Notas iniciais
Oie XD A escritora mais troladora do nyah está de volta ahahahahahahahaa Será que eu posto tudo essa semana... XD Boa leitura!

Nora

O barulho das ondas me acorda. É dia, estou estirada numa esteira.Olho a minha volta, a praia está cheia.

Crianças correm na beira da água e vendedores ambulantes caminham de um lado pro outro. Tem uma esteira ao meu lado. Uma mulher, de pele pálida e cabelos loiros platinados está deitada. Nós temos nossos biquínis contrários. Minha parte de cima branca e de baixo preta e o dela o oposto. Ela tem os olhos fechados. Quando me sento, ela os abre e me encara. Os olhos azuis são bonitos e o sorriso que ela dá é encantador.

Só que toda essa cena e companhia não fazem sentido.

– Helena? — Eu pergunto, puxando a mente lembranças dos últimos acontecimentos.

– Eu gosto disso. — Ela diz olhando ao redor. Sua voz não está fantasmagórica agora. Só... normal. — Poderia facilmente me acostumar a essa época.

– Isso é um sonho? Como você está fazendo isso se não sai da ilha há mais de cem anos? Como sabe que as coisas são assim?

– Sonho? O que torna algo um sonho e o que torna real?

Não entendo o que ela quer dizer.

– Essas são as coisas que aprendi com as últimas mulheres que estiveram na ilha.

– Aprendeu como?

– Com vossas lembranças, pensamentos.

– Você conhece todos os meus pensamentos?

Ela concorda.

– E lembranças. — Ela faz questão de repetir essa parte, me fazendo entender algumas coisas.

– Foi assim que Isaac soube sobre Andrew? Sobre como ele me assusta?

– Sim... ele era parte de mim, foi assim que ele soube. Tudo está conectado a mim nessa ilha.

Helena se levanta e me estende a mão.

– Eu conheço todos vossos pensamentos e toda a vossa vida.

Aceito e me levanto, sendo levada direto para um campo cheio de flores do campo. Uma garotinha brinca no meio delas. A ao fundo tem uma casa de madeira.

– Marry. — Helena diz. — Ela adorava esse lugar.

Marry... nem mesmo sei o que houve com ela. Ela era inocente. Como todas as outras que Helena possuiu.

– Você nunca se arrepende? De estragar a vida delas?

Caminhamos até a garotinha. Ela não parece nos ver.

– Todos vocês estão morrendo, gradativamente. Cada dia é um passo a mais em minha direção. Qual é o crime em adiantar isso?

Palavras tão cruéis.

– Elas tinham família, filhos, pessoas que precisavam delas.

– Minhas sereias estão mortas. Foram castigadas por mim, mas eu não lhes tirei a vida. Foi a sua espécie que o fez. Como fez por todos os anos em que vivi. Guerra e mais guerras, mortes e mais mortes. Eu tinha um motivo ao menos. Isso não me justifica?

Ainda de mão dadas, continuamos andando, vamos para a casa de madeira atrás da criança. Quando entramos, sei que já mudamos de lugar.

Estamos em uma casa grande e de decoração antiga. O lustre bonito tem várias velas acessas nele. Tem uma musica de fundo, uma orquestra. Vamos em direção ao som. Há várias pessoas com roupas antigas. Roupas de época. Desde smoking com cauda para os homens, até vestidos com anáguas para as mulheres. De repente me sinto envergonhada e olho pro meu corpo, para cobrir, mas percebo que estou com uma roupa semelhantes a das outras mulheres, assim como Helena.

Ela me leva até a varanda, de onde podemos ver um casal dançando no jardim. Eu os observo girar alegremente.

– Isaac... — Ela diz com pesar. – E eu.

Viro meu rosto em sua direção. Ela os estuda distraída. Volto o olhar para eles de novo. A garota usa um vestido rosa bebe e gira alegremente nos braços do rapaz de cabelos cacheados e dourados. Eles parecem muito felizes. A cena começa a se desvencilhar e a garota, agora suja de sangue, está ajoelhada em um beco, enquanto o rapaz está em seu coloco, com um ferimento feio no corpo. Eu poso ver o exato momento em que sua vida se vai e sua alma deixa seu corpo, indo em direção ao corpo da jovem, ela começa a sussurrar palavras que já são familiares a mim. O ferimento do corpo começa a sarar, mas sua alma já se foi, se uniu com a da moça. Ela se abaixa e encosta a boca na do rapaz e algo acontece. Um frio toma conta do ar e um tipo de fumaça deixa a boca dela para a dele. Então eu sei que está feito. Foi assim que Isaac se tornou imortal.

A cena muda de novo. Estamos na ilha. Posso ver o rochedo ao longe. Estamos sem roupas agora, mas dessa vez não sinto vergonha. Nem mesmo me importo. Nós caminhamos na beira do mar. Ela finalmente solta minha mão.

– Você realmente estava presa aqui? — Pergunto.

– No começo. Quando não havia humanos, mas depois fiquei forte, mas já estava acostumada a esse lugar.

Humanos que ela se alimentou...

– Você precisa... comer almas pra ficar forte... então, como é que sabe que elas seguem em frente?

– Apenas sei disso... e eu precisava delas porque estava incompleta. Substituir o que me faltava se tornou algo necessário. Tampava um buraco, mas era apenas uma sensação passageira. Depois de um tempo, quando elas seguiam, eu me sentia vazia e fraca de novo. Eu precisava sugá-las, para me sentir inteira. Assim como ele. Sem isso éramos fracos. Nem mesmo pude me defender quando Isaac me acusou de bruxaria. Minha condição e de Isaac, devoradores, foi causada por mim. Tive pena dele. Parecia tão doce, tão verdadeiro. Mas era uma cobra disfarçada apenas.

– O que houve com ele?

– Voltou para onde deveria.

Paro. Ela para também e me olha.

– Você... está completa?

Ela confirma com um leve gesto de cabeça.

– Acabou.

Isso não me traz paz. Um dia eu morrerei e serei sugada por uma criatura como Helena. O que há depois da morte? Tudo isso que aconteceu nessa ilha... vai ficar impune? Não sinto que com o fim de Isaac as coisas foram resolvidas. Sinto um buraco.

– O que houve com Pearl? — Pergunto.

– Seguiu seu caminho. Como todas as almas aprisionadas no mar.

– E Max? — Ela só queria ficar com ele. Por isso fez o que fez. Assim como Helena, que queria Isaac. O amor condena. Parece ser a pior de todas as maldições. Uma que não pode ser quebrada. Eu também amei um dia e me junto a essa lista de desastres.

Eu tenho mais perguntas, mas não sei se quero a resposta pra elas. Eu já descobri coisas demais, coisas que talvez eu nunca possa lidar. Não sem pirar. Mas ainda tenho uma dúvida que me atormenta desde o primeiro dia.

– O que houve com as mulheres desaparecidas?

Helena ergue sua mão e toca meu rosto.

– Mortas. Porém libertas agora.

Eu sempre imaginei a resposta pra essa pergunta, mas tê-la confirmada é revoltante.

– As criaturas que nos atacaram... esse foi o fim de cada mulher que pisou a ilha?

– Na verdade, apenas quatro mulheres chegaram a ilha depois de Isaac. A mulher que investigava, ela chegou perto, foi pega. Marry, que escondi no coração da floresta, sua amiga e você. Todas as outras nem mesmo chegaram a por os pés na terra.

– Steve disse que viu outras mulheres aqui.

– Ele foi tocado, da mesma forma que vocês. As mulheres que ele viu, não estavam vivas.

– Tocado pela morte... um estado de pré morte?

– Eu diria que quase isso. Vocês atravessaram o véu que separa o mundo dos mortos e dos vivos, mas foram levados de volta.

Oh merda, outro detalhe infernal.

– Verei gente morta para sempre?

– Verá pessoas como eu... talvez. Não verá mais do que já via antes daqui.

– Isso significa que você está me deixando partir?

– Significa que por hora, você está livre. Mas quando sua hora chegar... estarei por perto.

Uma ameaça? Um favor? Um tipo de consideração por amizade? Quem vai entender...

– Helena...

Ela sorri amavelmente. É tão linda.

– Sim...

– O que houve com Mellow? Ele está preso aqui?

– Um hibrido, troca corpos. Muito útil a mim.

Esse homem perdeu sua vida. Eu não me senti dominada por Helena enquanto dividimos nossos corpos. Mas quando vi as lembranças de Pearl... ela não tinha controle algum. É esse o futuro de Mellow?

– E a esposa e filhas dele? Ele perdeu tudo e você está tirando a sua liberdade agora?

– Eu as matei. — Ela diz me fazendo sentir um arrepio pelo corpo todo. — Hibridas. Fruto da mistura que Isaac coordenou. Geração após geração, eu os matei. No entanto, dois escaparam e esse conseguiu se esconder por um bom tempo. Mas, agora irei resolver isso.

– Matar mais... — Digo triste.

– Eles não deveriam existir. Existem por causa de Isaac e suas provocações. Como acha que o mundo reagiria se soubesse de uma espécie dessas? De qualquer forma, a vida deles não durará muito. Eles não tem futuro e quanto mais eu demorar em resolver isso mais perigo há em que os outros descubram. Seu mundo não está preparado para algo assim. Vocês, humanos, apensar de engraçados, são destruidores. Causaram mais destruição e morte do que todo meu povo junto. Nós apenas caminhamos, fazendo a passagem das almas, enquanto vocês mesmos se destroem e a tudo que tocam. Vocês, humanos, é que são a verdadeira morte.

Com a mão em meu rosto, ela toca meus olhos, os fechando.

– Está livre... — Ela sussurra e seu toque cessa.

***

Abro meus olhos, vejo areia. Sonhei com Helena. Mas não acho que tenha sido um sonho. Me sinto triste, abalada, e ao mesmo tempo feliz. Tudo que quero é ir embora.

Levanto minha cabeça. Estou deitada sobre um Lancey apagado. Sobre mim algo quente. Uma coberta, aparentemente.

Saio de cima do meu amigo, que eu não faço a menor ideia se está vivo ou morto. Tem uma manta vermelha sobre mim. Cortesia de Helena, aposto. Me enrolo nela e me agacho ao lado do corpo imóvel e pálido de Lancey.

Será que eu serei a única sobrevivente nesse lugar? Será que eu quero ser isso?

Toco o rosto do meu amigo e percebo os lábios dobrarem vagamente, então ele abre um olho. Depois outro.

– Seus airbags são bem macios! — Ele diz estupidamente.

Levo a mão a boca e em seguida aos olhos. Lancey senta apressado e me puxa pro colo, me abraçando, beija o topo da minha cabeça, enquanto minhas lágrimas descem.

– Acabou... — Ele sussurra em meu ouvido. Mas, ele está errado. Não acabou. Como se deixa todo esse horror para trás e segue em frente?

E as minhas pernas? Droga, nem mesmo perguntei a Helena se eu voltarei a me transformar quando estiver fora da ilha. Isso se sairmos da ilha...

Miau...

O miado próximo me faz erguer a cabeça. Sardinha se aconchega em meu colo.

– Hey, seu feioso traidor. Lembrou quem é sua dona...

Encaro Lancey. Meu amigo, meu melhor amigo, que nunca me abandonou.

– NORA! — Escuto ao longe. Levanto a cabeça pra encontrar Willian vindo em nossa direção.

Sinto um aperto no peito e culpa. Encaro Lancey que não me olha de volta.

– Vai lá, seu homem te espera.

Ele me empurra de seu colo pra areia e levanta, me estende a mão e me ajuda a levantar, pega o Sardinha no colo e então me dá as costas.

Willian me alcança em segundos. Me abraça e enche minha boca com a sua.

Estou feliz que ele esteja bem. Realmente feliz. Eu o abraço forte.

– Acabou...– Digo pra ele que me olha confuso primeiro, depois sorri animado.

– Isso significa que vamos ter nosso encontro? — Rio com seu comentário bobo e sou apertada em seus braços novamente.

O barulho no céu chama nossa atenção. Um helicóptero.

Steve que ainda está longe de nós, começa a acenar. Parece que as coisas finalmente voltam a tomar o rumo certo.

Willian

O helicóptero pousa. Duas pessoas descem.

– Noralys Ryle?Mclan? – Um dos homens, de de cabelos castanhos espetado, pergunta. Confirmamos.

– Estamos a procura de vocês há dias. Pensávamos que estavam mortos.

Eles se aproximam de Nora e eu, nos afastam e começam a checar pulsação, olhar os ferimentos. O outro homem a empurra em direção ao Helicóptero e começa a acenar pros outros.

– Tem mais alguém aqui? — O homem que esta verificando meus ferimentos pergunta. Nego.

Steve diria que sim, talvez, ele diria que tem mais pescadores. Mas não vi mais ninguém nessa ilha. Talvez as outras pessoas que ele diz ter visto fosse a criatura brincando com sua mente. Bem, acho que nunca vamos saber. Pelo menos, eu não pretendo voltar pra descobrir.

O homem me empurra pro helicóptero, me sento ao lado de Nora, que está enrolada numa manta xadrez. A mesma, talvez, que eu entreguei a criatura, quando se passou por ela. Isso significa alguma coisa? Espero realmente que não. E sobre Mellow, se ele for como Nora realmente, não acho que ele vá querer sair desse lugar. Ele está mais seguro aqui. E Nora? Eu não faço a menor ideia do que vou fazer com a cauda dela, ou como vou esconder isso.

Passo o braço sobre os ombros dela e a puxo pro meu peito. A vejo apagar antes mesmo de sairmos da ilha.

– Vocês nadaram até a ilha? — O homem que me ajudou pergunta.

– Nadar? Nós fomos deixados aqui pelo barco, como o combinado na expedição.

Os homens se olham.

– O barco nunca voltou, senhor. Ninguém sabe o que houve. Ele parece ter afundado em algum lugar. Daniel Ryle Mandou iniciar as buscas no dia seguinte. Tínhamos as coordenadas da ilha, mas não a encontrávamos. Era como se ela estivesse invisível e então, de repente, estava lá. Então os vimos. Não há mais sobreviventes?

Ilha não encontrada, barco afundado, sobreviventes...

– Minha equipe saiu há algumas horas numa lancha. Eles foram pedir ajuda para nós.

Os homens se entreolham. O piloto do helicóptero pega o radio e faz contato. Ele nos olha e nega.

– Nada até a agora Dr. Mas, as equipes estão avisadas do que devem procurar.

Passamos pelo rochedo. O olho lá debaixo. As amostras e ossos estão lá. Talvez eles parem para que eu pegue, ou talvez... seja melhor deixar isso para trás. O que descobrimos nesse lugar, não será uma avanço para a a humanidade. Não é ciência, nem nada do tipo. É algo com o qual não podemos lidar. É melhor assim.

Se o naufrágio foi depois de vocês ficarem na ilha. — O homem que me ajudou começa. — O que houve com vocês?

Ele aponta pro ferimento de Lancey na cabeça e braços, os de Steve e um pequeno corte no meu braço. Um pequeno que não era pequeno no começo, então ficou e agora parecia aumentar.

Encontro o olhar de Lancey, mas logo ele fica fora de foco. Olho pela janela. Quanto mais nos distanciamos da ilha, mais a dor me atinge. Costelas, braço, pernas, cabeça. Tudo dói.

***

Acordo em um quarto de hospital. Tubos ligados a mim. É noite, a baixa iluminação me deixa enxergar vagamente a figura deitada no sofá de dois lugares no canto. Nora. Está dormindo e tem uma coberta, como a minha, jogada por cima. Tento me levantar, mas percebo que estou fraco.

– Nora... — Eu a chamo, a voz sai fraca. — Nora! — Tento de novo, dessa vez sai mais alto e ela se move. Abre os olhos e estuda o cômodo, como se não soubesse onde está. Então ela me vê e abre um sorriso bonito. Ela deixa a coberta no sofá e fica em pé. Esta usando um vestido comprido, azul, e tem os cabelos soltos. Se aproxima da cama.

– Oi... — Digo baixo. Quero é abraçá-la, não perder tempo com palavras, mas, o meu corpo não ajuda muito.

– Oi... — Ela toca meu rosto. — Como se sente?

Me sinto fraco, mas forço meu braço pra cima e toco seu rosto com a ponta dos meus dedos.

– Parece que fui pisado por uma manada de elefantes. Se eu to assim imagina... — Minhas palavras morrem. — E os outros?

Ela franze o cenho e pisca algumas vezes, como se tentando afastar alguma memória, ou puxá-la de volta.

– Quando deixamos a ilha, você começou a apresentar... bem... achamos que Helena te curou na ilha, quando saímos dela, os ferimentos voltaram. E... o mesmo aconteceu a Steve.

Nora desvia o olhar.

– Ele está bem?

– Ele está mal. — Ela diz de uma vez. — E sim, encontraram a lancha. Gideon não vai bem também.

– E Megan? E os outros?

– Estão bem.

– Steve...

Nora está incomodada.

– Ele... ele começou a gritar no helicóptero e sua mão foi apodrecendo, bem diante de nossos olhos, Willian. Mas, agora, ele está estável.

A puxo para perto de mim, ela se inclina, depositando a cabeça em meu peito, então eu a abraço.

– Agora acabou, estamos salvos, Nora. Estamos em casa.

Notas finais
Não fica triste Lancey, seu lindo, vem nimin XD Bj bjs