Canção da Sereia

34 Minha vida Parte 2


Notas iniciais
Oie =) imagem do capítulo: http://3.bp.blogspot.com/_ojGMSgYIvf0/TJ0YnDujrmI/AAAAAAAAAoQ/G6Qj-3JtBdo/s1600/mulher+na+floresta.jpgBoa leitura =)

A lua cheia está brilhando no céu de novo. As mulheres da ilha tem revesado em espiar. Nos encontramos no rochedo e ficamos escondidas observando. Mas dessa vez nada acontece.

No restante da semana também não há nada. É apenas no primeiro dia de lua cheia, eu percebo.

(...)

Quando uma nova lua brilha no céu, nós nos encontramos mais uma vez no rochedo. Não dá para nos esconder na caverna, já que a maré esta alta e a caverna inundada. Mas pelo menos dali temos alguma segurança que a escuridão nos guarda o suficiente.

É exatamente como eu me lembrava. Elas estão espalhadas na praia. Nuas. Não sei de onde vieram, não havia sinal de barco praia. Dessa vez a mulher que encontrei no pier está perto delas.

– Aquela é a mulher da cidade. — Apontei pro lado distante a mostrando para Joanna.

Ela pisca confusa e me olha assustada.

– Não há ninguém ali.

Claro que há. Ela só está rindo de mim. Mas ela não sorri. Nem diz que é brincadeira.

Puxo o braço de Josefine e aponto para a mulher.

– Você vê aquela garota loira?

Josefine estreita os olhos e então nega.

– Não vejo nada naquele ponto. — Ela me diz. — Você está vendo alguém?

Olho para minha irmã. Ela nega lentamente com a cabeça, sem que a amiga veja.

– Não. Só... Não tem nada ali.

A amiga da minha irmã sorri. Mas não parece realmente certa de minhas palavras. Se não houvesse as outras mulheres e homens ali, suspeitaria de loucura. Que tudo não passou de um sonho. Talvez aquele tombo de tempos atrás tenha me afeto mais do que imaginei.

– Vá para casa, Pearl. — Joanna me diz. — Você já fez bastante. Esse não é mais assunto seu. É o meu marido lá.

Por algum motivo essas palavras me soam como uma facada. É o marido dela, mas deveria ser meu. Desisti do matrimonio depois do casamento deles. Meu pai ficou doente e eu tive que cuidar dele. E mesmo que isso não houvesse acontecido, não acho que conseguiria me casar com alguém que não amo. E uma coisa era a certa, a pessoa que eu amo não está mais disponível.

Dou mais uma olhada em direção a praia. A mulher continua lá. Agora não mais afastada. Ela anda entre as outras e por um instante acho que está olhando para mim. Então desvia o olhar.

– Acho que é uma boa ideia. — Beijo as faces de Joanna. Ela é uma boa irmã. Temperamental as vezes, outras um tanto cruel. Mas é melhor que muitas a nosso redor.

Desço o rochedo. As mulheres trouxeram cordas e uma escada, isso facilita muito a minha vida. Está escuro, mas consigo andar pela floresta sem bater nas árvores. Eu conheço esse lugar. A noite há um cheiro... um perfume diferente. Ele ocupa todo o ar.

– Inveja... — Escuto uma voz dizer. A mesma voz que me assustou semanas atrás.

Me viro para me deparar com a mulher de antes. Ela tem os cabelos luminosos, como se a luz da lua se concentrasse nos fios. Os olhos parecem duas chamas vivas e em seu corpo nu está pintado com algum tipo de tinta prateada formando símbolos que nunca vi. É uma visão linda e assustadora ao mesmo tempo. Nada disso é natural.

Corra!” — meu cérebro me avisa. Mas eu permaneço ali parada, a encarando. Esperando que ela suma. Ela não é real. Joanna não a vê, nem Josefine.

– Sinto cheiro de inveja escapando de cada poro de seu corpo. — Ela diz e dá um passo em minha direção.

– Quem... — dou um passo em sua direção também – é você? — Mais um passo. Mais um.

Estou cara a cara com ela. Sinto energia emanando de seu corpo é quase sufocante.

– Eu sou... — Ela diz com sua voz se tornando mais baixa, mais doce. Mais humana.

Ergo minha mão para tocar seu rosto. Não há pele. Não massa. Não há nada. Minha mão passa direto através dela. Isso sim é assustador. Tropeço para trás, assustada. Alarmada com isso. Estou ficando louca.

– Afaste-se de mim demônio! — Cruzo meus dedos formando uma cruz e apontando em sua direção.

A mulher prateada sorri pra mim.

– Inveja. Medo. O que mais há dentro de você? — Sua voz está alterada de novo.

– O que é você?

Ela fica em silêncio. Fecha os olhos. Eu devo correr agora. Mas meu corpo não responde. Estou paralisada de medo.

– Eu sou... o fim.

– Você não existe. Minha irmã não pode te ver... — Meus olhos se tornam nublados. Estou chorando. Nem mesmo percebi quando começou.

– Eu sou sua amiga. Já nos encontramos uma vez... — A voz volta a ficar baixa e normal – Eu te estendi a mão e você recusou.

– O quê? — Eu a vi? Amigas? Ela nem mesmo é real. — É uma bruxa... é por isso que seu corpo está assim! Eu não sou sua amiga, criatura maligna! Não a conheço. Afaste-se de mim.

Fecho os olhos, rezo para o demônio ir embora.

– Pearl...?

A voz que chama meu nome não é a mesma de antes.

Abro meus olhos e encontro Joanna alguns metros de mim. Há várias mulheres a seu lado. Algumas delas estão com tochas para iluminar o caminho.

Minha irmã ajoelha ao meu lado e me ajuda a levantar.

– O que aconteceu? — Ela sussurra pra mim.

– A mulher...

– Ela assustou com uma corsa e caiu. — Minha irmã anuncia e as outras concordam.

Vou com Joanna para sua casa. Ela me leva para seu quarto antes de começar a reclamar.

– Você está louca, Pearl? Uma mulher? Não tinha ninguém lá. Você estava falando sozinha. Elas vão te acusar de bruxaria se continuar com isso.

– Mas...

– Sem mais Pearl, nunca mais repita isso. Você pode ser banida da ilha, ser acusada de magia negra. Pense um pouco na sua família. Imagina se algo assim é ligado a você, logo estariam acusando o resto de nós também.

Ficar em silêncio? É tudo que ela quer de mim?

– Você não quer nem saber o que está acontecendo comigo? Por que de eu estar vendo isso?

Minha irmã leva a mão ao rosto.

– Claro que eu quero, Pearl. Quero que você fique bem, irmã. Mas eu tenho duas crianças e um pai doente para cuidar. Preciso ver além. Se você ficar marcada como a louca, quanto tempo acha que levará para que essa marca passe para mim? Eu não posso perder o que tenho aqui por uma crise sua.

Eu posso estar louca e tudo que ela pensa é em como será vista? Porque é sobre isso essa conversa. Joanna não pensa em ninguém. Nem nos filhos e nem no nosso pai. Sou eu quem passa a maior parte do tempo com seus filhos e quem cuida do pai. Não ela.

– Vou descobrir o que está acontecendo comigo.

– Não Pearl. — Ela perde a paciência – Deixa isso pra lá, antes que afunde a si mesma e a nossa família.

Afundar... gostaria de afundar a ela que tirou tudo de mim...

Sinto raiva crescendo dentro de mim. Se Joanna não estivesse viva, tudo seria melhor.

– Está bem, você tem razão irmã. — Respiro fundo atrás de uma calma que não me pertence — Irei rezar na igreja amanhã. Tenho certeza que estarei melhor. — Forço um sorriso para ela.

Joanna vem perto e me abraça.

– Isso mesmo, irmãzinha. Tudo ficará melhor depois disso.

– Claro.

– Eu preciso ir buscar meus filhos.

E eu preciso ir a floresta. Encontrar a única mulher que pode ter uma resposta para mim.

– Claro, vamos buscá-los.

Notas finais
Alguém quer chutar quem é a mulher prateada? ----------x------------ Eu estava relendo os comentários outro dia e alguém perguntava como eu imaginava Willian. Algo assim XD Deixa eu contar pra vocês, meus personagens foram inspirados nos meus atores favoritos. Como pretendo postar vários capítulos hoje, vou postar sobre cada personagem em capítulo separado. Willian foi baseado no meu adorado Henry Cavill http://henrycavill.org/images/stories/Henry-Cavill-Comic-Con-2012.jpg http://www.papodeblogueiro.com/wp-content/uploads/2013/05/henry-cavill-superman3.jpg http://morethanmovie.com/wp-content/uploads/2013/07/henry-cavill-covers-details-2013-08.jpg Curiosidade: Cavill perdeu dois papeis pro Robert Patison, no Harry Potter e no crepúsculo. Eu acho que ele se saiu melhor perdendo o ultimo papel mesmo, merecia coisa melhor. Fãs de crepúsculo me xingando em 3..2..1.. XD Bj bjs ♥