Carpe Diem
2 O pior começo
Notas iniciais
Antes de tudo, queria avisar que pretendo postar um capitulo por dia...(Ebaaaaaa)
E também: Adorei as reviews e as mensagens! Isto me encorajou muito a continuar a historia !
Espero que gostem !
São Paulo, Brasil, 09 de Março de 2008
– Julie!
Isa aperta a minha bochecha com suas mãos quentes e úmidas, sinto seu anel, delicado e pequeno em seu dedo médio, que deixa um rastro gelado sobre a minha pele.
– Vamos Julie! Acorde!
Ela começa a me encarar chegando a ficar irritada. Enrolo um pouco pensando na ultima pessoa que poderia ser seu admirador secreto, já que sou a campeã numero um em não ter experiência em relacionamentos.
– Não sei... talvez seja o Martin – Falo o primeiro nome que veio a minha cabeça, mas sei que não pode ser ele, já que tenho certeza que ele não joga nesse time.
– Não! Você precisa me ajudar! Estou pirando! – Ela me olha com uma expressão completamente desesperada e começa a apertar a minha mão.
–Isa...eu não tenho a menor ideia! — Me solto e termino a conversa por ai, saindo pelo corredor estreito de nossa Faculdade. Presto atenção aos armários, pintados de uma cor verde-musgo, as paredes que há muito tempo não são pintadas, já que aparentam uma tinta branca amarelada, que esta despedaçando. Entro na sala, passando pela minúscula porta de vidro na sala da Srta. Kate, que mais uma vez, esta atrasada.
Vou correndo para o meu lugar, a última carteira no fundo do lado direito. Sento em minha carteira e coloco minha bolsa no chão, rezando para que a Srta. Kate tenha faltado hoje, mas infelizmente a ouço passar pela porta, acompanhado de um rosto novo.
– Pessoal – ela diz orgulhosa, o que me é muito estranho já que, ela sempre diz que odeia dar aula, mas não tem opção – Este é Nicolas. Ele acabou de se mudar do Rio de Janeiro.
Não entendendo o porquê de tanta felicidade da Srta. Kate, e – sendo curiosa como só eu – levanto a cabeça para ver quem é este aluno novo, capaz de fazê-la ter um tom alegre em sua voz. E no mesmo segundo fico totalmente perplexa com a reação de todos.
Não compreendia a animação das meninas, admito, este tal de Nicolas pode ser até bonito – ele tinha cabelos curtos e escuros, lisos, que quase não passavam de sua orelha. Olhos...com um tom azul claro, como o céu. O Corpo era definido e esguio e tenho certeza que chega a ser mais alto que nossa professora.
Mas não, eu não estava encantada, nem louca e muito menos apaixonada. Ele pode ser lindo, e tudo mais, mas para mim, o dono do meu coração, é e sempre vai ser, Daniel.
Enquanto estou neste pensamento maluco de ficar admirando o tal de Nicolas, nem percebo que ele se senta ao meu lado e, no mesmo segundo sinto uma completa insegurança. E ainda mais intensamente, a sensação de que este fosse o começo da parte mais difícil da minha vida e que, a partir deste momento, coisas muito estranhas iriam acontecer
– Oi! – Viro-me para traz estendo a mão direita em uma tentativa de parecer mais simpática e agradável do que de costume. E estranhamente, ele não corresponde, apenas faz um sinal com a cabeça, nem ao menos olhando para mim, mostrando um total descaso.
Me viro, abismada com a falta de educação deste tal de Nicolas – ele nem teve o trabalho de olhar para mim! Qual é o problema dele ? — Penso, tentando descobrir se havia algo errado.
Mas, eu não ligo para este garoto sem a menor educação, para mim, ninguém poderia substituir Daniel. Admito que nunca fui aquela menina modelo. Sou baixinha, quase não passo do um metro e meio, não sou loira e nem tenho olhos claros, sou apenas uma menina normal, que espera fazer, assim como todos os outros, algo importante com a sua vida.
E apesar de tudo isso, Daniel me ama. Nós estamos juntos desde meu primeiro ano na faculdade e agora já sou veterana. Na verdade, eu namorei apenas dois meninos durante meus 24 anos de vida...e eu sei, isso é patético, mas o que posso fazer ? Meu primeiro namorado nem merece ser comentado. Já o meu segundo, esse sim transformou meu mundo. Ele foi a única pessoa que realmente gostou de mim, aquela pessoa especial que eu realmente amei.
Nem percebo o tempo passar e ao final do segundo tempo, saio da sala já imaginando que Isa já esta completamente apaixonada por Nicolas e já conhece toda a sua vida. Passo por aquele imenso corredor o mais lento possível, tentando evitar ficar mais tempo na conversa de como o Nicolas deve ser perfeito e na ladainha de quem é o admirador secreto de Isabela.
Mas, quando chega ao refeitório tenho uma grande surpresa... Isabela esta lá, sentada com um menino totalmente desconhecido, mas tenho que dizer,ele é muito diferente. Demoro um tempinho para assimilar todos os detalhes de seu corpo. Ele não é um menino forte e alto, é apenas um garoto normal, mas há algo em seu rosto que faz qualquer menina se apaixonar.
Eu percebo o olhar de Isabela, ela está completamente encantada, como sempre. Diminuo ainda mais meu passo, tentando ao máximo deixar os dois em paz, até que, encontro uma pessoa apoiada em um pilhar no meio do pátio, com um olhar feroz, dirigido à Isabela.
Ando até ela e percebo que há algo estranho, em suas feições que agora estão completamente mudadas. Seus olhos, que antes eram totalmente escuros e capazes de ficar do mesmo tom de sua íris, agora estão marejados e perdidos. Seu rosto, o qual conheço desde sempre, esta diferente, bem... digamos que está mais misterioso.
– Julie ! – Ela me abraça fortemente – Mas que saudade! Como foram as férias ?
– A Bia...foram normais – Respondo rapidamente — Mas e as suas ?
– Bem, eu conheci um menino muito lindo – Bia me diz olhando em meus olhos – Mas acho que ele não está interessado...
– Mas porquê ? – Me arrependo na hora de ter feito essa pergunta idiota, mas agora vou ter que aguentar
– Não sei...talvez seja porque ele está ali, sentado com a Isabela há quase 20 minutos! – Ela me vira para os dois e tenho que dizer, ele não parece nada interessado em Bia
– Ai Bia, não liga pra isso. Aposto que não deve ser nada – Minto
– Sei – Ela diz com tom de deboche – Mas não estou nem aí
– Sei – Retruco, quase não contendo a risada
– Meu deus Julie... Senti muita falta do seu senso de humor nada engraçado
Ela nem termina de falar e já estamos rindo, e quando começamos a rir não há nada que nos faça parar. Até que sinto alguém me abraçar pelas costas e me viro tão rapidamente que nem tenho tempo de me despedir de Bia, que já estava indo para sua turma de Engenharia
Meu mundo congela naquele instante. Queria que este momento durasse para sempre: Eu, abraçada com o menino que sempre amei e ele, olhando tão calmamente para meus olhos, quase conseguindo ler a minha mente.
Por um segundo presto atenção em seu corpo: Ele tem cabelos longos e loiros, ondulados, que descem até as maças do rosto. Olhos maravilhosos...com um tom caramelado escuro, mas tristes, como se algo o assombrasse a vida inteira. O corpo perfeito, com os músculos do braço definidos através da blusa.
–Oi Amor – Ele diz tão calmamente que quase me derreto
– Oi Querido – Isto soou muito estranho... mas fazer o que? Adoro falar “querido”
– E então, você foi ao médico ? – Não acredito que ele se lembrou, eu odeio ir à médicos. Não vejo o ponto disso, ir ao medico é a mesma coisa que pedir que alguma doença apareça
– Daniel, eu já te disse. – Digo, o mais convincentemente possível – Não preciso ir ao médico !
– Não Julie, você precisa sim! Acha que eu não percebi a sua perda de peso? E como você sempre reclama dessa dor no peito e essa tosse que nunca para ? Eu vou te levar no médico. Você queira ou não – Ele segura a minha mão com tanta decisão que começo a achar que ele ira me levar ao hospital naquele segundo
– Não Daniel...isso é só uma gripe boba
– Não, não é – Ele olha em meus olhos – Uma gripe boba, não dura mais que duas semanas.
– Bem, nisso você esta certo. Mas acho que ir ao hospital é algo muito drástico
– Julie, não vou entrar nesta briga de novo. – Sinto suas mãos em meu rosto, tão gélidas que me passam um certo frio – Eu e a sua mãe vamos te levar ao hospital hoje, e ponto final
– Ai Daniel, esta bem – Digo,também desistindo de brigar – Mas, tenho certeza que vai estar tudo bem
– Eu espero que sim – Ele tira as mãos de meu rosto e as coloca em minha cintura, me chamando para mais perto
– O que você esta... – Não consigo terminar minha frase, seus lábios quentes já estão nos meus, começando com um breve selinho, mas já passando para um beijo perfeito, cheio de sentimentos e desejo, tão desesperado e tão longo, que preciso me afastar alguns centímetros para poder respirar profundamente
Daniel percebe minha exaustão em um simples beijo e começa a ficar ainda mais preocupado. Ele já esta pronto para voltar à discussão sobre o médico e como isto pode me ajudar, quando o beijo de novo. E desta vez, já pulo a parte delicada, passando direto para a melhor parte.
Infelizmente o sinal toca e todo o “mar” de alunos começa a encher o corredor, nos separando. Começo a ser levada pela multidão, mas depois de alguns minutos percebo que preciso chegar à minha sala o mais rápido possível, já que atrasos não são permitidos na minha ótima faculdade.
Ao chegar à minha sala, dou de cara com a porta fechada e tenho certeza que o professor de Direito Penal já chegou e começou sua aula. – E agora ! O que eu faço ? Estou para fora da sala, no meio do pátio e aposto que não vai demorar nada até o nosso querido (mas odiado) diretor aparecer e me dar o maior sermão sobre a pontualidade e de como uma aluna do ultimo ano de direito deve agir – Mas no meio do meu desespero encontro um rosto muito conhecido, passando pelo corredor e vindo em minha direção.
– Pelo visto, você também ficou para fora da sala não é mesmo ? – Digo, imitando nosso odiado diretor
– Amor, você imita o Demétrios com a maior classe – Ele me diz, com tom de deboche
– Senhor Daniel Catellamare, posso saber o porquê deste atraso? Tomara que não seja por ficar beijando a sua namorada no meio do corredor ! – Digo, segurando a risada
– Não senhor, foi porquê eu tive que ir falar com a minha professora de Biologia, ela me explicou muitas coisas interessantes sobre o corpo feminino – Sinto seu olhar, passando por todo o meu corpo
– Muito engraçado – Digo, quase me cobrindo
– Agora, vamos embora deste lugar – Ele segura minha mão – Vou te levar ao hospital agora mesmo
– O que ? Mas Daniel, você não disse que a minha mãe iria junto ? – Digo, tentando ao máximo adiar a consulta
– Ela vai. Na verdade, sua mãe esta nos esperando lá fora – Neste ponto, já estou sendo puxada por ele através do corredor
– Daniel...não podemos sair assim do campus – Paro abruptamente – E como assim, mina mãe esta aqui ?
– Amor, eu já resolvi tudo. Falei com o diretor hoje de manha, já o expliquei sobre a sua consulta e também já combinei com a sua mãe. Esta tudo certo – Ele segura minha mão novamente – Agora vamos !
Passamos correndo pelo enorme campus, e presto atenção ao grande prédio antigo, suas cores claras estão desbotadas quase à ponto de descascar. Mas em compensação, o jardim é muito bem cuidado, há lindas flores na base do prédio, assim como varias árvores por todo o terreno, plantadas sobre uma grama totalmente verde e alinhada.
Ao chegar à saída, vejo o carro de minha mãe a nossa espera, uma grande Land Rover preta, estacionada a apenas alguns metros de nós. Quando entro no carro posso ver pela sua expressão que preocupação esta consumindo-a.
A ida ao hospital é tão curta que nem me atrevo a dizer que tal “passeio” demorou mais que dez minutos. Logo que entro pela porta, não tenho tempo de falar nada...já sou encaminhada à sala dos raio-x.
– Mãe... o que esta acontecendo ? – Digo desesperada, após alguns segundos
– Filha, não se preocupe. Este é apenas um exame rotineiro – Ela me diz, medindo suas palavras
– Não, não é! Eu não sou idiota. Sei que tem algo muito estranho acontecendo, e eu quero saber o que é – Falo indignada, quase não acreditando que eles podem estar escondendo algo de mim
– Filha, por favor... – Ela abre a porta da sala destinada as tomografias, já me empurrando pela sala.
Fico paralisada. Acho que eu finalmente sei o que esta acontecendo. E sem qualquer relutância vou ao pequeno banheiro do hospital para colocar o robe que o médico me entregou.
Ao voltar, encontro minha mãe e Daniel sentados em duas cadeiras. No mesmo segundo olho para Daniel... percebo que seus olhos, que antes eram lindos e cheios de vida, agora estão marejados e tristes.
– Juliana – O médico me diz o mais calmamente possível – A senhorita, pode deitar-se aqui, por favor ? – Ele aponta para uma pequena maca, que esta equipada com vários instrumentos dedicados aos exames de raio-x
– Claro – Digo ríspida
Durantes alguns minutos, nada de extraordinário aconteceu. Já estava desconfiando de minha paranoia, já que, uma tomografia poderia ser um exame rotineiro, não é ? Até que, sou tirada de meus pensamentos ao ver meu tórax acender igual à uma árvore de natal, através daquele pequeno exame que minha mãe segurava.
Notas finais
E até o próximo capitulo
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