Carpe Diem
1 Prólogo
Notas iniciais
Capitulo dedicado à Isa, que me encorajou à postar. Hahahaha
Espero que gostem !
Londres, Inglaterra, 15 de Janeiro de 2013
Eu não fazia ideia de onde estava, não reconhecia aquelas paredes brancas e a pequena TV, que era um tanto velha, mas eu com certeza reconhecia aquele cheiro horrível de desinfetante e preocupação, aquele BIPE incessante de uma máquina ao meu lado.
“Quanto tempo ela tem ?”- Julie ouviu este pequeno sussurro, vindo do corredor de seu quarto e ela sabia...essa voz era de Daniel.
Eu sabia o que estaria para acontecer, tinha certeza que todos os meus parentes iriam vir me visitar, e dar os pêsames pela minha morte tão próxima e prematura. Da mesma maneira das ultimas 5 vezes que fiquei internada em estágio grave.
Já estava completamente acostumada à acordar no meio da noite, com uma dor lancinante vindo de meu peito, já estava acostumada à ser levada de sala em sala, à procura de um novo remédio milagroso, já estava cansada de ser a pequena garotinha que tinha câncer, aquela menina que era um efeito colateral.
- Julie ? Está cordada ? – Daniel, entra em meu quarto, presto atenção em cada detalhe de seu corpo esguio e forte, seus cabelos loiros e bagunçados, mas o que prende a minha atenção são seus olhos deslumbrantes, mas que, pela primeira vez, transmitem algo profundamente sombrio, como se algo corroesse sua alma. – Julie...?
- A... Oi Daniel – Digo apressada, saindo de meus pensamentos e esperando que ele não me pergunte em o que estava pensando.
- E então Amor, como você esta ? – Ele me pergunta mesmo já sabendo qual seria a minha resposta
- Eu estou...estou bem – Quase não acredito que dei conta de gaguejar, eu deveria mostrar que estava bem, mas ao invés, mostrei a minha total insegurança
- Julie, eu sei o que você esta passando, sei que não é nada fácil passar por tudo isso, mas eu preciso que você saiba que estou aqui por você. Assim como estive nos nossos 5 anos de casamento – Ele me diz como se precisasse de uma confirmação
- Eu sei Daniel, na verdade, eu tenho certeza disto – Digo, tentando ao máximo controlar minhas lágrimas
- Ainda bem que você sabe – Ele se aconchega ao meu lado, passando seus braços fortes por meu pescoço me chamando para um abraço. Nós ficamos assim por muito tempo, dando apoio um ao outro até que ouço alguém bater e logo em seguida, abrir a porta com o maior cuidado. Eram meus pais, Eloísa e Raul, e logo percebo que algo não esta nada bem, e não é por causa da constante irritação que sinto dentro de meus pulmões, e sim pela expressão de meus pais.
Ainda percebo os últimos traços de choro no rosto de minha mãe, suas bochechas estão mais rosadas, assim como seus olhos. Já meu pai, poderia descrevê-lo como um simples homem abatido, como se não dormisse à vários dias.
- Querida.... Você acordou ! – Minha mãe corre até mim, me dando um abraço tão forte que quase derruba Daniel da pequena cama do hospital
- Mãe ? O que a senhora esta fazendo aqui ? – Digo indignada, já que, tínhamos combinado de fazer uma reunião em família, e o voo de meus pais só chegaria amanhã
- A filha, nosso voo foi cancelado – Ela me diz isto tão calmamente, que desconfio se estas não são palavras ensaiadas e decoradas passo a passo, e agora, tenho a completa certeza de que algo não esta nada bem – e para não perdermos a oportunidade de ver você, pegamos um avião antecipado
- Ok então... – Não mostro entusiasmo, já que odeio que mintam para mim, ainda mais quando sei que eu sou o assunto
Meu pai não me dirige uma palavra o dia todo, ele só fica lá, sentado na cadeira ao lado da minha cama, enquanto minha mãe me atualiza sobre todos os detalhes de suas grandes viajens pelo mundo, e como sentiu minha falta durante todos esses meses.
Eu nem percebo o tempo passar, quando me dou conta o período de visitação já esta quase no final e tenho que me despedir de meus pais e assim, finalmente vou ter um tempo a sós com meu lindo acompanhante.
E por mais incrível que pareça, meu pai me dirige apenas oito palavras durante todo este tempo:
Ele chega bem perto de meu ouvido, já pronto para se despedir e me diz “Eu te amo filha, nunca se esqueça disso”. Me dá um beijo na testa e sai pela porta, decidido a não mostrar seus sentimentos, bem, pelo menos, não mostrar para mim.
Logo que eles se vão corro meus olhos pelo meu quarto, ele é relativamente pequeno, só possui alguns móveis e uma Televisão antiga, além de vários equipamentos para verificar meus batimentos cardíacos e minha pressão, além disso há um pequeno banheiro, cheio de produtos descartáveis para a limpeza pessoal.
Encontro Daniel sentado na antiga cadeira ocupada por meu pai, ele me olha atentamente, como se tentasse ler a minha mente. Eu o encaro e assim ficamos por um tempo indefinível, até que ele finalmente decide acabar com aquele silencio devastador.
- Sabe...nunca imaginei que sua mãe fosse capaz de ir ate a Antártida tentar salvar aqueles pinguins – Ele começa a segurar o riso, já que todos sabemos que minha mãe nunca foi muito aventureira, bem, pelo menos não era, enquanto era casada.
- Então, eu também achei muito diferente ela me contar historias que não tenham nada a ver com as suas maravilhosas aventuras no Hamptons – Digo, tentando imitar o jeito culto de minha mãe falar Hamptons.
Nós dois caímos na risada, como sempre, já que somos um casal bem diferente dos outros, já que em vez de ficarmos brigando por assuntos fúteis, procuramos aproveitar cada segundo de nossas vidas juntos. Pois sabemos, que isto não vai durar muito tempo.
Notas finais
Sei que ele é tenso, mas um pouco de drama é booom...hahahha
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