Notas iniciais
Difícil dar conta das minhas fic, mas vamo que vamo. LittleLullaby, obrigada pela recomendação =)Boa leitura!

Nora

Depois do almoço, Willian está decidido a trabalhar. Ele reúne a todos na sala e distribui dezenas de papeis para cada um de nós.

– São cópias de documentos antigos. — Ele anuncia — Desde relatos até documentos das primeiras investigações que houve na ilha, há mais de 50 anos. Hoje nós vamos apenas ler.

Ele sorri.

Lancey, que está a meu lado, bufa em desgosto, mas ninguém além de mim parece perceber. Eu concordo com ele, isso é um saco.

– Pensei que estávamos de folga Hoje. — Eu pergunto com preguiça de passar a tarde enfurnada dentro de casa lendo.

– Infelizmente – Willian não perde o sorriso e nem deixa de me olhar ao falar – Recobrei a consciência a tempo.

Puta que pariu, ele acabou de me dar um fora, com uma maldita frase de duplo sentido, diante de toda a equipe?

Pela primeira vez em muito tempo, fico sem palavras. Parece que, mais uma vez, o meu gosto para idiotas está em alta.

Captei o olhar de Meg. Ela, de alguma forma, tenta me mostrar apoio. Agradeço o gesto, mas não sou mais criança. Não vou chorar porque o doce foi, cruelmente, arrancado de mim. Volto a olhar para Willian, ele tem a testa franzida e passa a mão em seus cabelos, como se estivesse frustrado.

Ele respira fundo e retoma o antigo tema.

– A tarefa de vocês hoje é ler e marcar pontos em comum nos relatos. Lugares com maiores avistamentos. Começaremos a pesquisar os lugares mais mencionados nos relatos. — Ele pega um punhado de papel e senta. — Não é a coisa mais comum a fazer, mas será nosso primeiro passo.

Me encosto no braço do sofá e apoio minhas pernas, com joelhos para o alto, no assento ao lado. Lancey puxa minhas pernas e as descansa em seu colo, logo depois começa a folhear os papeis que lhe foram entregues.

Primeiro eu quero tirar minhas pernas de perto de Lancey, ele sempre tem algo em mente quando começa ser gentil. Mas estou tão confortável dessa forma. Exceto quando ele apoia o cotovelo na minha queimadura. Eu reclamo pela ardência e ele para de ler e estuda minha perna.

– Onde conseguiu isso? — Ele passa os dedos levemente sobre a queimadura, me causando ardência.

– Água viva quando fui mergulhar.

– Poxa, chegou com o pé esquerdo hein!

Ele mantém minhas pernas em seu colo e evita tocar o machucado.

Ficamos o resto da tarde lendo e marcando coisas. Lancey permaneceu imóvel enquanto lia sua parte. As vezes ele me cutucava e mostrava algumas coisas que achava interessante.

Eu aproveitei que os outros estavam distraídos lendo duas coisas e dei algumas olhadas, sobre minhas folhas, para Willian. Ele estava concentrado em seu dever, mas por duas vezes eu o peguei me estudando, então ele desviava o olhar e fingia que nada havia acontecido.

No fim do dia, estávamos todos doloridos e cansados. Mas o calor nos forçou para fora da casa. A iluminação era basicamente a que vinha da varanda da casa, tudo a nosso redor estava perdido em escuridão.

Lancey conseguiu um pouco de água gelada e molhava minha perna de tempos em tempos, para aliviar a queimação feita pela água viva.

Steven parecia bem solto hoje. Ele contou sobre suas investigações na ilha e que depois de dois anos, não havia chego em lugar nenhum.

– Pelo menos eu moro numa mansão, como tudo do bom e do melhor e não pago nada. — Ele diz por fim, tirando riso de todos nós.

– Menos garotas. — Gideon o lembra.

– Que nada, é só dar umas escapulidas da ilha.

– Eca – Meg diz. Ela esta sentada ao lado de Kall na areia. — não comecem a contar a histórias das suas orgias.

Willian está sentado perto da porta com seu montante de papel, ele levanta a cabeça enquanto o estou olhando, me encara. Seguro o olhar por um instante, então desvio e volto a prestar atenção em Lancey.

– Você tem fome? — Ele me pergunta.

Eu nego.

– Mas meu gato deve estar com muita. Preciso subir.

– Eu te ajudo. — Willian e Lancey dizem ao mesmo tempo.

O clima fica estranho.

– Já vou me retirar mesmo. — Willian acrescenta. — Fique e aproveite o resto da noite. — Ele diz a Lancey que não parece feliz.

Lancey tem sido atencioso nos últimos tempos, isso tudo se deve aos boatos de desaparecimento. Sei que num cenário normal ele não ligaria. Mas, não posso deixar de me sentir grata por isso. Ele e meu pai mantém uma amizade fora dos portões da universidade. Provavelmente ele está mantendo um olho em mim pelo meu pai. Agora, essa implicância com Willian, que está ficando mais clara desde o almoço, parece ser algo mais. Talvez Lancey apenas tenha concordado comigo que Willian é louco por caçar sereias. Quem sabe. Não vou perguntar, provavelmente vamos acabar brigando por descordar de algo.

– Obrigada. Mas eu posso andar sozinha.

Me levanto e entro na casa. A maioria dos cômodos está com as luzes apagadas. Estou um pouco incerta sobre onde acender a luz da sala, então caminho tateando as paredes. Alcanço finalmente o corrimão.

Nora... — Me assusto com a voz de Megan me chamando. Tento enxergar no escuro, mas não vejo nada.

– Megan? O quê foi? Onde fica o interruptor da luz?

Me ajuda... — Sua voz é suplicante.

– Cadê você? O que houve? — Tento andar para o lugar de onde a voz vem.

Me ajuda... — A voz fica mais distante. Eu sigo.

– Cadê você, Meg? Fala comigo.

Estou aqui...

A voz parece próxima agora, continuo indo em sua direção.

Aqui...

Chego a uma porta, está aberta. Ela dá do lado de trás da casa e há um pier. Eu saio para ele. Desço as escadas devagar.

– Megan?

Não a vejo em lugar nenhum. A luz aqui também é escassa, a lua é que ilumina meu caminho.

Nora...

Sinto o vento vindo do mar. O chão do pier é de madeira, fico assustada com isso. Cair no mar cheio de tubarões não é algo que se esquece facilmente. Agora tudo que tem piso de madeira me dá a impressão de que vai ceder a qualquer momento.

– Megan, isso não é engraçado. Onde você está?

Sinto algo roçar minhas costas.

Aqui...

A voz fantasmagórica faz meu corpo todo entrar em pânico. Eu me viro e com ajuda da luz da lua eu vejo o semblante da morte me encarando. No lugar dos olhos há buracos fundos, sua pele quase não existe, os ossos são visíveis em quase todo o rosto.

Estou em pânico, não sei o que pensar ou fazer, então eu decido fazer a única coisa que me vem a mente no momento. Eu grito.

Notas finais
Ai gente, eu sou do time Lancey ♥O que vocês acham que Nora viu no "escuro"? XDBj bjs ♥