Cantos da Montanha

10 Meio soneto do crepúsculo


Se eu fosse morrer amanhã

Desejaria brigar com todos os falsos amigos

Desejaria abandonar todos os vícios

Desejaria deixar de viver.

Se eu fosse morrer amanhã

Provavelmente não diria a ninguém

Nem incomodaria ninguém

Nem feriria ninguém.

Se eu morrer amanhã, morrerei de medo

Mas, se morrer, que morra de vez

E que não reste nada de mim.

Se eu morrer amanhã, não deixarei saudades

Não deixarei memórias, sonhos ou promessas

Se eu morrer amanhã, morrerei.

Por mais petulante que isso possa parecer

Nem eu sei se eu choraria por mim.

Se eu morresse amanha, morreria quieto

Cheio de medos, angustias e incertezas.

Mas faria questão de morrer em silêncio, sem declarações

Sem poemas, sem mentiras

Sem nada.