Carpe Diem
3 O Laranja abrasador
Notas iniciais
Desculpem por não ter postado ontem! Fiquei presa na minha academia de balé a tarde inteira e não tive tempo de postar.
Mas para compensar escrevi um capitulo muito sentimental e muitoooooo fofo
Queria agradecer à todas as reviews, me deixou muito feliz!
Espero que gostem !
Acordei sentido o vento gelado típico de final da tarde que entrava pela janela de meu quarto. Passo meus olhos por este cômodo, era relativamente grande e espaçoso, as paredes eram pintadas de branco com pequenos detalhes azuis, possuía um imenso guarda-roupa craquelado na cor branco e um pequeno banheiro interligado.
Não tenho muita certeza, mas acho que já faz uma semana que descobri minha sensível condição de saúde.
Há uma semana, fui arrastada até o hospital e descobri minha doença terrível. Lembro-me que, no mesmo segundo que descobri, meu mundo caiu. A partir daquele momento, não tive mais vontade de nada. Desde aquele dia, não saio da minha cama, não como direito e não falo com quase ninguém. Há todo esse tempo, evito ao máximo me encontrar com meus amigos e mais ainda, evito falar com Daniel.
E o por quê disso? Bem, eu não tenho milhares de motivos...na verdade, tenho apenas um motivo muito forte: Não quero fazer ninguém sofrer. Se inevitavelmente vou morrer, espero que todos me esqueçam, assim, sofreram menos.
Mas acredite, é muito difícil evitar todos assim. Todos os dias Daniel vem até minha casa, mas eu não o deixo entrar. Isa e Bia já me ligaram milhares de vezes, mas não atendi. E minha mãe? Bem...admito, ela é a única que deixo chegar até mim. Sem ela, não tenho nada e mesmo sabendo que ela ira sofrer mais que todos no final, ela ainda é MINHA mãe.
– Filha? Esta acordada? – Sou tirada de meus pensamentos assim que Dona Eloísa entra pela porta
– Sim, sim – Digo quase em sussurro
– Filha, o Daniel esta lá fora e ele quer vir aqui conversar com você
– Não! Ele ainda não entendeu que precisa se esquecer de mim! Fale que eu estou dormindo, ou alguma coisa – A interrompo
– Não. Eu Não vou mentir para ele. E não pense que ele precisa se esquecer de você. Ele nunca irá fazer isso – Ela olha em meus olhos – Querida, ele te ama. E tudo que você esta fazendo, ignorando-o assim, só o faz sofrer mais
– Não mãe...ele precisa se esquecer de mim. Todos vocês precisam – Digo, cotendo as lágrimas
– Julie ! Pare com isso ! – Sua voz é tão delicada, que chego a duvidar se ela esta mesmo gritado – Você não vai morrer ! Mais que coisa filha !
– Claro eu vou mãe, a senhora não ouviu o médico ? – Olho para ela, já descrente de toda a minha vida
– Quem não ouviu o médico foi você... Eu lembro exatamente das palavras do Dr. Luiz falou. – Ela olha em meus olhos, que agora já estão ameaçados por lágrimas pesadas
– E o que ele falou ?
– Ele nos disse que seu câncer – Ela diz tal palavra com uma dificuldade impressionante – Foi descoberto cedo, então temos uma chance muito grande de você ser curada
– Mas isto é só uma possibilidade – A este ponto já não cosigo segurar minhas lágrimas – E eu não posso criar expectativas em algo meramente possível
– Julie, você até pode não acreditar nisso. Mas eu vou me prender à qualquer possibilidade, por menor que seja. – Sinto suas mãos em meu rosto – Sendo assim, não vou deixar que você perca a sua vida se lamentando por uma coisa tão pequena
– E como eu vou curtir a minha vida? – Digo, debochada
– Primeiro, você vai levantar dessa cama. Já são 5 da tarde! E depois, Daniel quer te levar à algum lugar muito especial. Entendeu ?
– Mas... – Ela já me interrompe
– Sem mas. Vou até a sala me sentar com o Daniel, e o seu pai, você tem 30 minutos para tomar um banho e se trocar – Ela sai rapidamente, me deixando falando sozinha
Me vejo sozinha de novo e começo a pensar – Talvez sair com o Daniel seja bom, vou poder ficar sozinha, com a pessoa que amo e posso até me distrair pela primeira vez nesta semana – Convencida desta ideia louca, corro direto para o banheiro e tomo meu melhor banho em dias. Ao sair me troco rapidamente e logo em seguida, passo uma delicada maquiagem.
Ao chegar ao parapeito da escada, encontro as três pessoas que mais amo em minha vida – Minha mãe, meu pai e Daniel – Sentados em meu sofá verde-limão, assistindo um programa esquisito sobre moda e percebo que eles estão tão concentrados o programa, que ainda não me viram
– Querida...temos mesmo que assistir à esse programa idiota ? – Meu pai diz à minha mãe
– Querido Raul... sim, nós temos ! E preste atenção...assim você aprende à se vestir menos ridiculamente – Ela diz, já nervosa
– Eu tenho um estilo próprio e muito chique – No mesmo segundo, Daniel solta uma risada descontrolada e muito estranha
– Desculpe – Daniel diz envergonhado
– Não precisa se desculpar querido – Minha mãe diz – É muito engraçado o Raul achar que uma bermuda com flores, junto com uma camisa branca e chinelos, combina com o estilo de São Paulo
– Muito engraçado – Meu pai diz, visivelmente irritado
Já não conseguindo controlar minha risada desta cena cômica sou descoberta pelos três. Rapidamente todos olham para mim e percebo que meus pais me olham esperançosos, já Daniel esta com aquele sorriso torto que sempre amei, prestando atenção em todos os meus detalhes
– Então Daniel, vamos ? – Digo apressada
– Vamos – Ele diz, atravessando a sala rapidamente, quase trombando em todos os móveis. Ele chega tão perto de mim que começo a sentir sua respiração – E muito obrigada, Dona Eloísa e Seu Raul
– Não foi nada querido – Minha mãe diz, vindo em nossa direção – Só quero que vocês dois de divirtam e tomem cuidado
– Pode deixar, mãe – A abraço com muita firmeza – Vai ficar tudo bem
Logo que saio da minha casa, Daniel já está com seu braço em minha cintura, me conduzido pela rua. Ao chegarmos ao seu carro ele sussurra em meus ouvidos: “Feche os olhos” eu assinto no mesmo segundo. Sinto-o chegando cada vez mais e mais perto, até que percebo seus lábios roçando os meus, mas infelizmente ele se afasta, colocando um venda delicada em meus olhos.
– Daniel... o que você esta fazendo ? – Pergunto, curiosa
– Julie, sua mãe não te falou que era uma surpresa ?
– Ela falou, mas... – Ele já me interrompe
– Então Amor, se é uma surpresa – Ele me diz calmamente – Você não pode olhar
Ele me ajuda à subir em seu carro e a colocar o sinto. Logo após escuto a porta ao me lado se fechar e alguns segundos depois já escuto alguém entrar pelo outro lado do carro.
– Daniel, aonde estamos indo ? – Digo, com o carro já em movimento
– É uma surpresa! E não se preocupe...sei que você vai amar
Passamos vários minutos no carro, conversando sobre várias coisas diferentes. Ele me conta tudo que aconteceu durante esta semana. Fico sabendo que minhas melhores amigas estão namorando e que aquele tal de Nicolas está namorando a Thalita – A menina mais ridícula do meu curso –
De repente o carro faz uma parada brusca e eu bato as costas no assento acochado do banco.
– Desculpe – Daniel me diz – Mas belo lado bom...chegamos ao lugar da sua surpresa
Ele sai do carro, e rapidamente já está abrindo a porta do meu lado e me ajudando à descer do carro. Ele tira minha venda o mais lento possível, enquanto me diz: “Eu te amo Julie, sempre amei e sempre vou amar. Para mim, você é como o sol, a única que traz luz para a minha vida. E mesmo que ambos vão embora todos os dia, sempre voltam para mim, trazendo consigo toda a felicidade possível”
Ao tirar a venda me encontro em uma extensa praça, cheia de bancos e flores, uma grama tão verde, que é quase impossível de acreditar que exista algo assim em São Paulo.
Por alguns segundos não entendo por quê Daniel me trouxe ali, mas ao olhar para cima, fiquei completamente espantada com a vista.
“Eu começo a sentir o maravilhoso cheiro da brisa...como sol e grama selvagem. Não conseguia parar de respirá-la. Presto atenção ao pôr do sol, que é um laranja abrasador, incendiando as nuvens no horizonte”
– Daniel, isto é muito lindo – Digo, segurando sua mão e tentando ao máximo controlar minhas lágrimas –
– Isso é tudo para você – Ele me diz olhando em meus olhos
Já não conseguindo controlar minhas lágrimas, começo a chorar desesperadamente – Isso não esta certo, eu não posso fazer isso com ele. Eu sei que no final ele vai acabar sofrendo,não posso deixar isso acontecer...não posso – Ele me abraça fortemente, me passando uma sensação de segurança.
Logo após ele me beija. Primeiro com um selinho fraco, mas logo após já estamos em uma briga por espaço. Este não é um simples beijo de saudade...é um beijo desesperado, cheio de medo, amor, paixão e insegurança.
Após longos minutos me afasto para poder recobrar o ar, mas rapidamente volto para os lábios de Daniel, tão doces quanto macios, tão perfeitos que é impossível descrever.
Passamos varias horas assim, por vezes conversando , outras nos beijando. Mas sei que não houve um momento que conversamos sobre minha doença, ou sobre a morte e qualquer outra coisa que possa estragar o nosso momento.
– Julie, acho que está na hora de voltarmos – Ele me diz, visivelmente triste – Já esta ficando tarde
– Mas eu não quero ir – Digo, quase em tom de súplica – Quero ficar aqui, abraçada com você. Para sempre
– Amor, são quase onze da noite.
– Bem... Nós podemos sair daqui. Mas você vai ficar comigo essa noite
– Julie... o que exatamente você esta me falando ? – Ele me pergunta, confuso
– Eu estou dizendo...que você vai para a minha casa e vai passar a noite lá. – Não acredito que tive a coragem de dizer isso, já sinto minhas bochechas ficando ruborizadas
– E o que exatamente nós vamos fazer a noite inteira ? – Ele me pergunta só para me ver ficar mais vermelha
– Isso bem...bem...eu não sei. Mas tenho certeza que meus pais já foram embora da minha casa – Digo, olhado em seus olhos
Nem termino de falar e já estamos indo para o carro. Meu coração começa a disparar de tanto nervosismo, quase me fazendo tremer. Chegamos em casa rapidamente e vamos direto para meu quarto. Ele me beija ferozmente, e eu retribuo sem pesar duas vezes. Ao chegar na posta do meu quarto ele me pega no colo e indo direto para a cama.
Ele me deita na cama, sem parar com os beijos. Eu tiro sua camisa e ele tira a minha, estou tão feliz que quase não contenho minha risada. Quando sinto suas mãos indo para o meu sutiã ele para. Simplesmente assim.
– Daniel ? O que foi ? – Pergunto ofegante – O que eu fiz ?
– Você não fez nada. O problema sou eu – Ele se levanta e começa a andar pelo quarto
– Como assim o problema é você ?
– Isso não esta certo Julie! Nós namoramos há quatro anos...mas isso não esta certo
– Como não está certo? Daniel! Esta não é a nossa primeira vez... – Digo, indignada
– Eu sei...mas sinto que isso não esta certo. Faz uma semana que não nos falamos, desde aquele...dia. E eu tenho medo que você esteja fazendo isso por ter alguma obrigação comigo
– Daniel. Me escuta – Me levanto da cama, passado minhas mãos por seu rosto – Eu te amo e isso é tudo. Eu te amo de todas as maneiras possíveis e é isso que importa
– Esta falando sério ? – Seus olhos estão marejados
– Sim. De todo o meu coração
– Eu também te amo Julie. Te amo tanto, que chega a doer – Sua resposta é tão sincera que chego a derrubar uma lágrima
Sem mais conversa, ele passa os braços pela minha cintura, me puxando para mais perto, me enchendo de beijos. Começando pelo braço, passando pelo pescoço e finalmente chegando até meus lábios. Eu correspondo no mesmo segundo e assim começamos de onde paramos.
E em meio à tudo isso eu percebi. Percebi que nunca deveria ter tentado afastar Daniel de mim. Ele é a minha vida, meu tudo e sem ele eu não sou a Julie. E tenho certeza, que sem mim, ele também não seria nada.
Notas finais
Deixem reviews com suas criticas ! Preciso de uma base pra saber o que melhorar !
Beijoooooos
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