Cantos de primvera
28 A ópera - continuação.
Notas iniciais
A lua minguante, pálida e fraca começava a despontar no horizonte do céu que aos poucos passava do azul celeste para o negro da noite fazendo que a lua retorna se a glória da prata que ela sempre tinha.
E ela estava muito entusiasmada pois finalmente havia chegado o dia.
— Qual a peça que iremos ver ? -
— Orfeu e Eurídice. —
Elsa respondia a irmã enquanto ajudava a trançar o cabelo da mesma diante do espelho.
— Não conheço, do que se trata ? -
Após terminar de arrumar o cabelo de sua irmã Elsa sentava na cama da mesma que saia do espelho e ficava de frente para ela.
— Baseado em uma mitologia grega. Basicamente Orfeu e Eurídice se amam e casam, mas seu amor e amaldiçoado.
Quando Erundíce falece Orfeu vai até o inferno para buscá la. O resto você verá. —
Elsa dava um sorriso gentil a sua irmã que a olhava curiosa.
— Quem escolheu essa peça ? —
—Dagmar disse que é uma das preferidas dela. —
O modo como Anna mexia a cabeça em afirmativo fazia Elsa pensar o que estaria passando pela cabeça de sua irmã.
— Não vai me dizer que ainda acha que elas são espiãs ? -
— Não, não. Eu confio plenamente nelas. Na verdade eu as adoro. Já viramos grandes amigas. -
O sorriso que Anna dava era enorme e contagiante.
E Elsa fazia o mesmo.
Logo era ouvido o bater na porta e ouvia se então do outro lado Kai.
— Majestade. Só faltam vocês duas. -
Elas então se prensavam.
No final da escada que dava para o hall de entrada ouvia se Kristoff que reclamava do quanto elas demoravam a se arrumar enquanto Hans olhava agitado para o relógio próximo até que a atenção dos dois eram chamadas e ao olharem para a frente via as duas irmãs de Arendelle descer.
Assim como o queixo deles que caiam ao vê-las tão belas.
— Meu deus. —
Aquela fora as únicas palavras que saia da boca do príncipe enquanto via a sua rainha descer com um lindo vestido branco com as alças caídas deixando seus ombros completamente à mostra e o tecido enfeitado com os próprios cristais de gelo que ela fizera.
Já Anna usava um vestido mais volumoso de seda azul escuro com suas tranças presas em um coque como a que usará no dia da coroação de sua irmã.
As duas ao perceberem eles embasbacados riam levemente uma para a outra e iam de encontro a seus acompanhantes.
O cocheiro já esperava por eles, e então após entrar na carruagem os cavalos começaram a trotar até o centro de Arendelle onde ficava o teatro nacional para aquela noite de gala.
Na entrada do teatro as pessoas reverenciam a família real por onde passava.
Primeiro Anna e Kristoff de logo depois Elsa e Hans.
As atenções eram divididas entre o curioso boneco de neve que vinha logo atrás e a rainha com seu acompanhante das Ilhas do Sul.
Estava ficando cada vez mais óbvio para todos que o príncipe não se tratava apenas de um ajudante da rainha.
Charlotte e Dagmar acabará por entregar os ingressos a eles e logo se despediam indo se sentar em seus lugares.
Haviam escolhido estrategicamente todos eles.
Anna e Kristoff entravam em um dos camarotes que havia e logo atrás deles Olaf.
— Que legal eu queria a tanto tempo ir ao teatro... Apesar de não ter nem ideia do que era um. -
Ao ouvir Olaf, Kristoff bufava. Seria sem dúvida uma longa noite.
— Cadê minha irmã ? -
Anna olhava para trás e não via Elsa muito menos Hans.
As portas do camarote então se fechavam.
Do outro lado do teatro havia o camarote real.
Anna via a porta do camarote abrir e ali via sé Hans que dava passagem para Elsa que entrava.
Logo ele sentava ao lado da rainha e esperava o espetáculo começar.
Anna então se levantava mas antes mesmo de ousar abrir a porta do camarote ela se deparava com Dagmar e Charlotte que também ficariam ali com eles.
— Porque botaram minha irmã com ele ? -
O rosto de Anna expressava que sua felicidade havia passado e se transformado em raiva.
— Shhhhh. Logo vai começar. -
Charlotte falava em uma vã tentativa de despistar a atenção de Anna para o fato de Hans é Elsa estarem a sós.
E depois das palavras de dela, Kristoff apenas trazia Anna de volta a cadeira que estava sentada ao lado dele.
— Acalme se Anna, ele não é idiota ao ponto de tentar fazer alguma coisa no teatro lotado. E também não vamos deixar que isso estrague a nossa noite, eu nunca fui a um teatro, você também não vem a anos. Vamos aproveitar. —
Dizia ele sussurrando a princesa.
Anna suspirou e então se ajeita na cadeira e dava a mão ao seu noivo.
— Você tem razão. Estou ficando paranoica. -
— Concordo -
Era a palavra que vinha logo atrás deles saindo diretamente da boca do boneco de neve. Quanto a isso todos eles concordaram.
Logo as luzes se apagavam e começava a ópera.
— Orfeu, ato I : Rosa del ciel.
♫♪ Orfeu : Rosa do céu, dia do mundo e digno descendente daquele que rege o universo.
Sol, tu, que tudo rodeia que tudo vê.
De seus círculos estrelados
diga me: Ha visto alguma vez, um amante mais feliz que eu ?
Foi muito feliz o dia, em que te vi pela primeira vez, e ainda a mais feliz hora que suspirei por você.
Porque teus suspiros respondiam aos meus.
O mais feliz momento, que sua mão branca, em uma promessa de fé pura.
Para mim você ofereceu.
Se eu tivesse tantos corações quanto o céu tem olhos eternos e a vegetação nessas colinas agradáveis.
Neste verde mês de maio.
Tudo seria preenchido e transbordaria com esse prazer que hoje me faz feliz. ♫♪
Aquilo era tão bonito; a princesa Anna se sentia emocionada e abraça Kristoff enquanto Olaf olhava fascinado com os seus bracinhos apoiados na grade imponente que separava o camarote do restante do público abaixo no primeiro andar.
— ♫♪ Eurídice: eu não sei dizer quanta alegria, Orfeu você me proporcionou.
Pois meu coração não está comigo e sim contigo, acompanhado pelo amor.
Pergunte lhe então,Se você deseja saber como ele se alegra e quanto ama a você. ♫♪ —
Hans ficava surpreso ao sentir a mão de Elsa juntando se a dele. Então. Ele levava a mão fria de Elsa ainda de mão dada com ele e ali ele beijava.
— Gostando ? -
— Sim, muito. —
A rainha encontrava se encantada com tudo aquilo que acontecia.
Era tão bom estar do lado dele ali enquanto viam aquele maravilhoso espetáculo.
O tempo passava,mas nenhum deles sentia isso. Estavam absortos na ópera que já sé encontrava no último ato.
Anna chorava assim como Charlotte e Olaf.
Kristoff abraçava a princesa mais ainda olhando para a peça.
Já Dagmar estava com seu marido duque; segurando um pequeno binóculo de teatro, olhava não para a peça em si mas para o camarote real vendo Elsa e Hans.
Elsa encostava a cabeça no ombro do príncipe que retribuía tal ato com um sorriso no rosto aconchegando- a.
Vendo aquilo Dagmar sorria e passava discretamente o binóculo a sua irmã para ela também ver que finalmente Elsa e Hans pareciam estar juntos.
Tal ato acabará por passar despercebido por Anna, Kristoff e Olaf.
23:45
Era quase madrugada quando a ópera acabava e logo estavam na carruagem.
Durante todo o trajeto o silêncio imperou entre eles.
Até o príncipe decidir dirigir as palavras a Kristoff e Anna.
— Então, vocês gostaram ? -
E pela primeira vez eles devolveram com um sorriso sincero o seus dizeres de afirmação.
Aquilo alegrava a Elsa e surpreendia Hans que pensava que mais uma vez seria ignorado ou rechaçado pelos dois.
A conversa continuava até entrarem no castelo.
— Boa noite. -
Elsa despedia se de sua irmã com um abraço e acenava para Kristoff que se afastava em direção aos seus quartos.
Logo se deparando com o príncipe que saia do quarto do sobrinho já no sétimo sono. Havia ido ver se ele estava bem.
— Está tudo bem com ele ? —
Elsa aproximava se de Hans que fechava gentilmente a porta para não acordar o menino
— Sim, dormido como um príncipe que ele é. —
Virando se para Elsa, Hans se deparava com os olhos azul profundo que parecia brilhar ainda mais aquela noite.
E ficaram assim por algum tempo. Olhando nos olhos um do outro como se pudessem ver a alma e os sentimentos que guardavam.
— Boa noite Elsa. -
Após a quebra do silêncio o príncipe começava a andar em direção até o quarto do qual estava hospedado até sentir a fria mão de Elsa segurar seu braço.
Ele então se virava um tanto surpreso com aquele ato.
— Gostaria de ter sua companhia está noite. -
Elsa então caminhava à frente e olhava para trás certificando que o príncipe estava vindo atrás.
Ele não perdia tempo e aí ao encontro de Elsa no quarto da mesma.
E pela primeira vez Elsa sentiu se quente.
" Te levarei ao inferno
para te dar um beijo ardente
E meus braços queimarão
Ao agarrarem teu corpo em brasa
Quero te ter louca, cálida,densa, inconsequente.
Pra viver contigo um romance tórrido eternamente.
E exorcizar de mim este sentimento que me abrasa.
Te levarei ao inferno.
Pra que tu sejas meu paraíso.
Te levarei ao inferno para te dar um beijo ardente. "
— Augusto Branco
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