Canção da Sereia
12 Teorias
Notas iniciais
Willian
Estão todos nos fundos da propriedade. Eu saio pela porta da frente e nado um pouco, preciso esfriar meu corpo antes de ver Nora. Confesso que fiquei tão obcecado por sua tatuagem, que até mesmo sonhei com ela. Nua. E pude ver as algas se moldando a seu corpo.
Depois do mergulho, encontro primeiro as garotas. Meg está deitada de barriga para baixo e Nora de barriga pra cima. E Nora... bem, Nora é Nora. Meu corpo todo está formigando. Ela é muito bonita. Muito. Mais do que deveria ser permitido a uma garota ser. Ela usa óculos escuros e parece estar dormindo. Me permito ficar alguns segundos a observando, até que ela se mexe.
– A água tá uma delicia. — Digo e depois me sento a seu lado.
Ela tira os óculos escuros e senta. Seu corpo encosta no meu. Ela mal consegue desviar o olhar que estuda meu corpo. Eu gosto disso.
– De onde foi que você saiu? — Ela me pergunta curiosa.
– Só dando o troco. — Eu digo a ela — Vocês burlaram o sistema para aproveitar a praia e fazer churrasco. Também mereço meu momento.
– Bom, podia ter convidado. Eu teria gostado. — Ela sorri, é muito gostosa. O biquíni minusculo deixa muita coisa de fora. Mas eu ainda quero ver mais.
– Acho que vocês já se deram folga por hoje. — Respondo a ela me lembrando de como fui deixado para trás e como fui acordado pelo bicho assustador dela. – Então, por que não? — Eu ofereço. Eu gostaria muito de ir para o mar com ela. Gostaria ainda mais de ir para o banho, assistir enquanto ela lava seu corpo. Eu adoraria, sem sombra de duvida, ir para a cama com ela, também. E tantas outras coisas.
– Vocês querem que eu saia? — É Megan quem diz. Ela tem a cabeça erguida e olha em nossa direção com um sorriso travesso em seus lábios.
Megan me conhece a anos e muito bem. Assim como eu a conheço. Ela sempre diz que devo sair do mar e achar uma garota. Isso nunca fez sentido. Até agora. Quer dizer, não é como se eu fosse me casar com a garota. Mas nunca me senti realmente incomodado pela falta de sexo. Mas aqui, parece que meu pênis não abaixa um minuto sequer desde que a vi toda molhada na ponte, com o vestido branco colado a seu corpo. Foi um momento de muita tensão, mas foi também quando ela esteve mais linda. Sexy e molhada...
– Deixo em suas mãos essa decisão. — Sorrio para ela.
Megan acaba por sair e se juntar a Kall, nos dando um pouco de privacidade.
Finalmente posso estudar o corpo de Nora sem pudor algum.
– Eu gostei da tatuagem... — Sussurro ao seu ouvido.
Há algo sobre Nora que eu não consigo explicar. Mesmo no primeiro dia, quando ela não parecia ela, com aquele creme horrível na cara e toca feia na cabeça. É como se o corpo dela... não, ela toda. É como se ela me atraísse. Como uma imã.
– Está satisfeito com o que está vendo? — Ela me pergunta. Seus lábios parecem tão carnudos e gostosos, sinto vontade de mordê-los.
– Não muito. — digo e me inclino sobre ela, para alcançar sua orelha – Gostaria de ver mais. — Sussurro e posso sentir o seu corpo todo ficar tenso com minha proximidade. Ela me causa a mesma coisa. Ouço um gemido leve sair de seus lábios. E agora estou perdido, desesperado para tê-la.
– Acho que... preciso de um mergulho. — Ela me diz.
Caramba. Eu sorrio para ela. Também preciso mergulhar. Mergulhar dentro dela.
– Quer companhia? — Ofereço e espero que tenha ficado explicito que não apenas vou "acompanhar". Uma acusação de assedio sexual é a última coisa que preciso no meu currículo.
Ela concorda sem desviar o olhar do meu.
Fico em pé e ajudo a levantar. Assim que ela está a meu lado, a pego no colo. Sua pele lisa e quente implora por meu toque. Mas eu não sou mais um adolescente. Preciso manter o controle. Ter certeza de que ela quer a mesma coisa que eu.
Mas é tão difícil.
Estamos os dois na água, com apenas nossos pescoços de fora. Eu não posso mais resistir a ela e a beijo. Não sei se alguém da equipe está nos vendo. No momento que a vi deitada na toalha eu perdi qualquer habilidade de raciocínio.
Estudo seu corpo com minhas mãos até que não posso mais me controlar. Tudo que quero é sentir o gosto dela. Então eu a beijo e é uma delicia. Quando ela passa as pernas ao meu redor, a única coisa que eu posso pensar é em penetrá-la e fazê-la gritar por meu nome. Implorar por mais.
Então ela pira. Acha que tem algo na água. Eu não ligo de primeira. Mas depois do tubarão, tudo é possível.
Quando consigo sair da água percebo sua queimadura. Algo, de fato, a machucou na água. E então eu começo a suspeitar que algo muito sinistro está acontecendo neste lugar. E acho que Nora é a vítima por hora.
Eu a mando embora, quero que fiquei com os outros, onde é seguro. Ela não parece feliz, mas saí. Eu volto a mergulhar. Estou curioso e quero ver se posso achar alguma coisa.
Não encontro nada, pelo menos não do tipo que eu esperava. Nado ate algumas rochas, onde algo vermelho chama minha atenção. Me aproximo e encontro uma manta. Uma bem parecida com a que vi Nora usar no meu sonho...
Pela primeira vez, desde que caço “sereias” com George, eu começo a pensar que talvez realmente haja alguma coisa.
Quando me junto aos outros, Nora está com Lancey. Esse garoto gosta dela, é mais que evidente. Mas também, quem não gostaria? Quero dizer, até ela abrir a boca.
Me sento ao lado de George e chamo sua atenção.
– Acho que tem alguma coisa nessa ilha. — Eu digo apenas para ele ouvir.
– Eu também acho. A imagem daquela garota caindo com a ponte têm me assombrado.
– Nós estávamos na água hoje e ela sentiu algo, ficou assustada. Então quando saiu, havia uma queimadura de água viva. Mas não tinha água viva. Não achei nada, vestígio nenhum. Seja o que for isso, George, quer as garotas.
– É realmente estranho estar te ouvindo falar sobre isso. — Ele anuncia. — Nunca pensei que realmente fosse acreditar no que não pode ser comprovado pela ciência. Mas eu te conheço muito bem, Willian. Um ataque de tubarão e uma água viva não são o suficiente para te fazer crer em algo, principalmente tão rápido.
George me conhece desde pequeno, ele foi minha maior inspiração para escolher minha carreira.
– Ontem... aconteceu algo realmente estranho. Eu vi uma mulher do lado de fora, então saí para verificar. — George estava concentrado em mim — Não achei nada, mas quando voltei, Nora estava aqui. Mas não era ela... — Olho em volta para ter certeza que só George presta atenção em mim. Nora está me olhando, ela parece chateada, então desvia o olhar.
Não lembro de ter feito nada a ela para ser ignorado. A não ser... tê-la beijado. Será que está arrependida? É uma pena, eu realmente gostaria de continuar de onde paramos em algum momento. Mas agora acho que lhe deve um pedido de desculpas, pelo menos isso pode tornar as coisas mais calmas se ela, de fato, estiver chateada comigo.
– Prossiga. — George pede.
– Hum...
– Não era a Noralys, então era quem?
Puxo as memórias de ontem.
– Eu não sei quem, talvez o quê? A pele era pálida. Gelada e seu olhar vazio.
– Você tocou?
– Sim e...
– Por quê você tocou? — Ele me olha desconfiado.
– Pensei que era ela.
– Então você a toca?
Bem, politica da empresa sobre envolvimento entre funcionários nunca ouvi falar. Mas George batia firmemente nessa tecla. Ele apenas permitiu Kall e Megan por eles serem casados.
– Estava verificando o machucado, apenas isso, George. Não ferra não.
Ele leva a mão a cabeça.
– E então? — Ele gesticula para que eu continue.
– Ela estava com uma manta e eu a deixei aqui em baixo e fui por uma camiseta.
– Estava com Nora, a tocando e sem camiseta? — Ele está vermelho agora, e não é de vergonha.
– Apenas escute, ok? — Ele acaba por concordar e acena. — quando subo para meu quarto, Nora está dormindo em minha cama.
Ele respira fundo.
– Na sua cama? Willian, nem completou dois dias que estamos nesse expedição e você já... espere. — Ele entende. — Em cima e em baixo?
Concordo lentamente.
– Não foi um sonho?
– Pensei que sim, até que encontro, a dez minutos atrás, a manta que ela usava.
George leva a mão ao rosto. Quando as mãos finalmente descem de seu rosto, ele tem um sorriso radiante nos lábios.
– Elas andam... assumem formas?– Ele sussurrava.
– Não sei, George. Estamos fazendo suposições aqui. Apenas pode não ser o que pensamos e esperamos. Pode ser outra coisa.
– Que tipo de coisa?
Essa é uma pergunta difícil, nesse momento, acho que considerei até mesmo vampiros e outras coisas que há em contos de fadas.
– Qualquer coisa. Sei lá. Feitiçaria, vampiros... assombração?
Esse último era algo que não me tinha ocorrido antes, mas assombração parecia se encaixar bem.
Ele parece cético sobre minhas teorias. Engraçado ver isso vindo de um cara que passou a vida navegando atrás de sereias.
– Precisamos trabalhar, Will. Achar um caminho por onde começar.
– Sim, mas... Não vamos divulgar nada, George. Precisamos ter certeza antes de falar algo. Eles vão pirar.
– Oh, minha nossa, estou tão animado.
Eu sabia que ele ficaria. Não tinha nada concreto ainda. Tudo isso podia ser apenas teorias vagas, coisas de nossas mentes. Mas nunca vimos algo assim. Eu duvidei dos meus olhos ontem, porque era a explicação mais fácil. Mas realmente acho que algo está acontecendo. É como um sexto sentido, disparando como um alarme, me alertando.
Olho para onde Nora está. Ela está distraída falando com Gideon e Lancey. Megan parece bem, nada de estranho parece estar acontecendo a ela. Mas Nora... três incidentes a envolvendo. Ou dois... depende do ponto de vista. Isso definitivamente não é normal e eu preciso ficar de olho nela, antes que algo realmente ruim aconteça com a minha pequena sereia.
Depois do almoço, George não pode mais aguentar sua ansiedade. Nós reunimos a equipe na sala e distribuímos a documentação que conseguimos reunir antes de vir para cá. Precisávamos saber onde coisas estranhas mais aconteciam, assim teríamos um lugar para começar e um ponto para manter as garotas longe.
– Pensei que estávamos de folga Hoje. — Nora pergunta quando estamos na sala. Bem que eu gostaria de estar de folga e aproveitar o dia bonito com ela. Mas as coisas não parecem muito boas para as minhas garotas e eu preciso descobrir o que está acontecendo, antes que seja tarde demais.
– Infelizmente – Sorrio para ela, é realmente uma beleza. Poderia ficar o dia todo a olhando. – Recobrei a consciência a tempo.
Me arrependo de minhas palavras. Depois que as digo percebo a merda que deve ter parecido. Quero ir até ela e pedir desculpa, mas não sei o porque dela ter ficado brava antes, ou se realmente estava ou não. É uma garota difícil de lidar. Acho que nem quem a conhece a anos é capaz de a ler, que dirá eu.
Decido que pedirei desculpas por qualquer coisa que possa tê-la magoado, mas não agora, não aqui. Pegá-la do lado de fora, sem se importar se alguém vê, no horário de folga, é uma coisa. Mas agora estávamos trabalhando. Seja o que for que acabe rolando, ou não, entre Nora e eu, vai ter que esperar.
No fim do dia estamos todos suados e cansados de ficar dentro da casa. Então os libero.
– Deveríamos trabalhar mais, Willian. — George resmunga. — Estamos diante de um dos maiores achados da humanidade, temos que nos concentrar.
– Ninguém vai se concentrar em nada cansado. Só os deixe em paz por agora, ok?
Ele levanta as mãos em indignação e sobe pra seus aposentos. Pego toda a papelada e me junto ao resto do pessoal do lado de fora.
Lancey está sentado na areia, com Nora a seu lado. Ele molha sua perna, tocando o máximo possível em sua pele. Será que ela não consegue ver o que ele está fazendo? Ou talvez ela esteja tão furiosa pelas minhas palavras mal pensadas que decidiu escolher outra companhia.
O pensamento me irrita. Mudo o foco dos meus pensamentos para estudar algumas das informações que eles separaram. Tento achar alguma ligação, ou lugar especifico mas acabo me distraindo toda vez que Nora abre a boca. O som de sua voz parece uma doce canção que envolve e contagia. Eu a olho, a estudo. Ela levanta a cabeça, como se sentisse meus olhos sobre ela. Então desvia sua atenção para o garoto.
– Você tem fome? — Lancey pergunta a ela.
Nora nega.
– Mas meu gato deve estar com muita. Preciso subir. — Ela anuncia.
– Eu te ajudo. — Digo ao mesmo tempo que Lancey. Garoto intrometido.
Tenho certeza que os outros estão nos assistindo e por um minuto fico envergonhado. Mas então a olho mais uma vez. Os olhos verdes brilham por alguma coisa que não posso reconhecer.
– Já vou me retirar mesmo. — Acrescento e começo a guardar as coisas espalhadas na mesa. — Fique e aproveite o resto da noite. — Digo ao garoto que me encara infeliz.
– Obrigada. Mas eu posso andar sozinha.
Ela fica em pé e entra. Derrubo alguns papeis e me apresso a pegá-los.
– Não precisa se preocupar com ela. — É Lancey quem fala. — Eu posso cuidar dela enquanto estivermos aqui. Tenho certeza que ela ficará mais confortável com minha ajuda que a de um estranho.
Duvido muito disso, especialmente com minhas suspeitas.
– É meu dever cuidar do que é meu.
Ele estreita os olhos.
– Cuidar... da minha equipe. Incluindo você. — Talvez o meu sexto sentido entre no lugar de outra habilidade importante quando vem à tona. Porque eu estou começando a ficar bom em falar sem pensar.
O grito enche o ambiente. Lancey está dentro da casa antes que eu perceba que é Nora. Gideon o segue e vou atrás, mas paro quando Kall está vindo junto.
– Não! – Aponto para Kall – Não deixe Megan sozinha, sob hipótese nenhuma. — Entro na casa.
Fale com o autor