Notas iniciais
Hey! Totalmente sonolenta, parecendo uma bêbada aqui '-' Então perdoem os erros XD E aproveitem. Boa leitura!

Nora

Eu o conheço, mas não desse jeito. Está diferente.

Musculoso, grande, definido. Em seus braços nadadeiras, como as minhas. E nos ombros escamas que quase parecem verdes. A longa cauda deve ter quase o dobro do tamanho da minha. É majestosa e lhe dá um ar imponente. Os cabelos dourados dançam na água. É difícil dizer quando tudo parece ter a mesma cor. Os olhos cinzentos não estão mais dessa cor. Agora tem a cor azul, como se acesso por dentro.

Lancey abre os braços pra mim. Eu levo alguns minutos para me recuperar do choque. Então nado até ele. Os braços grandes e fortes me rodeiam. Ele aponta pra cima e nadamos nessa direção, nossas caudas se batem algumas das vezes, atrapalhando um ao outro. Mas continuamos abraçados enquanto fazemos o caminho. Quando nossas cabeças estão fora da água volto a respirar. Ele me olha com um sorriso nos lábios. Acaricia meu rosto. Mas não sinto nada. Aquela eletricidade de antes não está presente.

– Como? — Pergunto.

É Isaac.– A voz de Helena diz em minha mente.

Não me afasto imediatamente dele. Não quero deixar esses braços que sempre me protegeram. Pelo menos é o que eu acho. Esse é Lancey, certo?

Esse não é Lancey. É o troca corpos.

Troca corpos?

Um hibrido. Nascido das sereias com os homens. Sai de perto dele!

A primeira coisa que vem a minha mente é Willian contando que me viu, quando eu estava dormindo. A criatura. Eu pensei que a coisa esquelética no pier é que fazia isso...

Os olhos dele estão diferentes. Do nada ganham uma coloração como se tivesse sangue neles. Seus dentes bonitos se tornam pontudos e o cabelo loiro começa a cair. Bato em seus braços e me afasto.

A criatura ri malignamente.

Filho da puta. Maldito. Ele conseguiu! Trocou de corpo.

O tritão a minha frente se move rápido, me batendo com a cauda e lançando para longe, enquanto nada pra praia.

Não podemos deixá-lo fugir. Ele vai devorar qualquer coisa que se mova na ilha. — Helena diz.

Penso em meus amigos, se ainda estiverem vivos...

Consigo me recuperar da tontura momentânea e nado em direção a superfície. Tão logo a areia vai ganhando espaço, minha cauda formiga e os movimentos mudam. Minhas pernas estão de volta. Saio da água a tempo de ver o homem nu andando para a praia. Ele tem os braços abertos e olha para o céu. Posso ouvi-lo rir.

Nós saímos do mar. Estamos a poucos metros dele.

Nora...– Helena começa. – Esse não é Lancey. Você tem que me deixar acabar com isso. Ou ele vai causar um desastre grande demais para nós duas.

Não tentarei nada. É o máximo que eu consigo. Não sei como te deixar no comando.

É o suficiente.

– Hora de descansar, Isaac.

E com isso ela corre. Ele corre.

Nos chocamos, voando longe. Ele cai em pé, rindo. Eu caio na areia, mas me levanto tão rápido e graciosamente, que fica evidente que não sou eu controlando o corpo. Eu teria caído de boca aberta e me ralado toda.

Um pequeno murmúrio ocupa meus ouvidos. Um tipo de... riso...?

Meus lábios se abrem. Palavras saem deles, apenas sussurros e em um dialeto que eu não entendo, mas conheço. O mesmo usado para os feitiços anos antes.

A areia se levanta, partindo para cima de Isaac.

Isso é o poder de uma sereia? Estou boquiaberta.

De novo o som risonho. Mas dessa vez com resposta.

Não, isso é feitiçaria. Você é engraçada.

Ótima hora pra fazer graça Helena. Estamos no meio de uma luta de vida ou morte,com um hibrido, seja lá o que isso signifique. E você tá tipo... rindo?

Nós não vamos morrer. E hibrido ou o que seja, ainda é Isaac e ele está a mais de cem anos sem se alimentar. Não poderá lutar conosco.

É Isaac num corpo de um ser que você nunca enfrentou ou conhece. O que essa coisa pode fazer?

Fazer?

Somos lançadas pra longe. Felizmente na direção do mar, o que faz a queda ser amortecida.

O que aconteceu?

Eu não vi o que nos atingiu.

– Acho que você tem um ponto...

Nos levantamos, meio cambaleantes.

Isaac está em pé, nos olhando. Ele muda de forma. Esta parecido comigo dessa vez.

Por que ele pode mudar de forma?

Nunca mantive um hibrido vivo por tanto tempo para descobrir. Mas pretendo descobrir quando ocupar esse corpo.

Ocupar?

Se você quer ficar livre, então eu preciso de um corpo.

Meu peito vibra. Sinto esperança.

Nos aproximamos dele de novo. Meu corpo meio cambaleante. Estou cansada. Então a areia se ergue, rodeia a nós. Escuto algo diferente. Como se algo estivesse sendo arranhado. Isaac está atrapalhado com toda a areia em seus olhos. Ele mexe as mãos, como se espantasse um bando de moscas.

– Lhe parabenizo.– Minha voz sai fantasmagórica.– Por conseguir quebrar o feitiço. Mas não adiantou nada, não é? Todo esse tempo, tudo que você precisava era de uma de suas criaturas. Uma que se escondeu de você, todo esse tempo. Você, Isaac, é patético. Era quando o conheci, e continua sendo, mesmo depois de milhares de anos. Você continua sendo um nada.

Isaac vem em minha direção, a areia ainda está erguida, rodopiando ao nosso redor.

Helena começa a murmurar palavas estranhas de novo e no momento em que Isaac salta sobre mim, ele é elevado. Fica pendendo no ar. É estranho olhar para si mesma. A minha versão de Isaac é meio diferente de mim. A tatuagem não é igual. Não tem minhas cicatrizes e o cabelo tá bem seco. Ou será que o meu é assim?

Noto uma coisa em toda essa situação. Eu não estou com medo. Talvez seja Helena quem me causa essa calma toda.

Por que não o mata de uma vez?– Me vejo perguntando, sem remorso para Helena.

Preciso tirar ele, sem danificar o corpo.

Por que não o suga como fez com as mulheres? É só tocar e sugar, tipo um aspirador de pó, não?

Deveria. Mas, ele não quer sair! Mil vezes inferno!

A morte grita blasfêmias.

Ela continua falando as palavras estranhas.

Isaac ainda em minha forma, diz palavras semelhantes as dela.

O que ele tá fazendo?

Tentando nos sugar. – Meus lábios continuam soltando sons desconhecidos. — Não funciona. Ele não sai. Por quê?

Helena faz um movimento com minha mão e o corpo cai sobre a areia. Isaac tenta se levantar, Mas ramos começam a brotar no chão e a envolver o pulso dele e as pernas, o prendendo ali.

Me ajoelho a seu lado e toco seu rosto. Ele volta a virar Lancey, me causando uma pontada de dor. Em seguida um Willian machucado no rosto. Então ele vira um rosto que não deveria conhecer. Um que eu temo de toda minha alma. Andrew.

Helena perde o controle. Eu me deixo tombar para trás e me arrasto pra longe. Areia cai, os ramos ficam fracos e... Andrew escapa.

– Olá, minha menina. Vamos brincar um pouco. — Ele diz sorrindo.

Vem em minha direção. O corpo grande e tatuado é o mesmo que me atormenta em sonhos. O cabelo negro cai em volta do seu rosto. É tão liso quando o de uma garota que acabou de fazer chapinha. E ele odeia essa comparação. Eu já a fiz em voz alta, me custou um dedo quebrado.

Eu quero levantar e atacá-lo, me vingar. Mas meu corpo não consegue fazer qualquer coisa que não seja se arrastar para trás. Eu continuo fazendo isso, até que bato em uma espécie de vidro. Olho para trás alarmada, não há nada. Nada que eu possa ver. Mas eu sinto a barreira. Percebo então o circulo traçado a nossa volta e como esse vidro parece segui-lo. Estou presa com ele.

Helena, Helena, Helena!– Onde ela está?

Andrew se ajoelha a minha frente. Os olhos castanhos fixos nos meus. Eu o odeio tanto. Com toda minha alma.

– Tão bonita... — Ele sussurra, esticando a mão e tocando meu rosto. Meu corpo se encolhe em terror. Estou paralisada. Mas não quero mais ter medo, mas ele me domina.

“Não vai acontecer de novo. Você é diferente agora.“ – Me lembro. Lancey me disse isso quando fui atacada pela criatura no pier atrás da casa.

Eu sou diferente mesmo? Eu realmente mudei?

Andrew está ajoelhado a minha frente, seu rosto frente a frente com o meu.

Não é el...

Escuto vagamente no fundo de minha mente.

As mãos de Andrew seguram meus cabelos. Como ele fazia antigamente...

– Vem pra mim, gatinha... — Ele sussurra. Sinto-me fraca. Cansada. E com medo.

Medo...

Minhas pernas começam a doer. Costurar... Dói tanto fora da água...

Grito, me debato, nem tanto pelo puxão que ele dá em meus cabelos, ou por estar... me sugando...

Sugando? É Isaac.

A dor agoniante vem com força. Me debato e empurro o cara a minha frente. Conforme a dor aumenta, ele se move mais com meus empurrões. Quando sinto que vou partir ao meio, o empurro de novo e dessa vez ele vai para trás com força. Sinto uma fisgada em meu corpo e logo vejo outra figura. Helena. Ela se ajoelha ao meu lado.

– Lute.– Ela diz. Então sinto um formigamento quando ela volta a se fundir a meu corpo.

Vamos humana.– Escuto claramente em minha mente. — Controle seu corpo.

Andrew se levanta irritado, vem em minha direção com rapidez.

Olho minhas pernas assustadoramente coladas. Eu não quero isso. Fecho os olhos por um momento.

“Se vai ser a vitima ou não, é você quem escolhe. Dessa vez você tem o poder.”

Lancey me disse isso quando me deu a arma.

Grito.

Sei lá porque. Não é de pânico, é mais que isso. Libertação talvez.

O grito ecoa. Como no banheiro, quando Lancey e Megan estavam comigo. Aquilo feriu Megan e rachou vidros. Dessa vez nada se quebra, mas Andrew para de vir.

Me levanto. Sim, com pernas. Mas acho que tem mais a ver com Helena do que comigo. Sinto ela agora. Ela está tentando me ajudar, tentando controlar a transformação. É a primeira vez que me transformo assim em plana luz do dia.

Andrew já parou de vir em minha direção. Ele está parado no meio do circulo me encarando.

– Não consegue controlar seu bichinho, Helena? — Ele debocha.

– Exatamente. Mas o meu bichinho não é ela...

Grito de novo e Andrew dá vários passos pra trás. Ele muda de novo, baixinho, gorducho e de cabelos brancos e ralos. Mellow. Esse é um corpo que não me assusta.

– O verdadeiro corpo, demônio?– Minha voz diz. Nos aproximamos. Helena está no comando de novo. — Não parece muito forte...

Ele está fraco. Sinto isso.

– Me ajuda...– Mellow diz por um minuto, antes de seus olhos voltarem a ter o mesmo tom raivoso de antes.

Ele está lutando contra o controle de Isaac.

– Se você quiser sugá-lo, é uma boa hora.

– Sim... mas não nesse corpo, parece impossível. Só mais um minuto, Nora...

Só mais um minuto para o quê?

– Pra isso...

Mellow é lançado com força para frente, perto de meus pés. Me assusto e meu corpo anda automaticamente alguns passos para trás. Lancey está parado alguns metros do homem caído que tenta, sem sucesso, se levantar.

A bermuda e cabelos molhados entregam que ele veio do mar. Ele tem uma tora de madeira nas mãos, o que deve ter usado para acertar o outro. Seus olhos se prendem ao meu por um momento e ele sorri ao me olhar dos pés a cabeça. Coro.

Ele ajoelha próximo a Mellow, deixando de lado a madeira e passando o braço em volta do pescoço do homem velho. Congelo por um instante. Lancey nunca faria isso, certo? Ele não machucaria outro. Especialmente um que já esta no chão.

Tento falar, mas minha voz não sai. Helena.

Ela está controlando Lancey também?

Tudo está sob controle.– Ela me avisa. — Não fique nervosa agora, você precisa relaxar e vou acabar com isso de uma vez. Não me atrapalhe!

A última parte soa como uma mãe repreendendo sua criança. Até me encolho.

Vejo os olhos de Mellow se apagando e então Lancey ergue seu rosto, com fúria nos olhos. Isaac.

Ele se levanta e olha para o circulo no chão, tenta correr, mas Helena começa seus sussurros e ele é lançado no chão. Meu corpo se move tão rápido que eu não vejo como fui parar em cima de Lancey. Minhas mãos o empurram quando ele tenta levantar. O seguro pelos ombros e minha boca vai pra dele.

Esse é seu plano? Se pegar com Isaac, usando meu corpo?– Pergunto indignada.

Não há resposta. Exceto aquela sensação já conhecida. Ela esta sugando a alma desse corpo. A minha dúvida é com qual das almas ela faz isso.

As mãos dele se grudam no meu pescoço, o apertando. As minhas seguram as dele com força, enquanto nossos rostos continuam próximos.

Então, as mãos param de apertar e me soltam, ao mesmo tempo que um sono forte toma conta de mim. Me fazendo, lentamente, perder meus sentidos, até não restar nada.

Notas finais
Quanta gente nua '-' Conseguiram entender? Bj bjs