Ah, vamos Annie! Vai ser legal – Luke tentou argumentar.
–Ok, eu vou se o Percy for – eu disse sabendo que ele nunca iria.
–E eu não vou – ele disse confirmando minha previsão;
–Ah, vai sim – Thalia disse – agora que descobrimos que você é meu primo, vou te levar para viver a vida, e não tente me enganar Jackson.
–Tudo bem – ele disse se encolhendo de medo – desculpe Annie – ele disse olhando para mim.
Olhei para Luke que estava com um olhar que dizia “Ganhei”, revirei os olhos e voltei a comer.
Na saída da escola Percy veio até mim, estava com uma cara preocupada e séria.
–O que aconteceu com você essa madrugada? – ele perguntou.
–Nada, eu disse ontem, estava solitária – respondi tentando manter o tom de voz normal.
–Você é uma péssima mentirosa, sabia?
Olhei para baixo um pouco envergonhada, não iria me abrir com ele, não o conhecia bem o suficiente para contar aquilo.
–Você mesma disse que erámos amigos, pode confiar em mim – ele continuou.
–Não foi nada, só um pesadelo – eu disse e rapidamente mudei de assunto – se vai à festa, tem que mudar o visual, me encontra amanha aqui depois da escola.
–Não vai me fazer ir de cowboy né? – perguntou fingindo estar assustado.
Neguei com cabeça rindo e me despedi, e segui para casa. Já havia andado meio caminho quando Luke me chamou.
–Ei, Annie. Preciso falar com você – ele disse um pouco nervoso.
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