Canção da Sereia
31 Confusão - Rs
Notas iniciais
Nora
– Elas virão atrás de vocês. Elas precisam de vocês, Nora. — Megan diz com voz fantasmagórica. — As duas.
– Eu não sei do que você está falando. Quem são elas?
De alguma forma chegamos em uma construção velha no meio da ilha. Estou caída no chão, cansada e meu corpo dói em todos os pontos possíveis e impossíveis.
– As sereias... as mulheres...
– O quê? — Do que ela está falando? Do que essa coisa está falando?
– Você as ouviu. Elas querem voltar.
– As vozes? — O que ela está me dizendo parece loucura. Mas, bem, eu estou me curando mais rápido que o Wolverine, coisas me possuem, criaturas parecidas com Zumbis de cinema me atacam e tubarões me mordem. O que é uma sereia perto disso tudo? — O que isso significa?
– Me escuta. Eu sou Pearl. Nasci muito antes de seus avós. Eu estou guardando essa ilha. Impedindo que elas voltem. Mas estou fraca. Já passei tempo demais nesse mundo. Você me entende?
Ela esta tirando minha minha roupa. Por que esta tirando minha roupa? Mal posso me mexer.
– Três mulheres destruíram, três mulheres precisam reconstruir. Um sacrifício destruiu, outro tem que ser feito para colocar as cosas no lugar. Uma entoa, outra mata. Uma morre. É isso que elas precisam, desfazer o que minha irmã e a mulher da floresta fizeram. Mas as outras... elas precisam acabar o que começaram...
Mulher da floresta? O que ela está falando? Do que ela está falando? Ela diz tudo tão rápido. Nada faz sentido pra mim.
– Elas estão criando monstros. Estão tentando a todo custo recuperar o que lhes foi tirado. E as outras querem acabar de uma vez o que começaram. É uma guerra. Elas estão com raiva. Com ódio. Elas só querem vingança. Mas não há mais o que ser vingado. Três mulheres Nora. Duas humanas e uma sereia. Você precisa ficar longe da água. Ou não terá volta. Fique longe da água. Me deixe ajudá-la.
E então ela me chuta pra esse buraco horrível. Me sinto como se todos os meu ossos tivessem sido partidos.
– O corpo tomado é o sacrificado. — A voz continuava dizendo ao longe.- Elas estão aqui. Você tem que aguentar. Eu te protegerei.
Eu não sei o que fazer com todas as palavras. Elas não fazem sentido.
– Nora...?
“Encontre a mulher da floresta”.
Cochilei por alguns minutos enquanto Willian usava o banheiro. As lembranças voltam a todo instante. A voz da mulher. Tudo faz sentido, mas ao mesmo tempo nada faz. É como se as vozes em minha cabeça entendessem o recado, mas minha mente não compreendesse uma só palavra.
– Você estava em um sono agitado hein.
Willian está sentado na cama, seu corpo ainda se curva pelos machucado. No entanto, ele parece tão lindo como sempre.
Eu gostaria de contar a ele todas essas coisas que aconteceram e acontecem. Mas eu temo por sua reação. Temo por me transformar em seu projeto de ciência. Quer dizer, eu o conheço a 7 dias. Não sei nada sobre ele ou sua forma de trabalhar. Ou seus valores.
Willian sorri e puxa a coberta até minha cintura, deixando meus seios a mostra.
Ele diz que sou sonambula. Não pode ser. Ele deve ser um grande tarado mentiroso isso sim. Não que eu esteja reclamando dessa parte.
Sua mão cobre meu seio direito. Isso é tudo que eu preciso no momento. Esquecer sobre as outras coisas e lembrar de mim. De nós.
Com a mão livre ele cobre meu outro seio. Massageia. Suas mãos estão um pouco frias em comparação a minha pele quente. A sensação é ótima e excitante. Então ele solta um dos meus seios e leva o dedo a minha tatuagem. Segue o contorno dela desde minha barriga até entre meus seios. Depois ele descansa a mão na cama, como apoio, e se curva para tocar minha pele com sua boca. Sua língua quente circula meu mamilo, ateando fogo em meu corpo. Sua boca alcança a minha. Um beijo cheio de desejo. No entanto, o beijo, me leva para a direção errada. Ao banheiro, ao chuveiro. Onde ontem mesmo eu fui beijada tão docemente por Lancey.
Empurro Willian. Eu o quero, mas me sinto culpada.
– Estou com fome. — Digo a ele que fecha os olhos e respira com rapidez.
– Eu também...
Por fim ele abre os olhos e sorri.
– É melhor se vestir se quiser me alimentar com comida, Nora.
Concordo e correspondo o sorriso.
Encontro minha regata e um jeans. Minhas pernas ainda estão doloridas, mas me sinto muito melhor agora.
Vou ao banheiro. O sangramento parou. Mason disse que era apenas minhas regras, como se eu não soubesse o período certo disso acontecer. E tipo, não era agora. No entanto, era melhor que ele pensasse isso nesse momento.
Nós descemos. Willian segura minha mão quando encontramos os outros na cozinha. Não posso deixar de reparar no olhar que Lancey deu para nossas mãos juntas e nem posso deixar de soltar a mão de Willian. Aquilo não parece certo. De repente me sinto confusa por tudo que tem acontecido e as coisas parecem grandes demais para suportar. Como é que eu fiquei entre esses dois dessa maneira? Quer dizer, quando foi que comecei a pensar em Lancey de uma forma diferente? Ele é meu amigo, e isso é tudo. Ele mesmo deixou isso claro depois do beijo. E tem Willian. Por que me sinto culpada? Não tenho nada com ele. Nem ficar ficamos direito. Talvez toda essa confusão mental seja por causa da transformação de ontem. E como infernos é que eu fui virar uma sereia?
Eu preciso achar aquela fantasma de novo. Preciso de Megan e Sardinha. Quem sabe se acender velas e ficar chamando seu nome ela apareça.
Preciso de respostas e a melhor hora dela me dar isso é agora que estou acordada e consciente. Que tipo de pessoa, ou fantasma, conta coisas para uma pessoa inconsciente? De que adianta?
Megan está sentada perto de Lancey, afastada dos outros. Kall está conversando com Gideon mais distante, no entanto sua cara desgostosa não deixa a esposa e meu amigo. Steve e George estão mexendo nos ossos. Tão previsível. Tenho certeza que se George descobrisse meu atual novo status de espécie, ele não pensaria duas vezes antes de me abrir e estudar.
A que ponto nós chegamos. Os seres humanos destroem para obter respostas. Será que foi isso que aconteceu nessa ilha?
Tenho tantas perguntas, tantas dúvidas. E estou morrendo de medo de me transformar outra vez. Não quero ter que passar por aquela experiência de novo. Não sei como alguém pode aguentar. Alias... talvez eu saiba.
Olho para Megan e Lancey. Meu amigo sorri pra mim. Ando em direção a eles e me ajoelho entre os dois.
– Tenho uma teoria. Preciso que alguém me corte. — Peço.
Eles trocam olhares confusos.
– Acho que aquela coisa de curar rápido... é por causa da transformação.
– Nós também achamos. — Megan me fala. — Mas não vamos te cortar, ok? Podemos só esperar os testes do Mason ficar prontos. Lancey me disse que ele tirou outra amostra do seu sangue hoje.
Concordo.
– Talvez... se isso tiver passado. — Lancey segura minha mão e sorri pra mim – Pode significar que não vá mais ocorrer a transformação.
– É uma possibilidade. — Megan sorri.
– Ok... — Eles estão perto da mesa. Há garfos e facas dispostos em cima. — Mas eu não posso ficar com esse medo de mudar... não posso esperar.
Pego a faca da mesa e enfio na palma minha mão. E cara, isso dói!
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