Era com pesar que chegava o fim daquela semana.

Foram seis dias em Arendelle e amanhã seria o último; ele agora teria que partir para -se lá quando voltar.

Mas esperava que seu retorno a Arendelle fosse o mais breve possível. Mas não seria.

A maior parte das malas já estavam arrumadas e Hans olhava para fora naquele quarto do qual fora seu por uma semana.

Ele realmente não queria ir.
Não queria acima de tudo voltar para as Ilhas do sul. Aquele lugar onde era maltratado pela família, aquele lugar onde os gestos de carinho e compreensão eram poucos, aquele lugar no qual nunca sentirá que poderia ser chamado de lar.

Ao contrário de Arendelle, um lugar no qual ele se sentia à vontade, como nunca antes, e acima de tudo: feliz.

O clima era agradavelmente mais frio, a culinária era ótima, pessoas simpáticas que diferente das Ilhas do sul não o tratavam com indiferença, como se ele fosse somente o décimo terceiro.
Mas acima de tudo sentiria falta de Elsa.

Sentia algo com ela.
A única pessoa que poderia confiar tirando Lars, Dagmar e Charlotte.
Sentia se a vontade ao lado de Elsa, mas acima de tudo, algo que nunca sentiu na vida.
Gostava dela, e muito.

O jovem apenas suspirava desanimado olhando para Arendelle abaixo dele.

Via os portões do castelo agitados.
Várias pessoas com o uniforme da marinha de Arendelle carregando várias caixas.

Aquela noite teria uma festa em homenagem aos ilustres visitantes das Ilhas do sul.
Esperava vê la.

Queria que ela não se isolar se novamente. E nem entendia os motivos por fazer isso, ao ponto de se afastar de todos. Mas mesmo estando tão próximo dela nos últimos dias, não tinha coragem de perguntar.
Mas era óbvio que ela escondia algo.


18:15

Antes do anoitecer Hans estava pronto, ansioso pela festa.

Logo era chamado por Dagmar que batia na porta de seu quarto. Estava chegando a hora de eles entrarem.

No corredor, a caminho das escadas, encontrava uma Anna correndo sempre com o seu sorriso e atrás dela o rei ea rainha de Arendelle.
Mas Elsa não estava.

Aquilo desânimo profundamente o jovem príncipe que esperava tanto por ela. Dagmar ao olhar para seu irmão percebeu o quanto o fato da herdeira não estar ali o deixou desapontado.
Ela então apenas acariciou discretamente uma das mãos do príncipe, tentando consolá-lo.

Logo o rei ea rainha eram anunciados por Kai, assim como a princesa Anna e os homenageados. Hans descia logo atrás de Charlotte e então se postava a frente da área reservada a eles.

Lars, como o futuro rei das Ilhas do sul, tinha um trono reservado a ele próximo ao rei ea rainha de Arendelle.
Já Hans, Charlotte e Dagmar tinham um lugar reservado ali próximo, mais especificamente uma espécie de camarote de estado no nível do chão.

Outros nobres eram apresentados aos jovens da Ilhas do Sul e logo Charlotte e Dagmar eram chamadas para participar da dança que ocorria naquele grande salão.

— Não obrigado, eu não danço. —

Dizia Dagmar dispensando um senhor que a chamava para a valsa.

Ela olhava para todos de modo desinteressado. Diferente de Charlotte, Dagmar não gostava de bailes. Era reservada demais para isso. Evitava sempre que possível os bailes que sua família dava ou que era convidada.
E não gostava de ser o centro das atenções. Mas geralmente era.

Dagmar, assim como Charlotte, eram lindas moças e muitos jovens da realeza caiam sobre seus pés.

— Que tédio … -

Dizia baixo de modo que só Hans ao seu lado ouvia.

O mesmo também não parecia tão feliz.

Olhava todas aquelas pessoas dançando, aquilo o deixava entediado. Não tinha companhia, não da sua idade.

Anna estava perdida no meio da multidão, Elsa trancada em seu quarto, se recusava a dançar com suas irmãs, até por causa da diferença de altura.

Logo aparecia um jovem duque a frente de Dagmar a chamando para dançar.
Inesperadamente Dagmar aceitava, deixando um Hans surpreso para trás .

Mas agora poderia ser a chance para ele dar o fora dali sem ser percebido.

Em questão de minutos ele estava no mezanino que dava para o salão abaixo. Ali ele olhava suas irmãs ainda a dançar e Lars que conversava com o rei. E uma Anna semi acordada nos braços da rainha.

A jovem princesa Anna tinha somente 7 anos, era uma menina bem elétrica e com uma alegria contagiante. Hans gostava dela, era uma boa amiga. Apesar de ter um temperamento oposto ao dele, tímido e reservado.

Retirando-se dali ele via alguém andar pela penumbra do corredor à frente.

— Hans ? -

O Príncipe olhava um tanto surpreso a sua frente, ele via a futura rainha de Arendelle.

— Pensei que estivesse na festa. -

— Sim, eu estava … mas…. -

O jovem envergonhado coçava a cabeça desviando por um segundo o olhar dela.

— Mas e você, porque não está lá Elsa ? Está doente de novo ? -

Com aquela pergunta Elsa olhava para baixo.

— Sim, estou. -

Naquela manhã, Elsa acordou novamente com o gelo agitado dentro de si, a cada dia parecia piorar, não sabia o que fazer.

Mas algo estranhamente a tranquilizava: O príncipe.

—Posso cuidar de você Elsa… -

O modo inocente de como as palavras saiam da boca do príncipe era intrigante.

Era uma inocência tão imaculada que ele não tinha ideia do que realmente se passava com a princesa, e nem mesmo entendia o que acontecia em seu coração quando estava com ela.

Ela apenas sorria com aquelas palavras doces que ele sempre tivera com ela.

— Você quer dançar príncipe Hans ? —

Perguntava ela estendendo a mão a ele enquanto conseguiam ouvir a música alta que tocava do salão abaixo.

Vivaldi- Inverno.mvt 2:largo

Ele se surpreenderá com o ato dela, mas obviamente aceitara de bom grado aquele convite dando a mão a ela.

E assim os dois jovens começaram a dançar, ato esse que só voltaria a fazer um com o outro mais de 10 anos depois.

8:20 da manhã

O sol rasgava o quarto como um feixe de luz naquela manhã.

Novamente fora dormir tarde, e o motivo era sempre o mesmo: Ela.

Dançaram as mais variadas músicas que transbordavam do salão aos corredores próximos. Não se lembrava que hora a festa acabará, mas lembrava se que chegara exausto no quarto.

Não queria acordar, por dois motivos. O sono e hoje iria embora de Arendelle.

Se fosse em outras circunstâncias, estaria animado para partir e conhecer outro reino, mas havia se apaixonado por Arendelle e sua princesa.

O jovem levantava sonolento, não conseguia dormir mas, não com aquele sol.

Minutos depois estava descendo as escadas que levavam ao jardim da frente quando encontrava Dagmar e a rainha de Arendelle.
As duas pareciam conversar ao mesmo tempo que tinham livros em suas mãos.
A rainha era uma grande apreciadora da literatura, assim como as irmãs do príncipe.

Ele então se aproximava e fazia uma reverência à rainha que sorria gentil ao pequeno a sua frente.

— Está animado para conhecer os próximos reinos Príncipe Hans ? -

Ao ouvir a rainha dirija-se o mesmo ficava com uma expressão triste em seus lábios.

— Na verdade não, majestade, gostei muito de Arendelle, se pudesse ficava para sempre. -

A rainha deu um leve riso ao ouvir o jovem enquanto Dagmar olhava para ele com carinho.

— É uma pena que vão tão cedo, vejo que você e Elsa se tornaram muito próximos. Ela sentirá sua falta. -

Ao ouvir isso Hans corava intensamente.

— Você nem imagina o quanto majestade. —

Dizia Dagmar com um sentido explícito se referindo ao relacionamento que Hans tinha com Elsa. Mas a rainha nunca teria ideia do quanto tão próximo fora aquele relacionamento.

A manhã se passava serena, tranquila.

Hans se deitava no colo da irmã que se sentava junto com a rainha embaixo de um enorme carvalho, lendo em voz alta enquanto Charlotte se aproximava.

— Amo-te com a fé da minha infância, ingênua e forte. -

A brisa de primavera fazia Hans dormir no colo da irmã enquanto tinha os cabelos acariciados pela mesma que continuava a ler poesias com a rainha.

— Colhe a alegria das flores da primavera, e brinca feliz enquanto há tempo.

Sempre haverá os dias em que chegara o inverno.

E não terás o perfume das flores, nem o sol, nem a vivacidade das cores. —

A cada frase, a cada poesia Hans tinha mais certeza da falta que sentiria daquele momento que ficaria tão fixado em sua memória. Aquela semana que definiria muitas coisas que ocorreriam com ele no futuro.

15:46

Era a hora.

O navio já esperava no porto e maior parte das malas estavam na embarcação.

Elsa estava trancada novamente em seu quarto, olhando pela janela o mesmo navio do qual trouxera Hans, e agora o levaria dali.
A sensação de impotência e tristeza banhavam a jovem que sem querer fazia nevar em seu quarto.

Logo ela ouvia o som da porta bater, e novamente ao botar as luvas ela abria a porta encontrando sua mãe.

— Elsa… -

A rainha sorria de modo terno para a filha que estava visivelmente triste.

— Não fique assim, ele vai voltar querida. -

A mãe da jovem passava a mão nos cabelos de sua filha que a abraçava sem medo pela primeira vez em muitos meses.

No outro quarto um andar abaixo o príncipe também se encontrava em um estado parecido com a de sua princesa.

— Não fique com essa cara Hans, não é o fim do mundo. -

Dizia Lars que terminava de se arrumar e depois sentava se ao lado de Hans que estava jogado em cima daquela enorme cama.

— Olha só, você poderá voltar para Arendelle no futuro… -

— Papai não deixa a gente sair nunca, só você… você é o único que consegue viajar… —

Dizia Hans de modo abafado pois estava com o rosto enfiado entre o travesseiro que abraçava naquele momento.

— Então quando puder eu levarei você comigo Hans… -

Lars dava um breve sorriso olhando o irmão que se levantava surpreso com aquilo.

Mas aquilo nunca seria permitindo. Hans nunca conseguiria viajar com Lars. E demoraria muito para voltar a Arendelle.

Estavam todos no porto naquele final de tarde .

Eram 16:30 e o navio já estava pronto para partir. Mais dois dias de viagem até o próximo reino. Não seria uma viagem agradável dessa vez.

Muitas pessoas se aglomeravam curiosas com o acontecido. O rei e a rainha cumprimentavam os jovens príncipes e princesas da Ilhas do sul. E Anna e Elsa faziam o mesmo.

Elsa segurava uma pequeno embrulho.

Quando começava a subir na embarcação Hans ouvia seu nome ser chamado atrás dele.

Era Elsa que vinha a sua direção.

— E para você, nunca se esquecer… de mim. -

Ela sorrindo entregava o embrulho para ele que olhava um tanto surpreso.

Mas antes que ele abrisse Elsa tocava nas mãos inquietas do príncipe.

— Abra depois. -

Ele então apenas fez um sinal positivo com sua cabeça ao mesmo tempo que sorria para ela.

O apito do navio soou e Hans teria de entrar.
O jovem então pegava a mão da futura rainha e beijava de modo terno logo depois dando um grande sorriso a ela que envergonhada também sorria.

Mas agora não havia tempo para mais nada. Ele então subiu e logo o navio deixou o porto.

Lars, Dagmar, Charlotte e Hans ficavam na área de trás do navio acenando um adeus.
Hans ainda ficava ali até os picos de Arendelle desaparecem no horizonte. Não tinha mais volta.

Agora era a hora de abrir o pacote que Elsa havia dado.

A verdade e que Charlotte, Dagmar e Lars estavam igualmente curioso sobre o que havia ali.

— Deve ser a aliança do casamento de vocês. —

Dizia Charlotte brincando com seu irmão mais novo que pegava o pacote do qual havia guardado.

— Talvez um livro… -

Lars dizia sentando se no sofá com um copo de vinho em suas mãos.

Estavam agora em uma sala que era reservado a eles dentro daquela embarcação,lindamente mobiliada.

Hans abria o pacote e imediatamente seu queixo caira ao mesmo tempo que ficava completamente corado.
Era a boneca de Elsa, que ele estava nas mãos em seu primeiro beijo com a princesa.

Aquela lembrança viera em sua mente.

E ele não fora o único que lembrava dessa boneca. Pois Lars também acabou por se lembrar da cena inconveniente em que encontrara seu irmão beijando a princesa.

Lembrava que ele segurava aquela boneca como se segura se a própria princesa. Um fiel escudeiro.

Hans era acordado de suas lembranças quando Lars tossiu e depois sorriu para o príncipe que corava ainda mais ao perceber que seu irmão também lembrava se da mesma cena.

— Que bonitinha !!!! Uma boneca parecida com ela. -

Charlotte tinha seus olhos brilhando enquanto Dagmar se ajoelhava diante seu pequeno irmão.

—Acho que é para você nunca se esquecer dela… posso ver ??? -

— Eu nunca me esqueceria. -

Disse Hans entregando a boneca a sua irmã.

Aquela boneca seria guardada com esmero pelo príncipe nos próximos anos em seu quarto nas Ilhas do sul.
Sua mais doce lembrança física de uma semana em Arendelle.