Canção da Sereia
9 Primeiro contato
Notas iniciais
Boa leitura!
Nora
Ele estava flertando comigo. Ó céus. O meu chefe ultra sexy e gostoso estava flertando comigo. Não que eu não tenha flertado antes, mas nossa. Willian era matéria-prima de primeira. Não se encontrava isso na faculdade, ou bares, ou qualquer lugar. Eu me senti úmida e ansiosa só de olhar para ele. Na verdade, era até estranho. Parecia que tudo estava intensificado nesse lugar. Eu podia até sentir uma dor no útero pela animação sem um final apropriado.
Pela manhã, Megan me acordou com o dedo nos lábios, pedindo silêncio.
– Coloca um biquíni e vamos tomar sol. — Ela sussurrava pra mim. — O trabalho só começa quando Will acordar. Já desliguei seu despertador. — Ela riu. Tinha um sorriso lindo. Não pude deixar de sorrir e concordar.
Escolhi um biquíni preto, para não chamar mais atenção que minhas tatuagens. Hoje eu quero estar em evidência, quero dar a Willian alguma coisa para sonhar durante a noite. Ou não sonhar... tudo vai depender se ele é um cara de atitude ou não.
Talvez uma garota normal estivesse preocupa em parecer ou não vulgar. O conheci ontem, o dia do batuque não conta. Talvez uma pessoa normal pensaria “é cedo demais”, mas eu deixei a garotinha inocente para trás faz muito tempo.
Pego uma toalha, meus óculos de sol e protetor. É difícil andar com meu pé ferido. Ainda dói um bocado, mas consigo deixar o quarto. A porta de Will está fechada. Olho em volta e não vejo ninguém, então abro a porta e espio. Ele está dormindo profundamente. Sardinha, desgraçado, mia e Willian se move na cama. Saio andando o mais rápido em direção as escadas e esqueço de fechar a porta completamente.
Meu coração bate rápido. Imagina o que ele pensaria ao acordar e se deparar comigo o espiando.
Quando estou no topo da escada, encontro Megan com Kall e Lancey no pé da escada.
Lancey sobe e me oferece o braço, aceito já que é difícil me manter com o pé assim.
Finjo não ver os olhares que ele direciona a meu corpo.
Ele me acompanha até o lado de fora. Por incrível que pareça não faz nenhuma de suas graças.
– Você está bem? — Eu pergunto a ele.
Ele me olha entre confuso e chateado.
– Devemos ir embora assim que um barco aparecer. — Ele me solta e pega minha toalha, estende na areia – Você tinha razão, é uma merda essa caça toda. Eles estão caçando imaginação. E estamos no meio das férias de verão, Nora. Fala sério, perder as férias pra caçar sereias? Não posso contar isso a ninguém quando voltar.
O olho desconfiada.
– O que houve com o ver para crer, ou não ver para descrer? — Sorrio.
– Fala sério, só não queria concordar com você. — Ele dá de ombros.
Me sento na toalha e abro o protetor, despejo na mão e começo a passar pelas pernas e braços.
– Agora estamos fodidos Lancey! — Digo brava. — O barco estava aqui, você poderia apenas ter dito que concordava comigo, eu teria ido embora de bom grado com você. Mas agora, quando estávamos na ilha, sem barco, fica difícil querer voltar, não?
Passo protetor na minha barriga e rosto.
– Bem, talvez eu tenha pisado na bola. Mas se você tentasse ser um pouquinho menos ordinária, provavelmente, não haveria toda essa guerra entre nós. Quem sabe um pouco de simpatia da sua parte tivesse me feito falar exatamente o que eu pensava sobre essa merda toda.
Começo a passar nas costas, mas não alcanço ela toda. Levanto a cabeça a tempo de vê-lo desviar o olhar do meu corpo. Pelo menos ele tem a decência de não olhar descaradamente.
Estico a mão com o frasco para ele.
– Você pode...?
Ele pega o frasco e ajoelha atrás de mim.
– Talvez se aparecer outro barco? Você viria?
– Bem... — não sei bem como responder isso. A ideia de caçar sereias não me parece mais tão desagradável agora. Especialmente por causa da companhia... — Talvez seja legal passar as férias por aqui.
– Não é férias Nora, é trabalho.
O creme frio caí sobre minhas costas me causando arrepios. Lancey espalha o creme pela minha pele. Ombros, nuca, costas, cintura. Até que ele começa a passar na lateral do meu corpo e suas mãos vão subindo até roçar meus seios.
– Eca, seu pervertido. — Cruzo meus braços e dou um tapa em cada uma de suas mãos. Ele ri e me devolve o creme.
As bochechas dele coram levemente e ele sorri.
– Bem, você é gostosa, eu tinha que tirar uma casquinha.
Ele fica em pé e se desvia do monte de areia que jogo nele.
– Bem lá no fundo eu sei que você me quer.
– Sonha, garanhão.
Ele tem aquele sorrisinho pretensioso que me irrita. Pisca pra mim e se afasta.
Lancey sempre foi um cdf, desde que o conheço. Mas não do tipo que usa óculos e não é popular. Ele era a figura mais contraditória que eu conhecia. Ele era bonito, o tipo de cara que as garotas caem matando e oferecem boquetes de graça e no entanto, tinha as melhores notas. Depois das minhas, é claro. Ele é brilhante, admito isso. Mas esse lado garanhão me irrita até a alma. Em um minuto ele está falando sobre alguma descoberta científica e no momento seguinte está te convidando para transar. Como dá pra levar um cara assim à sério? Sem contar que suas investidas, a tudo que tem uma vagina, era completamente irritante. O cara não sabia quando parar. Mas o pior de tudo, é que nem sério é. Ele faz mais o estilo cão que ladra mais não morde. Acho que o vi pegando, realmente, duas garotas desde que me mudei para Austrália.
Começo a pensar no que ele me disse. Talvez eu volte com ele, se houver barco. Willian é um pedaço de mal caminho, mas perder as férias para caçar sereias não é exatamente as férias que sonhei.
Me deito para tomar sol. Os outros começam a montar a churrasqueira. Não ofereço ajuda, não sei cozinhar. Como comida congelada desde que me entendo por gente. Minha mãe nunca cozinhou, em casa apenas meu pai tinha capacidade de fazer coisas comíveis.
Megan se junta a meu banho de sol. Ela estende a toalha ao meu lado e passa protetor. Depois deita de costas para cima.
Não puxo conversa com ela. Não sou boa em iniciar amizades. Geralmente as pessoas ficam horrorizadas com minhas palavras e fogem antes mesmo de me conhecerem.
– E então, você e o assistente? — Ela diz sorrindo.
– Eca. Não mesmo. — Eu digo tentando ser simpática e não estragar tudo nas primeiras dez palavras. — Só estudamos juntos.
– Mas ele é bonito.
– Eu olho sobre meu ombro e dou uma secada em Lancey. Ele é bonito, mas isso eu já sabia.
Ele está sem camisa agora, apenas vestindo uma bermuda e os cabelos loiros estão presos em um rabo de cavalo. Ele me pega o olhando e sorri. Leva o dedo aos lábios numa tentativa, falha, de ser sexy e depois pisca para mim.
– Não é pela falta de beleza. — Volto a olhar para Meg e aponto meu dedo para minha cabeça – É a mente pequena.
Ela ri. Então relaxa em sua toalha. Até que não foi tão mal nossa conversa.
Deito de barriga para cima e coloco óculos escuros. Vejo Gideon passar por nós algumas vezes e lançar olhares bem indecentes. Lancey também não disfarça. Acho que pensam que estamos dormindo.
Algum tempo depois o cheiro de assado toma conta. Meu estômago começa a mostrar sinais de quem sentiu falta do café da manhã.
Vejo outro dos rapazes passar por nós mas não dou bola, continuo pensando sobre o almoço.
A pessoa se aproxima mais e faz sombra. Eu o encaro. É Willian. Nossa... é Willlian!
Ele tem a pele dourada pelo bronzeado. Os cabelos negros estão molhados e ele usa apenas uma sunga preta. Alguns pingos escorrem pelo seu corpo. Eu o estudo sem o menor pudor e percebo o mesmo olhar em mim.
– A água tá uma delicia. — Ele diz e senta ao meu lado respingando gotas frias em minha pele.
Tiro o óculos de sol e sento, meu braço quente encosta em seu. Sua pele está fria.
– De onde foi que você saiu?
– Só dando o troco. — Ele sorri. — Vocês burlaram o sistema para aproveitar a praia e fazer churrasco. Também mereço meu momento.
– Bom, podia ter convidado. Eu teria gostado. — Sorrio para ele. Estamos tão perto.
– Acho que vocês já se deram folga por hoje. — Ele fecha a cara por um instante – Então, por que não?
– Vocês querem que eu saia? — É Megan quem diz. Ela tem a cabeça erguida e olha em nossa direção com um sorriso travesso em seus lábios.
– Deixo em suas mãos essa decisão. — Willian responde com um sorriso.
Ela se vira de frente e senta. Então sai e se junta a Kall.
Imagino que sair com meu chefe não seja algo muito digno, especialmente eu sendo apenas uma estagiaria. Mas Willian não parece se importar muito com a opinião dos outros. Estamos sentados lado a lado, peles coladas e trocando olhares a todo momento. A equipe toda está atrás de nós e Megan estava ao nosso lado. Se isso não significa total desinteresse na opinião alheia e na nossa relação de chefe e assistente, então eu, definitivamente, não sei o que está acontecendo aqui
Mas por outro lado, foi fácil demais. Menos de dois dias e já estávamos flertando, será que ele era assim em todo lugar, com qualquer garota? Será que ele mantinha uma lista?
– Eu gostei da tatuagem... — Ele diz num sussurro.
Meu corpo está todo quente agora e aquela eletricidade de antes parece voltar com tudo.
– Está satisfeito com o que está vendo?
Ele sorri de canto e leva os olhos para meu corpo. Estuda cada pedaço de mim.
– Não muito. — Ele se inclina um pouco, deixando seus lábios perto de meu ouvido – Gostaria de ver mais.
Fale com o autor