Notas iniciais
Queria antes de tudo agradecer a recomendação e dizer que estou muito feliz que estejam acompanhando. Obrigada mesmo . Sem greve. Boa Leitura.

Quando minha mãe chegou estava estranha, mas que o normal se me permito dizer , não falava diretamente comigo, nem ao menos preparou o jantar, coisa que ela sempre fazia, pessoas normais costumam pedir pizza ou sair pra algum lugar nos finais de semana, mas pra minha mãe isso não existe, ela sempre faz todas as refeições, as vezes a mesma coisa por semanas seguidas, era nessas horas que eu agradecia a gororoba da escola. Ela se trancou no quarto , não perguntou como foi a escola, coisa patética que ela costuma fazer todos os dias, por mais que desde sempre minha resposta continua a ser a mesma.

Com minha mãe trancada no quarto eu achei que não faria mal me sentar na varanda e olhar a vista, claro que se ela saísse do quarto e me pegasse lá, ia falar eternamente no meu ouvido e me arrastar pra dentro, mas pra ela ignorar o sagrado jantar, alguma coisa me dizia que ela não sairá daquele quarto nem tão cedo.

Comi algumas torradas que estavam dentro do forno e tomei um copo de suco, acho que isso ia me manter cheia por um tempo.

Me sentei nas escadas da varanda e fiquei admirando as pessoas passando na rua, era a minha realidade e ao mesmo tempo estava muito longe de ser minha, grupos de amigos conversando, crianças correndo ou jogando bola, ou simplesmente passeando. Inveja era a palavra que descreveria toda minha vida, inveja de quem tinha uma mãe ''normal'', inveja de quem podia sair e se divertir , inveja de quem tinha amigos...

Foi quando a vi, Sue , ela estava realmente bonita, o engraçado era que ela estava basicamente como sempre se vestia sempre, calça jeans escura colada e uma blusa vermelha com botões na frente, mas pra mim era tudo diferente, era como se eu realmente a estivesse olhando pela primeira vez. Ela estava parada em frente a porta de sua casa, quando vi o sorriso ficando mais largo foi quando notei que Tommy Ross estava chegando, não tinha nem o que dizer ou pensar sobre, ele era lindo e isso era um fato. Quando eles se abraçaram ela ficou de frente pra mim , conectando o olhar ao meu, desviei o mais rápido que eu consegui e abaixei a cabeça para o livro que se encontrava em minhas mãos.

Não demorou muito e senti uma presença perto de mim, e era obvio que eu sabia que ela era, estava começando a ter certeza que começa a reconhecer seu perfume de longe.

—_ Oi Carrie. __ Ela me cumprimentou e senti quando se sentou ao meu lado. __ Nunca vi você por aqui por fora a essa hora.

—_ É... Minha mãe parece de bom humor hoje. __ Não sei oque aconteceu com ela, mas queria que ficasse de '' bom humor'' todos os dias, minha vida seria bem menos entediante.

—_Isso é... É bom né ? __ Notei a tensão na voz dela.

—_ É bom sim... Posso ajudar em alguma coisa Sue ?__ Perguntei indo direto ao assunto, sabia que ela queria me dizer alguma coisa mas estava enrolando, ela se sentia desconfortável perto de mim.

—_ Bom... Eu e Tommy íamos ao cinema hoje, mas ele me trocou por uma partida de sinuca com os amigos. __ Ela falou e parecia brava, pelo menos por dois segundos, depois relaxou as feições do rosto. __ Ele tem tanta sorte de eu amar ele...

—_E...Eu posso...Eu posso ajudar como ? __ Ainda não entendia como isso se encaixava comigo.

—_ Queria saber se quer ir comigo então. __ Ela disse de forma natural, como se já tivesse feito isso varias vezes.

—_ Você esta me convidando pra... Pra ir ao cinema com você ? __ Perguntei ainda não acreditando nisso.

Eu realmente achei que as surpresas já tinham acabado por hoje, mas essa foi maior que qualquer outra, ela me convidar para ir ao cinema com ela... Será que isso era algum tipo de plano ? mas eu não conseguia pensar nela assim, não achava que ela ia me ferrar ou coisa do tipo. Eu estava considerando ir ? Minha mãe nunca deixaria isso acontecer, mas eu queria muito ir ao cinema, nunca tinha ido , nem sabia como era.

—_ Não vou matar você... É só um filme... __ Ela disse entendiada.

Minha mãe não ia sair do quarto, eu não tinha certeza disso , mas tinha um grande pressentimento, não ia fazer mal eu ir ao cinema com ela , ninguém nunca tinha me chamado pra fazer nada , e ela estava tentando ser legal comigo, se eu recusasse era capaz dela nunca mais tentar se aproximar, não sabia o motivo dessa aproximação toda, mas eu deveria aproveitar. Então eu deveria aceitar ? Deveria ir ?

—_ Tudo bem...

—_ Serio ? __ Ela parecia realmente surpresa agora.

—_ Sim... Vou falar com a minha mãe e já volto... __ Já estava me levantando. __ Você... Me espera ?

—_ Claro . __ Ela sorriu pra mim e no mesmo momento me senti corar.

Corri pra dentro de casa e fui para o meu quarto, coloquei um casaco que estava jogado em cima da cama e troquei de calça jeans, nunca tive muitas opções de roupas, então não tinha o que escolher muito , a parte difícil era arrumar um jeito de manter meus cabelos, pentear nunca foi meu forte, passei o pente da melhor forma possível, só para abaixar o volume e desci as escadas em silencio. Totalmente loucura sair de casa sem minha mãe saber, mas eu precisava disso, eu precisava pelo menos uma vez na vida, realmente viver.

Sai de casa fechando a porta com cuidado e quando me virei quase cai de cara no chão se não fosse Sue me segurar, ela estava perto demais e acabei me assustando.

—_ Desculpa, tudo bem com você ? __ Ela perguntou enquanto me ajudava me firma em minhas próprias pernas.

—_ Sim... Eu não vi você. __ Respondi triste quando as mãos delas deixaram meus ombros, gostava de como me sentia com aquele contato.

—_ Sua mãe deixou você ir ? __ Ela parecia surpresa, se soubesse a verdade, realmente estaria surpresa.

—_ Sim... Só pediu para eu não voltar muito tarde. __ Mentir nunca foi uma opção pra mim, por que eu simplesmente não fazia isso, então não sei dizer se sou uma boa mentirosa, mas parece que ela acreditou em mim.

—_Só o filme e te trago . __ Ela sorriu pra mim. __ Vamos ? Meu carro ficou lá em frente minha casa.

—_Ok...

Fomos caminhando lentamente até sua casa,como ela mesma disse não ficava muito distante da minha, três casas depois. Ela entrou para avisar a mãe que ia sair e rapidamente voltou, dei a volta no carro e já ia abrir a porta de trás, quando me lembrei das palavras dela mais cedo, então voltei e me sentei no banco de carona, enquanto ela se acomodava ao volante..

—_Fico feliz que aprendeu. __ Ela riu enquanto ligava o carro.

Abaixei a cabeça e fiquei brincando com os dedos da minha mão que estava pousada em cima do meu colo.

A viagem foi curta e silenciosa, a não ser pelo radio que tocava uma musica baixa, era fácil ficar perto de Sue, ela parecia não se importar com o meu silencio, não que eu não quisesse conversar com ela, eu só não tinha o que dizer, e tinha medo de tentar alguma coisa e parecer uma idiota.

Assim que chegamos ao cinema, rolou uma pequena briga para escolher qual filme iriamos assistir , mas não foi uma briga entre nós duas, e sim entre ela mesma , não conseguia decidir com filme queria assistir, assim que ela me perguntou, eu disse que veria qual ela escolhesse, mas pensando bem, talvez eu devesse ter escolhido, por que já faz quase 40 minutos que ela esta tentando.

—_ Eu... Eu não quero ser chata... Mas você sempre demora assim ? __ Perguntei olhando para meus sapatos enquanto estava parada ao lado dela.

—_ Desculpa...__ Ela riu e se virou para mim. __ Estou entediando você né ?

—_ Na verdade não... É tudo muito legal por aqui, não imaginava que era assim. __ Respondi destraida olhando em volta.

—_ Calma... Você nunca veio ao shopping ? __ Ela me segurou pelos ombros fazendo eu me virar para ela. __ Nunca mesmo ?

—_ Não... Minha mãe não é chegada nessas coisas... __ Respondi olhando pra mão dela no meu ombro.

—_ Então tenho que mostrar tudo aqui pra você __ Ela sorriu maior e saiu me puxando pelo braço.

Acabou que ela escolheu um filme qualquer e me arrastou pelo shopping inteiro, me mostrou de tudo, e era engraçado como eu realmente estava me divertindo, e pareceu que ela estava gostando também, por que ganhei muitos sorrisos e nenhuma reclamação, não conseguia me sentir totalmente a vontade, mas estava me esforçando para não parecer estranha.

Queria dizer que prestei a tenção no filme , mas isso seria mentira, passei o filme inteiro admirando Sue, era incrivelmente fofo o jeito que ela conseguia rir o tempo todo , até mesmo quando ninguém mais estava rindo.

Quando o filme acabou, Sue ainda conseguiu me convencer a comermos alguma coisa. E depois só assim partimos pra casa, a volta foi bem melhor que a ida, eu conseguia responder algumas coisas e rir de algumas piadas que ela fazia, acho que fiquei realmente triste quando o carro dela parou em frente a minha casa.

—_ Foi muito bacana hoje...__ Ela disse soltando o cinto e virando pra mim.

—_ Eu ... Me diverti muito... Agradeço que tenha me chamado. __ Respondi torcendo meus dedos.

—_ Não foi nada...

Já estava pronta pra sair quando ela segurou meu pulso e eu me voltei para ela.

—_ É...__ Ela suspirou como se tivesse desistido de me dizer alguma coisa. __ Boa noite Carrie.

—_ Boa noite Sue. __ Consegui responder olhando diretamente para ela. __ Obrigada por tudo.

Entrei em casa devagar e ainda consegui ver o carro dela se movendo , tentei fazer o minimo de barulho possível para não acordar minha mãe. Essa com certeza foi a melhor noite da minha vida , e tudo graças a Sue, ela realmente estava mudando as coisas por aqui.

—_Se divertiu hoje minha filha ...?

Notas finais
Próximo ?