Notas iniciais
Estamos chegando ao fim. :(

10 de julho de 1838

Já no escritório real Elsa ouvia Kai que falava sobre alguns dos assuntos do reino, mas o foco era tirado quando ouvia um pigarro vindo do homem a sua frente.

— Majestade. Você acha certo o que está fazendo ? -

Elsa piscava os olhos confusas e Kai percebeu isso.

— Me refiro ao príncipe Hans das Ilhas do sul. Pois acho Elsa que ele está aqui pelo mesmo motivo do dia da coroação. O que ele tentou fazer com Anna ele agora tenta com você. -

Não era verdade, e Elsa sabia disto.

Sabia que o principal objetivo do décimo terceiro ali nunca foi a coroa.

Sabia que ele a amava com igual fervor. Ele já dera diversas provas nesses meses em Arendelle.

— De algo você tem razão Kai. Ele está aqui pelo mesmo objetivo da coroação. Mas o objetivo que ele sempre teve não foi de tomar a coroa. Mas sim de ter minha mão, por amor. -

— E você acredita no que ele diz Elsa ? -

— Plenamente. -

Kai via determinação nos olhos dela.

Sem dúvida não seria fácil convencê la do contrário. Ele então apenas se calaria diante aquele assunto, pelo menos por hoje.

1 maio de 1838.

Conseguirá saber por fontes confiáveis que seus familiares estavam vivos ainda, mas sendo mantidos prisioneiros.

Já era um alívio saber que Lars e Søren estavam vivos. Ao menos isso.

Também ficará sabendo que Haakon montava sim um plano para invadir Arendelle em algum momento entre o final desta primavera e começo do verão.

E nem foi muito difícil conseguir essas informações, pois por mais que ele fosse inteligente ele sempre cometia o erro de principiante : deixava bem exposto tudo o que ele fazia.

Como uma forma de exibicionismo de seus feitos. A mais pura vaidade no maior nível de imbecilidade.

Queria mostrar sempre o quanto era poderoso, incrível e qualquer outra coisa do qual pensava sobre si.

O erro crasso dele foi sempre deixar saber.

Tais informações eram levadas até Elsa pelo jovem príncipe que deixava ela ler a carta que recebera com as informações.

— Erro de principiante. -

— Realmente. Você disse que ele é inteligente, mas isso aqui demonstra o contrário. —

Ela balançava a carta levemente em suas mãos depois retomando a leitura.

O tom divertido do décimo terceiro que já parecia sentir o sabor da vitória.

— Quando essa palhaçada de brincar de guerrinha com esse imbecil acabar vou…. -

De repente ele parava de falar e lembrava do acordo que havia feito com Elsa. Ajuda- lá e depois voltar a cumprir sua longa pena em sua odiável terra natal.
O sorriso dele se desfalecia só de pensar que não estaria mais com ela.

Já aquele repentino silêncio chamará a atenção de Elsa que ainda lia a grande carta.

— Vai o que ? -

— Voltar para a prisão. -

Foi somente o que o ouviu dizer, com o príncipe de costas para ela.
Elsa então se levantava do sofá daquela sala do qual se encontrava e ia em direção a ele.

— Hans.… —

— Posso lhe perguntar algo Elsa ? —

Estando de frente para uma obra de arte na parede o príncipe sentia uma das mãos de Elsa segurando na dobra de seu braço.

— Mais é claro. -

Ela também acabava por olhar o quadro a frente.

A mulher em azul lendo uma carta de Johannes Vermeer.

—Minhas cartas…. Durante anos eu lhe mandei, você as recebeu certo ? O que fez com elas ? -

Elsa nem se lembrava das cartas até ele mencioná-las.

Ele via a rainha com uma cara pensativa como se ela estivesse lembrando.

— Eu…. Eu me lembro !!!!! -

Repentinamente Elsa começava a andar rápido ao mesmo tempo que arrastava Hans logo atrás dela e subindo um andar logo estavam no aposento real.
Ali ele olhava intrigado quando via Elsa arrastar um pouco àquela grande cama, mas logo ia ajudá la.
Depois de ajoelhar se no chão Elsa retirava uma tábua de madeira solta revelando dentro de um vão uma caixa adornada de prata consideravelmente grande, como um pequeno baú.

Era intrigante aquele objeto, o príncipe também se ajoelhará é a ajudo tirar o pequeno baú do vão que estava, deixando o no chão de madeira.
Os olhos dele pareciam brilhar quando o relicário se abria e mostrava cartas, todas elas ainda invioladas.

Ali estava todas as cartas que ele enviará durante anos a ela. Em perfeitas condições.

— Eu nunca tive coragem de abri las. Mas também não tive coragem de tocá las no fogo.
A minha vida toda eu tive medo Hans, me afastei da minha família por medo, e também o afastei de mim pelo mesmo motivo. Medo que tinha de ferir a todos... -

A rainha pegava a primeira carta datada e então em muito tempo ela tinha coragem de abrir.

Depois de anos de espera o selo real era violado mostrando o conteúdo da carta que o príncipe havia escrito a ela logo depois que ele partiu de Arendelle pela primeira vez. Em 1824.

— Minha querida Elsa.

Finalmente resolvi te escrever, não havia feito antes pois estava sem assunto pois aqui onde estou e meio chato e sinto sua falta.

Queria que estivesse aqui para brincarmos no jardim, se você ainda não estiver doente.

E se estiver, eu cuidaria de você.

Um dia quero morar em Arendelle para te ver todo dia.

Porque gosto muito de você.

Hans Westergaard. -

Elsa sorria com aquela escrita.
Ele tinha apenas 11 anos, mas ali já demonstrava um carinho que confirmava algo entre eles desde aquele terno período infantil.

Olhando para o lado ela via o próprio escritor de tal carta que procurava a próxima carta que havia enviado a ela depois desta que a rainha guardava com esmero no envelope.

E assim passavam toda aquela manhã, lendo as mais de 20 cartas que ela recebera dele durante todos aqueles anos, mas nunca responderá.

Tudo o que ele sentiu em mais de 10 anos expressos em palavras que nunca tiveram chance de ser lidas.
Agora estava tudo exposto a Elsa.

O quanto sempre desejou estar ao seu lado, o quanto a admirava, o quanto sonhava com ela.

Até que no final havia apenas mais duas cartas.

E reconhecia aqueles anos.
O ano da morte de seus pais 1834.
O ano da coroação. 1836

O príncipe percebia a sua rainha um tanto aflita ao pegar a próxima carta.
Ele então se aproximava mais dela e pousou uma de suas mãos em cima de uma dela que apoiava se no assoalho de madeira.

Elsa então abria a carta e o conteúdo dela era exatamente sobre o que ela pensava.
Ele a lamentar a morte do rei e rainha de Arendelle e lhe oferecendo todo o apoio e amor incondicional que ela precisaria em um momento como aquele.

Lágrimas tímidas começaram a rolar pelo rosto pálido da rainha enquanto ela lia.
Sem dúvida uma das maiores cartas que ele escreveu, 3 longas páginas frente e verso.

Percebendo que Elsa ficava emocionalmente instável com aquilo ele segurava a mão dela.

— Melhor parar por hoje. Não ? -

Ela nem lhe deu ouvidos. Pegou a última carta.
Uma carta que ele enviou poucos meses antes da coroação.

Ali ele dizia que moveria montanhas e todo o mar só para estar em Arendelle em um dia tão especial para ela.
E que esperava encontrá la pois ainda tinha fortes sentimentos por ela. E que morreria para estar ao seu lado. Que sua ambição não era o reino mas sim a mão dela em um casamento por amor.

E terminava com tal frase : Seria loucura demais pedir a sua mão? Bem. Eu não me importo de cometer loucuras desde que seja por você Elsa.

Àquela carta deixava muito explícita que o principal motivo para ele vir a Arendelle naquele fatídico dia.

Elsa dava um meio sorriso ao terminar de ler aquela última carta.
Era incrível como ele nunca havia desistido dela, mesmo com anos sem nenhuma resposta.

O príncipe aproximava seu rosto do dela e então apoiava se levemente na mesma a abraçando.

E o pouco de gelo que restava naquele cômodo agora não passava de pura água.

— Não vou mais esconder o que eu sou e o que eu sinto Hans. Por isso…. —

Um suspiro acalentador era ouvido dos lábios dela até que ela começasse a falar novamente.

— Por isso quero assumir o que há entre nós dois. —

Com aquelas palavras Hans levantava a cabeça surpreso, olhando para ela.

— Tem certeza Elsa ? Não vai arranjar problemas ? —

— Sé arranjar eu lutarei. E você? Lutará comigo ? —

Elsa levantava e olhava para o príncipe com um sorriso doce.

— Mas é claro ! -

Em uma felicidade plena ele pegava Elsa e a girava e seus risos ecoavam no ambiente de temperatura agradável.

No final das contas não demorava muitos dias para ter a cerimônia do perdão e também o ser anunciado que Elsa engatada sim um relacionamento com o décimo terceiro príncipe das Ilhas do sul.

Agora era oficial.

E o grito de felicidade de Charlotte e Elrich ecoavam no castelo após ouvirem o anúncio da própria boca da rainha que acabava por se assustar com a tal demonstração um tanto indiscreta e irritante.

E tal notícia não ficava somente entre os portões do castelo; demorava menos que uma semana para que o reino além da capital soubesse.

Já haviam comentários de que ele seria o próximo rei de Arendelle.

Alguns achavam que a rainha já poderia estar grávida, o que não era o caso.

Havia as mais diversas especulações sobre o assunto tão comentado.

Agora querendo ou não Anna e Kristoff teriam de conviver com aquela situação