Carry On My Wayward Son

1 A morte muda tudo


Notas iniciais
Olá darlings, faz tempo que não escrevo e estou voltando a ter a manha, então não sejam cruéis comigo por favor. Espero que gostem do capítulo.

Pov. Percy

Quando eu tinha treze anos meu irmão morreu enquanto eu devia estar tomando conta dele, depois disso nada na minha vida foi o mesmo, meus pais se separaram e eu comecei a beber e a fumar, queria esquecer tudo aquilo, mas aquela imagem sempre voltava, do corpo inerte, cinza e sem vida dele no chão, na minha frente e eu não consegui fazer nada para impedir.

Já faz três anos que isso aconteceu, moro com meu pai em um prédio em Nova York, não o vejo todo dia, está sempre trabalhando, mas diz que eu tenho que seguir em frente, como todos em volta, a vida do meu irmão parou, mas o mundo não, o tempo não vai parar esperando você se recompor, caso não siga o fluxo, fica para trás. Aprendi isso da pior maneira.

Em um ultimo esforço, meu pai vai me mandar a um psicólogo e a um grupo de apoio para pessoas deprimidas, mesmo eu tentando convencê-lo do contrário.

–Por favor, Percy, faça isso, se não por você, por mim. Não aguento mais te ver assim jogado em um canto.

–Ver o que? Você não para em casa – eu disse ficando irritado.

–Por favor – ele disse com um olhar de suplica e cansaço – acha que Max gostaria de te ver desse jeito.

Senti o sangue ferver, não aceitaria ele usar meu irmão como algum tipo de chantagem. Mas para não gritar com ele e arrumar mais problema, respirei fundo e fechei os olhos por alguns segundos.

–Farei isso por ele, não por você – eu disse frio.

–Para mim está bem, as consultas começam amanha.

Dei as costas e fui para meu quarto, pensei em acender um cigarro, mas desisti, comecei a pensar se aquilo realmente valia a pena.

No dia seguinte depois da escola, meu pai esperava por mim, com pressa por ter sido tirado do trabalho para me levar ao consultório.

–Você virá aqui três vezes por semana, só te trouxe hoje para você saber aonde é. Não é longe da sua escola, consegue vir andando? – ele perguntou e eu assenti – muito bem, venho te pegar daqui duas horas.

–Ok, tchau – respondi e sai do carro.

Entrei no consultório do Dr. Apolo, que tinha um sorriso imenso estampado no rosto. Ficamos sentados de frente um para o outro por alguns minutos até eu quebrar o silencio.

–Então, você não vai fazer nenhuma pergunta? – perguntei confuso.

–Você deveria começar quando estivesse confortável.

–E você é o médico, pensei que faria perguntas.

–Se sentiria mais confortável se fizesse? – perguntou mantendo o sorriso de orelha a orelha no rosto.

–Acho que sim – respondi.

–Por que está aqui Percy? – ele perguntou.

–Porque meu pai me obrigou – respondi, mas ele esperava algo mais – e porque ele acha que estou deprimido.

–E você concorda? – perguntou.

–Eu não sei –falei – concordo que mudei desde a morte de meu irmão, mas não diria deprimido.

–De acordo com o que me disseram, você começou a beber e fumar, não sai muito do quarto, deixou de ver os amigos e só vai a escola ocasionalmente. Eu diria que você está com sintomas de depressão.

–Ah sim – eu disse um pouco sem graça – e o que você sugere que eu faça?

–Primeiro, um antidepressivo leve, e seria interessante você ir a esse grupo de apoio – disse me entregando um folheto – e a voltar para a escola regularmente.

–Tá... Vou tentar – respondi desconfiado – você não vai me obrigar a contar minha triste história de vida e a chorar em seu ombro pedindo consolo?

–Acho que vai se abrir comigo quando estiver pronto, não vou te obrigar a nada.

–Ah, obrigado.

Ele me receitou o remédio e eu sai do consultório daquele médico que mais parecia o gato de Alice, ainda tinha algum tempo antes de meu pai ir me buscar, decidi ficar na sala de espera ouvindo musica, quando uma menina de cabelos loiros e olhos cinza entrou com uma senhora no braço esquerdo, a reconheci da escola e senti que meu mundo caiu. Se alguém descobrisse que eu ia naquele lugar ia ser o inferno na terra.

Para minha grande sorte ela me reconheceu. Sentou-se no meu lado e começou a falar.

–Você é da minha escola não é? – perguntou calmamente.

–Acho que não, deve estar me confundindo com alguém — respondi tentando esconder o rosto virando para o outro lado.

–Acho que não – ela disse tentando lembrar-se de algo – Percy Jackson não é? Faço espanhol na sua sala.

–Ah claro – disse fingindo reconhece-la.

–Sou a Annabeth Chase, é um estranho lugar para encontrar pessoas da escola.

–Sim, eu gostaria que isso não saísse daqui, digo, para você não espalhar.

–Pensarei no seu caso.

–O que? – disse um pouco alto demais.

–Relaxe – ela respondeu rindo – não saíra daqui.

Dizendo isso ela se levantou e acompanhou a senhora até um dos consultórios, não pude deixar de pensar no que tinha acontecido. Mas logo espantei esse pensamento quando meu pai buzinou no lado de fora do lugar.

Como já era de se esperar eu não tinha muitos amigos na escola, ou em qualquer outro lugar. Vestia-me de preto e tentava ser invisível, passar despercebido na sociedade. No dia seguinte na escola, não foi isso que aconteceu, aquela mesma menina, Annabeth, apareceu do nada no meu lado e começou a falar.

–Consigo ouvir a marcha fúnebre envolta de você – ela disse tentando puxar conversa, mas eu não era muito extrovertido.

–Pois é – respondi baixo.

–Estou vendo que aqui é só alegria – ela não desistia.

–Desculpa se eu for grosso, mas o que você quer? – falei ríspido.

–Alguma emoção – disse ela sorrindo, pelo jeito não se abalava fácil – deve ter seus motivos para estar naquele lugar ontem, e eu não vou perguntar, mas você deve se animar, ficar triste não vai mudar nada.

–Só estou quieto aqui no meu canto, não vejo nada de errado.

–Não adianta mentir para mim, posso ver em seus olhos a tristeza – ela disse olhando para mim como se pudesse ver minha alma, e aquilo me incomodou.

–Certo... – respondi sem jeito.

–Que tal você deixar eu te ajudar – ela continuou esperançosa.

–Não preciso da sua pena — respondi um pouco ofendido.

–Não é pena, para de ser chato e se permita um pouco, me encontre aqui na saída.

E então ela saiu andando, era impressão minha ou eu tinha um encontro?

Notas finais
E então? Devo continuar?Espero a opinião de vocês, se gostarem continuarei postando.Beijos até.