15 de março de 1838.

Notícias confusas chegavam das Ilhas do Sul naquele final de inverno.

— A cidade está em chamas. -

— Um golpe de estado. -

— Maior parte da família real sumiu sem deixar rastros. —

— A culpa é de um dos príncipes das Ilhas. -

— O sétimo príncipe agora está no poder. -

A sua família parecia estar condenada a ter as mais diversas desgraças.

A começar pela própria competição doentia que havia entre muitos deles, o seu querido irmão mais novo condenado por tentar matar a rainha de Arendelle a qual sempre amou e agora Haakon, o mais problemático de seus irmãos chegou ao poder através de um golpe de estado.

E os seus outros familiares, tirando sua irmã, estavam desaparecidos.

Charlotte chorava na escrivaninha enquanto ainda tentava escrever para Dagmar.
Estava aos prantos.

Tais notícias também não demoravam para chegar em Arendelle.

Dagmar não tinha uma reação tão diferente de sua irmã. Estava em pânico.

— Maldito. Maldito seja você Haakon. Seu miserável. -

Eram as únicas palavras que saiam de seus lábios enquanto chorava na biblioteca onde não havia ninguém para ouvir suas lamúrias.

Naquela tarde, Elsa chegava na casa da duquesa que havia se acalmado um pouco.

— E verdade o que dizem ? —

As duas estavam na sala de visitas do palacete e Dagmar parava de andar nervosa de um lado para o outro quando Elsa falava com ela.

— Sim. Infelizmente. —

Ela tentava não chorar mordendo os lábios.

— E Hans ? -

Aquela pergunta surpreendia a duquesa que olhava incrédula para a rainha.

— Como ? Me desculpe, eu não entendi. -

Sabia muito bem que ela e Hans tinham um passado, mas não imaginara que ela perguntaria dele.

— Tem notícias de Hans ? -

Se o objetivo de Elsa era não deixar saber; ela não estava sendo muito discreta.

— Infelizmente não Elsa. -

11 de março de 1838
3:32

As ruas daquela cidade estavam cheias apesar de ser madrugada; mas não era por causa de uma festa popular ou algo do tipo e sim um golpe de estado.

Todos estavam em pânico.

Tanto que as pessoas nem percebiam que além do príncipe Haakon que destruiria o querido rei Lars; o décimo terceiro príncipe corria solto.

Mas seu objetivo não era tocar o terror na cidade.

Enquanto isso o pequeno príncipe Elrich dormia tranquilamente naquele enorme quarto que era somente iluminado pela luz da lua.
O inocente sonho infantil em nada se comparava ao que acontecia fora dos portões do palácio.

Mas ele descobriria logo.

Uma sombra se projetou pela janela do jovem príncipe.
O indivíduo se aproximava cautelosamente da criança.

Elrich acordava assustado. Com alguém botando a mão em sua boca para calá-la.
— Shhhhhi -

A visão de quem se tratava tranquilizava o pequeno.

Era Hans.

Ele pegava o seu sobrinho ainda embebido em sono no colo. Iria fugir dali com a sua família.
Ao menos era o que planejava até que os soldados de Haakon arrombaram a porta.

Hans então corria com o menino nos braços e por sorte não eram pegos.
Mas acabará por levar um tiro, um ferimento de bala no seu ombro e outro raspando em seu abdômen.
Ainda sim não soltaria o seu sobrinho , por tudo que é mais sagrado.

Parava somente quando encontrava Sitron que havia tirado da baía antes de entrar no quarto do pequeno Elrich.
Subindo com o menino em Sitron ele botava se a correr novamente a galope.

No porto ele não tinha alternativas. Pegava um pequeno barco a vapor "emprestado".

O seu pensamento agora era só um. Ir aonde estava Dagmar.
Tinha certeza de que Charlotte também iria para Arendelle depois da notícia.

15 de março
1:02

A chuva caía pesadamente naquela noite, mas Elsa não conseguia dormir.
Estava em seu escritório em pé olhando para as pinturas que lá havia e tomando um chá de camomila.

— Eu não devia me preocupar…. —

Ela suspirava e então olhava para o quadro de seu pai.

— O que você faria ? -

Continuava olhando para a figura como sé espera se uma espécie de intervenção divina que o fizesse falar.

— E proibido…. Mesmo depois de tudo que ele fez…. Eu não consigo…. —

Elsa segurava xícara com força e o líquido tremia. Pois ela mesma estava tremendo.

As palavras que Dagmar lhe falará sempre insistiam em martelar em sua cabeça.

— Majestade, Hans nunca esquecerá você. Desde aquela semana, aquele beijo no jardim. A verdade Elsa, e que sempre há amou. -

Não devia ser verdade.
Não podia ser.
Torcia por ser um tipo de piada de mal gosto. Mas era um fato que ela ainda pensava nele.

Isso lhe dava medo.

Lembrava-se exatamente o endereço de Dagmar devido as cartas que recebia dela.
Sua memória sempre fora excelente.
Mas aquela madrugada de chuva tornava as coisas mais difíceis para o décimo terceiro.

— Elrich, tente entrar e chame sua tia. -

Realmente era bem mais fácil o pequeno entrar, pelo simples fato de que também ele não chamaria tanta atenção dos guardas.

— Tio Hans está lá fora. -

Aquelas palavras foram o suficiente para Dagmar e seu marido mandarem abrir o portão.

Hans era recebido com um grande abraço por sua irmã que chorava emocionada ao revê-lo
Tinha agora uma cama confortável na qual dormir e um banho quente para tomar.

Um médico era chamado urgente para ver os ferimentos que Hans e Elrich poderiam ter. E a bala de revólver ainda alojada no braço de Hans era tirada e cuidava dos ferimentos da outra bala que havia passado raspando.

— Você podia no mínimo ter perdido o braço se continuasse assim majestade. Mas não se preocupe, agora é só repousar. -

O sono acabara por ser leve e repleto de pesadelos para todos que dormiam naquele palacete.

19 de março de 1838.

— O que eu vou fazer ? Não podemos esconder você pra sempre Hans. -

Fazia 4 dias que o príncipe estava em Arendelle hospedado na casa de sua irmã mais velha.

Mas era uma verdade.
Ele não poderia se esconder para sempre. E nem queria.

— Preciso falar com Elsa. -

O príncipe sentava na cama de seu mais novo quarto com dificuldade devido ao fato de usar o braço ferido para tentar se apoiar na cama.

— Não acho que seja a melhor coisa a se fazer agora. Além do mais, acho que ela não iria querer te ouvir Hans. —

Dagmar abria a janela que dava para o jardim e a linda manhã de sol. Logo a primavera chegaria.

— O que eu tenho que falar com ela é urgente, pois sei que Haakon deseja atacar Arendelle. —

Aquelas palavras chamavam a atenção de Dagmar imediatamente se virava para seu irmão.

— O que ? -