Cantos de primvera
18 Não deixar saber.
Notas iniciais
Passavam semanas e quase sempre Hans era visitado na prisão por Lars, Charlotte, Dagmar e Søren.
Também recebia cartas de seu sobrinho que ele ditava para que seus pais escrevessem e enviasse a Hans.
Os desenhos que ele fazia estava sempre ali junto da carta. E Hans guardava tudo.
Charlotte levará um caderno para ele ter o que fazer em tempos de ócio. Como escrever ou desenhar.
E às vezes também recebia livros de Lars, Søren e Dagmar.
Mas logo passava aquele primeiro mês.
Dagmar e Charlotte teriam de voltar para as respectivas terras do qual moravam : Vërteria e Arendelle.
Seria uma situação pessoalmente estranha para Dagmar voltar para Arendelle. Àquela paisagem não deixaria ela esquecer nenhum segundo do que seu irmão fez.
As boas lembranças do lugar se transformam em assombrações.
— Por favor, levem minhas coisas com vocês. Eles não podem nem sonhar em pegar tais objetos. —
Dizia Hans a suas irmãs.
Elas sabiam exatamente ao que ele se referia.
26 de Agosto de 1836
A luz da lâmpada de Argand era acendida iluminando aquele quarto.
Mas ainda sim parecia escuro.
Sempre reclamar a Hans que achava seu quarto escuro demais. Mas agora além de escuro parecia sombrio e triste.
Logo Søren começava a vasculhar as coisas no quarto do mais novo. Tiravam o quadro de Elsa, já restaurado, da parede.
Também pegavam os livros que ele mais gostava. Assim como os diários fechados e guardados. Um costume muito comum em sua época.
Passando seus olhos pelas prateleiras Charlotte via a boneca de pano que Hans havia ganhado a muitos anos de Elsa.
Aquilo seria guardado também.
No dia seguinte as irmãs viajam com seus maridos e em suas bagagens, os objetos dos quais ele pediu para guardar.
1 de Outono de 1836.
Não demorava muito para o próximo Westergaard ser preso.
Mas dessa vez não era uma surpresa para ninguém que Haakon estivesse atrás das grades. Coisa que já era para ter acontecido a muito tempo. Mas sempre era salvo por seu pai que considerava Haakon como um de seus preferidos.
Mas diferente de seu pai Frederich, Lars não tinha nenhuma pena de mandar Haakon para onde era seu devido lugar.
E também não demorava para Haakon arranjar problemas dentro da prisão.
A sorte tanto Hans quanto Haakon e que Lars quando se tornou rei aboliu os castigos corporais e a pena de morte que existiam a séculos nas ilhas do sul.
Para Hans não fora uma surpresa e muito menos agradável ver Haakon ali também; e tentava manter se afastado dele por motivos sempre óbvios.
Aquela fora a terceira vez que Hans lhe virava as costas. E o ódio que sentia quanto ao décimo terceiro ficava cada vez mais doentio.
25 de outubro de 1836
O palacete estava resplandecente.
Dagmar não era uma exímia dona de casa, mas ao menos tentava. Mas a maior parte dos serviços ficavam com os empregados pois sua sina era outra.
Como uma amante das ciências ela doava para diversas instituições voltadas a área e ajudou a criar escolas em Arendelle. Além de pesquisar e escrever estudos principalmente na área biológica.
Mas agora teria que participar de um evento do qual seu marido faria ali. Um jantar com alguns dos mais nobres convidados que poderiam ter.
E teria de encarar pela primeira vez em anos Elsa e Anna.
Achava que seria uma experiência estranhamente desagradável.
Já o duque tinha boas intenções ao chamar a família real para o jantar. Pensava que talvez com tal aproximação a pena de Hans poderia ser reduzida ou até quem sabe receber o perdão de Elsa.
Não seria tão fácil assim.
19:06
Os convidados chegavam aos poucos.
A carruagem adentrava o imponente portão de ferro do palacete e nesse veiculo encontrava se a família real de Arendelle.
Elsa era recebida com toda a pompa.
— Vossa majestade e um prazer ter todos vocês aqui. —
O olhar do duque passava em cada um deles, Elsa, Anna, Kristoff e o mais curioso convidado do jantar : Olaf.
— O prazer é todo nosso por ter nos convidado. —
Elsa dava um sorriso sincero para ele e a mulher que vinha logo atrás.
— Majestade. -
Dagmar fazia uma reverência na frente deles
— Majestade, lhes apresento minha mulher, Dagmar. —
Ele acabou por ocultar as origens de sua mulher enquanto apresentava a eles. Também poderia ser um tanto desagradável no momento mencionar a linha de parentesco dela.
O palacete então era mostrado a família real; Anna ficou especialmente encantada com o local em estilo biedermeier.
— E esse lugar ? —
Olaf apontava para uma porta fechada mas tanto o duque como a duquesa pareciam não ouvir.
Kristoff e Anna também olhavam um tanto curiosos para a porta; a final era a única grande porta que estava fechada.
O jantar corria maravilhosamente bem. Mas algo ainda incomodava Elsa.
Sabia que conhecia a condessa de algum lugar.
O mesmo pensamento passava pela cabeça de Anna e assim também como o que haveria na porta.
Querendo ou não tinham ficado curiosos.
Logo todos estavam no salão de música onde Dagmar tocava um piano. Finalmente depois de tantos anos havia aprendido a tocar tal instrumento.
Kristoff conversava com o duque enquanto Elsa admirava a música que Dagmar tocava.
Piano sonata N12 adagio in B minor. — Mozart
Mas uma pessoa não se encontrava ali.
Anna caminhava pelo palacete.
Nas paredes as mais diversas obras de arte dos mais diversos tipos; pintura equestres, pastorais, retratos, natureza morta….
A maioria estava com o nome de uma pintora. : Charlotte W.
Havia também muitos esboços e desenhos de diversas técnicas nas paredes. Já ali podia ser achados outros nomes : Søren W. Tinha diversos esboços com seu nome.
Já Dagmar W. Tinha muitos desenhos de aves animais e plantas. Desenhos esses de caráter científico.
Mas o nome que mais chamará atenção fora : Hans W.
Naquele minutos as suspeitas eram levantadas.
Olhando para frente Anna via um Olaf correndo animado em sua direção segurando um objeto.
— Olha o que eu achei que bonitinho. -
O boneco de neve lhe entregava o pequeno objeto que ela reconheceu imediatamente.
Era a boneca de Elsa.
— Olaf, onde achou isso ? —
Anna então o via apontar para a grande porta que antes estava fechada. A mesma porta do qual despertará a curiosidade de todos.
Não deveria sequer pensar em abrir aquela porta. Era invasão de privacidade.
Mas a curiosidade falava mais alto.
Ao ligar a luz de Argand, Olaf e Anna ficaram surpresos.
Era uma sala enorme repleto de quadros e prateleiras. Parecia uma antiga cabine de curiosidades.
Mas naquele momento o que mais chamava a atenção era o Imponente quadro de Elsa na adolescência. Em cima de uma lareira.
— Mas o que ? —
Anna não lembrava de ter visto tal quadro, nem sabia que havia pinturas de Elsa no período do qual sua irmã ficara isolada.
A verdade é que aquela era a única pintura daquele amargurado período.
Atrás dela Anna ouvia um gritinho de surpresa vindo de Olaf.
Ao virar deparou se com uma enorme pintura que. Ocupava quase uma meia parede de cima a baixo.
Uma pintura de uma enorme família.
Em um canto do quadro havia a conhecida duquesa Dagmar e ao seu lado uma mulher idêntica a ela.
A maioria das pessoas daquele quadro eram homens e quase todos ali tinham cabelos ruivos e olhos verdes.
Na frente um homem jovem com uma coroa em sua cabeça. Ele deveria ter por volta dos 30 anos; e ao seu lado uma mulher que de sorriso gentil e cabelos muito escuros e a coroa em sua cabeça.
Mas o que mais lhe chamava a atenção era um dos príncipes próximo ao rei.
Reconhecia Hans.
Uma das pinturas oficiais do dia da coroação de Lars estava ali na frente de Anna e Olaf.
Todos os membros da família real estavam vestidos majestosamente e as vestes de cores fortes contrastam com o fundo escuro de uma paisagem sem muitos detalhes, pois o próprio foco do quadro era a família real.
Mas uma das coisas que mais chamava atenção. Era o "ar pesado" que ele carregava.
Parecia perceptível até mesmo no quadro a raiva e inveja que alguns daqueles homens olhavam para o rei recém coroado.
Já Hans parecia um tanto satisfeito naquela pintura que fora feito quando o jovem príncipe tinha 20 anos.
E próximo a ele havia um pequeno menino que aparentava não ter mais do que 4 anos. Segurando a mão do príncipe e um brinquedo em seus braços com um doce sorriso.
Àquilo dava calafrios em Anna. Agora tinha certeza.
A duquesa Dagmar era irmã de Hans.
21:34
No corredor ouvia sé passos rápidos que iam até a sala de música.
— Dagmar ! Como conseguiu essa boneca ? —
Anna arfava, estava nervosa pela descoberta e logo atrás dela um Olaf preocupado.
Naquele momento o piano parava de tocar abruptamente. A duquesa não encarava Anna mas sabia exatamente a que a princesa se referia.
Elsa se levantava com seus olhos arregalados não acreditando no que estava vendo. Era a sua antiga boneca, que havia dado a Hans.
Já Kristoff se encontrava completamente confuso.
— Então majestade. Aceita um chá ? —
O Duque dizia tais palavras nervosamente, tentando desviar se do assunto.
— Você é parente do Hans não é ?! —
Anna segurava a boneca com raiva em uma de suas mãos enquanto olhava para Dagmar que também passava agora a olhar Anna com uma expressão séria e imponente, sé levantando.
— Sim, sou Dagmar Westergaard. Irmã mais velha de Hans. -
Naquele mesmo momento vinha as mais diversas lembranças na cabeça de Elsa. Desde aquela semana que tivera com Hans quando crianças até o dia da coroação.
— Eu sabia ! —
Anna jogava com força a boneca no chão.
— Já sei inclusive o porque está em Arendelle. Você é uma espiã. Você é uma espiã do Hans ! -
Naquele mesmo momento Elsa levantará sua voz pois sabia o quanto aquela ideia era absurda.
— Anna ! -
O tom de Elsa era de repressão mas Anna estava tão centrada naquela ideia que nem ouviu sua irmã.
— Você só pode estar brincando Anna. —
O tom de Dagmar continuava calmo apesar de todas as mais absurdas idéias que Anna começava a acusá la.
— Princesa Anna, devo lembrá lá que está em minha casa. E não admito que julgue minha mulher de pensamentos infundados. —
Mas Anna não parava mesmo com as palavras do duque.
— Vocês querem tomar o poder de Arendelle. Por isso está aqui. -
— Você quer se aproximar de nós para tentar o mesmo que Hans fez ! —
— Anna !!! —
Finalmente Anna prestava atenção em sua irmã ao lado da duquesa, e o tom de Elsa era o mesmo de antes.
Então Anna parava mas seu olhar ainda guardava mágoa.
— Me explica o que essa boneca está fazendo aqui.
E aquele quadro da Elsa. —
Anna estava nervosa. Mas ao ouvir sobre o quadro a curiosidade era despertada.
— Quadro ? -
Elsa olhava para Dagmar enquanto o duque pensava o quanto aquilo ficava problemático. Mas seria apenas o começo.
Dagmar então resolveu guiá- los até a sala onde estava os objetos para esclarecer todas as dúvidas. Ou ao menos tentar.
Com todos no ambiente Dagmar suspirou aflita enquanto Elsa se aproximava do quadro, tocando a peça um tanto intrigada.
Lembrava se daquele dia.
A única vez que pousará para uma pintura em período de auto exílio.
— Onde conseguiu essa pintura ? -
— Hans a comprou em um leilão. —
Dagmar tinha uma postura firme e não transparecia o nervosismo que tinha agora.
Elsa ao ouvir Dagmar virava se para trás surpresa mas ainda com a mão na pintura.
— Majestade; Hans nunca esquecerá você. Desde aquela semana, aquele beijo no jardim. A verdade Elsa, é que ele sempre há amou. -
Elsa encontrava se paralisada, olhando para Dagmar .
E a cada palavra que a duquesa falava de Hans seu coração batia mais forte.
— Pera ai… beijo ? -
Anna olhava Elsa incrédula enquanto finalmente Kristoff se pronunciava sobre aquilo.
— Amor ? você só pode estar brincando. -
— Como se ele fosse capaz de amar…. —
Antes de Anna terminar àquelas palavras Elsa a impedia sinalizando para a irmã que estava ficando brava com seu comportamento.
— Já chega Anna. Falou demais por hoje. Você invadiu a privacidade da duquesa e a acusou sem provas. -
— Duquesa, já estamos de partida. Mas não antes de lhes chamar para um jantar onde minha irmã irá pedir suas desculpas oficiais. Enquanto isso ela irá rever seu comportamento. -
Quando Elsa já ia sair com Anna e Kristoff e Olaf da sala Dagmar lhe dirige a palavra.
— Não se preocupe majestade. Hans também está revendo o dele. -
Aquela frase fazia Elsa parar a caminhada por um momento, mas ela não virava para trás. Apenas tomava fôlego e seguia adiante.
Fale com o autor