O pálido sol de início da manhã entrava naquele quarto branco como gelo, mas que dessa vez não se encontrava gélido como a muito tempo.

O clima era brando, suave, primaveril.

Hans despertará e a primeira visão que tinha daquele dia era a rainha em seus braços ainda no mais profundo sono.

Nunca desejou tanto que o tempo parasse para ele.

Ficar com ela naquele leito para sempre banhando-a de adorações e juras de amor como a noite passada.

Mas teriam de levantar pois o mundo ainda existia lá fora.

E nada lembra mais isso do que a batida na porta daquele quarto.

Novamente era Gerda que perceberá um pouco de atraso da rainha.

— Elsa? Já está na hora minha rainha. —

Hans não sabia o que fazer.

Tinha pena de acordar Elsa que parecia estar num sonho acalentador com um sorriso doce no rosto.

Mas não havia jeito.

— Elsa. -

Ele acariciava o rosto dela que sorria ainda mais com isto, ele então roubava lhe um beijo, com aquele ato terno ela acabará por acordar.

— Bom dia -

Era bom ter o príncipe como a primeira visão daquele dia.

Ela se sentava na cama e dava-lhe um beijo de bom dia sem sequer importar com seu corpo exposto daquela forma para ele.

— Elsa ? Está tudo bem ? —

Com a retomada das batidas por Gerda Elsa se sobressalta da cama e ia em direção a porta mas não a abrindo.

— Sim Gerda, muito obrigada por me acordar. Eu dormi mais do que deveria. -

Após aquelas palavras Elsa virava se para trás e via o príncipe também com o olhar entorpecido pelo sono mais com um sorriso bobo em seus lábios, sentado na cama.

Ela dava um sorriso encabulado lembrando se da noite passada com ele, mas não era hora disto.

Logo os dois estavam arrumados.

Hans saia de fininho no quarto da rainha mas sem muito sucesso pois acaba sendo pego no ato exatamente por Kai e Gerda que passavam pelo corredor no momento.

— O que faz no quarto da rainha príncipe Hans ? -

Os olhos de Kai traziam desconfiança e raiva.

Não confiava no príncipe, mas acima de tudo queria proteger Elsa e Anna pelo qual tinha grande estima e ele agia como um pai ciumento.

— Suponho senhor Kai que você saiba o porque estava no quarto de vossa majestade. Agora com licença. -

Hans então apenas pôs-se a andar em direção ao seu quarto para se arrumar adequadamente.

— Só pode ser um pesadelo; não acredito que ele e Elsa são realmente amantes. Ela ficou louca. -

Kai acabava por reclamar o caminho inteiro sobre isso.

6:30

O cheiro de chocolate quente impregnava a sala de jantar onde era servido o café da manhã.

Anna e Kristoff já se encontravam na mesa decorada com as flores colhidas diretamente do jardim do castelo além das mais lindas porcelanas que exibiam os mais variados pratos doces e salgados para se comer naquela manhã.

E não demoravam muito para ter companhia.

Mas não esperava por uma Elsa que cantarolava as melodias da ópera da noite passada.

Vendo aquilo Anna sorria, sua irmã parecia ter acordado de muito bom humor.

E o príncipe parecia estar tão bem quanto quando apareceu para o café logo depois.

— O clima parece ter abrandado. -

Aquelas palavras de Anna chamavam a atenção de Elsa enquanto o príncipe nem sequer ouvirá pois estava concentrado em seus próprios pensamentos aleatórios.

— A… Abrandado ? —

— Sim. Hoje está agradavelmente mais quente. —

Kristoff concordava com aquele pensamento balançando a sua cabeça em gesto afirmativo. Já que ele estava comendo não havia como falar diretamente.

Era um fato intrigante. Realmente acabou por perceber após Anna falar sobre o clima que no castelo costumava a ser um pouco mais frio exatamente por causa de seus poderes.
Mas agora parecia que o clima ali estava como sempre deveria ser, normal, referente a época do ano do qual se encontravam.

Elsa olhava para sua frente vendo o príncipe comendo mais um dos doces de Arendelle do qual ele era viciado.

Ela perguntava a si mesma sé por acaso o que ela e o príncipe fizeram ontem em seu leito tinha haver com isso.

— Elsa, está tudo bem ? -

Ao ouvir a voz de sua irmã ela percebeu que todos ali olhavam para ela um tanto preocupados.

— Sim, eu… estou ótima. —

Com aquelas palavras Anna ficava aliviada enquanto a sua frente Hans sorria para ela.

Kristoff olhava para eles dois.

Para Elsa e para Hans e depois novamente.

Reconhecia esse tipo de sorriso.

Era o mesmo que ele e Anna davam um para o outro.

Ele apenas balançava a cabeça com um leve riso tentando não acreditar. Mas era um fato.

Aqueles sorrisos cúmplices diziam exatamente o que acontecia nos corações descongelados da rainha e do príncipe.

7:25

O riso infantil logo preenchiam os corredores do palácio ducal de um Elrich que brincava de cavalinho no cão que tinha mais da metade de seu tamanho.

E não demorou para ter a companhia de Anna e Kristoff que também acabaram se apegando ao menino de vivacidade contagiante

— Querida. Temos um problema. —

O duque se aproximava de Dagmar que escrevia alguns estudos em seu laboratório.

— Olha isso aqui. —

parando tudo o que ela estava fazendo, pegou o jornal e lê uma das matérias principais.

— Meu deus ! —

Seu queixo caiu e ela olhava pasma para seu marido a frente.

Aquilo poderia trazer problemas para a família real de Arendelle.

Mas antes que qualquer coisa pudesse ser pensada Charlotte abria a porta do laboratório.

— Vocês viram a matéria ? Que feliz, e o assunto do momento. -

– Feliz ? Isso pode trazer muitos problemas a Elsa e Hans ! -

Charlotte não entendia muito bem sobre os supostos problemas que aquilo poderia acarretar até que ouvia o que sua irmã falava.

— Anna não pode nunca sonhar em tocar nesse jornal, e nem o povo de Arendelle. -

— Tarde de mais. Ela acabou de sair com o jornal nas mãos. —
Charlotte fazia uma cara que se assemelhava a dor já esperando o ataque que sua irmã poderia ter.

Mas Dagmar apenas bufou sentando se na cadeira com as mãos tampando o rosto.

— Anna, calma ! —
O chamado de Kristoff de nada adiantava. Anna entrava exasperada pelo castelo.

Achava aquela notícia uma afronta. Como ela tinha coragem de se envolver com ele depois de tudo que aconteceu ?

Como ela ao menos nem sequer falou sobre isso ?

Elsa no final das contas continuava escondendo tudo dela.

— Elsa !!!!!!!! —

Elsa olhava a paisagem pela janela do sempre tão frequentado escritório pensando o quanto cenas impossíveis até alguns meses atrás estavam se tornando extremamente comuns.

Principalmente quanto a vivência com parte da família Westergaard.

O príncipe Elrich assim como as suas tias eram sempre bem vindas no castelo e quase todos os dias ela eram convidadas por Anna.

Quanto ao príncipe Hans o mais improvável aconteceu. Conseguiu finalmente depois de anos ter a rainha ao seu lado.
Estava se afundando naquele relacionamento; mas ao mesmo tempo gostava disso. Queria se entregar com a mesma intensidade que ele o fazia.

Seu único medo era realmente sua irmã. Obviamente Anna não ficaria nada feliz
E aquele pensamento fazia parecer que atrai-a os maus presságios pois agora Anna quase arrombava aquela porta.

— Você pode me dizer o que é isso ? -

A princesa pegava o jornal antes totalmente amassado em suas mãos e abria a pagina que havia uma grande matéria intitulada : O amante da rainha ? .

Elsa naquele momento entrava em um estado de pânico.

— Anna. Não é o que você está pensando. Eu e Hans… —

— Eu sabia. Faz todo sentido agora. O fato de você tê-lo aceitado de volta em Arendelle, vocês sempre juntos, ele morando aqui no castelo com a gente. Só tem uma coisa que não faz sentido. —

Ela então parava e respirava fundo.

— Porque Elsa !!!!??? Porque ?…. Mesmo depois de tudo o que ele fez….. Você ainda tem um caso com ele ! —

O clima do ambiente ia ficando cada vez mais frio.

E as duas nem perceberam o chão craqueando em gelo assim como as estalactites que brotavam do teto.

— Anna. Você não entende… o que eu sinto por ele não veio de agora…. —

A voz tremida e baixa de Elsa parecia ficar cada vez mais inaudível a cada palavra.

Elsa para não cair se apoiava na mesa logo atrás mas então via o olhar assustado de Anna.

— Essa não. —

Era somente o que ouvia a princesa dizer antes de virar para trás e ver assustada a mesa completamente congelada.

O grito assustado de Elsa ao ver o local fazia Anna tremer.

Teria ela perdido o controle de novo ?

O amor de irmãs não era o suficiente ?

O problema exatamente não era o amor delas não ser forte. Algo que era.

Mas sim o desequilíbrio emocional que Elsa estava.

Amava sua irmã incondicionalmente.

Também amava Hans.

O que desestabilizava era o conflito interno de ter esse amor pelo príncipe e o medo de Anna se afastar devido a isso.
Parecia ser sempre testada pelo seu destino que dizia : Vamos ver o limite que consegue aguentar rainha. Até onde você consegue chegar antes de desfalecer em desespero ?

— Acho que o meu amor não é o suficiente não e majestade ? -

O olhar de Anna era duro, e suas palavras brutais para a rainha que nada pode fazer a não ser ver sua amada irmã andar porta a fora e bater com força aquele grande pedaço de madeira maciça.

Parecia sempre estar destinada a perder alguém importante em sua vida, não importa a maneira.

7:42

O jornal da manhã acabava chegando mais tarde que o normal no castelo.

Kai era o primeiro a pôr as mãos e logo seu rosto empalideceu. Certas pessoas dali não poderiam botar as mãos naquele jornal. Nunca !

Mas era tarde demais.

Ele então andava o mais rápido possível para o escritório da rainha até que percebia todo o corredor que levava ao ambiente congelado.

Com aquilo ele já especulava que havia acontecido algo.

— Majestade. O jornal de hoje. -

Elsa pegava o jornal das mãos de Kai que ficava parado em sua frente com uma expressão séria.

— Sim. Eu fiquei sabendo.….Chame o príncipe Hans, Kai. Por favor. -

A porta era aberta em poucos minutos, já nem se preocupava muito em bater na porta do escritório nos últimos tempos mas ao entrar ali pela primeira vez em tempos via Elsa olhá lo de modo emburrado além do ambiente com gelo no teto e o chão com uma fina camada escorregadia de gelo.

— O que eu fiz dessa vez ? -

Ela nada falava, apenas olhava para o jornal aberto na escrivaninha enquanto ele se aproximava e virava o objeto na mesa semi- congelada para ler.

— Amante da rainha ? —

Lendo aquela chamada de noticiário da coluna de fofocas o príncipe pegava o jornal e começava a ler.

Tratava se de uma matéria sobre o quanto ele Elsa foram vistos juntos nos últimos tempos e as supostas evidências de que ele era amante de Elsa. Incluindo o detalhe dele ter ficado ao lado dela no camarote real durante o espetáculo e relatos de pessoas que supostamente viam a rainha de mãos dadas com ele, a vez que ele entrou pela janela, algo que mesmo de madrugada não foi despercebido por alguns que passavam próximos a imediação do castelo entre diversas outras coisas.

No canto havia um desenho detalhado de algum cartunista mostrando ele e Elsa no teatro.

Hans então olhava para Elsa que bufava um tanto furiosa com aquilo.

— Não acredito. -

Já a reação de Hans era diferente. Ele parecia se divertir com aquilo.

Um leve riso que ele dava enquanto lia fez Elsa ficar ainda mais emburrada.

— Do que está rindo príncipe? Que eu saiba não há piadas a serem lidas nestas páginas. -

Ele então deixava de olhar para o jornal ainda na mesa e olhava para a ela a sua frente.

— Parece que fomos descobertos mais cedo do que eu pensei; que ingenuidade a nossa abusar da inteligência alheia não é mesmo ? -

— Como alguém tem coragem de dizer isso !? Amantes ? Isso só pode… -

Antes que tivesse chance de terminar Elsa sentia a mão do príncipe segurar um dos seus pulsos.

— Orá Elsa. —

Ela era puxada pelo mesmo ficando ainda mais perto dele e ele logo contornava a mão no quadril dela.

— O que somos então? -

Aquela pergunta acertava lhe na consciência.

Realmente; Não eram apenas aliados, nem amigos.
Amigos não se beijam com tanta vontade, amigos não fazem o que fizeram ontem.

Vendo Elsa sem reação diante daquela pergunta ele lhe dava um sorriso gentil, Pois sabia muito bem que ela havia chegado a conclusão daquela resposta, mas tinha receio de pronunciar.

— Foi o que eu pensei. -

O rosto dele se aproximava do dela e logo um beijo breve era retribuído.

Mesmo estando brava com a exposição de seu relacionamento com o príncipe ela não conseguia deixar de respondê lo.

— Eu não tenho medo nenhum de dizer ao mundo o que eu sinto por você.
Eu amo você Elsa; eu amo o que eu sou quando estou com você, e nada há de mudar isso.
Você não tem ideia da felicidade que é finalmente estar ao seu lado.
Eu não quero poder, eu não quero a coroa. Minha ambição não é reinar, não mais. A única coisa que eu quero é ser como um simples adorador, um servo de minha rainha. Eu pereceria por isso. -

Tão logo abraçava Elsa que ainda tinha um olhar melancólico em seu rosto.

— Elsa, Anna nunca virará as costas para você, não importa o que aconteça. Sei disso pois eu mesmo já fiz coisas piores mas Dagmar e Charlotte nunca me viraram as costas.
Apenas acredite no amor pelo qual as pessoas sentem por você Elsa, seja a Anna ou eu… Apenas acredite no amor. -

Ouvindo aquelas palavras Elsa percorreu a mãos pelo príncipe também o abraçando da mesma maneira casta e sincera.

Ele parecia sempre saber como agir com ela em cada ocasião. E a cada vez que os olhares dele cruzavam com os seus ela tinha cada vez mais certeza do que eles sentiam um pelo outro nunca morreu e será eterno.


" O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição. "

— Aristóteles.